Duas cidades do Piemonte. Duas cidades que cederam seus nomes aos vinhos feitos com as castas brancas do Piemonte. Mas as semelhanças acabam por aí.
Asti é uma cidade com mais de 70.000 habitantes entre as famosas regiões do Langhe e Monferrato no centro-oeste do Piemonte e tem como principal vinho um espumante feito com a uva branca Moscatel, o internacional e um tanto desgastado Moscato d’Asti, porque produzido em grande escala sem maiores cuidados com a qualidade.
Gavi é uma vila medieval no extremo sudoeste do Piemonte que em seus arredores são plantadas a uva Cortese, desconhecida da maior parte dos consumidores no Brasil. A mesma aí da foto que está prestes a entrar no seu merecido descanso de inverno.
Em Asti a nossa, digo nossa Moscatel porque muito plantada e vem produzindo excelentes espumantes, é a peça principal do famoso espumante Moscato d’Asti. A Moscatel originária da Grécia veio a Itália desde os primeiros tempos. Primeiro no sul e depois adaptou perfeitamente bem em Asti. O clima frio no inverno com verão ameno é ideal para segurar a acidez necessária, mesmo numa uva conhecidamente doce.
Nos limites de Monferrato estão os vinhedos de Moscatel. O espumante é muito parecido com o nosso moscatel. Um pouco mais ácido e com menos borbulhas. Infelizmente o Moscato d’Asti foi produzido em grande escala não se levando em conta a qualidade. resultado? Inundou as prateleiras dos supermercados mundo afora com qualidade muito baixa. Hoje o sério trabalho de alguns produtores este espumante vem ganhando qualidade e merecem todo o nosso respeito.
Já em Gavi, no sudoeste do Piemonte quem está por trás dos brancos de Gavi é a uva Cortese. Esta uva tem uma longa história na viticultura piemontesa. Produz vinhos de boa acidez, aromas marcantes muito ao estilo da Vermentino, da Torrontés, da Viognier. São vinhos muito parceiros para frutos do mar e pratos leves. São os grandes vinhos brancos do Piemonte.
Um dos rótulos mais lindos que conheço. Graças a Deus o vinho corresponde ao rótulo. Um belo vinho com certeza.
Este branco da Sicília elaborado com as nativas Catarrato e Anzonica (Inzolia) em sua maioria.
As mesmas uvas usadas para elaborar o famoso Marsala um branco fortificado que leva o nome da comuna de Marsala Seu nome atual deriva da palavra árabe Marsah-el-Allah, que significa “Portão de Deus”.
É um branco com acidez firme, cor amarelo esverdeado, aromas de abacaxi, pêssego e algo de melão, mas sem sobressair demais o que o torna elegante e equilibrado. Agrega-se a sua mineralidade e temos um dos melhores brancos que já apreciei.
Sua harmonização vai muito bem com peixes, crustáceos e pratos leves. Ideal para os dias de calor.
Interessante, também, é a localização da vinícola, no extremo oeste da Sicília. Lá eles chamam de Secreta Sicília porque bem diferente borbulhante parte leste da ilha que gira em torno do Etna e de quantidades industriais de turistas.
O produtor finca sua base na cidade de Marsala em antiga e totalmente reformada adega cuja construção data de 1851 onde se elabora e engarrafam os vinhos Donnafugata.
Mas voltando ao rótulo cheio de históri, retirada do site do produtor.
O rótulo exibe o rosto de uma mulher misteriosa e fugaz, como a civilização Elymian. Anthìlia é o nome dado no período romano, à cidade de Entella na crista da Rocca. Anthìlia é também o nome de um vinho que é identificado com o antigo território onde se origina. É o primeiro vinho de ter sido concebido em Donnafugata e permanece até hoje um favorito especial de muitos admiradores.
Uns tem como complicada a harmonização de vinho e culinária. Eu não penso assim. Pensando em exclusão sabemos o que não combina, aí sobra menos espaço para erros. Depois temos que lembrar que o vinho, a culinária e a música são a expressão máxima de um povo. A história destes povos, locais, regiões e pessoas nos dão a exata dimensão das combinações possíveis.
