Um vinho excelente. Cor amarelo com laivos dourados. Nariz amplo indo do floral ao frutado. Na boca acidez firme e final de gole prolongado.
O produtor Echart é de Salta extremo norte da Argentina, quase fronteira com a Bolívia. Os vinhedos são plantados numa altura média de 1.500 metros o que traz excelentes diferenças de temperatura entre o dia e a noite, retardando a maturação da uva.
Foi muito bem com bacalhau na moranga.
Eu não resisto um vinho com a uva Torrontes, principalmente, quando eles vêm de Salta, dos Vales de Calchaqui ou Cafayate.
Vales como este de Calchaqui parecem inférteis, mas ledo engano. A videira tem profundas raízes que vão buscar a água nos rios subterrâneos formados pelo degelo dos Andes.
A Torrontés vinda do noroeste da Espanha na mala de algum imigrante encontrou um lar adotivo na Argentina, em especial em Salta nordeste do país.
Hoje é companheira dos saltenhos, desde o pequeno agricultor até os grandes produtores.
Nos vales como este da foto onde estão a secar as pimentas difícil imaginar vinhedos de alta qualidade. Mas a regra se confirma, vinhos de videiras que sofrem são os melhores.
Mas ali estão, para mim, os vinhedos mais singulares, talvez, no mundo. Pela sua altura, média de 1800 metros, pelo clima, pela geografia do local e pelos seus vinhos. A Torrontés encontrou seu clima e solo ideais.
Mas e a história do amor? Bem ela começou tem mais de 15 anos quando experimentei e me apaixonei pela Torrontés com o Echart Privado.É um vinho agradável, aromático mas um tanto fácil de beber.
Passou-se o tempo. E a paixão para virar amor deve enfrentar comparações e desafios. E estes vieram ao longo destes 15 anos.
A minha Torrontés cujos aromas florais e levemente cítricos enfrentou várias batalhas. Principalmente com o dream team da Alsácia, França, capitaneada pela Gewurtztraminer e não saiu derrotada, muito pelo contrário, fortalecida.
Depois a comparei com a Viognier, a Vermentino e as Moscateis. Ali sempre firme. Demonstrando que as vezes é preciso viajar o mundo para descobrir uma joia que está ao nosso lado.
Hoje ela se encontra no time de elite dos vinhos brancos e entendo porque amo a Torrontés.
Primeiro pela qualidade de seus vinhos. Na cor amarelo palha levemente esverdeado. No nariz, o leque de aromas vai do floral ao frutado chegando ao levemente cítrico. Na boca imagina-se um vinho doce, aí vem a surpresa, de doce nada tem é, inclusive levemente ácido. Exagero no comentário? Não. Experimentem a Torrontés de bons produtores e confirmem.
Por fim o grande charme desta uva é a união da sua singularidade, só encontramos esta casta na Argentina, sua qualidade, como demonstrada acima e seu preço, muito acessível.
Este trinômio, preço/qualidade/singularidade é muito difícil de se encontrar.
Então se não conheces meu antigo amor não sabes o que estás perdendo.








Aí está um nobre representante dos vinhos de Salta, norte da Argentina. Terra da única Torrontes e de grandes Malbec. De lá vem os Echart,os San Pedro de Yacochuya, os Colomé e o Dávalos.





COMENTARIOS RECENTES