A TANNAT DE DESPREZADA A PRINCESA

29 04 2012

Trata-se da Tannat que compõem 100% este vinho maravilhoso. O Dayman 2002.

A Tannat desprezada em sua região de origem, Madiran, sudoeste francês, quase fronteira com a Espanha. Lá produz um vinho com muito tanino que traz para o vinho aquela sensação de banana verde. Lá até pode-se até dizer que se trata de uma gata borralheira.

Pois esta casta veio na mala de um imigrante basco-francês que aportou no Uruguai. Neste caso específico, o patriarca da Bodega Stagari logo que chegou em Salto no noroeste do Uruguai tratou logo de planar esta casta.

O clima, com grande variação entre o dia e a noite no final da maturação garantem a qualidade desta casta.

Hoje, tanto esta bodega quanto outras levaram a Tannat a ser a casta símbolo. A diferença fica que a maioria dos vinhedos uruguaios estão nos arredores da capital este não. Salto fica na fronteira com a Argentina bem a oeste.

O Dayman, para mim representa o máximo que esta casta pode alcançar. Sabe-se que é uma das uvas com maior índice de taninos ao exemplo da Baga em Portugal. Os taninos amaciam com o tempo de barrica de carvalho e garrafa. Um bom Tannat, necessariamente, deve passar por estes estágios.

O Dayman que apreciei é um vinho de cor muito escura denotando boa quantidade de taninos. No nariz ameixa, cereja e algo de fumado, café e couro. Na boca denso encorpado e sedoso, sim, sedoso, pelo tempo que passou na barrica e na garrafa. Os taninos estão perfeitamente domados. Final de gole longo e muito gostoso.

Um vinho que já deveria vir com um pernil de ovelha e a receita no bolso. Casamento perfeito com as parrilas  uruguaias.





MAPA DO VINHO – PARTE XVI – FRANÇA SUDOESTE – CAHORS

20 02 2012

Bem mais longe da região de Bordeuax, já com outro clima e geografia, no Midi-Pirénnés,  Cahors, as margens do rio Lot,  a mais galo-romana cidade do sudoeste francês.

A ponte, sobre o rio Lot foi construída no início de 1300, isto mesmo, 200 anos antes do Sr Pedro Álvares Cabral e sua turma aparecerem por aqui.

Os romanos foram os primeiros a plantar uvas nestas paragens. Na idade média seu vinho era conhecido como o tinto de Lot e desde lá produzido com a casta Côt Noir, Auxerrois ou a nossa velha e conhecida Malbec.

Bem a Malbec andina, de semelhante só o nome, pois a francesa é de todo diferente. Seus vinhos são, em função do frio e a umidade de Cahors, são de corpo médio, taninos muito mais marcantes e acidez refrescante. Portanto muito diferentes dos Malbec andinos, principalmente os Argentinos. Estes são bem mais encorpados e com muita doçura da própria uva.

Os vinhos de Cahors aceitam até 30% em corte com a Tannat, Merlot ou a Cabernet Franc. Alguma produção de brancos e roses, mas estes em menor quantidade.

O  estrondoso sucesso da Malbec andina tem despertado o interesse cada vez maior nos vinhos de Cahors.Vamos aproveitar este interesse em divulgar os vinhos de maravilhosa região da França.

Já apreciei ótimos vinhos desta região, mas se falassem que era da Malbec teria estranhado muito.





MAPA DO VINHO – PARTE XV – FRANÇA SUDOESTE – MADIRAN

20 02 2012

No centro da região Sudoeste. Terra de bons tintos encravada na melhor região produtora de brancos do sudoeste Francês, Pau e Jurançon.

Aqui, reina absoluta a Tannat, sim a mesma que faz estrondoso sucesso no Uruguai. E faz vinhos semelhantes. Enquanto jovens, muito tânicos, ácidos e rústicos. Agora é uma casta vocacionada para envelhecer com saúde. Assim como a Tannat uruguaia os vinhos de Madiran podem e devem esperar algum tempo para aflorarem suas qualidades passando de vinhos rústicos e duros para vinhos aromáticos, gordos, algo fumado, agradáveis de longo retrogosto.

