MAPA DO VINHO PARTE 64 FRANÇA PROVENCE

3 03 2012

A sub-região de Alpes Haute-Provence mais ao norte de Provence, é uma região onde os vinhedos sofrem climas extremos, verões e invernos rigorosos e secos.  As vinhas estão numa altura média de 400 metros.

Uvas tradicionais do Mediterrâneo, Grenache, Carignan e  Ugni Blanc. Produz tintos, brancos e roses. Os tintos dominam, como os vinhedos são situados em altura e o clima é seco, temos, no final da maturação uma grande diferença de temperatura o que nos traz tintos robustos e tânicos, precisando de tempo de garrafa para amaciar os taninos.

Em proporção um pouco menor os roses. Também firmes e escuros que precisam ser consumidos em até 5 anos de seu engarrafamento.

Já os brancos são minoria e devem ser consumidos jovens.

Vaucluse

Vaucluse conforme o mapa fica a oeste da Provence. De um lado o Rhone, um dos mais importantes rios da França e de outro quatro montanhas que cercam a região. O gigante Mont Ventoux do alto de seus quase 2.000 metros, serve de fronteira entre o vale do Rhone e a Provence, nas sua borda norte, no Rhone Cote Ventoux, ao sul vinhedos Provence. Depois vem Dentelles de Montmirail, Monts de Vaucluse e Mongtagne de Luberon.

Esta região montanhosa fica a leste de Vaucluse. Na região plana que faz fronteira com o Rhone temos importantes vinhedos conforme veremos adiante.

Não se esquecer que o vento Mistral que desce do Mont Ventoux em determinadas épocas do ano, assim como o Zonda em Mendonza, ganha velocidade ao descer da parte fria para a quente causando grandes preocupações. Não é por nada que a mais alta montanha da Provence chama-se Monte dos Ventos.

O passado é marca forte na região. Cidades como Orange e Avignon, antiga sede do Papa quando do cisma do Vaticano quando Avignon foi sede papal de 1309 até 1377. Bem como Orange, talvez a cidade da Provence que mais possui ruínas de vilas romanas. É chamada de Provence dos Papas.

Vejam a sede papal em Avignon

O rio Rhone, como já dito em outros posts foi porta de entrada de especiarias vindas do oriente para serem entregues no centro da Europa. Não é por nada que Lyon, acima na borda do Rhone é considerado o centro da gastronomia mundial.

Na se pode esquecer de Luberon que além de ter vinhedos importantes é centro turístico da mais alta importância. Um lugar alto o que faz com que não seja tão quente e um pouco longe do disputado litoral é cada vez mais procurado por quem quer mais descanso que agito.

Mas e os vinhos? Bem, vamos lá.

É na planície que circunda Avignon, Orange e Châteauneuf-du-pape que estão os principais vinhedos de Vaucluse.

As garrafas levam gravadas no vidro as chaves do papado. É considerado o rei do Rhone, seguramente um dos melhores vinhos do mundo. Nos tintos o corte é de maioria Grenache mais 12 ou mais uvas, entre elas a Cinsault, Mouvèdre, Syrah entre outras. E nos brancos a Grenache Blanc mais um turma de uvas.

O grande segredo está no solo. As chamadas Galets no popular cascalho. O solo assim formado consegue reter o calor do sol e a noite repassá-lo para as uvas ajudando na sua maturação. Diga-se que estas castas preferem o sol para que possam maturar. Não suportam o frio.





MAPA DO VINHO – PARTE 50 – FRANÇA LANGUEDOC VINHOS MODERNOS

28 02 2012

Como não poderia deixar de ser Coteaux Du Languedoc recebeu influências de todos os povos que circularam pelo mediterrâneo, desde os gregos até os romanos  passando pelos fenícios.

A área vai de Narbonne, oeste até leste Cévennes.

Muito se produziu de vinhos mais ligeiros e menos cuidados, hoje, com as modernas técnicas de enologia e maquinário a região tem produzido ótimos vinhos. Eu gosto muito dos vinhos do languedoc, desde o sabor até os preços.

Fatores  os ventos, o famoso Mistral, vento quente que desce do norte, o Tramontane, Cers e o MArinho, trazem consigo, secas, chuvas, humidade ou baixa humidade, influenciando nos vinhedos. Chuvas distribuídas de maneira diferenciada, regiões como Narbonne, com chuvas acima da média e outras com chuvas abaixo da média, como em Nimes, temperaturas variadas, assim como a incidência do sol nas mais várias costas do mar Mediterrâneo.

Fatores estes que  nos trazem vinhos muito diferentes, apesar de serem usadas, quase sempre as mesmas uvas. A região montanhosa a beira do Mediterrâneo, como os alpes de Provence ,o Monte Ventoux e outros trazem diferentes alturas nos vinhedos o que se caracteriza por difentes vinhos.

