VERDADES E MENTIRAS NO MUNDO DO VINHO

14 01 2012

Uma verdade é que a uva Nebbiolo na pequena Barolo, Piemonte, Itália certamente produz um dos melhores vinhos que eu conheço.

Mas tem outras verdades e mentiras por aí.

O VINHO ROSE é vinho de menor qualidade?  MENTIRA, muitos tem na cabeça que vinho rose é mistura das sobras de brancos e tintos e/ou um vinho de menor qualidade. Mil vezes bobagem. O rose é um estilo de vinho tão bem elaborado quanto os melhores brancos e tintos que há por aí. Eles existem pela sua própria razão de ser e estão inseridos no meio cultural e eno-gastronômico da região onde foram produzidos.

O “ENTENDIDO” de vinho sempre é um chato e esnobe? MENTIRA. Muitos tem em mente que o mundo do vinho é restrito a poucos e que estes falam e dizes coisas que não conheço e é difícil saber. Bobagem, claro que há os enochatos, aliás pessoas que complicam o que é fácil tem em qualquer atividade neste mundo, aqui não é diferente, mas não se intimide, visite alguns blogs e verá que os bons blogueiros combatem esta praga.

Um GRAN RESERVA será sempre melhor que um RESERVA?  MENTIRA. O Gran Reserva apenas garante que o vinho ficou um tempo maior nas barricas de carvalho, mas não garante a qualidade do vinho que está lá dentro.

Há VINHO BRANCO  com mais de 10 anos de garrafa e ainda está bom? VERDADE. Apesar da grande maioria dos vinhos brancos são produzidos para consumo em até 3 anos, há grandes brancos feitos para começarem a dizer porque vieram ao mundo depois de 5 anos de garrafa. Como a chave da longevidade para os brancos é a acidez, há Riesling, Semillon, Grünner Veltiner entre outras que quando jovens são quase intragáveis, mas com a idade ganham complexidade e aromas de nozes e frutos secos que os tornam opções excelentes.

TAMPAS DE ROSCA são usados em vinhos ruins? MENTIRA. Novamente os vinhos são feitos para serem bebidos quase que imediatamente, sendo assim, por questões financeiras e ecológicas, apesar de tirarem parte do ritual do vinho, as opções, tampa de rosca, muito utilizada nos vinhos da Oceania e agora no Chile e Argentina, as sintéticas (não gosto quebraram alguns saca-rolhas) e agora as de vidro são excelentes alternativas.

VINHO É PALADAR? VERDADE. Vinho é prazer e cada qual tem o seu conceito de prazer. O melhor é quando ele cabe no bolso. Claro, também, é que o horizonte deste prazer pode ser aumentado, com experiências, comparações, conversas com bons vendedores, visitas aos blogs e leituras especializadas. Mas sobretudo comparações.

VINHO BARATO  É RUIM? MENTIRA. Para começar o que é caro ou não depende de nossa saúde financeira, mas de maneira alguma vinho barato tem que ser ruim. Em todos os países produtores e consumidores de vinho esta bebida faz parte de seu dia-a-dia, portanto raros são os que abrem Barolos, Borgonhas Premier Cru e grandes chilenos e argentinos todo o dia.  Agora um vinho que nos chega aqui a mais de R$ 100,0 0 tem que ser bom.

Uma CARTA DE VINHOS foi feita para intimidar alguém? MENTIRA. O nosso desconhecimento em relação ao vinho e suas variedades é que nos constrange quando estamos frente a uma carta de vinhos. Graças a Deus, assim podemos evoluir com leitura especializada, bons amigos e vendedores, blogs e muita experiência erro.

Comprar vinhos é uma atividade de risco? VERDADE. Por mais que tomemos os cuidados necessários, certamente vamos comprar aquilo que não gostamos, pelo menos naquele momento, DÊ SEMPRE UMA SEGUNDA CHANCE PARA TI E PARA O VINHO. Mas o aprendizado requer investimento. Certo, também, é que a expectativa que colocamos no vinho é diretamente proporcional ao preço que pagamos por ele.