Os tintos aceitam parcelas de corte da Cabernet Sauvignon e da Franc.

Vejam que b elo vinhedo.

O interessante, também, fica por conta da produção de vinhos tintos em terra de brancos. A região de Madiran fica  aos pés dos Pirineu numa altura média de 350 metros, com invernos úmidos e verões amenos, aliás ideais para as uvas brancas.

Por fim a mesma dica que dou para os Tannat do uruguai valem para os de Madiran, paguem um pouco mais, porque são vinhos nos quais os taninos precisam ser domados e eles só o são com tempo em barricas e garrafas o que os torna mais caros.

 





HARMONIZAÇÃO VINHO E CULINÁRIA EXPRESSÃO DE UM POVO PARTE II

11 12 2011

Harmonizar vinho e culinária é como se fosse uma festa ao estilo do Império Austro-Húngaro, muito lindo, tudo no lugar e a sensibilidade num crescente.

Chegam os convidados. As mais conhecidas tintas, primeiro.

TINTAS: SYRAH, Rhône, França. Muito plantada, também, na Austrália, Argentina e Chile. Gosta de lugares quentes, e já foi objeto de post neste blog http://wp.me/pPKW2-89  a cor de seus vinhos em geral são de um vermelho escuro mas vibrante. Os aromas lembrar especiarias, pimenta, pimentão verde, canela e noz moscada. Na boca em geral são vinhos volumosos, final de gole prolongado e marcante. Podem ser vinhos de guarda. Os cortes, geralmente são feitos com a Cabernet Sauvignon.

TANNAT: Madiran, Sudoeste Francês, mas adaptou-se maravilhosamente no Uruguai. Hoje se cultiva na França, Uruguai, Argentina e na serra gaúcha. Sua cor éo vermelho rubi intenso. São vinhos de muito corpo e com grande quantidade de taninos. Aromas a frutos vermelhos e compota de frutos silvestres. Na boca taninos fortes e marcantes, um vinho com muita força e estrutura. Retrogosto prolongado. E corte vai muito bem com a Merlot.

CABERNET FRANC: Nativa de Bordeuax, França, muito plantada mundo afora, principalmente Argentina, Estados Unidos e Brasil, serra gaúcha onde adpata-se muito bem, eu pelo menos gosto dos vinhos feitos desta uva. Sua cor vermelho de média a alta concentração. Os aromas de frutosvermelhos mas com u tom herbáceo bem forte. Na boca confirma os aromas, frutos vermelhos, final herbáceo,algolembrando a pimentão. É excelente companheira no corte com a Cabernet Sauvignon e a Merlot no que se chama de corte bordalês.

CABERNET SAUVIGNON: Bordeuax, França, quem não a conhece não conhece vinho, pois é plantada no mundo todo.Os chilenos pejorativamente a chamam de carne de perro. Muito adpatável, produz vinhos, desde o rose até os tintos encorpados, solitas ou acompanhadas, passando de mádio corpo a vinhos potentes. Cor vermelho púrpura até o vermelho claro, os aromas são frutados, algo de cassis e ervas. De taninos marcados a vinhos leves, dependendo de como se conduz a produção. Na boca uma certa adstringência marca os bons Cabernet. Sua combinação é de ampla gama.

MERLOT: De Bordeuax,França, também plantada no mundo todo, geralmente em contra posição à Cabernet eis que mais macia e sedosa.Foi objeto de post neste blog http://wp.me/pPKW2-7q Gosta de climas frescos e altos, daí vai muito bem na serra gaúcha e catarinense. Plantada praticamente no mundo todo, compõe as chamadas castas internacionais. Cor vermelha granada, pode ser desde o rose até vinho de médio para alto corpo. Aromática, os chamados frutos vermelhos e groselha, na boca os conhecidos taninos sedosos, pouca adstringência. Combina a excelência com as Cabernet Franc e Sauvignon.

