A ideia de escrever este post surgiu depois que coloquei a foto desta garrafa de Chianti no facebook.
Este Chianti me lembra quando comecei a me interessar por vinho. Quando ia nos restaurante italianos em São Paulo ou aqui no Rio Grande do Sul, certo seria vê-las adornando as paredes.
O copo, simples, leva os vinhos igualmente simples mas não menos deliciosos e emblemáticos. Inúmeras vezes vi os italianos na serra gaúcha, onde é forte sua imigração, jogando truco ao lado destes copos.
Muitos torcem o nariz para vinhos mais simples, eu, pelo contrário, não os rejeito. Penso que para cada ocasião há um vinho adequado. E, este, certamente, está nas cozinhas, na frente dos fogões a lenha da enorme maioria das casas. E sem demérito algum trata-se de um belo vinho para acompanhar um almoço da família.
Sempre disse, só há dois tipos de vinhos. O estragado e o que não está. O primeiro é unanimidade ninguém gosta.
Vinho é prazer e ponto final. Claro que o horizonte deste prazer pode ser aumentado com degustações, comparações, viagens, culinária e estudo. Mas ele nunca deixará de ser prazer.
Eu só bebo por prazer, felizmente não demora muito encontro um motivo para, digamos, ter prazer com um bom vinho.
Enganam-se aqueles que pensam que vinho bom é vinho caro. Fosse assim, comparativamente, só veríamos nas ruas e estradas deste mundo os carros top, estilo Ferrari, Porsche, BMW, entre outros. De resto estaríamos fadados a andar sem carro.
Portanto o vinho é junto com a culinária e a música a expressão máxima de um povo. Lembrem de um bom bacalhau e logo pensam em Portugal. Ouçam um tango e logo vem a mente a Argentina. Vejam esta foto e logo estamos na Itália ou nos lembrando de alguma cantina ou na colonia italiana aqui no Rio Grande do Sul.
Uns tem como complicada a harmonização de vinho e culinária. Eu não penso assim. Pensando em exclusão sabemos o que não combina, aí sobra menos espaço para erros. Depois temos que lembrar que o vinho, a culinária e a música são a expressão máxima de um povo. A história destes povos, locais, regiões e pessoas nos dão a exata dimensão das combinações possíveis.
Na Alsácia, amalgama perfeito entre a Alemanha e França e terra de elite dos vinhos brancos temos a perfeita combinação com a culinária franco-alemã. Porque iria inventar algo muito diferente?
Assim o é na Bairrada, por exemplo, onde o leitão assado combina perfeitamente com a Baga, uva de altos taninos que quando domados nos trazem uma joia engarrafada.
Claro que com o tempo vamos fazendo nossas próprias experiências, por que não?
empre quando imagino uma harmonização lembro-me de uma pauta musical, aquelas linhas em branca sendo preenchidas aos poucos para a obra final.
Em princípio parece fácil, mas não é. A regra básica é simples, harmonização não é imposição. É 1 + 1 e não 1 – 1. Não se trata de uma batalha entre vinho e comida. Deve-se somar as qualidades e não subtraí-las.
Sendo assim, sempre digo aos amigos, harmonização não pode ser imposição. Por exemplo, se queres beber um vinho tinto retinto, estruturado e volumoso a pleno verão com pratos leves, no mínimo deves bebê-lo sozinho, pois com certeza alguém sairá perdendo.
Em geral falamos de vinhos.
Brancos e Tintos: Secos e leves, secos e de médio corpo, secos encorpados.
Brancos e Tintos: Doces e leves, doces de médio corpo e doces encorpados.
Espumantes/Champagne: Secos e leves, médio doces e doces.
Rose: Leves e secos, médio corpo e encorpados.
Pratos: Frutos do mar e peixes, carnes, queijos leves e moles, duros e moles maduros e queijos picantes e a sobremesa.
Usarei esta abertura para, em série, tentar colaborar com uma espécie de tabela de harmonização para vinhos de vários países.