VINHO BRANCO DOCE é ruim? MENTIRA. Estudos feitos dizem que a grande maioria dos atuais consumidores, inclusive os mais assíduos, iniciaram neste mundo através de um branco mais adocicado, eu me incluo nesta turma. Alguns ficaram com seu  conceito de prazer por aí, outros não. Além do que existem vários brancos que foram feitos para serem doces como os colheita tardia, os botritizados, do qual o Tokaj e o Sauternes são grandes exemplos, afora outros que utilizam variadas técnicas de produção.

O BRASIL produz só vinhos sem expressão? MENTIRA. O Brasil tem vários vinhos com muita tipicidade, isto é, numa degustação podem ser identificados. Os espumantes estão em alta e não fazem feio em nenhuma comparação com os importados. Os bancos seguem o mesmo caminho. Já os tintos, pelas condições de solo e clima não tem esta facilidade. Sofrem com as injustas comparações, principalmente com os chilenos e argentinos, digo injusta porque não se deve comparar grandezas diferentes. O vinho tinto brasileiro deve ser comparado com ele mesmo. Aí temos bons exemplares, principalmente com a casta Merlot, o clima frio e úmido favorece e muito o desenvolvimento desta uva em solos pátrios.

VINHO um pouco mais ÁCIDO é vinho ruim? MENTIRA. Em geral estamos acostumados com a doçura, da própria uva, nos vinhos andinos, aí pensamos que quando ela inexiste, como na maioria dos vinhos do velho mundo entendemos como vinho ruim. A acidez é muito bem vinda nos tintos, pois demonstra a vocação destes vinhos para a culinária, são excelentes parceiros da gastronomia local.

VINHO ITALIANO E FRANCÊS ou é bom e caro ou é ruim e barato? MENTIRA, mil vezes mentira. Já disse que os tradicionais países produtores de vinho o tem como alimento e consumo diário. Assim, por certo nem todos tem dinheiro para beber os melhores vinhos das melhores safras todos os dias. Tem seus vinhos de qualidade com preços mais em conta. E temos alguns importadores no Brasil que trazem estes vinhos para nós. Portanto é o nosso desconhecimento que dá falsa sensação de verdade a esta afirmação.





PRIMEIROS PASSOS – PARTE V – O SERVIÇO DO VINHO – A QUESTÃO DAS TAÇAS

15 11 2011

Vinho na temperatura certa antes de abri-los é importante separar as taças. Sei que há taças caríssimas altamente sofisticadas, estilo Riedel, http://www.riedel.com/ mas convenhamos vamos por os pé no mundo real. Em 90% dos casos não estaremos em condições de estar a frente destas Ferraris das taças.

A figura acima é elucidativa. Apenas uma explicações.

A diferença entre o branco e o branco jovem. O primeiro em quase todos os casos passa por madeira, isto é teve contato com madeira, os melhores e mais caros, estagiaram em barricas de madeira francesa ou americana, neste blog tem um post sobre eles http://wp.me/pPKW2-CI portanto a taça deve ser mais bojuda para que os aromas fiquem “presos” mais tempo e assim possamos apreciar melhor seus aromas. Já os brancos jovens, na maioria dos casos, leves e frutados já explodem os aromas no nariz assim que abrimos o vinho.

Nos tintos vale a mesma regra. Quanto mais estagiou em madeira e envelhecido na garrafa, tipo 8 a 10 anos para ficar no ponto, maior a taça e seu bojo.

Nos espumantes/Champagne o clássico é este “flute”, mas eu prefiro os “flute” mais boljudos assim mantemos os delicados aromas por mais tempo na taça.

Detalhe, nunca encha demais a taça, assim pode-se girá-la para liberar os aromas. E a segure pela haste ou pé. Assim não suja o seu corpo com a gordura das mãos o que facilitará a análise visual, além de não esquentar o líquido.

Técnicas básicas de degustação e se devo decantar os vinho veremos adiante.

Bohemian Glass, tudo de bom.





PRIMEIROS PASSOS – A UVA, A VIDEIRA E SEUS VINHOS

13 11 2011

O vinho é um fermentado da uva, assim como a sidra e o calvado vêm da maçã. Portanto, somente o vinho provem da uva.