Na Alsácia, amalgama perfeito entre a Alemanha e França e terra de elite dos vinhos brancos temos a perfeita combinação com a culinária franco-alemã. Porque iria inventar algo muito diferente?
Assim o é na Bairrada, por exemplo, onde o leitão assado combina perfeitamente com a Baga, uva de altos taninos que quando domados nos trazem uma joia engarrafada.
Claro que com o tempo vamos fazendo nossas próprias experiências, por que não?
empre quando imagino uma harmonização lembro-me de uma pauta musical, aquelas linhas em branca sendo preenchidas aos poucos para a obra final.
Em princípio parece fácil, mas não é. A regra básica é simples, harmonização não é imposição. É 1 + 1 e não 1 – 1. Não se trata de uma batalha entre vinho e comida. Deve-se somar as qualidades e não subtraí-las.
Sendo assim, sempre digo aos amigos, harmonização não pode ser imposição. Por exemplo, se queres beber um vinho tinto retinto, estruturado e volumoso a pleno verão com pratos leves, no mínimo deves bebê-lo sozinho, pois com certeza alguém sairá perdendo.
Em geral falamos de vinhos.
Brancos e Tintos: Secos e leves, secos e de médio corpo, secos encorpados.
Brancos e Tintos: Doces e leves, doces de médio corpo e doces encorpados.
Espumantes/Champagne: Secos e leves, médio doces e doces.
Rose: Leves e secos, médio corpo e encorpados.
Pratos: Frutos do mar e peixes, carnes, queijos leves e moles, duros e moles maduros e queijos picantes e a sobremesa.
Usarei esta abertura para, em série, tentar colaborar com uma espécie de tabela de harmonização para vinhos de vários países.
Enquanto trabalho na tabela segue o melhor exemplo que encontrei de harmonia, Bolero de Ravel, onde cada instrumento entra na hora certa e no momento certo, tudo para o grande final.
Assim como esta bela foto de algum recanto da Alsácia nos traz um show de cores e luminosidade, a apresentação visual do vinho também.
Sintam a magia desta foto.
Quando abrimos uma garrafa de vinho e a colocamos na taça e, de preferência, a contrastamos com um fundo branco, temos o mesmo impacto.
A luminosidade e as cores do vinho nos trazem mensagens importantes.
BRANCOS:
Vinhos brancos com cor pálida, isto é, amarelo e quase transparente nos indicam que estamos a frente de vinho muito leves, refrescantes e de acidez mais elevada. São vinhos aos estilo Chablis (chardonnay da região de Chablis, França) Pinot Grigio italiano (Alto Ádige ou Veneto) um Chenin Blanc da África do Sul. O que importa é que são vinhos leves e não passam por barricas.
Vinho branco de cor mais acentuada, algo como limão, amarelo, amarelo-palha ou amarelo esverdeado, são vinhos brancos mais encorpados e aromáticos, algo como um Sauvignon Blanc do Chile, um Encruzado ou um alentejano, Portugal, Riesling Alemanha, Austrália ou Nova Zelândia, o que importa é que são brancos mais encorpados, alguns aceitam até uma rápida passagem por madeira.
Brancos de cor dourada, não sendo vinho de sobremesa ou doces, são, em geral vinhos brancos de uvas com cor de casca avermelhada, como a Vermentino (Sardenha) uma Gewütztraminer ou mesmo uma Pinot Gris (Alsácia). Vinhos de acidez mais educada, alto potenciam aromático, encorpados cremosos.
Brancos de cor amarelo ouro, certamente os brancos que passaram por barrica, em especial os Chardonnay que aceitam muito bem este estágio. Brancos de forte personalidade, ideais para pratos com mais gordura. Um bacalhau é o ideal.
ROSÉS:
Quanto mais cor de casca de cebola (amarelo alaranjado), em geral os de Provence, mais leve é o nosso rose, menor foi o contato das cascas das uvas tintas com o mosto. Quanto mais vermelho escuro, mais encorpado é o nosso rose, de certo modo os chilenos, argentinos, americanos e australianos, pelo contato destas cascas com o suco.
TINTOS:
Vermelho com bordas arroxadas, certamente, será um tinto jovem, recém produzido e que não passou longo períodos em barricas, se é que por lá esteve. Os argentinos e chilenos jovens.