Enquanto trabalho na tabela segue o melhor exemplo que encontrei de harmonia, Bolero de Ravel, onde cada instrumento entra na hora certa e no momento certo, tudo para o grande final.
Assim como esta bela foto de algum recanto da Alsácia nos traz um show de cores e luminosidade, a apresentação visual do vinho também.
Sintam a magia desta foto.
Quando abrimos uma garrafa de vinho e a colocamos na taça e, de preferência, a contrastamos com um fundo branco, temos o mesmo impacto.
A luminosidade e as cores do vinho nos trazem mensagens importantes.
BRANCOS:
Vinhos brancos com cor pálida, isto é, amarelo e quase transparente nos indicam que estamos a frente de vinho muito leves, refrescantes e de acidez mais elevada. São vinhos aos estilo Chablis (chardonnay da região de Chablis, França) Pinot Grigio italiano (Alto Ádige ou Veneto) um Chenin Blanc da África do Sul. O que importa é que são vinhos leves e não passam por barricas.
Vinho branco de cor mais acentuada, algo como limão, amarelo, amarelo-palha ou amarelo esverdeado, são vinhos brancos mais encorpados e aromáticos, algo como um Sauvignon Blanc do Chile, um Encruzado ou um alentejano, Portugal, Riesling Alemanha, Austrália ou Nova Zelândia, o que importa é que são brancos mais encorpados, alguns aceitam até uma rápida passagem por madeira.
Brancos de cor dourada, não sendo vinho de sobremesa ou doces, são, em geral vinhos brancos de uvas com cor de casca avermelhada, como a Vermentino (Sardenha) uma Gewütztraminer ou mesmo uma Pinot Gris (Alsácia). Vinhos de acidez mais educada, alto potenciam aromático, encorpados cremosos.
Brancos de cor amarelo ouro, certamente os brancos que passaram por barrica, em especial os Chardonnay que aceitam muito bem este estágio. Brancos de forte personalidade, ideais para pratos com mais gordura. Um bacalhau é o ideal.
ROSÉS:
Quanto mais cor de casca de cebola (amarelo alaranjado), em geral os de Provence, mais leve é o nosso rose, menor foi o contato das cascas das uvas tintas com o mosto. Quanto mais vermelho escuro, mais encorpado é o nosso rose, de certo modo os chilenos, argentinos, americanos e australianos, pelo contato destas cascas com o suco.
TINTOS:
Vermelho com bordas arroxadas, certamente, será um tinto jovem, recém produzido e que não passou longo períodos em barricas, se é que por lá esteve. Os argentinos e chilenos jovens.
Vermelho vibrante e claro. Tinto com pouco tanino, um Pinot Noir, um Gammay um Cabernet Franc, um Merlot nacional (brasileiro).
Vermelho intenso rubi e alguns bem escuros. Certamente um tinto de guarda (muitos anos de garrafa) ou um andino bem concentrado estilo moderno, algo como um Malbec argentino, por exemplo. Os alentejanos, Portugal ou os vinhos do mediterrâneo, como os Grenache, Mouvèdre (Monastrell) são vinhos de vinhedos mais quentes e portanto as uvas têm muita tintura o que favorece a cor mais acentuada.
Enfim, as cores do vinho nos dizem mensagens importantes que teremos nas outras etapas, portanto, olhe bem e fixe a cor na sua memória, ela será importante.
Já usei esta foto neste blog. Repito porque ela expressa muito bem o que iriei escrever nestas breves linhas.
A mesa está posta para uma reunião informal de amigos. Uma linda mesa, diga-se de passagem Na Campania, Itália. Uma região debruçada na costa amalfitana.
Nesta ocasião os vinhos nos serão apresentados. O momento mágico para qualquer enófilo ou apreciador de vinho é aquele em que uma garrafa de vinho desconhecido será aberta.