Mas de todas as uvas? Sim, mas eles ganham diferentes classificações no Brasil. O vinho conhecido como VINHO FINO  vem das uvas viníferas, Cabernet Sauvignon, Chardonnay entre outras. A uva americana ou uva de mesa, também produzem vinho, mas são de categoria bem inferior, os chamados vinhos da colonia ou de garrafão. As mais conhecidas são Santa Isabel, Niágara, bordo entre outras e representam a maior parte dos vinhos no Brasil.

Outro lembrete chamado vinho suave, ESTE VINHO É AQUELE NO QUAL É ADICIONADO, AO DURANTE A VINIFICAÇÃO, AÇÚCAR DE CANA, em grande quantidade tenha aç~ucar residual não transformado em álcool e  fique mais “docinho”. Necessariamente no rótulo está esta indicação. Estes podem ser brancos ou tintos.

Os vinhos finos não possuem adição de açúcar ao final da vinificação. Podem conter açúcar de cana, durante o processo de vinificação para ganhar mais álcool ao final, processo chamado de chaptalização. Mas são vinhos SECOS, isto é, não adocicados.

Pois bem, a uva é o fruto da videira e esta é uma trepadeira, portanto precisa ser conduzida, seja por amarração, cabos e fios ou por poda. Possui uma raiz poderosa que desce fácil 10 metros para buscar sua sustentação, seja física, seja biológica. E um detalhe, não pode haver matéria orgânica na superfície, caso contrário a raiz vai para os lados superficialmente e não fixa-se no solo. Por isto as imagens de videiras são imagens bíblicas, muito sol e terra a mostra.

A foto aí em cima mostra bem esta ideia. As videiras de Grenache (Garnacha), um das rainhas do mediterrâneo junto com a Mouvèdre (Monastrel) no Languedoc, região mediterrânea da França. Detalhe, sem condução, apenas na poda. Ao fundo uma cidade medieval em cima do morro para maior proteção. Algo que verão sempre nesta região.

Mas a videira precisa de atenção constante. Poda seca no inverno ou a poda verde para diminuir a quantidade de frutos e concentrar a força em menos cachos, menos quantidade, mais qualidade.

Pode ser tipo latada, mais comum, como esta da foto.

Ou o sistema mais utilizado para vinhos de qualidade que é a espaldeira, note que cada fileira toma a sua quota certa de sol.

Tipos de vinhos.

Espumante/Champagne, com sua segunda fermentação na garrafa(champenoise) ou tanques de inox (charmat).

Vinho branco de uvas brancas ou tintas estas vinificadas sem a casca.

Tinto, vinificadas com a casca que dá cor ao vinho.

Rose, pode ser com o pouco contato da casca com o mosto (líquido inicial da maceração das uvas) ou pelo método de sangria, quando retira-se parte do mosto logo que se vinifica as tintas.

Vinho de sobremesa, pode ser colheita tardia, onde acontece a passificação das uvas, isto é a perda da água concentrando-se o açúcar. As atacadas pelo fungo Botrytis Cinerea que aparece em determinadas regiões, como Tokaj (Hungria) e Bordeaux, os chamados Sauternes, que ataca a casca das uvas desidratando-as e os Ice Wine, as uvas são colhidas congeladas e assim processadas. Os cristais de gelo levam a desidratação da uva.

Por fim os fortificados, estilo Porto, Madeira entre outros onde coloca-se Grapa, aguardente vínica no início da fermentação. Aumenta-se o álcool, estanca-se o processo de vinificação e obtêm-se um vinho fortificado, alcoólico e doce.

Próximo passo veremos as principais uvas e o serviço do vinho.

Fiquem com este vídeo sobre o Ice Wine





DIFICULDADE NA HORA DE COMPRAR? O VINHO TEM MENSAGENS QUE PODEM AJUDAR – PARTE II

16 05 2011

O vinho mesmo depois de aberto continua enviando mensagens que podem ajudá-lo. Agora no sentido de evitar o consumo de vinho alterado ou adquirido fora de nossas expectativas.

