ARGENTINA – UMA GIGANTE NO MUNDO DO VINHO


ARGENTINA SALTA 2

Com vinhedos no topo do mundo como este em Salta extremo norte do país numa altura média de 2.000 metros ela é com o Chile os gigantes mundias dos Andes. Eles se parecem iguais em produção de vinhos, mas têm terrois e situações históricas totalmente diferentes. 

Antes de falar dos vinhos argentinos devo, necessariamente, traçar um paralelo entre eles.

A começar pela geografia. O Chile tem as mais variadas regiões vinícolas, desde o vale del Limari no extremo norte, perto de Atacama até o extremo sul em Bio Bio, patagônia chilena.  Normalmente as regiões vitícolas são de baixa altitude, altura média de 400 metros.

Há vinhedos perto do mar, algo cerca de oito quilômetros do Pacífico, caso de Casablanca, Leyda e San Fernando onde as castas brancas se desenvolvem muito bem. Como há o vale central, Colchagua, Rapel e Curicó onde as tintas encontram seu território ideal e as vinhas de altura nas encostas dos Andes, Aconcágua e Maipo.

A tão desejada diferença de temperatura entre o dia e a noite vem dos ventos marítimos, caso das regiões produtoras de brancos e Pinot Noir, Casablanca, Leyda, San Fernando e, modernamente, Bio Bio e a costa do vale del Maule. Já no caso das tintas o vento gélido que desce dos Andes e fica represado entre as duas cordilheiras, Andes e Costeira.

A Argentina, somente alguns vinhedos da Patagônia que poderíamos chamar de vinhedos marítimos bem como não possuem vale entre cordilheiras, sendo assim, a maioria dos vinhedos são de altura. A principal região vinhateira de Mendoza, principal região produtora, funciona como um grande anfiteatro onde a altura é fator diferencial em qualidade e condições de micro região para as castas. Vinhedos estão plantados numa altura média de 800 metros, excluindo Salta, mais ao norte com seu vale del Calchaqui com altura média de 1.500 metros. Tal fato se faz necessário para haver a diferença de temperatura entre o dia e a noite.

Tal diferença geográfica, por si só, de modo geral, indica que o Chile está muito mais propício a produzir brancos de qualidade, pelos seus vinhedos marítimos do que a Argentina.

Em termos sanitários os vinhedos chilenos pela condição climática do país quase não estressam os produtores. Os ventos frios do Pacífico trazidos pela corrente de Humboldt, diretamente da Antártida trazem o refresco necessários nas noites de verão. As regiões desérticas com seu ar seco afastam fungos e pragas, portanto muito menos corretivos químicos são usados nos parreirais. Inclusive a tão propalada ausência da Filoxera que dizem não ter chegado aquele país, mas para mim chegou, pois o Chile não está isolado econômica e geograficamente, as mesmas mudas que chegaram à vizinha Argentina com o terrível inseto, também chegaram ao Chile, mas por uma ou outra razão ele não se instalou em todas as videiras.

Já do lado argentino dos Andes as condições de ventos, granizos e geadas são bem outras. É muito comum nos Andes argentinos, onde estão os vinhedos a geada fora de hora e a temida chuva de granizo, no verão, a famosa granizada, que pode destruir em minutos um parreiral inteiro.

A fora os três ventos que compõem a característica de Mendoza. O vento Zonda, na primavera, que vem do oeste e ao cruzar os Andes vindo do Pacífico perde umidade e aumenta de velocidade e temperatura causando prejuízos às plantações. O vento polar que vem do sul, no outono sendo gelado e seco. E o sudestada que começa no verão trazendo umidade e refrescando os vinhedos à noite.

E, por fim, o governo, no Chile ajudou e muito a produção, melhoria de qualidade e exportação de vinhos, desde o final da década de 80. Já na Argentina os desmandos do governo, sua interferência quase nefasta atrasou e muito a renovação e produção de vinhos de qualidade.

Hoje, como que correndo atrás do prejuízo a Argentina através de seu Governo com auxílio tecnológico e financeiro e os produtores com seus enólogos a estudar qual e tal uva para qual e tal terroir vêm contribuindo e em muito na melhoria do vinho argentino.

As principais uvas são: Malbec, Torrontés como quase nativas e as internacionais Cabernet Sauvignon, Merlot, Chardonnay e Sauvignon Blanc.

As principais regiões, cada qual com sua característica única e singular, Salta, Cafayate, Rioja, San Juan, Mendoza, Patagônia. 

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