PINOT NOIR: Borgonha, França, também se deu relativamente bem no Chile, vale de Casablanca, Austrália  e, principalmente,  Nova Zelândia, principalmente no sul da ilha norte Marlbourgh e por aí a fora, mas sem muita expressão.  Gosta de climas frios e quase sempre está de mãos dadas com a Sauvignon Blanc e a Chardonnay. Sua cor é o vermelho mediano, se tem madeira o vermelho se intensifica. Aromas característicos de geleia de morango, cereja e algo de herbáceo nos melhores exemplares. Na boca corpo médio, taninos agradáveis e dificilmente se apresenta com muito corpo e estrutura.

MALBEC: Seu berço é na região sudoeste da França, em Cahors, onde também é chamada de Auxerrois. Na Argentina alcançou seu potencial máximo, eu gosto dos Malbec de Salta, extremo norte do país, mas é plantada, também,  no Chile, e Uruguai. A cor é vermelho profundo, nariz, frutos vermelhos, cassis e quando nas barricas couro, defumado e café. Na boca a doçura do fruto, taninos nada agressivos, redondo e com retrogosto prolongado. Vai bem no corte com a Bonarda, a Syrah  e a Cabernet Sauvignon.

TEMPRANILLO: Espanha e Portugal, neste pais também é conhecida, no sul como Aragones e no norte como Tinta Roriz. Na Espanha ganha uma infinidade de nomes. Se cultiva muito esta espécie na Argentina e algo no Chile. Suoira cor é vermelho mediano, aromas de frutos secos e vermelhos. Na boca, taninos mais redondos e menos agressivos, corpo médio e um vinho ao seu final muito agradável.

Estas são as tintas, claro que ao falarmos localmente de alguns países outras castas virão.





EVITE A GLOBALIZAÇÃO DOS VINHOS

8 12 2011

A Cabernet Sauvignon, Merlot, Chardonnay, Sauvignon Blanc, Syrah entre outras tidas como uvas internacionais, não é a toa que assim são. Adaptabilidade, produtividade e qualidade fazem a fama destas castas. Não há loja e supermercado no mundo que não esteja repleto de vinhos destas uvas.

O problema não é este, mas sim aqueles que não se desapegam destas castas e, por conseqüência, acabam tendo uma visão limitada do mundo do vinho.

Algo como esta foto, quem está no conforto dos vinhos já conhecidos tem uma visão parcial do vinhedo que está lá fora. E não há outra maneira de conhecer o mundo do vinho, senão experimentá-los.

Neste sentido gostaria de avisar sobre algumas uvas que considero únicas e especiais.

Na Argentina, mais precisamente no norte, em Salta, vale de Calchaquí, é o berço da Torrontés, uva branca, originária da Galícia, certamente veio na mala de algum imigrante. Nesta região da Argentina produz um vinho aromático, com matizes que vão do floral ao frutado, na boca o prazer é marcante.

Portugal, com mais de 300 uvas indígenas, catalogadas e produzindo vinhos é um paraíso para os amantes do vinho. Para não perder o norte deste post, indico duas amadas uvas. A Baga, da Bairrada, manhosa e temperamental. Com altos índices de tanino, assim como a Tannat, precisa ser elaborada por mãos experientes para que seus taninos sejam domados. Ao final, temos um vinho volumoso, forte, de cor escura. Nariz de frutos secos como ameixa, na boca volume, força e certa adstringência, inesquecível, ainda mais se apreciado com um leitão assado. Nas brancas fico com a Encruzado, bela uva do Dão, produz vinhos delicados, aromáticos com mineralidade. Nos bons exemplares nada deve aos bons Chardonnay da Borgonha.

Na Espanha temos a Mencia, que em Portugal também é chamada de Jaen. Bierzo, noroeste,  é o seu palco, seus vinhos são picantes, acidez marcante, uma certa dureza que logo nos encanta, vinhos para serem consumidos jovens. Nas brancas temos a Macabeo, chamada de Viura em Rioja. Terra de grandes tintos, mas produz um branco de elite com esta uva. Vinho elegante, acidez no ponto, aromas de frutas de polpa branca, uma delícia.

