CHILE PARA ACERTAR NO ALVO – 6 TERROIRS E 8 UVAS


CHILE MAPA DO VINHO

Eis o mapa do vinho no Chile. De norte a sul do país esguio temos regiões de vinho. Umas melhores outras nem tanto. Mas, o certo é que temos um mar de vinhos no Chile. Dê uma olhada nas lojas especializadas e sites de venda on line, apenas para ficar neles.

A pergunta fica. Como filtrar para acertar o alvo sem ao menos conhecer pessoalmente os vinhos a serem adquiridos? Esta a motivação desta publicação.

Já dito em publicações anteriores sobre a dificuldade de separar o joio do trigo, pois como tudo na vida aqui também eles vêm misturados. Mas, seguindo as dicas anteriores vamos ver quais os terroir que destaco, de início e qual uva o representa melhor. Entendendo, sempre, que o terroir é o senhor dos vinhos.

ELQUÍ E LÍMARI – TERRA PARA A SYRAH

Vendo no mapa estão situados no extremo norte do país, a 400 quilômetros da capital Santiago. Nas portas do deserto do Atacama. Clima árido e muito ensolarado no verão com noites frias ao final da maturação. Uma certa umidade vem das frias águas do Pacífico o que favorece o plantio, não só de uva mas de frutas em geral.

Os dois são as regiões mais ao norte no Chile que produzem vinhos finos. São vales onde a uva para vinhos finos foi plantada recentemente. Desde então vinha produzindo uvas para o Pisco, aguardente de uva produzida na região.

O Elquí.

CHILE ELQUI

Sem nenhum medo de errar é berço adotivo para a Syrah. As condições climáticas descritas encaixam-se perfeitamente nas exigências desta uva, nascida na bacia do Rhône, França encontrou no Rhône norte, mais precisamente no Hermitage  e na vizinha Côtie Rotie ou costa torrada condições ideais para seu esplendor.

Portanto, esta a primeira dica. Falou em Elquí ou Limarí falou em Syrah.

Mais ao sul temos.

CASABLANCA/LEYDA – TERRA DE SAUVIGNON BLANC – CHARDONNAY E PINOT NOIR

Casablanca, entre a capital e Valparaíso o balneário mais visitado do Chile com as águas geladas do Pacífico. Vinhedos que estão quase a beira-mar, algo em torno de 5 quilômetros marca a diferença.

Anteviu-se que ali, pela proximidade do oceano, a possibilidade da produção de vinhos brancos e da Pinot Noir da elite internacional.

De Casablanca e da sua vizinha Leyda, mais para o centro do país, saem, atualmente, um dos melhores terroir (terra + solo) para a Chardonnay, Sauvignon Blanc e Pinot Noir do Chile, sem nenhuma dúvida.

CHILE CASABLANCA

Se encontrares, onde for, um vinhos destas castas e desta região podes comprar sem medo de errar.

São regiões abertas com altitude média de 150 a 250 metros onde não existem rios permanentes, portanto, cada um é responsável pela sua irrigação, onde o necessário e o querido frio noturno vem do oceano pacífico, refrescando as videira à noite.

Volta-se a repetir, ali são produzidos, o que há de melhor em termos de Pinot Noir, e as brancas Chardonnay e Sauvignon Blanc do Chile. Os brancos muito minerais, secos e aromáticos, são muito parecidos com os vinhos brancos do Loire e da Borgonha. Em nada lembrando aqueles Chardonnay que puxam para o mel e caramelo, tão comum em outras regiões andinas.

MAIPO – CLÁSSICA REGIÃO DE CABERNET SAUVIGNON

O Maipo, além de ser o início da consagrada região do central do Chile, entre as duas cordilheiras é berço das mais antigas e tradicionais vinícolas do Chile.

O Rio Maipo descendo dos Andes trata de dar todas as condições de irrigação que as videiras precisam. O sistema de irrigação, assim como em Mendoza, utiliza-se de canais para captar a água do degelo da cordilheira.

Hoje algumas das mais antigas vinícolas do Chile ainda possuem e produzem na região, outras apenas mantém a sua sede na região, deslocando o eixo produtivo mais para o sul (tintos) e para o vale de Casablanca (brancos).