Vermelho vibrante e claro. Tinto com pouco tanino, um Pinot Noir, um Gammay um Cabernet Franc, um Merlot nacional (brasileiro).
Vermelho intenso rubi e alguns bem escuros. Certamente um tinto de guarda (muitos anos de garrafa) ou um andino bem concentrado estilo moderno, algo como um Malbec argentino, por exemplo. Os alentejanos, Portugal ou os vinhos do mediterrâneo, como os Grenache, Mouvèdre (Monastrell) são vinhos de vinhedos mais quentes e portanto as uvas têm muita tintura o que favorece a cor mais acentuada.
Enfim, as cores do vinho nos dizem mensagens importantes que teremos nas outras etapas, portanto, olhe bem e fixe a cor na sua memória, ela será importante.
Já usei esta foto neste blog. Repito porque ela expressa muito bem o que iriei escrever nestas breves linhas.
A mesa está posta para uma reunião informal de amigos. Uma linda mesa, diga-se de passagem Na Campania, Itália. Uma região debruçada na costa amalfitana.
Nesta ocasião os vinhos nos serão apresentados. O momento mágico para qualquer enófilo ou apreciador de vinho é aquele em que uma garrafa de vinho desconhecido será aberta.
Preciso fazer uma advertência. Neste momento surge uma figura que eu combato dia-a-dia, seja informal ou formalmente. Seja na loja, na rua, nos encontros e nos blogs. E os combato porque atrapalham intimidando quem está a iniciar neste mundo, já um pouco assustado com tantos rituais, uns necessários outros absolutamente desnecessários, além de palavras, vinhos e conceitos diversos.
O famoso estraga prazer, mais conhecido como enochato, aquele que tudo complica com frases de efeito, aromas que só ele cheira e informações que só ele sabe. Esta figuras não são exclusividade do vinho, aliás, estão em toda a parte, inclusive já andam falando por aí do cervochato, aquele que entende mais de cerveja do que qualquer outro.
Penso que uma reunião de amigos em torno da mesa, como esta da foto, serve para uma troca de ideias e experiências, o (con)viver algo raro hoje em dia, o “deixar para ver como fica” enfim, desfrutar do ócio sem maiores pretensões e, claro, muita conversa sobre o vinho. Eu disse conversa sobre o vinho e não imposições de ideias sobre o vinho.
Falamos que tal vinho tem aromas florais, ele logo vem com aroma da Edelweiss colhida nos Alpes e será que ele conhece o aroma desta flor?. Falamos de gosto mineral nos vinhos brancos ele entra com o gosto de petróleo, ora lá alguma vez bebi petróleo? Falamos de final prolongado e ele entre com retrogosto de alta persistência durando cerca de 5 minutos. Nunca parei para medir o tempo do final de gole, simplesmente sinto-o ou não. Falamos, por exemplo, de Bordeaux, vinhos acessíveis é claro e ele vem com Bordeaux caríssimos safras antiquíssimas de leilões disputadíssimos, será que comprou alguns destes? Será que já os apreciou?
Eles vêm sempre com aquelas pontuações e conceitos de Robert Parker e sua turma. Este vinho tem tantos pontos RP, este ele disse que era bom, ora não se bebe vinho pela boca dos outros, cada um de nós tem a sua experiência, suas emoções e lembranças eno-gastronômicas. Isto quando eles não tem suas próprias pontuações, se o Robert Parker original é ruim que dirá o clone.
Afora as frases lapidares. Vinho branco não é vinho. A pensar assim mais da metade do mundo do vinho desaparece. Cote D’Or, na Borgonha, fica pela metade, Riesling alemão de mais de 20 anos de garrafa virará tempero.
Ou o melhor vinho de tal país é este. Ora ele bebeu TODOS os vinhos daquele país? Espelhou-se em algum guia que certamente não apreciou todos os vinhos. Mais, ele mesmo não apreciou os vinhos tratados no guia. Então não me venha falar de MELHOR vinho deste ou daquele país.
Detesto vinho brasileiro e gosta de espumante nacional. Ora, espumante até onde sei é vinho.