Preciso fazer uma advertência. Neste momento surge uma figura que eu combato dia-a-dia, seja informal ou formalmente. Seja na loja, na rua, nos encontros e nos blogs. E os combato porque atrapalham intimidando quem está a iniciar neste mundo, já um pouco assustado com tantos rituais, uns necessários outros absolutamente desnecessários, além de palavras, vinhos e conceitos diversos.
O famoso estraga prazer, mais conhecido como enochato, aquele que tudo complica com frases de efeito, aromas que só ele cheira e informações que só ele sabe. Esta figuras não são exclusividade do vinho, aliás, estão em toda a parte, inclusive já andam falando por aí do cervochato, aquele que entende mais de cerveja do que qualquer outro.
Penso que uma reunião de amigos em torno da mesa, como esta da foto, serve para uma troca de ideias e experiências, o (con)viver algo raro hoje em dia, o “deixar para ver como fica” enfim, desfrutar do ócio sem maiores pretensões e, claro, muita conversa sobre o vinho. Eu disse conversa sobre o vinho e não imposições de ideias sobre o vinho.
Falamos que tal vinho tem aromas florais, ele logo vem com aroma da Edelweiss colhida nos Alpes e será que ele conhece o aroma desta flor?. Falamos de gosto mineral nos vinhos brancos ele entra com o gosto de petróleo, ora lá alguma vez bebi petróleo? Falamos de final prolongado e ele entre com retrogosto de alta persistência durando cerca de 5 minutos. Nunca parei para medir o tempo do final de gole, simplesmente sinto-o ou não. Falamos, por exemplo, de Bordeaux, vinhos acessíveis é claro e ele vem com Bordeaux caríssimos safras antiquíssimas de leilões disputadíssimos, será que comprou alguns destes? Será que já os apreciou?
Eles vêm sempre com aquelas pontuações e conceitos de Robert Parker e sua turma. Este vinho tem tantos pontos RP, este ele disse que era bom, ora não se bebe vinho pela boca dos outros, cada um de nós tem a sua experiência, suas emoções e lembranças eno-gastronômicas. Isto quando eles não tem suas próprias pontuações, se o Robert Parker original é ruim que dirá o clone.
Afora as frases lapidares. Vinho branco não é vinho. A pensar assim mais da metade do mundo do vinho desaparece. Cote D’Or, na Borgonha, fica pela metade, Riesling alemão de mais de 20 anos de garrafa virará tempero.
Ou o melhor vinho de tal país é este. Ora ele bebeu TODOS os vinhos daquele país? Espelhou-se em algum guia que certamente não apreciou todos os vinhos. Mais, ele mesmo não apreciou os vinhos tratados no guia. Então não me venha falar de MELHOR vinho deste ou daquele país.
Detesto vinho brasileiro e gosta de espumante nacional. Ora, espumante até onde sei é vinho.
Fala com uma propriedade definitiva, este vinho é ruim ou é bom. Não tem vinho ruim ou bom tem vinho estragado ou não. O estragado ninguém quer, de resto é paladar, o melhor vinho é aquele que de dá prazer e ponto final. O horizonte de prazer pode ser aumentado com leitura, degustações, amigos, enfim, troca de experiências, que aliás é o que se busca nestes momentos de encontros eno gastronômicos.
O que pretendo na sequência é conduzir aqueles que têm menos experiência a apreciar da melhor maneira possível este vinho que está sendo apresentado.
A degustação de vinho tem um ritual mínimo que deve ser seguido à risca, sob pena de não alcançarmos os resultados pretendidos.
Nos ensinaram a falar e a escrever, mas não nos ensinaram a cheirar e a sentir a textura dos alimentos e bebidas. Portanto temos que educar nosso nariz e boca e o faremos em várias oportunidades.
Algumas regras devem ser seguidas:
- Serão apresentados vários vinhos? Comece pelo espumante/champagne/sparkling. Depois os brancos leves. Após os brancos mais encorpados e por fim os que passaram por barricas de madeira. Após os roses e , por fim, os tintos, na mesma sequência dos brancos, do mais leve e frutado ao mais encorpado.