CHILE MAIPO

Seguramente é reconhecido mundialmente pela qualidade de seus tintos, em específico os elaborados com a casta Cabernet Sauvignon. Hoje, em face do crescimento da capital o centro dos vinhedos deslocou-se em direção ao litoral, recebendo as graças dos ventos frios do Pacífico ou o chamado Maipo Alto onde estão os vinhedos do Sr Rothschild e seu  Almaviva e da Perez Cruz, querem mais?  Maipo é, sobretudo Cabernet Sauvignon.

COLCHAGUA – CARMÉNÈRE – MERLOT E CABERNET SAUVIGNON

O  coração vinhateiro do Chile, neste fértil vale com suas casas e fazendas  ancestrais que sentiu uma forte modernização na produção do vinho impulsionando o Chile para ser um dos maiores produtores mundiais de vinhos de qualidade.

CHILE COLCHAGUA 2

Este vale encravado entre as duas cordilheiras tem na regularidade climática, exposição solar, qualidade de solo e o tão desejado  gradiente de temperatura quando recebe, a noite, os ventos que descem da cordilheira dos Andes, no verão, refrescando os vinhedos, pois ficam represados entre as cordilheiras.

Ali estão as vinhas e sub-regiões que muito se fala nos últimos tempos. Local ideal para a Carménère  a Merlot e os magníficos Cabernet Sauvignon.

Aliás, aqui foi redescoberta a Carménère, na sub-região de Apalta. Uva vinda de Bordeaux onde, hoje, está em desuso, foi durante anos confundida com a Merlot. Aliás, os vinhateiros (colonos) homens do campo diziam que tinham duas Merlot a Temprana e a Tardia, a que se colhe cedo e a que se colhe depois. Uma delas a Carménére, mas no distrito de Apalta e redondezas é que estão os grandes Carménère do Chile.

MAULE – OS VINHEDOS ANTIGOS DA CARIGNAN

O Maule é a mais extensa região consagrada do Chile. Inicia a 250 quilômetros de Santiago e vai até as portas de Bio Bio e Itata, últimas fronteiras dos vinhos ao sul do país. Por ser muito extenso vêm dai os vinhos de qualidade inferior ou mesmo sofrível que encontramos no dia-a-dia dos supermercados.

Lógico porque os outros vales mais consagrados ao norte do Maule não possuem extensão suficiente para produzir vinhos em grande quantidade com baixa qualidade. Portanto, vamos com calma.

No vale do Maule a geografia começa a mudar radicalmente, termina o vale entre as cordilheiras e começam as planícies patagônicas.

Mas há uma região do Maule onde estão as videiras antigas, algo de 1937, como a da foto.

CHILE MAULE

Carregadas de Carignan trazidas pelos franceses/espanhóis tem muitos anos.

Nascida e criada na borda do Mediterrâneo a Carignan ou Cariñena, na Espanha de onde é originária. Mas no Languedoc, extensa região na França que vai da Provence até a fronteira espanhola encontrou um local onde produz muito e, hoje, graças ao trabalho dos jovens produtores, produz com qualidade. Uva que traz ao vinho muita cor e aromas, mas possui muita acidez e taninos, por isto dificilmente a vemos, nesta região vinificada sozinha.

Apareceu muito bem nos dias quentes e ensolarados do Maule.

BIO BIO – CHARDONNAY E PINOT NOIR

Simples olhar para este vinhedo em Bio Bio, extremo sul do Chile, já demonstra que estamos numa região absolutamente diferente das mais ao norte do país.

Esqueça todos os vinhedos mais ao norte. Aqui tudo muda.

Bio Bio, cortada pelo rio do mesmo nome, a 500 quilômetros da capital, nos traz mais frio de dia e a noite, maior pluviosidade e vegetação abundante.

CHILE BIO BIO

Resultado? Vinhedos de Chardonnay, Sauvignon Blanc e Pinot Noir.

Com paciência e dedicação os produtores enfrentam as adversidades e nos trazem vinhos especiais.

A Patagonia chilena recentemente vem revolucionando os vinhos brancos chilenos. O frio ajuda e em muito a produção de excelentes Chardonnay, Sauvignon Blanc e Pinot Noir. As grandes vinícolas chilenas possuem vinhedos neste região. Lembrem-se que é desta parte do Chile que sai o ímpar Sol de Sol Da Viña Aquitania PARA MIM O MELHOR CHARDONNAY CHILENO.

Prestem atenção nos rótulos e se lá estiver Bio Bio, Itata ou Maleco e a uva for uma destas três o vinho será especial. Produções pequenas e grandes vinhos.

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