No sentido de minimizar a área de risco para que se possa comprar o vinho desejado algumas mensagens devem ser interpretadas.

1ª MENSAGEM – A COR DO VINHO

Em primeiro lugar a esmagadora maioria dos vinhos na faixa de R$ 10,00 até 50,00 reais foram feitos para serem abertos um ou dois anos após o seu engarrafamento. Assim não perca tempo com espera e adegas especiais para este tipo de vinho. Segundo ao abri-lo, por razões de má conservação ou partilha mal feita no produtor o vinho pode ter oxidado mais do que devia. Já dito que o vinho é o meio do caminho entre o suco de uva e o vinagre, portanto o oxigênio é elemento fundamental em sua vinificação. Ocorre que muitas vezes sofre alterações e acaba oxidando antes mesmo de aberta a garrafa. Como pode-se ver tal alteração? Pela cor.

Brancos: Se não for um excelente e caro vinho branco de algumas castas que passaram por barrica de madeira, o vinho deve ter cor amarelo-palha até o amarelo esverdeado e sempre cintilante e translúcido. CUIDADO cor amarelo dourado e amarelão certamente estar-se-á a frente de um vinho que merece um réquiem, este corpo vivo já evoluiu e agora faleceu. No nariz sai a frescura de flores e frutos e entre o aroma de ferrugem advindo da oxidação.

ROSES: A fora raras, honrosas e maravilhosas exceções, devem ser bebidos ao estilo dos brancos dois ou três anos depois de engarrafados. Quando um rose estiver sem aquela espetacular cor rosa viva, salmão e até mesmo um rosa mais escuro, MAS SEMPRE CINTILANTES E TRANSLÚCIDOS estaremos frente a um rose que já se despediu deste mundo. O nariz é de ferrugem.

TINTOS: Os tintos jovens quase a  maioria dos que se encontram no mercado a preços inferiores a R$ 50,00 reais têm, no máximo três a quatro anos de vida na garrafa. O tempo em nada os ajudará, muito pelo contrário envelhecerão sem saúde. Desta maneira não os guarde ou ponha em adegas esperando evolução. A cor dos tintos que já se despediram ou estão prestes a fazê-lo é a cor de tijolo que apresentam nas bordas dos tintos retintos. Ao inclinar a taça contra um fundo branco vê-se nitidamente que o centro é escuro como a noite (nos tintos retintos que têm por aí), mas as bordas são tijoladas. Nos mais caros e feitos sem sangria, geralmente estilo velho mundo, a cor é vermelho translúcido, mas com a idade fica totalmente cor de tijolo. Nariz de ferrugem.

Já os espumantes, com raras exceções devem ser bebidos jovens. A nítida sensação de despedida é a falta de borbulhas. Quando se tira a tolha ela não abre no fundo imediatamente, pouco gás sai e faltam borbulhas na taça. CUIDADO taças lavadas recentemente com detergente não fazem borbulhas, na boca sente-se o gás, mas no visual não. O detergente termina com esta importante festa dos espumantes.

2ª  MENSAGEM – OS TIPO DE UVAS

Para além das clássicas divisões que há nas lojas especializadas e supermercados que separam o vinho, primeiro por países e depois  em branco, rose, tinto, espumantes e vinhos fortificados, separação que eu contesto porque aumentam certos preconceitos com algumas uvas, estilos de vinhos e países, o vinho nos traz outras dicas.

Sabe-se que se faz, hoje, vinho inclusive de uva, portanto o principal ingrediente na produção de um vinho jamais deve ser colocada em segundo plano. Depois de definido o tipo de vinho, VEJA, POR FAVOR, qual a uva de sua preferência e se não conhece aquela que está a sua frente, POR FAVOR ESTUDE, VIA INTERNET, BLOGS, REVISTAS OU VENDEDOR ESPECIALIZADO, ela certamente irá definir o vinho que vais comprar.

Certo que algumas uvas, pela sua capacidade de adaptação se  tornaram internacionais, ficaremos com elas para não alongar este post.