- Quantidade muito grande de vinho, não faça fiasco. Nossas papilas gustativas estão ativadas somente até a terceira taça, depois amortecem (não se usufrui como deve ser) e após e bebedeira mesmo. PORTANTO USE A CUSPIDEIRA, AQUELE BALDE QUE CUSPIMOS E COLOCAMOS O RESTO DA TAÇA FORA.
- Mulheres, perfume e baton, fora, fora e fora. Atrapalham e muito a parte olfativa da degustação.
- Balance a taça com cuidado E NÃO PRECISA FAZER UM REDEMOINHO, POR FAVOR.
- Cheire o vinho, se precisar cheire um pouco mais forte, NÃO PRECISA FAZER BARULHOS ESTRANHOS.
- Não tenha receio de encher a boca com vinho. Ele deve circular por toda a língua.
- Não tenha receio de falar para quem está ao lado o que cheirou ou sentiu. Talvez a tua simplicidade ajude os amigos a identificarem o que não conseguem identificar.
- Por fim não se torne um estraga prazer.
Nesta degustação de Bordeaux até os grandes se enganam. Vejam até o final para a surpresa.
O decanter tem duas funções básicas e essenciais para alguns tipos de vinhos. Disse alguns tipos de vinhos. Fazer com que seus sedimentos fiquem no fundo da jarra (caso dos vinhos muito envelhecidos e que foram elaborados para serem bebidos anos depois) e para oxigenar o vinho, caso dos vinhos que tem em torno de 4 anos ou mais de garrafa.
Digo sempre que depois de anos de garrafa o vinho precisa tomar um choque de oxigenação, soltar seus aromas e mostrar a que veio ao mundo. Pois o decanter ao aumentar a superfície de contato do vinho com o oxigênio acelera este efeito benéfico.
Mas TODOS OS VINHOS devem ser decantados?
Eu penso que não. Já dito que o efeito prático é “abrir” os vinhos que estão fechados (menos sabor e aroma que esperávamos), por vários motivos, desde o tempo de garrafa até mesmo falta de qualidade.
De uma maneira geral, eu decanto:
1- Vinhos brancos e tintos com aroma reduzido.
2- Vinhos brancos e tintos encorpados que se apresentam fechados.
3- Vinhos brancos e tintos que estão na garrafa por mais de 4 anos.
Nos demais casos não decanto. Veja, então, que a esmagadora maioria dos vinhos que bebo não passam pelo decanter.
É de se lembrar que vinhos com mais de 10 anos a decantação pode ser o golpe de eutanásia.Colocar um velhinho para correr pode ser fatal. Nestes casos é melhor deixar a garrafa aberta por um bom tempo e ir servindo bem devagar.
Muito antes de falarmos de rolhas, como sacá-las, das garrafas e taças, a primeira e principal observação é a temperatura do vinho.
Aqui o detalhe é determinante para que se aproveite, ao máximo, o precioso líquido que está a nossa frente.
Espumantes: 5 Celsius
Brancos Doces: 6 Celsius
Champagnes: 8 Celsius
Brancos Secos Leves: 9 Celsius
Brancos Secos Corpo Médio: 12 Celsius
Brancos Secos Encorpados: 14 Celsius
Rosés: 9 a 10 Celsius
Tintos Leves: 12o Celsius
Tintos de Corpo Médio: 13 a 14 Celsius
Vinho do Porto, Madeira: 14 Celsius
Tintos encorpados: 17 a 18 Celsius
As temperaturas mais elevadas favorecem a volatização do álcool subtraindo os aromas.
As temperaturas mais baixas, em relação aos tintos amargam os taninos e em relação aos brancos de qualidade, eliminam qualquer possibilidade de apreciar a elegância e a delicada harmonia que eles possuem.
