AS PRINCIPAIS UVAS


PORTUGAL TEJO

Cada país produtor têm suas uvas nativas. Algumas em produção considerável outras nem tanto. Mas há aquelas que chamo de principais uvas porque compõem a esmagadora maioria dos vinhos vendidos.

São as chamadas uvas internacionais e assim o são não porque alguns resolveram ditar estas regras. Elas o são pela sua grande capacidade de adaptação, qualidade e produtividade nos mais variados terroirs do mundo.

Algumas mais conhecidos outras um pouco menos, mas todas elas circulam por aí com grande desenvoltura. Elas são:

CABERNET SAUVIGNON 

Nativa de Bordeaux, França. Geneticamente é cruzamento da tinta Cabernet Franc com a branca Sauvignon Blanc.

No chamado lado esquerdo do estuário do Gironde encontramos Médoc e suas sub-regiões, entre elas a afamada Margaux. Em popularidade mundial e em área plantada é a versão tinta da Chardonnay pela sua adaptabilidade, qualidade e produtividade.

Nos melhores exemplares encontramos uma uva com forte carga de taninos o que nos leva aos vinhos de guarda. Estes vinhos são um tanto duros e tânicos em sua juventude, mas o tempo só faz melhorar a sua qualidade.

Uva vocacionada para estagiar em barricas de carvalho, ao final de seu tempo de maturação temos um vinho com aromas firmes de frutos vermelhos, algo de tostado pelas barricas que passou e na boca um vinho sedoso e muito encorpado.

Nas versões mais simples e desequilibradas um vinho excessivamente tânico, herbáceo e duro.

Dá-se muito bem no centro do Chile, Colchagua, Curicó e Cachapoal. Nos EUA, nas partes mais quentes e secas da Califórnia. Algo de Argentina, também nas partes mais secas e altas de Mendoza.

Interessante é, sempre apreciar um Cabernet Sauvignon de onde ela nasceu, Médoc. 

MERLOT

Outra uva de Bordeaux, mas desta vez no lado direito do Gironde. Faz parte do corte bordalês com as Cabernet Sauvignon e Franc.

Seu nome origina do pássaro negro Merlo devido a cor dos cachos quando a serem colhidos. Por muito tempo confundida no Chile com a Carménère, produz vinhos com grande sedosidade e maciez, sem perder a força. São vinhos elegantes e aromáticos.

Gosta de climas mais frios e solos mais úmidos, muito bem adaptada ao sul do Brasil, Chile, EUA e Argentina, mas em todo o lugar é plantada com sucesso. Faz parte do corte (blend) de alguns vinhos famosos na Itália como os Super Toscanos. 

CABERNET FRANC

Na década de 70 e 80 era figura fácil de ser encontrada. E, para a surpresa de muitos, uma das mais bem adaptadas castas ao terroir do sul do Brasil. Na serra gaúcha obteve muito sucesso. Depois foi cedendo espaço para a Cabernet Sauvignon e a Merlot.

Gosta de solos frios e climas mais amenos no verão. Daí dar-se muito bem na serra gaúcha. Pode ser utilizada em corte ou em carreira solo (varietal).

Nascida em Chinon, no centro do Loire, França, alcançou em Bordeaux sua fama maior. Faz parte do famoso corte bordalês com a Merlot e a Cabernet Sauvignon, onde contribui com perfumes e especiarias. Nos vilarejos de Pomerol e Saint-Emillon (Bordeaux) atinge seu máximo.

No varietal com esta casta, os de Chinon (Loire) são os melhores. Médio corpo, cor vermelho translúcido, em alguns casos lembram Pinot Noir mais encorpados, nos trazem um vinho sedoso e agradável.

Suave e sedutor assim é o vinho de Chinon. Daqueles vinhos companheiros para momentos íntimos onde podemos ouvir uma boa música e ler um bom livro.

Plantada mundo pelo mundo e utilizada em corte com outras castas. Nos EUA há vários vinhos feitos exclusivamente com a Franc.

CARMÉNÈRE

O nome vem da palavra Carmin (a cor avermelhada) que ficam suas folhas quando do outono. Esta uva nasceu em Bordeaux, França, mas de lá saiu na mala de algum missionário ou imigrante. Em sua terra natal deve estar extinta, principalmente porque não gosta de frio, muito menos de solos frios. Encontrou no vale do Colchagua, este da foto, as condições ideais para se desenvolver. Muito tempo confundida e tratada como uma  Merlot hoje vive dias de gloria.

O Chile na busca de uma uva símbolo, assim que descobriu a Carmenère tratou de desenvolver estudos para descobrir como e onde estava a melhor Carmenère. Hoje sabe-se que os melhores vinhos desta casta vêm do Colchagua.

O vale do Colchagua fica ao sul de Santiago e entre duas cordilheiras, a menor, segura os frios ventos do oceano Pacífico e a dos Andes que refresca os vinhedos nas noites de verão. O clima estável, ano a ano, tem invernos rigorosos e verões com noites frescas, ideais para o desenvolvimento da Carmenère.

Um bom Carmenère é um vinho de médio corpo, cor vermelha escura, nariz típico de frutos vermelhos. Na boca é sedoso, aveludado e possui um toque terroso, muito característico.

CHARDONNAY

A Chardonnay, nativa da Borgonha, França. A uva branca mais plantada no mundo pela sua versatilidade e qualidade. Nos brinda com vinhos doces, tranquilos e é a coluna vertebral dos espumantes e champagnes. O corte clássico é Chardonnay, Pinot Noir e Pinot Meunier.

É a casta branca mais apreciada e plantada no mundo todo. Para muitos a única uva branca que conhecem e gostam. Normal, se pensarmos que a cada 10 vinhos brancos consumido no mundo agora 7 sejam feitos desta casta.

Há os mais variados estilos de Chardonnay na medida em que a casta é extremamente versátil aos terrenos em que plantada bem como o clima da região. Além do que aceita e bem o estágio em madeira.

A Chardonnay de climas mais quentes apresenta-se com mais doçura do fruto, mais frutada e um tanto puxada para o mel e frutas secas.

Em climas mais frios apresenta-se mais ácida, seca e com aromas cítricos.
Quando passada por carvalho apresenta-se mais amanteigada com aromas de baunilha.

SAUVIGNON BLANC

Quem é a Sauvignon Blanc?

Pensou no verão, calor, praia, piscina, sol e comidas leves, certamente pensará na Suavignon Blanc. Pensou num vinho branco seco, as vezes mineral, as vezes frutado, mas sempre com acidez marcante, pensou num Sauvignon Blanc.

Eis a Sauvignon Blanc, linda, deliciosa, saborosa e majestosa. Nascida em Bordeaux, onde com a Semillon produz um dos néctares dos Deuses, o Sauternes. Junto com  a Chardonnay compõe  a dupla de uvas brancas francesas hoje tidas como internacionais. E assim o é pela sua versatilidade, produtividade e adaptabilidade.

A Sauvignon Blanc é extremamente sensível ao terroir de onde foi plantada, produzindo, assim, diferentes estilos de vinhos. Este um dos motivos de ser uma uva internacional.

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