BOBAGENS QUE OUÇO SOBRE VINHO BRASILEIRO


GUATAMBU

Estamos na Guatambu Estância do Vinho, com uma linda paisagem de um novo terroir do vinho brasileiro, a Campanha Gaúcha, região que margeia a fronteira com o Uruguai, no extremo sul do Brasil.

E não vai aqui qualquer discussão sobre complexo de vira-lata, de menos prezo ao que é nosso. Bebo vinho brasileiro porque gosto. Entendo um pouco de vinho e aprecio porque me dá prazer e ponto final.

Amigos se encontraram aqui para apreciar, entre outros vinhos e espumantes, um Tannat brasileiro co muito orgulho.

Puxe uma cadeira e vamos conversar sobre alguns injustificados preconceitos que muitos consumidores, comerciantes e, até, enófilos, têm com o vinho brasileiro. Ouço, tem tempo, algumas bobagens que devem ser erradicadas, como:

VINHO BRASILEIRO É RESUME-SE A VINHO DE COLONIAL

Vinho colonial, aqui no Brasil, são vinhos simples, muitos com adição descarada de açúcar e utilizando-se, de modo geral de uvas americanas, não viníferas, como Niágara, Bordo, entre outras. A verdade é que existe muito deste vinho por aí. De fato ainda é consumido por boa parte de consumidores que gostam e ficam nestes vinhos.

Mas a bobagem é dizer que o vinho brasileiro resume-se a este estilo. Hoje temos um avanço reconhecido internacionalmente em função dos vinhos espumantes. Tintos e brancos estão sendo trabalhados com melhoria de vinhedos e técnicas de produção, aliás, como no mundo todo. Novos terroir como este da Campanha Gaúcha vem sendo mapeado e trabalhado por enólogos experientes. Assim é bobagem afirmar que ficamos só neste estilo de vinho.

VINHO BRASILEIRO É RUIM

Outra afirmação intempestiva. Primeiro porque o conceito de gosto e prazer é muito subjetivo. Diria que não tem vinho ruim e, sim, estragado ou não. Claro que este conceito de prazer pode ser aumentado com experiência em novos vinhos, conversas e encontro de vinhos, leitura, enfim, não há outra saída que não experimentar.

Posso dizer que aqui ou em qualquer lugar deste planeta temos vinhos desequilibrados. E o que é um vinho desequilibrado? O vinho, em tese, precisa ter harmonia entre açúcar, álcool e acidez. Quando um sobressai ao outro temos um vinho desequilibrado. Entendo, por exemplo que alguns andinos com mais de 16% de álcool, nos tintos e beirando os 15% nos brancos são vinhos desequilibrados e desarmônicos. Eu não gosto.

Claro que temos vinhos muio ácidos e irritantemente ácidos, mas são, em geral, os mais baratos e não podem servir de exemplo a todos.

Importante ressaltar que nossa vocação, principalmente na Serra Gaúcha e Catarinense, são vinhos brancos mais ácidos e tintos de médio corpo que seguem este caminho. Deve-se aos chamados vinhos de montanha, que tem mais frio, mesmo no final da maturação, não concentrando o açúcar para encorpá-los. Assim como alguns famosos, como os Barolos e Brunellos com a Nebbiolo e Sangiovese. Bastante ácidos eu diria. Aí não reclamam compram, pagam bem e, silêncio.

GUATAMBU TANNAT

VINHO BRASILEIRO É ESPUMANTE

De fato devido ao sucesso dos espumantes brasileiros alguns podem pensar que se resumem a eles. Nem pensar em tal afirmação. Novos terroir, na última década têm sido explorado. Como a Campanha Gaúcha, aí da foto. Que nos traz tintos muito interessantes. A Tannat, aqui por conta de noites mais quentes no final da maturação ganham mais fruta e perdem aquela rusticidade típica da Tannat. Um exemplo de terroir brasileiro. No mesmo caminho a Merot e a Cabernet Sauvignon, por aqui. Brancos com a Viognier, Gewürtztraminer e Sauvignon Blanc também vem sendo apresentado e com qualidade.

Na Serra Gaúcha uvas esquecidas trazidas pelos imigrantes do Vêneto e Trento estão ressurigindo, como a Marzemino, Lagrein, Teroldego e Peverela. Um trabalho de artesãos do vinho. Trabalho, este, que não deve ser ignorado, mas sim exaltado e apreciado.

Na Serra Catarinense e Campos de Cima, temos a Sauvignon Blanc e a Pinot Noir, respectivamente, dando belos resultados.

Portanto, não fique só nos espumantes.

VINHO BRASILEIRO É CARO

Mais uma falsa ideia. Temos preços para todos os gostos e bolsos. Alguns valem quanto pesam, outros não. Alguns estão completamente fora de propósito no seu valor, outros não.

Assim como em qualquer lugar deste planeta. Atire a primeira pedra quem não comprou um vinho, andino, por exemplo, que pagou caro e não valia metade. Tem vários por aí. Claro que alguns consumidores ainda são muito vulneráveis aos rótulos e garrafas. Eu ainda não bebo isto, bebo vinho. Pago pelo vinho não por gorduras externas.

VINHO BRASILEIRO TEM MUITA QUÍMICA

Ter muita química no vinho é uma expressão moderna, quer dizer vinho trabalhado. Uva desequilibrada nos traz, necessariamente, vinho desequilibrado. Somente sendo equacionado com química. Correção de açúcar, acidez etc e tal. Normal no mundo todo.

Claro que se faz vinho inclusive de uva. Na chamada química gosto de resumi-la assim.

Química necessária. Todo o vinho para estar pronto depende da química. Não exite vinho sem aplicação elementos externos que  vão ajudá-lo.

Química de embelezamento. Aquela que se utiliza, as vezes de forma desnecessária, para enfeitar o vinho, como chip e barricas de madeira, entre outras.

Química do mal. Bem aqui é pesado, são essências químicas que imitam madeira e outros aromas, são corantes e coisa e tal. Não vou esmiuçar este assunto porque não é o motivo da publicação.

Isto, infelizmente, é feito no mundo. Têm muito vinho aí na casa dos R$ 18,00 que atravessou o mundo com muitos comerciantes e Governos ganhado em cima e ele chega para ti na faixa de R$ 20,00. Dois Euros ou um dólar, convenhamos, coisa boa não é.

Prefiro,neste caso, um bom vinho brasileiro nesta faixa de preço. E, olha que existem vários exemplos.

Por fim, lembre-se melhor um bom sanduíche com mortadela em algum boteco do que um almoço caro e ruim em restaurante.

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