Em relação aos espumantes e champagne, exceto os mais doces, temperaturas mais baixas que o indicado eliminam qualquer possibilidade de sentir os seus subliminares aromas. Isto porque o vinho base para os espumantes e champgne são mais ácidos que o normal devido a maturação incompleta levando, naturalmente, a diminuição de aromas primários, tornando-os não aromáticos.
Uma dica para sentirmos os aromas destes vinhos é aumentar um pouco a temperatura de serviço e, contrariamente ao divulgado, utilizarmos taças de vinho branco, menores e mais fechadas na boca, assim o espumante ou champagne, pode “rodar” na taça liberando os tão quridos aromas.
A mesa está posta para uma reunião informal de amigos. Uma linda mesa, diga-se de passagem Na Campania, Itália. Uma região debruçada na costa amalfitana. Mário (mondovino), certamente sabe e concorda com que acabei de escrever.
Pois bem, neste momento surge uma figura que eu combato dia-a-dia, seja informal, seja formalmente. Seja na loja, na rua, nos encontros e nos blogs. E os combato porque atrapalham intimidando quem está a iniciar neste mundo, já um pouco assustado com tantas palavras, vinhos e conceitos diversos.
Aliás, o objetivo primeiro da criação deste blog é exatamente este, ajudar a servir de guia neste mundo.
É o famoso estraga prazer, mais conhecido como enochato, aquele que tudo complica com frases de efeito, aromas que só ele cheira e informações que só ele sabe. Esta figuras não são exclusividade do vinho, aliás, estão em toda a parte, inclusive já andam falando por aí do cervochato, aquele que entende mais de cerveja do que qualquer outro.
Penso que uma reunião de amigos em torno da mesa, como esta da foto, serve para uma troca de ideias e experiências, o (con)viver algo raro hoje em dia, o “deixar para ver como fica” enfim, desfrutar do ócio sem maiores pretensões e, claro, muita conversa sobre o vinho. Eu disse conversa sobre o vinho e não imposições de ideias sobre o vinho.
Falamos que tal vinho tem aromas florais, ele logo vem com aroma da Edelweiss colhida nos Alpes e será que ele conhece o aroma desta flor?. Falamos de gosto mineral nos vinhos brancos ele entra com o gosto de petróleo, ora lá alguma vez bebi petróleo? Falamos de final prolongado e ele entre com retrogosto de alta persistência durando cerca de 5 minutos. Nunca parei para medir o tempo do final de gole, simplesmente sinto-o ou não. Falamos, por exemplo, de Bordeaux, vinhos acessíveis é claro e ele vem com Bordeaux caríssimos safras antiquíssimas de leilões disputadíssimos, será que comprou alguns destes? Será que já os apreciou?
Eles vêm sempre com aquelas pontuações e conceitos de Robert Parker e sua turma. Este vinho tem tantos pontos RP, este ele disse que era bom, ora não se bebe vinho pela boca dos outros, cada um de nós tem a sua experiência, suas emoções e lembranças eno-gastronômicas. Isto quando eles não tem suas próprias pontuações, se o Robert Parker original é ruim que dirá o clone.
Afora as frases lapidares. Vinho branco não é vinho. A pensar assim mais da metade do mundo do vinho desaparece. Cote D’Or, na Borgonha, fica pela metade., Riesling alemães de mais de 20 anos de garrafa viram tempero.
Ou o melhor vinho de tal país é este. Ora ele bebeu TODOS os vinhos daquele país? Espelhou-se em algum guia que certamente não apreciou todos os vinhos. Mais, ele mesmo não apreciou os vinhos tratados no guia. Então não me venha falar de MELHOR vinho deste ou daquele país.
Detesto vinho brasileiro e gosta de espumante nacional. Ora, espumante até onde sei é vinho.