Nos brancos a Sauvignon Blanc e a Chardonnay dominam a praça. A segunda conhecida como rainha das uvas brancas adapta-se não só ao solo e clima onde estão plantadas mas como se presta ao diferentes estilos de vinificação, se com mais ou menos tempo nas barricas, por exemplo. Deste modo em geral As  Chardonnay, chilenas e argentinas, têm algo puxado para o mel, nozes no nariz e levemente adocicadas na boca. A Chardonnay nacional tem menos potência aromática, mas possuem mais delicadeza, algo como nozes, damasco e frutos secos. Na boca mais leves e ácidas. Tem o estilo barricado, geralmente mais denso no copo e com nariz de baunilha e chocolate.

A Sauvignon Blanc sempre terá um fundo mais cítrico e nariz de grama cortada. Raramente aceita madeira, portanto aí está uma dica, se não gosta de brancos com madeira é a pedida certa.

Nos roses o estilo francês, para ficarmos nos campeões deste tipo de vinho, são mais leves, ácidos e secos. Os andinos e nacionais mais densos, alcoólicos, aromáticos e levemente adocicados.

Nos tintos as internacionais Cabernet Sauvignon e Merlot e as típicas Malbec e Carmenere dominam o cenário. A primeira com vinhos mais tânicos (aquela sensação de boca seca) e a segunda mais sedosa e menos potente (aqui nos países andinos). Já no Brasil se comportam mais educadas, ácidas e com vocação gastronômica em face do clima mais frio e chuvoso no verão.

As típicas Carmenere, muito parecida com a Merlot, inclusive com ela confundida por muitos anos, vinhos mais calmos e com nítido nariz de terra (nos bons exemplares) Já a Malbec uma explosão de aromas e doçura (natural) da uva.

3ª MENSAGEM – A COMPANHIA

Cada um tem seu conceito de má companhia, mas seja ela qual for tornará teu melhor vinho em vinagre num passe de mágica.

Lembrem da frase de Mário Quintana:

” Por mais raro que seja, ou mais antigo. Só um vinho é deveras excelente. Aquele que tu bebes, docemente, com teu mais velho e silencionso amigo.”

DÚVIDAS? O EDITOR DESTE BLOG PETER WOLFFENBÜTTEL  ESTÁ NA ENOTECA CONTE FREIRE PARA AJUDAR A COMPRAR UM BOM VINHO. Rua Desembargador Espiridião de Lima Medeiros, 156, Três Figueiras, Porto Alegre/RS fone 32 22 88 51





VERDADES E MENTIRAS DO MUNDO DO VINHO

10 04 2011

Uma verdade é que a uva Nebbiolo na pequena Barolo, Piemonte, Itália certamente produz um dos melhores vinhos que eu conheço.

Mas tem outras verdades e mentiras por aí.

O VINHO ROSE é vinho de menor qualidade?  MENTIRA, muitos tem na cabeça que vinho rose é mistura das sobras de brancos e tintos e/ou um vinho de menor qualidade. Mil vezes bobagem. O rose é um estilo de vinho tão bem elaborado quanto os melhores brancos e tintos que há por aí. Eles existem pela sua própria razão de ser e estão inseridos no meio cultural e eno-gastronômico da região onde foram produzidos.

O “ENTENDIDO” de vinho sempre é um chato e esnobe? MENTIRA. Muitos tem em mente que o mundo do vinho é restrito a poucos e que estes falam e dizes coisas que não conheço e é difícil saber. Bobagem, claro que há os enochatos, aliás pessoas que complicam o que é fácil tem em qualquer atividade neste mundo, aqui não é diferente, mas não se intimide, visite alguns blogs e verá que os bons blogueiros combatem esta praga.

Um GRAN RESERVA será sempre melhor que um RESERVA?  MENTIRA. O Gran Reserva apenas garante que o vinho ficou um tempo maior nas barricas de carvalho, mas não garante a qualidade do vinho que está lá dentro.