França, lembrei logo da Pinot Gris, Excelência em brancos, originária da Alsácia, França, uva de casca avermelhada mas produz brancos da elite mundial. Possui homônimas espalhadas por vários países, na Iália, Pinot Grigi e  na Alemenha Grauburgunder, entre outros. Mas é na Alsácia que esta casta alcança seu apogeu. Ali em quantidades liliputianas gera um vinho mágico, inebriante e inesquecível. Cor amarelo quase âmbar, nariz flores, frutos de polpa branca, alguma especiaria como canela e zimbro. Na taça untuoso, lágrimas densas e constantes, na boca acidez e doçura no ponto certo.

A Itália entra com a Aglianico e a Fiano, as duas da Campania. A tinta Aglianico é responsável por vinhos de grande longevidade, algo para serem bebidos depois de 10 anos de garrafa. Vinho forte, cor escura, aromas de especiarias, noz moscada e tostado, na boca grandeza total, encorpado um grande vinho. A Fiano é a branca, vinho de acidez forte, mineral e aromática, especial vinho para acompanhar frutos do mar.

Portanto, não vamos nos deixar dominar pela hegemonia das chamadas uvas internacionais. Arrisque, invista e experimente novos vinhos, assim aumentas teu conhecimento, porque vinho é cultura.

Experimente vinhos diferentes como Jerez de La Frontera, um Madeira, um Ice Wine, roses maravilhosos ou brancos especiais para cada ocasião.

E não esqueça, quem segue sempre na mesma estrada chega nos mesmos lugares.

Einestein dizia a insanidade é fazer sempre a mesma coisa e querer resultados diferentes.





NO QUE E QUANDO O TEMPO AJUDA NO VINHO?

25 11 2011

O quadro acima, de Salvador Dali, chama-se A PERSISTÊNCIA, sem dúvida alguma um dos mais sensacionais que conheço. Aliás, a palavra persistência engloba uma séire de conotações e conlusões.

Persistência é a qualidade que deve sobrar nos produtores de vinho, quantas vezes se disse, ali nada produzia e hoje temos este vinho maravilhoso!

Invariavelmente me perguntam se devem guardar o vinho, se ele vai melhorar com mais tempo de garrafa, se tinto quanto mais velho melhor, se brancos deve ser bebidos logo, enfim, no que e quando o tempo ajuda no vinho.

Entendendo-se o vinho como o meio do caminho entre o suco de uva e o vinagre é certo que o tempo influencia no vinho.

Todos os vinhos envelhecem, mas poucos com saúde, então de início temos que separar os grupos de vinhos, para melhor vermos quando o tempo ajuda.

Nos brancos, a esmagadora maioria dos vinhos é para serem consumidos entre 1 ou 2 anos depois de engarrafados. Mas têm brancos que possuem excelente aptidão para a garrafa, geralmente são os mais ácidos e com menor teor alcoólicos, como os Riesling alemães, os alsacianos e, alguns os verdes, principalmente os da casta Alvarinho.

Quanto aos roses quase todos são para serem bebidos jovens, aí demonstram toda a sua virtude. Claro há as exceções como alguns franceses da região de Tavel e Bandol.

Quanto aos tintos temos sub-grupos.

Os vinhos de guarda, com alto índice de taninos, elaborados, desde a videira para serem consumidos após 8 a 10 anos de garrafa,no mínimo, são vinhos especiais e caros. Os Bordeuaux, Brunellos, alguns grandes chilenos, enfim, vinhos sabidamente caros.

O segundo grupo são os vinhos tintos com alta capacidade tânica, barrica de carvalho americano ou francês, muto bem elaborados e que devem ser bebidos, em média com 4 anos de garrafa. Evoluem e bem quando bem guardados. Algumas castas pedem tempo de descanso, como a Trincadeira, Alicante Bouschet, Cabenet Sauvignon e, especialmente a Tannat.