Fala com uma propriedade definitiva, este vinho é ruim ou é bom. Não tem vinho ruim ou bom tem vinho estragado ou não. O estragado ninguém quer, de resto é paladar, o melhor vinho é aquele que de dá prazer e ponto final. O horizonte de prazer pode ser aumentado com leitura, degustações, amigos, enfim, troca de experiências, que aliás é o que se busca nestes momentos de encontros eno gastronômicos.
Por fim só gosta de vinhos caros. Já disse que o vinho ao lado da gastronomia e da música são as bandeiras da cultura de um lugar. E, certo, ali não se bebe somente vinhos caros todo o dia. Portanto, pensar assim e pensar errado e, pior, induzir ao erro os iniciantes.
Vamos ajudar o vinho a desmistificá-lo e não a tratá-lo como algo inacessível, com gostos e cheiros que um mortal comum não conhece.
Por fim experiência é o nome que damos aos nossos erros e não fazer algo errado durante vários anos.
Vejam o exemplo desta pianista, interpretando o Concerto para piano e orquestra 26 – Coronation de Mozart, divino.
Assumi a consultoria de vinhos na Enoteca Conte Freire, Rua Desembargador Espiridião de Lima Medeiros, 156, Três Figueiras, Porto Alegre/RS com o objetivo de implementar cursos e promover degustações dirigidas e jantares harmonizados.
Este blog tem um ano e alguns meses e seu objetivo foi e será a desmistificação do vinho. Sempre procurando, da maneira mais rápida e eficiente, facilitar aos leitores uma viagem ao mundo maravilhoso do vinho.
Pois bem, como estou agora atrás do balcão fui da teoria para a prática. Das ideias para a venda. E algumas questões são frequentes.
O QUE É UM BOM VINHO
Talvez seja a indagação mais difícil de ser respondida. Para mim só existem três tipos de vinho. O estragado (ninguém quer) o não estragado e aquele que te dá prazer. E ESTE PRAZER NÃO ESTÁ, DE MODO ALGUM, RELACIONADO COM O PREÇO DO VINHO. Claro que este horizonte de prazer pode ser aumentado e para isto estou na consultoria da Enoteca. Estou ali para explicar, comparar (COM O VINHO ABERTO) os mais variados estilos de vinho PRODUZIDOS COM A MESMA UVA.
QUAL A MELHOR RELAÇÃO PREÇO/QUALIDADE
Outra variável complicada. Em primeiro lugar o preço. O que é caro para alguns é barato para outros. Mas respondendo dentro da faixa de preço dos vinhos que mais vendem posso dizer que existem as seguintes faixas:
ABAIXO DE R$ 20,00
Encontrar vinhos de boa qualidade abaixo de R$ 20,00 é como encontrar uma mosca albina. Casualmente na Enoteca temos um Moscato Giallo feito pela Don Guerino que gosto muito. REPITO NOVAMENTE o prazer de uns não é o prazer de outros, portanto há vinhos nesta faixa que estão em promoção e vendem bastante.
DE R$ 20,00 A R$ 40,00
Esta é a faixa mais perigosa que existe. Tem vários vinhos MARAVILHOSOS (olha de novo a imposição pessoal) nesta faixa bem como tem vinhos bons nesta faixa. Mas querer qualidade extrema fica difícil. Sei que todos nós queremos aproveitar ao máximo nosso suado dinheiro, mas mágica não existe. Aqui dispomos, na Enoteca, de vários bons vinhos.
DE R$ 40,00 ATÉ 70,00
O índice de erro diminui. Para mim esta é a faixa mais segura que existe. Grandes vinhos de grandes produtores estão neste nível de preço. E o que é melhor, sem alterar muito o estilo dos consumidores, isto é, não fugindo ao estilo de vinho tinto andino, seguramente o mais procurado.
DE R$ 70,00 a R$ 100,00
Nesta faixa de preço estão os melhores vinhos, pelo preço e, para alguns as maiores frustrações. Explico. Quem não tem muita experiência no acerta erra que é comprar vinhos ou não vê a compra de vinhos como uma atividade de risco, isto é, compra-se, as vezes pelo preço um estilo de vinho que não conhece, tem, aqui, as maiores frustrações. E a frustração é diretamente proporcional ao preço do vinho.