Fala com uma propriedade definitiva, este vinho é ruim ou é bom. Não tem vinho ruim ou bom tem vinho estragado ou não. O estragado ninguém quer, de resto é paladar, o melhor vinho é aquele que de dá prazer e ponto final. O horizonte de prazer pode ser aumentado com leitura, degustações, amigos, enfim, troca de experiências, que aliás é o que se busca nestes momentos de encontros eno gastronômicos.
O que pretendo na sequência é conduzir aqueles que têm menos experiência a apreciar da melhor maneira possível este vinho que está sendo apresentado.
A degustação de vinho tem um ritual mínimo que deve ser seguido à risca, sob pena de não alcançarmos os resultados pretendidos.
Nos ensinaram a falar e a escrever, mas não nos ensinaram a cheirar e a sentir a textura dos alimentos e bebidas. Portanto temos que educar nosso nariz e boca e o faremos em várias oportunidades.
Algumas regras devem ser seguidas:
- Serão apresentados vários vinhos? Comece pelo espumante/champagne/sparkling. Depois os brancos leves. Após os brancos mais encorpados e por fim os que passaram por barricas de madeira. Após os roses e , por fim, os tintos, na mesma sequência dos brancos, do mais leve e frutado ao mais encorpado.
- Quantidade muito grande de vinho, não faça fiasco. Nossas papilas gustativas estão ativadas somente até a terceira taça, depois amortecem (não se usufrui como deve ser) e após e bebedeira mesmo. PORTANTO USE A CUSPIDEIRA, AQUELE BALDE QUE CUSPIMOS E COLOCAMOS O RESTO DA TAÇA FORA.
- Mulheres, perfume e baton, fora, fora e fora. Atrapalham e muito a parte olfativa da degustação.
- Balance a taça com cuidado E NÃO PRECISA FAZER UM REDEMOINHO, POR FAVOR.
- Cheire o vinho, se precisar cheire um pouco mais forte, NÃO PRECISA FAZER BARULHOS ESTRANHOS.
- Não tenha receio de encher a boca com vinho. Ele deve circular por toda a língua.
- Não tenha receio de falar para quem está ao lado o que cheirou ou sentiu. Talvez a tua simplicidade ajude os amigos a identificarem o que não conseguem identificar.
- Por fim não se torne um estraga prazer.
Nesta degustação de Bordeaux até os grandes se enganam. Vejam até o final para a surpresa.
O decanter tem duas funções básicas e essenciais para alguns tipos de vinhos. Disse alguns tipos de vinhos. Fazer com que seus sedimentos fiquem no fundo da jarra (caso dos vinhos muito envelhecidos e que foram elaborados para serem bebidos anos depois) e para oxigenar o vinho, caso dos vinhos que tem em torno de 4 anos ou mais de garrafa.
Digo sempre que depois de anos de garrafa o vinho precisa tomar um choque de oxigenação, soltar seus aromas e mostrar a que veio ao mundo. Pois o decanter ao aumentar a superfície de contato do vinho com o oxigênio acelera este efeito benéfico.
Mas TODOS OS VINHOS devem ser decantados?
Eu penso que não. Já dito que o efeito prático é “abrir” os vinhos que estão fechados (menos sabor e aroma que esperávamos), por vários motivos, desde o tempo de garrafa até mesmo falta de qualidade.
De uma maneira geral, eu decanto:
1- Vinhos brancos e tintos com aroma reduzido.
2- Vinhos brancos e tintos encorpados que se apresentam fechados.
3- Vinhos brancos e tintos que estão na garrafa por mais de 4 anos.
Nos demais casos não decanto. Veja, então, que a esmagadora maioria dos vinhos que bebo não passam pelo decanter.
É de se lembrar que vinhos com mais de 10 anos a decantação pode ser o golpe de eutanásia.Colocar um velhinho para correr pode ser fatal. Nestes casos é melhor deixar a garrafa aberta por um bom tempo e ir servindo bem devagar.
Muito antes de falarmos de rolhas, como sacá-las, das garrafas e taças, a primeira e principal observação é a temperatura do vinho.
Aqui o detalhe é determinante para que se aproveite, ao máximo, o precioso líquido que está a nossa frente.