Por último o lote dos vinhos mais baratos, elaborados com a técnica da micro oxigenação, veja http://wp.me/pPKW2-5j onde o tempo de garrafa em nada irá influenciar. Aqui não adianta pensar se eu deixar este vinho um ano a mais na garrafa vai melhorar, lamento dizer mas não, só irá piorar.

Bem o tempo, nos tintos, ajuda a amadurecer e arredondar os taninos que quando em boa quantidade e qualidade dão ao vinho uma enorme estrutura,mas precisam descansar primeiro.





PRAZER, EU SOU O TANINO

24 11 2011

Muitos comentam que não gostam de vinho que amarra, seca, pega,  na boca ou que dá aquela sensação de  veludo na boca. Pois bem, este é o tanino, presente no vinho.

Sempre que falo de tanino já aviso que é aquela sensação de comer banana verde, algo marrento e que pega na boca.

Em termos químicos tanino é um fenol. Em termos de natureza ele está presente em todos os frutos verdes, nas sementes, no caule e cabinhos. Serve de proteção à planta e aos seus frutos, quando ainda verdes.

Em termos de vinho, fora as partes verdes , em geral, não vinificadas, estão presentes na casca das uvas. Os tintos têm muito mais taninos que os brancos. E entre as tintas, as mais conhecidamente tânicas, são a Baga (da Bairrada em Portugal), a Tannat (natural de Cahors- França, mas atingindo seu ápice no Uruguai). E as menos tânicas, Pinot Noir  e a Gammay , dos Beaujolais.

No processo de vinificação existem várias técnicas que amenizam, arredondam e integram os taninos ao vinho. Mas, dependendo da qualidade das uvas e do tipo de vinificação, por vezes o tanino encontra-se muito presente, algo como verde e marcante, que incomoda bastante.

Uma combinação interessante para harmonizar com vinhos assim é um prato com gordura, algo como carne de panela, carne assada, algo neste giro.

Quando bem integrados ao vinho dão a este sensações únicas de estrutura, vitalidade, força e juventude. Vinhos que ocupam a boca e dão sensações inesquecíveis.

Os bons chilenos e argentinos são mestres nesta área.





PRIMEIROS PASSOS – PARTE XXIII – TINTOS MADUROS

21 11 2011

São vinhos que precisam de algum tempo de estágio em madeira e garrafa, algo em torno de 10 anos caso contrário estaríamos abrindo um vinho que sequer conseguiu desenvolver-se. São vinhos, por este motivo, caros, alguns mais caros que deveriam.

Nos brancos temos a Riesling, a Grünner Veltiner e a Semillon que produzem brancos excepcionais, mas para serem apreciados após 10 anos de descanso. Os Riesling, de preferência alemães ou ausralianos e Grünner Veltiner, Áustria e a Semillon, apesar de compor o corte das brancas de Bordeaux, inclusive o botritizado Sauternes, desenvolve-se com maestria na Austrália onde alcança a sua plenitude depois de 10  12 anos de garrafa.

Nos tintos o segredo, com suas raras exceções é o tanino. Ele quando em grande quantidade traz muita estrutura para um vinho, ocorre que para arredondá-los só o tempo em barricas, como na foto acima e muita espera em garrafa. Nesta turma eu gosto:

PORTUGAL: Certamente a tânica e manhosa Baga, da Bairrada. Região perto do Atlântico são vinhos que quando bem trabalhados produzem verdadeiras joias da coroa. Um vinho bastante complexo, frutas silvestres com um fundo de café e tostado. Ou então um maduro alentejano como um Mouchão ou um Pera Manca, elegantes e refinados.

URUGUAI: A Tannat, a exemplo da Baga possui bastante taninos e quando os produtores acertam a mão o vinho é um pouco mais caro mas muito bom. Bastante corpo, aromas de frutos vermelhos e couro.

FRANÇA: Certamente a minha amada Syrah, os Hermitage e Cotie Rotie do alto Rhône são meus preferidos. Vinhos que precisam de 10 anos de garrafa, quando se abre o ambiente perfuma, nariz de frutos vermelhos e especiarias, como cravo e canela. Na boca volume, potência com toques de mentolado  e pimenta. FANTÁSTICOS, puro sangue total. Tem os vinhos de Bordeaux, no estilo mais charmosos e elegantes. Nariz mais calmo, café e tostado, na boca corpo elegante e sedoso, no estilo mais clássico que os puro sangue do Rhône, ah e bem mais caros também.