Muitas vezes cansados de comprar os mesmos vinhos e sem a orientação adequada, os consumidores arriscam-se naqueles vinhos que não conhecem. Geralmente entrando no velho mundo. Mas o fazem sempre pensando que o melhor vinho andino que apreciaram, em geral, com muita concentração de fruto, aroma e madeira é o vinho a ser perseguido. Mas esquecem que o estilo dos vinhos clássicos no velho mundo são vinho COMPLETAMENTE diferentes. Os clássicos são menos alcoólicos, com aromas muito mais subliminares, de médio corpo e acidez, as vezes pronunciada, pois são vocacionados para a culinária. Resultado? confusão na certa.
Não se pode comparar grandezas diferentes. Seria como se eu gostasse de carros esportivos, daí pensar que o melhor e mais caro carro do mundo, NECESSARIAMENTE, tem que ser neste estilo. A pensar assim no mundo só existiria Ferrari, Lamborghini, Porsche e por aí vai. Onde ficariam os Mercedez e os Rolls-Royce? Com o vinho é igual.
VINHOS DE R$ 100,00 OU MAIS
Bem. Necessariamente tem que ser bons e o consumidor NECESSARIAMENTE deve saber o que está levando para casa.
Outra indagação que atormenta o vendedor.
QUERO UM BOM VINHO
Ei pessoal, só na Enoteca temos mais de 500 rótulos diferentes e para mim todos são bons. Vamos ajudar um pouco mais. O vendedor tem algumas regras a seguir. Entender o que o cliente quer e no preço que é adequado. Depois tem que entender QUE NÃO SE BEBE VINHO PELA BOCA DOS OUTROS, ou seja, por mais que se fale de um vinho, nada mais contundente que a prova que o cliente fará. Somado as informações passadas pelo vendedor é importante o teste do prazer. Aí é fatal. Gostou e tem dinheiro o vinho é vendido.
Mas o consumidor pode ajudar se procurar entender qual o seu estilo de vinho ao assim fazer perguntará. Quero um bom vinho neste estilo.
Mas como fazer para ter um estilo de vinho? É fácil. Venha fazer os cursos que promovemos na Enoteca, são 7 módulos, participe de nossas degustações dirigidas e dos jantares harmonizados. Certamente ao final de algum tempo não terás mais receio frente a uma carta de vinhos ou em qualquer loja especializada. Saberás o seu estilo de vinho e com qual prato harmonizá-lo.
Vejam a mesma música em três estilos diferentes. Assim é com o vinho feito com a mesma uva em três lugares diferentes.
Na voz e guitarras, diria, animais de Janis e Hendrix. Que combinação explosiva.
Depois no estilo floreado parecendo um pássaro de Charlie PArker, The Bird. Para mim o maior saxofonista que já ouvi.
Por fim, a voz da Diva Ella Fitzgerald e o estilo inconfundível de Louis Armstrong.
Escolham o seu estilo, peguem o vinho que dá prazer e com um boa companhia, aumentem o som e boa viagem. Se não tiver companhia, momentaneamente, o vinho é um grande amigo.
Lembro. Um não exclui o outro. Para cada momento um estilo.
Nesta série de posts, intercalados, com a Itália, tentarei ajudar a organizar e a entender o mundo do vinho e a abrir as portas deste mundo a quem está iniciando.
Ontem, mais uva vez a cena se repetiu. Estava numa loja especializada em vinhos. Entra o cliente e diz ao solicito vendedor. Quero um vinho branco. O vendedor pergunta, mas qual? Qual preço? Não sei um branco, seco. E ficou a olhar para os rótulos e garrafas sem entender muito o que estava vendo.