Espumantes: 5 Celsius
Brancos Doces: 6 Celsius
Champagnes: 8 Celsius
Brancos Secos Leves: 9 Celsius
Brancos Secos Corpo Médio: 12 Celsius
Brancos Secos Encorpados: 14 Celsius
Rosés: 9 a 10 Celsius
Tintos Leves: 12o Celsius
Tintos de Corpo Médio: 13 a 14 Celsius
Vinho do Porto, Madeira: 14 Celsius
Tintos encorpados: 17 a 18 Celsius
As temperaturas mais elevadas favorecem a volatização do álcool subtraindo os aromas.
As temperaturas mais baixas, em relação aos tintos amargam os taninos e em relação aos brancos de qualidade, eliminam qualquer possibilidade de apreciar a elegância e a delicada harmonia que eles possuem.
Em relação aos espumantes e champagne, exceto os mais doces, temperaturas mais baixas que o indicado eliminam qualquer possibilidade de sentir os seus subliminares aromas. Isto porque o vinho base para os espumantes e champgne são mais ácidos que o normal devido a maturação incompleta levando, naturalmente, a diminuição de aromas primários, tornando-os não aromáticos.
Uma dica para sentirmos os aromas destes vinhos é aumentar um pouco a temperatura de serviço e, contrariamente ao divulgado, utilizarmos taças de vinho branco, menores e mais fechadas na boca, assim o espumante ou champagne, pode “rodar” na taça liberando os tão quridos aromas.
A foto foi retirada do site de Rolf Hicker. Não resisti de tão linda.
Pois bem a Gewürtztraminer parece ter crise de identidade. Possui a casca vermelha, mas produz um vinho branco de excelência máxima. Tem nome alemão mas nasceu em Traminer, hoje, Itália, Alto Ádige, antigo Süd Tirol do império Austro-Húngaro, mas faz um sucesso danado na Alsácia, França. Para muitos difícil de falar o nome, mas muito fácil de se apaixonar pelos seus vinhos.
Esta é a Gewurtz(espciaria) em alemão Traminer.
Se a Sauvignon Blanc do post anterior vai do vinho com acidez marcante, estilo lima-limão, até os minerais. A Gewürtztraminer segue, dos vinhos levemente minerais e de acidez mais baixa até espetaculares vinhos tardios, principalmente os alsacianos.
Como todas as uvas brancas de casca vermelha produzem vinhos de um amarelo dourado inebriante muito aromáticos e de acidez média baixa a exemplo da Vermentino e da Pinot Gris.
Cuidado ao abrir um bom vinhos com esta uva, logo surge uma explosão de aromas que vão das frutas ao frutos secos. Na boca outro show. Na ponta da língua o seu adocicado característico e ao fundo a acidez bem-vinda. Experimente encher a boca com este vinho e deixá-lo lá por uns instantes. É um caleidoscópio de sabores e aromas.
Mas ela tem seus caprichos. Sua produção é baixa o que faz com que muitos não a plantem. Não se adapta fácil em qualquer lugar. Alcança seu potencial máximo na Alsácia, mas pode ser encontrada com qualidade na Itália, Alto Ádige, Austrália, Nova Zelândia, EUA e, com critério, no Chile e no Brasil, isto mesmo. O Brasil em tempos idos foi um bom produtor desta casta, principalmente na fronteira com o Uruguai.
Mas, sem dúvida alguma, os alsacianos são os melhores nesta casta.
Em termos de gastronomia, são parceiros ideais para a culinária alsaciana que lembra a alemã. Carne de porco com temperos agridoces.
Em falar em agridoces, certamente, vai muito bem com culinária oriental ao estilo Thai.
Vai dar vontade de estar lá depois de verem este vídeo.
A Alsácia proporciona belos passeios, mas depois de tanto caminhar vem o cansaço e a fome. Nada melhor que uma pausa nas caves, os weintube ou nos restaurantes. E aí, junto com a especial culinária da região com toques alemães, podemos, com calma, abrir o cardápio e escolhermos alguns dos melhores vinhos brancos do mundo.
Bela e única Alsácia. Pequena região francesa que une a pragmática Alemanha com o charme da França. Fronteira móvel, região que sofreu muitas guerras ao longo da história já foi da Alemanha e depois voltou para a França, hoje, a é um amálgama perfeito entre estes dois países.
