CHAMPAGNE E BORGONHA – RECEBEM TÍTULO DE PATRIMÔNIO DA HUMANIDADE


FRANÇA CHAMOAGNE 3

Comemoram os franceses. A Borgonha e Champagne a partir de agora passam a fazer parte do patrimônio da humanidade, assim como é o Douro vinhateiro, por exemplo.

E por quê? A região de Champagne por produzir um clássico vinho que leva segunda fermentação na garrafa. E a Borgonha por paisagem cultural, principalmente as regiões de Montrachet, Vosné-Romanée e Romanée Conti.

Mas vamos expandir um pouco esta informação. Penso que está um pouco carente.

CHAMPAGNE

Pequenas comunas rodeadas de vinhedos de Chardonnay, Pinot Noir e Pinot Meunier, são comuns na Champagne.

Pois é, falar de Champagne e não falar dos Monges é não falar deste vinho. As primeiras vinhas foram plantadas pelos Romanos. Na Idade Média, as pequenas cidades feudais viviam em função dos nobres e da Igreja. Quer queiram quer não, a Igreja, nesta época desenvolveu importante papel na sociedade.

As Abadias, do latim Abattia deriva do aramaico Abba (Pai), eram verdadeiros oásis na selva que era a vida fora dos burgos e das áreas controladas pela Igreja.

Igrejas antigas estão espalhadas por toda a região de Champagne.

Nos Mosteiros, Conventos e Abadias a vida seguia em segurança, algo como um condomínio fechado, se assim posso comparar, onde se desenvolvia a gastronomia, a cultura e, claro, o vinho.

A lenda que o Monge Dom Perignon, meio sem querer querendo descobriu o método arcaico do Champenoise, qual seja, a segunda fermentação na garrafa.

Na verdade, Limoux região no sudoeste francês, nas encostas dos Midi-Pirineus já elaboravam um espumante antes da lenda Dom Perignon.

Bem como dito a ligação entre Igreja e Monarquia era próxima, inclusive alguns Reis resolveram, por si, criar Igrejas ou mesmo ser um iluminado, que o diga o Rei Sol, Luis XIV, os Champagnes logo ganharam os salões e se tornou sinônimo de vinho cheio de glamour

Mas o Champagne é, antes de tudo, um vinho que sofreu uma segunda fermentação na garrafa. Entendendo-se o vinho como uma fermentação da uva no meio do caminho entre o suco e o vinagre.

O vinho base para o Champagne é um vinho bem mais ácido que o normal não se esquecendo que uma das chaves da longevidade do vinho é a  acidez. As regiões frias, com pouca insolação no verão são as ideias para o cultivo do vinho base.

No caso do Champagne são usadas duas castas tintas e uma branca, Pinot Noir, Pinot Meunier e a Chardonnay. Após a fermentação normal o vinho vai para a garrafa onde ocorre a segunda fermentação e o surgimento das inefáveis bolinhas. Quando da finalização, a borra que se forma na ponta do gargalo é congelada e retirada, no espaço  se  recoloca o vinho base.

Os aromas do Champagne são muito difíceis de serem detectados o vinho base sendo mais ácido é pouco aromático, além da agulha na ponta do nariz vindo do estouro das bolinhas e do CO2. Uma dica é servir em taças normais de vinho branco, o maior contato do vinho com o oxigêncio libera mais rápidamente o CO2 e aí podemos sentir os aromas do Champagne.

Por último o Champagne Vintage é elaborado em ocasiões especiais quando a safra é da mais alta qualidade. Normalmente o vinho base é um corte das melhores safras de cada casta.

BORGONHA

A Borgonha no centro leste da França começa na terra da Gamay e seus Beaujolois Cru e termina na desgarrada Chablis (Chrdonnay), passando pelo coração que é Côte D’Or que divide-se em duas, ao sul Beaune (predomina Chardonnay) onde está Chassagne Montrachet e ao norte Côte de Nuits (predomina Pinot Noir) onde está Vosné-Romanée.

Além dos telhados famosos

borgonha

A história é forte na Borgonha, além destes telhados famosos como o da foto acima, a Borgonha é conhecida pelos seus Monges Cistercienses, Ordem da qual Don Pérignon, aquele que dizem ser o responsável pela “criação” do Champagne, fazia parte. O certo é que estes Monges, em épocas feudais detinham o conhecimento da culinária, da cultura, obviamente da religião e do vinho e da cerveja. Foram eles que detalhadamente especificaram o terror da Borgonha.

Mas também, ao lado dos Monges estavam os poderosos Duques da Borgonha, no período de 1360 até 1480, sob a dinastia Flanders,  simplesmente comandaram o espetáculo político e econômico na França. Vamos desde Felipe o Bravo até Carlos o Temerário (sugestivo este apelido). Indo de grandes conquistas territoriais como a Bélgica e a  Holanda até a Batalha de Agincourt (vejam o filme Henrique V, além de único é uma síntese do período) quando compartilharam o reino da França com os ingleses, até a morte de Joanna D’Arc. Estes Duques trouxeram para a Borgonha o que havia e melhor em termos culturais, arquitetura, arte e gastronomia

A Borgonha, depois da queda da Bastilha foi desapropriada e picotada por Napoleão que a vendeu a comerciantes abastados da época. Por isto temos, hoje, proprietários com fileiras de vinhedos e até mesmo alguns hectares, casos mais raros.

Vários produtores alguns estilos diferentes de elaborar os vinhos com as mesmas uvas. Soma-se os vários micro climas que a região possui e temos um caleidoscópio de aromas e sabores para duas uvas.

FRANÇA BORGONHA VOSNÉ-ROMANÉE

Um dos mais renomado proprietários possui  dois campos de futebol do melhor terroir para a Pinot Noir no mundo. Romanée- Conti na pequena vila de Vosne-Romanée ao fundo.

Percam-se nestas pequenas cidades e visitem estes produtores, a viagem é divina.

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