ITÁLIA: Aqui as opções são várias. Do sul com a uva Aglianico, Taurassi e Basilicata, são potentes e firmes, ao estilo dos vinhos do Rhône, verdadeiros puro sangue, como um carro esportivo, como dizem por lá, uma máquina, mas em face dos taninos precisam, também, de muito tempo de descanso nas barricas e garrafas. Do Piemonte os Barolos, com a Nebiollo, certamente grandes representantes. Vinhos firmes, encorpados, nariz de frutas vermelhas e discreta madeira. Na boca densos e firmes. Em Valpolicella os Amarones feitos com a especial técnica das uvas desidratadas, potentes, alguns chegam a 17% de álcool. Boca firme e encorpada com um final meio amargo. Nariz mais adocicado de frutos vermelhos e tabaco. Bela opção.

AUSTRÁLIA: Certamente os tintos do Vale Barossa, densos e com ato índice de álcool, muitas vezes utilizam ao exemplo de Cotie Rotie a Viognier para acalmar a Syrah.

CHILE e ARGENTINA: Certamente os clássicos com muito tempo de barrica e garrafa. Principalmente os feitos com Cabernet Sauvignon (Chile) em especial os de Colchagua e a Malbec (Argentina) estes em especial os de regiões quentes de Mendonza, como Lujan de Cuyo e La Consulta.

Bem seja qual for o estilo nos vinhos maduros, beba-os devagar, aprecie o momento de estar a frente de um vinho que descansou, pelo menos 8 a 10 anos até estar a sua frente.





DE DESPREZADA A PRINCESA

4 07 2011

Trata-se da Tannat que compõem 100% este vinho maravilhoso. O Dayman 2002, na Enoteca Conte Freire, Rua Desembargador Espiridião de Lima Medeiros, 156, Porto Alegre/RS.

A Tannat desprezada em sua região de origem, Madiran, sudoeste francês, quase fronteira com a Espanha. Lá produz um vinho com muito tanino que traz para o vinho aquela sensação de banana verde. Lá pode-se até dizer que se trata de uma gata borralheira.

Pois esta casta veio na mala de um imigrante basco-francês que aportou no Uruguai. Neste caso específico, o patriarca da Bodega Stagari logo que chegou em Salto no noroeste do Uruguai tratou logo de planar esta casta.

O clima, com grande variação entre o dia e a noite no final da maturação garantem a qualidade desta casta.

Hoje, tanto esta bodega quanto outras levaram a Tannat a ser a casta símbolo. A diferença fica que a maioria dos vinhedos uruguaios estão nos arredores da capital este não. Salto fica na fronteira com a Argentina bem a oeste.

O Dayman, para mim representa o máximo que esta casta pode alcançar. Sabe-se que é uma das uvas com maior índice de taninos ao exemplo da Baga em Portugal. Os taninos amaciam com o tempo de barrica de carvalho e garrafa. Um bom Tannat, necessariamente, deve passar por estes estágios.

O Dayman que apreciei é um vinho de cor muito escura denotando boa quantidade de taninos. No nariz ameixa, cereja e algo de fumado, café e couro. Na boca denso encorpado e sedoso, sim, sedoso, pelo tempo que passou na barrica e na garrafa. Os taninos estão perfeitamente domados. Final de gole longo e muito gostoso.

Um vinho que já deveria vir com um pernil de ovelha e a receita no bolso. Casamento perfeito com as parrilas  uruguaias.

O vídeo é exemplar





TUDO O QUE É SÓLIDO DESMANCHA NO AR

20 06 2011

A frase é de Karl Marx ao explicar a fragilidade dos  conceitos e preconceitos do sistema de produção capitalista de sua época. A gravura é do Mestre incomparável, Escher e demonstra bem a relatividade de nossos pontos de vista. Como pode a água subir? Simples, tudo depende do ângulo que que vemos a fotografia.