Em seus 170 quilômetros de extensão produz vinhos brancos secos e bastante aromáticos e uma combinação ímpar entre açúcar, acidez e álcool, sendo um dos melhores, senão o melhor berço das castas brancas no mundo.
Minha região favorita em se tratando de vinhos brancos. Tem de todos os tipos, do mais seco ao mais doce, do mais aromático ao mineral, incluindo aí seu Crémant (sparkling). Eu como gosto e muito de vinhos brancos fico também por aqui no verão.
São também vinhos que formam grande parceria com a gastronomia local, vão muito bem com a culinária alemã, com comidas mais leves e enfrentam com maestria pratos orientais.
Ali encontraram refúgio seguro castas como Sylvanner, Riesling, Gerwurtztraminer, Pinot gris e Pinot Blanc.
Mas a beleza de hoje não traduz explicitamente a luta dos produtores locais. Desde sempre foi uma região disputada e palco de muitas guerras. A paz que reina hoje é fruto da luta incansável de seus produtores. O clima sempre frio mesmo no verão somado ao tipo de solo favorece amplamente as castas brancas. São elas:
SYLVANNER: Produz vinhos muito semelhantes aos Riesling mas sem a complexidade desta, por outro lado, requer menos atenção do que a Riesling, precisa de menos sol e calor, seus vinhos têm cor amarelo, quase transparente, aromas mais florais, acidez bem mais educada do que a Riesling, são vinhos para serem consumidos logo, de preferência um ou dois anos depois da safra.
RIESLING: Não vamos confundir a Riesling Renana, da qual estamos a falar com a Riesling Itálica, utilizada nos espumantes nacionais.
A Riesling Renana tem como seu berço os vales dos rios Saar, Ruwer e Mosela, todos no nordeste da Alemanha. Foi introduzida na Alsácia pelos alemães. Aqui com invernos rigorosos e os verões amenos, a Riesling adaptou-se bem, tem geralmente baixo teor alcoólico, algo perto de 12 graus,o que é uma dádiva em face destes quase vinhardentes que são vendidos hoje. Este mesmo frio ajuda para que a casta seja aromática, refrescante e extremamente longeva. Há exemplares que aguentam muito bem até 10 anos de garrafa.
PINOR GRIS: Originária da Alsácia, França, uva de casca avermelhada mas produz brancos da elite mundial. Possui homônimas espalhadas por vários países, na Iália, Pinot Grigi e na na Alemenha Grauburgunder, entre outros. Mas é na Alsácia que esta casta alcança seu apogeu. Ali em quantidades liliputianas gera um vinho mágico, inebriante e inesquecível. Cor amarelo quase âmbar, nariz flores, frutos de polpa branca, alguma especiaria como canela e zimbro. Na taça untuoso, lágrimas densas e constantes, na boca acidez e doçura no ponto certo.
GEWÜRTZTRAMINER: A Traminer, mãe das castas Traminer, como a Traminer Rosa ou Savigny e da Gewürtztraminer é da região do Alto Adige (Itália) na antiga Süd Tirol. A Gewürtztraminer, é uma uva de casta rosada baixa produção, na Alsácia alcança sua plenitude, tanto em vinhos jovens como nos colheitas tardias para o vinho doce. Vinhos de cor âmbar possuem aromas variados e exuberantes que caracteriza Gewurztraminer. O bouquet é intenso e complexo, oferecendo uma explosão de frutas exóticas (lichia, maracujá, abacaxi, manga), flores (especialmente rosa), frutas cítricas (casca de laranja) e especiarias (gengibre, pimenta, cravo e pimenta) contribuem para dar a estes vinhos uma característica única.
PINOT BLANC: Casta originária da Borgonha, adaptou-se muito bem na Alsácia por ser resistente ao frio. Gosta de solos pedregosos que mantém o calor mesmo em dias mais frios.
É muito utilizada para a produção do Crémant D’Alsace, por ser uma casta mais ácida, frutada com aromas de maçã, pêssego e toques florais.
Há uma pequena produção de Pinot Noir, mas estes em comparação com os da vizinha Borgonha não alcançam a plenitude que lá existe.
Portanto comprem, apreciem e vejam como são deliciosos os vinhos da Alsácia.