Há VINHO BRANCO  com mais de 10 anos de garrafa e ainda está bom? VERDADE. Apesar da grande maioria dos vinhos brancos são produzidos para consumo em até 3 anos, há grandes brancos feitos para começarem a dizer porque vieram ao mundo depois de 5 anos de garrafa. Como a chave da longevidade para os brancos é a acidez, há Riesling, Semillon, Grünner Veltiner entre outras que quando jovens são quase intragáveis, mas com a idade ganham complexidade e aromas de nozes e frutos secos que os tornam opções excelentes.

TAMPAS DE ROSCA são usados em vinhos ruins? MENTIRA. Novamente os vinhos são feitos para serem bebidos quase que imediatamente, sendo assim, por questões financeiras e ecológicas, apesar de tirarem parte do ritual do vinho, as opções, tampa de rosca, muito utilizada nos vinhos da Oceania e agora no Chile e Argentina, as sintéticas (não gosto quebraram alguns saca-rolhas) e agora as de vidro são excelentes alternativas.

VINHO É PALADAR? VERDADE. Vinho é prazer e cada qual tem o seu conceito de prazer. O melhor é quando ele cabe no bolso. Claro, também, é que o horizonte deste prazer pode ser aumentado, com experiências, comparações, conversas com bons vendedores, visitas aos blogs e leituras especializadas. Mas sobretudo comparações.

VINHO BARATO  É RUIM? MENTIRA. Para começar o que é caro ou não depende de nossa saúde financeira, mas de maneira alguma vinho barato tem que ser ruim. Em todos os países produtores e consumidores de vinho esta bebida faz parte de seu dia-a-dia, portanto raros são os que abrem Barolos, Borgonhas Premier Cru e grandes chilenos e argentinos todo o dia.  Agora um vinho que nos chega aqui a mais de R$ 100,0 0 tem que ser bom.

Uma CARTA DE VINHOS foi feita para intimidar alguém? MENTIRA. O nosso desconhecimento em relação ao vinho e suas variedades é que nos constrange quando estamos frente a uma carta de vinhos. Graças a Deus, assim podemos evoluir com leitura especializada, bons amigos e vendedores, blogs e muita experiência erro.

Comprar vinhos é uma atividade de risco? VERDADE. Por mais que tomemos os cuidados necessários, certamente vamos comprar aquilo que não gostamos, pelo menos naquele momento, DÊ SEMPRE UMA SEGUNDA CHANCE PARA TI E PARA O VINHO. Mas o aprendizado requer investimento. Certo, também, é que a expectativa que colocamos no vinho é diretamente proporcional ao preço que pagamos por ele.

VINHO BRANCO DOCE é ruim? MENTIRA. Estudos feitos dizem que a grande maioria dos atuais consumidores, inclusive os mais assíduos, iniciaram neste mundo através de um branco mais adocicado, eu me incluo nesta turma. Alguns ficaram com seu  conceito de prazer por aí, outros não. Além do que existem vários brancos que foram feitos para serem doces como os colheita tardia, os botritizados, do qual o Tokaj e o Sauternes são grandes exemplos, afora outros que utilizam variadas técnicas de produção.

O BRASIL produz só vinhos sem expressão? MENTIRA. O Brasil tem vários vinhos com muita tipicidade, isto é, numa degustação podem ser identificados. Os espumantes estão em alta e não fazem feio em nenhuma comparação com os importados. Os bancos seguem o mesmo caminho. Já os tintos, pelas condições de solo e clima não tem esta facilidade. Sofrem com as injustas comparações, principalmente com os chilenos e argentinos, digo injusta porque não se deve comparar grandezas diferentes. O vinho tinto brasileiro deve ser comparado com ele mesmo. Aí temos bons exemplares, principalmente com a casta Merlot, o clima frio e úmido favorece e muito o desenvolvimento desta uva em solos pátrios.

VINHO um pouco mais ÁCIDO é vinho ruim? MENTIRA. Em geral estamos acostumados com a doçura, da própria uva, nos vinhos andinos, aí pensamos que quando ela inexiste, como na maioria dos vinhos do velho mundo entendemos como vinho ruim. A acidez é muito bem vinda nos tintos, pois demonstra a vocação destes vinhos para a culinária, são excelentes parceiros da gastronomia local.