Na minha atividade de consultor de vinhos na Enoteca Conte Freire, Rua desembargador Espiridião de Lima Medeiros, 156, Porto Alegre/RS, tenho me deparado com a pulverização de conceitos que tinha antes de lá iniciar minhas atividades.

Conceitos em relação à viagem da teoria para a prática, motivo de post anterior com o título de Dificuldades de Um Blogueiro atrás do Balcão e, agora, ao abrir os mais variados vinhos.

Sei que o vinho é o meio do caminho entre o suco de uva e o vinagre.

Mas os conceitos a que me refiro são ligados aos vinhos mais, digamos, velhos, da loja.

Em relação aos brancos a chave da longevidade é a acidez e aos tintos o tanino. Portanto não é surpresa em verificar o envelhecimento, com saúde, dos Riesling alemães e dos Aglianicos, Itália, por exemplo.

A minha surpresa é com a volatização dos conceitos que tinha.

1º CONCEITO – VINHOS EM ESTADO OXIDATIVO SÃO RUINS

Sempre tive em mente que ao abrir um vinho que já se demonstra cor de tijolo, caso dos tintos e amarelo carregado, caso dos brancos eram vinhos ruins e estragados.  Não dava chance alguma ao vinho.

Pois bem. Abri um Sauvignon Blanc 2005 da África do Sul, um Porcupine. Preço? R$ 50,00.

O conceito que tinha é que seria um vinho velho, eis que esta casta até onde sei não tem vocação para a garrafa.

Ledo engano,  estava espetacular. Cor amarelo carregado, nariz de nozes e fundo de pão de mel. Na boca acidez média e untuoso. Um vinho que mais parecia os bons exemplares dos Chardonnay da Borgonha.

Um Pinot Noir do Chile, Casablanca. Um Loma Larga, safra 2006. Preço? R$ 90,00.

Já temos alguns anos desde o engarrafamento.

Conceito? Um Pinot Noir andino normalmente é feito para ser consumido jovem. A baixa quantidade de taninos desta casta não permite a vocação para a garrafa. Exceção, é claro, aos bons exemplares da Borgonha, onde são trabalhados, desde os vinhedos, para a dormência na garafa.

Desconfiado abri. Cor firme vermelho translúcido, típico dos melhores Pinot mundo afora. Nariz no mesmo caminho, frutado, morango, cereja e por aí vai. Depois de decantado a surpresa, imaginei que fosse estacionar sua evolução. Engano. O PInot cresceu mais ainda. Trouxe ao nariz notas de couro e frutos secos que eu ainda não havia sentido nos Pinot Noir chilenos.

Os dois começam a ter algo de oxidado, mas estão soberbos.

O estado oxidativo em alguns vinhos lhes dá uma elegância que poucas vezes eu vi. Portanto, antes de condená-los dê uma chance aos vinhos, ditos, como velhos.

2º CONCEITO – ROLHAS QUE VAZARAM = VINHO ESTRAGADO

Aqui mais um conceito que tinha desapareceu. Sempre tive em mente que quando se abre a cápsula de um vinho e vê-se que a rolha está tingida é certo que o vinho subiu e o líquido da garrafa, pelo contato demasiado com o oxigênio está oxidado.

Eu tinha este pensamento como uma verdade sólida e imutável. Ledo engo, de novo.

Abri alguns vinhos produzidos com uvas sabidamente longevas, como as Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Tannat e Baga.  Rolhas perfeitas. Safras 2001 e 2002. Estavam perfeitos, pensei.

Negativo. Por alguma razão estavam estragados. Pode ser conservação, viagem, lote mal produzido, as razões são várias.

Portanto mais um preconceito que se foi. Hoje quando abro a cápsula de um vinho e vejo a rolha pintada não dou o veredito tradicional: “Está estragado” mas dou a chance que o nosso amigo merece.

Por isto o vinho me fascina. Aqui não há nada predeterminado. Tudo o que é sólido desmancha no ar.

 








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