Fica difícil, tanto para o vendedor como para o consumidor. Temos, na verdade é que criar um estilo de vinho, seja branco, tinto, rose, enfim, ao criar um estilo diminuímos nossas chances de erro. E como comprar vinho é uma atividade de risco é importante o estilo.
Mas como chegar lá? Não creio que haja solução que não seja a de ouvir, ir nas lojas, ler e, principalmente experimentar e experimentar. Se não tiver boa memória, anote os dados do vinho que gostou. Se ácido, floral, encorpado, tânico, enfim, irá ajudá-lo na próxima compra.
Eu, com o tempo, entendi que o vinho são como as pessoas.
Uns vinhos marcam logo e não são esquecidos, outros vão entrando em nossa vida devagarinho, como quem não quer nada e quando vemos, não vivemos sem eles.
Outros são elegantes, sofisticados, como se fossem companhias para um baile. Quem sabe um IGT da Toscana?
Outros, fascinantes no início, mas cansativos ao fim, como os tintos retintos, estilo Parker?
Têm, também, aqueles cheios de taninos, que são como adolescentes, energia, força e jovialidade, mas falta a sabedoria da idade. Quem sabe um Cabernet Sauvignon, chileno quando aberto antes do tempo.
Outros têm uma adolescência e vida adulta carrancudas, mas ao fim se abrem para o mundo como uma flor de orquídea, os Aglianico de Taurasi, por exemplo.
Têm aqueles que são como nossos amigos barulhentos, avisam quando chegam e fazem anarquia do começo ao fim, mas, certo, não são para todas as ocasiões, estes me lembram os Tannat ou os Baga da Bairrada.
E tem aqueles que não nos trazem nada de novo, são iguais a tantos outros por aí, como os globalizados, reservados chilenos que inundam as prateleiras do supermercado.
E aqueles intimistas, filosóficos, que exigem atenção exclusiva, para que se possa entender a conversa, quem sabe um Hermitage do Rhône, França?.
Enfim, não tem como não comparar os vinhos que bebo com as pessoas que conheço. Desta forma criei logo o meu estilo. Mas cada um tem a saída certa para criar o seu tipo de vinho.
Mas não fique só nele. Quem anda pela mesma estrada chega nos mesmos lugares.
Abruzzo, centro da Itália, debruçada no Mar Adriático e terra de constraste. Podemos ir do litoral a mais de 2.ooo metros de altura em poucos quilômetros. No centro de Abruzzo está o topo dos Apenninos, aqueles mesmos onde estão os principais vinhedos da Basilicata e da Campania. Portanto região muito montanhosa onde encontramos vários micro-climas em face da altura em que estão plantados os vinhedos.
Em termos turísticos há escolha para todos os gostos. Vamos desde o litoral maravilhoso da costa Adriática até região de altas montanhas, a escolher.
Outra característica são centenas de pequenas vilas ao redor de medievais mosteiros e conventos que vão subindo os Apenninos.
No mundo do vinho os contrastes continuam. Abruzzo é uma espécie de divisão entre os vinhos do sul, suas uvas típicas e os vinhos do norte.
Mas não pense que Abruzzo não tem sua casta nativa, tem sim, a Montepulciano. MAS NÃO CONFUNDIR COM O VINHO PRODUZIDO EM MONTEPULCIANO, TOSCANA.
Os vinhedos são plantados perto do mar, o da foto fica na localidade de Coline Teramane, feitos com a uva Montepulciano, casta tinta que produz desde vinhos ordinários até vinhos de grande qualidade, mais um contraste.
A Montepulciano é plantada no centro sul do país, mas ganha, em Abruzzo qualidade especial. Como a maioria das uvas tintas do sul da Itália, produz vinhos encorpados, tânicos de cor profunda e aromas de frutos secos, ameixa, cereja e figos. Precisam de um tempo dormindo nas garrafas para que se possa apreciá-lo na sua plenitude.
Como disse, dependendo do produtor já bebi grandes vinhos como outros que viraram tempero, imediatamente.
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