VINHO ITALIANO E FRANCÊS ou é bom e caro ou é ruim e barato? MENTIRA, mil vezes mentira. Já disse que os tradicionais países produtores de vinho o tem como alimento e consumo diário. Assim, por certo nem todos tem dinheiro para beber os melhores vinhos das melhores safras todos os dias. Tem seus vinhos de qualidade com preços mais em conta. E temos alguns importadores no Brasil que trazem estes vinhos para nós. Portanto é o nosso desconhecimento que dá falsa sensação de verdade a esta afirmação.





PROVENCE E SEUS ROSES MARAVILHOSOS

20 09 2010

É outono e o sol bate forte nos vinhedos de Provence. O sol nesta terra é quem dá as ordens nos vinhedos. Invernos amenos em relação ao resto do país, mas um verão para lá de ensolarado. As videiras, para aguentar tamanha insolação são plantadas em patamares, subindo a cadeia de montanhas que fica logo atrás de Provence.

Já dito que a altura influencia e muito a uva, principalmente no seu estágio final de maturação, últimos trinta dias. Há exemplos clássicos, no Brasil a serra catarinense, SãoJoaquim, Tamgará e outras cidades do planalto catarinense. Temos o anfiteatro do Vale del Uco, na Argentina, os vinhos de Salta, a mais de 2.000 metros de altura e os de Rioja em relação aos de Toro, na Espanha.

E o paradoxo continua, onde há calor puxa para o branco, mas as castas brancas gostam e muito do frio, tanto é que os melhores brancos são os alemães e alsacianos, terras de frio.Com exceção é claro para os vinhos verdes de Portugal que aqui produz bons brancos na região norte do país em face do pouco sol que por lá aparece.

As castas são as tradicionais da região mediterrênea, Mouvèdre, Cinsault, Grenache, Carignan e Syrah. Utilizam muito, também, a Cabernet Sauvignon.

Os roses dominam a produção com mais de 50% dos produzidos, depois os tintos e um pequeno percentual de brancos.

Mas os roses sãoo grande charme de Provence, inclusive sendo parceiros ideias para os seus  pratos condimentados e perfumados.

Fiquem com o charme e show de cores dos mercados das cidades medievais de Provence





DEGUSTAÇÃO UM GIRO PELA ITÁLIA – MONTESSU ISOLA DEI NURAGHI SARDENHA

26 06 2010

Ao expotr a minha impressão sobre este ótimo vinho da Sardenha é necessário comentar sobre a casta Carignano, Carignan ou Carineña, dependendo se estamos na Itália, França ou Espanha.

É uma casta que produz muito por hectare, dai muito utilizada nesta borda do Mediterrâneo mais para vinhos de baixa qualidade. O que, infelizmente trouxe para esta região, seja a Sardenha, sua vizinha Córsega ou mesmo a região mencionada, mais precisamente o Languedoc,França ou a Espanha.

Hoje este quadro vem mudadando rapidamente. Os produtores têm trabalhado de maneira a produzir vinhos de melhor qualidade e têm alcançado sucesso. Há vários bons vinhos destas regiões no mercado.

A Carignan, aí da foto, produz vinhos potentes, com muita  tintura, aromáticos e de baixos teores de taninos.

Sozinha não creio que produza, na média, grandes vinhos, mas bem acompanhada, sim.

EsteMontessu é um exemplo, cor vermelho escuro, quase negro,cor pintando a taça, nariz,no início fechado, bem depois, no copo, abriu. Aromas a frutos secos, ameixa e algo de tâmaras e damasco. Na boca, inicia sem muita força, depois aparece o acompanhamento das castas francesas. Final de boca bem interessante. Um ótimo vinho, pena que tem este over price tão tradicional nos vinhos italianos.

Por falar em Sardenha,fiquem com o vídeo.

N





DICA DA SEMANA – SERRERA BONARDA – BELA PEDIDA PARA O FRIO QUE VIRÁ

29 05 2010

O frio apertou e estava faz um certo tempo querendo experimentar este Bonarda da Serrera.

