VINHO MADEIRA – SEU CHARME SUA ELABORAÇÃO SEU DIFERENCIAL


ORTUGAL-ILHA-DA-MADEIRA

A Ilha da Madeira fica em torno de 1.000 quilômetros de Lisboa e a 600 do litoral africano, Marrocos, só por aí se vê que os vinhedos estão completamente fora dos padrões portugueses de clima, temperatura e solo.

As vinhas são plantadas na lateral dos morros com ajuda de socalcos, verdadeiras paredes de pedra a segurar os parreirais.

Ilha conhecida no mundo pelo seu potencial turístico, também é imediatamente reconhecida pelo seu vinho fortificado, o MADEIRA, veremos a adiante.

HISTÓRIA

A história do vinho na ilha começa com sua descoberta em 1419 com a chegada oficial dos portugueses e as primeiras vinhas são plantadas.

A produção de vinho foi estimulada pela necessidade de abastecer os navios nas rotas do Atlântico para o Novo Mundo e para a Índia.

Ingleses que estavam na ilha se encarregaram de exportá-lo fazendo com que fosse conhecido no mundo, principalmente nas suas colônias.

Torna-se o vinho preferido nas comemorações, festas e banquetes.

Foi com vinho da Madeira que em 4 de Julho de 1776 os americanos brindaram sua independência do Reino Unido.

CLIMA

A diferença climática entre a ilha e o continente português nos dá características especiais nas uvas e na elaboração do Vinho Madeira. Clima subtropical na parte sul da ilha e temperado na parte norte. Temperaturas médias acima dos 20 graus celsius. Índice pluviométrico acima dos 500 mm no sul da ilha e 2.000 mm nas encostas do norte. Ventos do Atlântico garantem uma elevada umidade o ano todo somado aos solos vulcânicos estão garantidas as condições para uma vegetação exuberante.

O VINHO MADEIRA

Alguns o têm como semelhante aos vinhos do Porto. De semelhante apenas estarem no mesmo país. Ao contrário dos vinhos da Madeira que utilizam álcool vínico os Porto utilizam aguardente vínica, o que traz aromas e sabores bem diferentes ao Madeira, para estancar a fermentação e manter altos índices de álcool e açúcar, a característica principal dos vinhos fortificados, além de serem “cozidos”.

As diferenças são muitas. A começar pelo terroir. Os vinhos da Ilha da Madeira são produzidos a quase 1.000 quilômetros do continente português. Outro solo, outra geografia, outro clima e outra intervenção humana, bem como se caracteriza o terroir.

Aqui as uvas sofrem o clima marítimo de moderado a quente com altos índices de pluviosidade. Os vinhedos são plantados nas encostas, vejam a foto acima, para que o solo esteja sempre bem drenado.

Diferente, também, nas uvas que compõem o vinho. No Madeira quase a totalidade dos vinhos é elaborado com a Tinta Negra.

O restante com as uvas Sercial, Verdelho, Boal e Malvasia. Todas brancas.

Interessante é que cada qual que o produz dirá se o vinho é seco, meio seco, meio doce ou doce. Respectivamente na ordem das uvas.

A classificação também e diferente.

POR DOÇURA

Como vimos acima há quatro classificações por nível de doçura. Seco (Sercial), meio-seco (Verdelho), meio doce (Boal) e o doce (Malvasia).

POR IDADE

As diversas classificações por idade vão de 3, 5, 10, 15, 20, 30 e mais de 40 anos. São vinhos de corte com diversas safras devidamente selecionadas.

VINHOS ESPECIAIS

São os elaborados com uvas de uma só safra, os COLHEITAS ou FRASQUEIRAS. Aqui sempre vem claramente identificadas no rótulos as datas em que colhidas as uvas.

São os top dos Madeiras. São vinhos  guardados em enormes barricas e somente são engarrafados depois de 20 anos de espera. Alguns casos raros mais de 50 anos de espera. Preparem os bolsos.

Mas como esta joia é elaborada?

O início é igual aos fortificados. No mosto (“suco” resultante do esmagamento das uvas) quando atingido o ponto certo derrama-se aguardente vínica, este álcool irá estancar o processo fermentativo aumentando o grau alcoólico e mantendo o açúcar da uva.

PROCESSO DE ELABORAÇÃO

ESTUFAGEM

Onde são produzidos os mais simples e corriqueiros, aqueles elaborados com a Tinta Negra. Aqui, se qualquer outro vinho fosse elaborado com esta técnica seria um desastre total. O vinho depois de terminado seu processo de elaboração é colocado para “cozinhar” ou estufar.

Tem tempo que se sabe que estes vinhos melhoram com o calor. Os chamados torna-viagem aqueles que iam para locais distante de navios, do tempo das viagens marítimas e quando os que não eram vendidos voltavam verificava-se que estavam muito melhores, eis que submetidos ao calor e abafamento dos porões.

Daí o desenvolvimento desta técnica. Hoje utilizam-se tanques de inox com controle de temperatura para simular as mesmas condições. Em ambiente redutor de oxigênio o vinho é aquecido e durante o tempo certo sofrerá redução e oxidação nos trazendo a maravilha que é este vinho.

Muda a cor, perdendo a tonalidade tinta para ter aquela cor típica. São vendidos com a denominação MADEIRA no rótulo.

CANTEIRO

Os melhores, aqueles que falamos anteriormente são elaborados pelo método de Canteiro. Que na verdade é o mesmo processo só que de forma natural. Nada de volume alto em tanques de inox com temperatura induzida e controlada.

Os vinhos vão para os cascos e são colocados no sótão das casas ou das vinícolas. Ah, isto mesmo, lá em cima pegando o calor necessário para que sejam lentamente cozinhados,  tornando-o muito resistente ao tempo.

As principais castas são:

TINTA NEGRA MOLE: Casta tinta bastante versátil e vigorosa, com a casca fina e mole, daí seu nome.  Produz vinhos encorpados com acidez moderada, muito usada em corte no Algarve. Aqui, na Madeira responde sozinha por vinhos tintos secos a meio doces, mas, no corte do fortificado Madeira responde a 80%  do corte junto com a Verdelho,  Sercial, Boal e Malvasia.

VERDELHO: Certamente não é nativa da ilha e foi trazida da Itália, Marche, onde é conhecida por Verdichio  ou continente português,  produz, na ilha, vinhos encorpados com acidez baixa, mas bastante vigorosa.

SERCIAL: Conhecida no continente português com o sugestivo nome de esgana cão, muito resistente aos fungos presentes quando há húmidade excessiva, como o oídio, de corpo médio e bastante ácida,  gosta do clima mais frio e húmido da Madeira.

BOAL: Mais uma csta do continente, muito resistente à húmidade eis que possui uma casca grossa.

MALVASIA: Mais um casta do sul da Itália, provavelmente levada para lá pelos gregos, bastante aromática, uma  prima, talvez,  da nossa Malvasia Cândida plantada na serra gaúcha. Junto com a Tinta Negra Mole representam quase das características deste fortificado, o MADEIRA.

E como já vimos na harmonização dos posts anteriores vai muito bem com os queijos azuis, Gorgonzola e Roquefort.

 

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