A mesa está posta para uma reunião informal de amigos. Uma linda mesa, diga-se de passagem Na Campania, Itália. Uma região debruçada na costa amalfitana. Mário (mondovino), certamente sabe e concorda com que acabei de escrever.
Pois bem, neste momento surge uma figura que eu combato dia-a-dia, seja informal, seja formalmente. Seja na loja, na rua, nos encontros e nos blogs. E os combato porque atrapalham intimidando quem está a iniciar neste mundo, já um pouco assustado com tantas palavras, vinhos e conceitos diversos.
Aliás, o objetivo primeiro da criação deste blog é exatamente este, ajudar a servir de guia neste mundo.
É o famoso estraga prazer, mais conhecido como enochato, aquele que tudo complica com frases de efeito, aromas que só ele cheira e informações que só ele sabe. Esta figuras não são exclusividade do vinho, aliás, estão em toda a parte, inclusive já andam falando por aí do cervochato, aquele que entende mais de cerveja do que qualquer outro.
Penso que uma reunião de amigos em torno da mesa, como esta da foto, serve para uma troca de ideias e experiências, o (con)viver algo raro hoje em dia, o “deixar para ver como fica” enfim, desfrutar do ócio sem maiores pretensões e, claro, muita conversa sobre o vinho. Eu disse conversa sobre o vinho e não imposições de ideias sobre o vinho.
Falamos que tal vinho tem aromas florais, ele logo vem com aroma da Edelweiss colhida nos Alpes e será que ele conhece o aroma desta flor?. Falamos de gosto mineral nos vinhos brancos ele entra com o gosto de petróleo, ora lá alguma vez bebi petróleo? Falamos de final prolongado e ele entre com retrogosto de alta persistência durando cerca de 5 minutos. Nunca parei para medir o tempo do final de gole, simplesmente sinto-o ou não. Falamos, por exemplo, de Bordeaux, vinhos acessíveis é claro e ele vem com Bordeaux caríssimos safras antiquíssimas de leilões disputadíssimos, será que comprou alguns destes? Será que já os apreciou?
Eles vêm sempre com aquelas pontuações e conceitos de Robert Parker e sua turma. Este vinho tem tantos pontos RP, este ele disse que era bom, ora não se bebe vinho pela boca dos outros, cada um de nós tem a sua experiência, suas emoções e lembranças eno-gastronômicas. Isto quando eles não tem suas próprias pontuações, se o Robert Parker original é ruim que dirá o clone.
Afora as frases lapidares. Vinho branco não é vinho. A pensar assim mais da metade do mundo do vinho desaparece. Cote D’Or, na Borgonha, fica pela metade., Riesling alemães de mais de 20 anos de garrafa viram tempero.
Ou o melhor vinho de tal país é este. Ora ele bebeu TODOS os vinhos daquele país? Espelhou-se em algum guia que certamente não apreciou todos os vinhos. Mais, ele mesmo não apreciou os vinhos tratados no guia. Então não me venha falar de MELHOR vinho deste ou daquele país.
Detesto vinho brasileiro e gosta de espumante nacional. Ora, espumante até onde sei é vinho.
Fala com uma propriedade definitiva, este vinho é ruim ou é bom. Não tem vinho ruim ou bom tem vinho estragado ou não. O estragado ninguém quer, de resto é paladar, o melhor vinho é aquele que de dá prazer e ponto final. O horizonte de prazer pode ser aumentado com leitura, degustações, amigos, enfim, troca de experiências, que aliás é o que se busca nestes momentos de encontros eno gastronômicos.
Por fim só gosta de vinhos caros. Já disse que o vinho ao lado da gastronomia e da música são as bandeiras da cultura de um lugar. E, certo, ali não se bebe somente vinhos caros todo o dia. Portanto, pensar assim e pensar errado e, pior, induzir ao erro os iniciantes.
Vamos ajudar o vinho a desmistificá-lo e não a tratá-lo como algo inacessível, com gostos e cheiros que um mortal comum não conhece.
Por fim experiência é o nome que damos aos nossos erros e não fazer algo errado durante vários anos.
Vejam o exemplo desta pianista, interpretando o Concerto para piano e orquestra 26 – Coronation de Mozart, divino.
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