A Vinícola, para quem não sabe é administrada por jovens enólogos que buscam nos terroirs específicos o melhor de cada casta que produzem. Tem os seguintes terroirs em Mendonza: Lulunta, Perdriel, Tupungato e Vale do Guanacache. Maiores informações www. serrera.com.ar

Este Bonarda, se apresentou muito bem. A Bonarda é uma casta vinda da Itália e, por produzir muito por hectare, é muito utilizada como uva para corte ou mesmo vinhos populares.

Nos últimos tempos, como em todo mundo, os produtores estão a vinificar casta não usuais e esta é uma delas.

Este Serrera se apresentou muito bem, cor vermelho profundo, nariz algo de baunilha, tabaco e frutos vermelhos. Na boca acidez média, taninos marcantes e boa adstringência, lembrando que esta casta possui elevados índices de taninos. Final de gosto prolongado, mas não é um vinho volumoso.

Boa compra, o Zaffari vende por menos de R$ 40,00, se não me falhe a memória.





SEJA DIFERENTE – CRIE SEU ESTILO DE VINHO

28 05 2010

Até não estou falando de ser um artista único, como M.C. Escher, que criou esta é outras figuras impossíveis, utilizando apenas a perspectiva. Ou mesmo o nosso brasileiríssimo Augusto dos Anjos, poeta paraibano cujas poesias até hoje não são estão enquadradas em nenhum movimento literário.

Portanto, ninguém está pedindo que se crie um estilo de vinho único e inacessível, mas sim dos tantos a disposição que se saiba qual o estilo dá mais agrada.

O que quero dizer, isto sim, é que após entender das castas, tipos de vinhos, maneiras de produção e muita prova, isto é, provar – provar e comparar, não há outro meio de conhecer vinho, certamente irás chegar em algum tipo de vinho que dá mais prazer.

Chegando neste estilo é só afinar este gosto e certamente estarás criando o seu estilo de vinho. Isto facilita a tua vida e, principalmente, do teu amigo lojista que poderá auxiliar melhor.

Eu, por exemplo, seguindo o que gosto na vida, prefiro algo subjetivo do que objetivo, sensualidade do que sexualidade, sedução do que paixão, tradição ao modernismo e assim, vai.

Para mim ficou fácil saber o estilo de vinho que gosto. Um vinho que seja elegante, tenha força mas não estrague tudo, diga que está ali mas não precisa gritar, tenha taninos, mas que estes não sejam agressivos e, principalmente, fique na lembrança emotiva como uma bela compra, um ótimo momento, um ótimo encontro, enfim, que não saia da memória tão cedo. Seja ele tinto, branco, rosé, espumante/champagne ou vinho de sobremesa ou fortificado.





FRANÇA X ITÁLIA – IMPRESSÕES SOBRE A DEGUSTAÇÃO MARCHESI D’FRESCOBALDI CHIANTI X CROZES HERMITAGE SYRAH

4 05 2010

Aqui, mais uma vez, na minha opinião  França venceu o duelo.

O Chianti estava ótimo. De cor vermelho translúcido, um tanto brilhante. No nariz leve defumado, tostado de café com as inseparáveis frutas vermelhas. Na boca elegante, refinado diria até delicado. Agradaria a todos numa roda de amigos, sem ser enjoativo, pois tem personalidade. Apenas no final, já que o motivo da degustação foi a última final da copa do mundo, faltou fôlego, perdeu performance. O final de boca deixou a desejar.

O Syrah não decepcionou. Algo como um zagueiro de time pequeno chega forte. Vinho bastante pegado. Cor vermelho escuro, mas sem perder o brilho. Nariz típico dos bons Syrah, muita especiaria, tabaco, café, noz moscada e couro. Na boca demonstra toda a sua força. Pimenta, pimentão algo picante. Estilo ame-o ou deixe-o. Penso que com alguns anos mais acalmariam os taninos. Forte adstringência sem perder a elegância. Final de boca resistente e prolongado. Eu gosto muito deste estilo de vinho. É um vinho que deixa saudade.








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