Desta maneira temos vinhos muito diferentes, mesmo em regiões próximas, daí o charme dos vinhos do sul da França.

Os vinhos que saem das encostas das montanhas, hoje com modernas vinícolas, para mim tem sido uma grata surpresa. São os vinhos mais intrigantes que tenho apreciado ultimamente.





DICA DA HORA – ABERDEEN ANGUS – ROSE 2011 – FINCA FLICHMAN

7 02 2012

Falo, bebo e indico vinho barato. Este rose custa em torno de R$ 10,00. Para os que não moram no Brasil custa uma cerveja de qualidade. Sei que os detratores do vinho rose vão gostar, devem pensar, por este preço só mesmo um rose.

Mas se enganam, claro que só podemos comparar grandezas iguais. Este vinho, se comparado com os vinho que existem no mercado por este preço está excelente.

Inclusive vale a dica aos amigos portugueses, pois a Finca Flichaman foi comprada pelo grupo Sogrape, então, imagino que deva estar no mercado português.

Vejam a foto deste vinho.

Trata-se de um vinho simples é verdade, mas não menos interessante. Um corte meio a meio Syrah e Malbec.

A cor é só ver a foto, aromas um pouco fechados, mas com o tempo vêm morango e melancia. Na boca seco e de final de gole pouco persistente, mas bastante refrescante em face da acidez firme.

Muito bom para acompanhar os tradicionais petiscos de verão e bebê-los com amigos na maior descontração.

Vale muito a pena experimentá-lo. Em Por Alegre e São Paulo na rede Zaffari.





MAPA DO VINHO – PARTE XI – PORTUGAL – ALGARVE

5 02 2012

O Algarve, sul de Portugal, além de importante região turística, com suas falésias e belíssimas praias, também é região de bons vinhos.

A proteção das montanhas ao frio vento norte, a geografia em anfiteatro virada para o oceano atlântico recebe os bons ventos do sul. Situação muito parecida com os vinhos do mediterrâneo.

Verões quentes e invernos moderados produzem excelentes condições para a vinicultura iniciada pelos mouros que por ali estiveram por mais de 1000 anos.

São utilizads as castas tradicionais de Portugal. Os vinhos são de médio corpo e acidez moderada, sendo excelentes companheiros para a culinária local.

Infelizmente a forte concorrência com a construção de hotéis, pousadas e o espaço necessário para o turismo diminuiu a área plantada.

Bonita história retirada do sitio www.vinhosdoalgarve.pt

Os primeiros ocupantes do Algarve foram comerciantes e intendentes do Estado que estabeleceram as suas colónias na costa. Bons exemplos são os Fenícios e os Cartagineses que viveram durante muito tempo apenas dos recursos da costa algarvia.

Mas existe um facto muito importante na história do Algarve: os cinco séculos de ocupação Árabe, visíveis na arquitectura da região (chaminés trabalhadas e azulejos, por exemplo) e no nome de muitas regiões algarvias começadas com ‘Al’.

O Algarve foi, em tempos, parte da província Romana da Lusitânia, passando mais tarde para a jurisdição dos Visigodos. A presença Romana deixou vestígios em Milreu, Faro, Boca do Rio e Vilamoura.

Em 711, Tarik ibn Zyad passou o Estreito de Gibraltar e derrotou o rei dos Visigodos. Em 712 Abd Al-Aziz Ben Mussa conquistou o “Gharb Al Andaluz”. Andaluz significava terra dos vândalos e Al-Gharb, o Oeste.

Após muitas batalhas, o Algarve foi reclamado pelos Cristãos. Desde 1249, e até à proclamação da República, os monarcas portugueses eram intitulados “Rei de Portugal e dos Algarves”.

As uvas brancas mais utilizadas são: Arinto, Perrun e Moscatel -Graudo.

As tintas: Alicante-Bouschet, Aragonez, Castelão e Touringa Nacional (olha ela de novo).

Destaco os bons roses.

Aqui no Brasil não são muito fáceis de serem encontrados, eu nunca os provei, mas certamente não faltará oportunidade.





VERDADES E MENTIRAS NO MUNDO DO VINHO

14 01 2012

Uma verdade é que a uva Nebbiolo na pequena Barolo, Piemonte, Itália certamente produz um dos melhores vinhos que eu conheço.

Mas tem outras verdades e mentiras por aí.

O VINHO ROSE é vinho de menor qualidade?  MENTIRA, muitos tem na cabeça que vinho rose é mistura das sobras de brancos e tintos e/ou um vinho de menor qualidade. Mil vezes bobagem. O rose é um estilo de vinho tão bem elaborado quanto os melhores brancos e tintos que há por aí. Eles existem pela sua própria razão de ser e estão inseridos no meio cultural e eno-gastronômico da região onde foram produzidos.

O “ENTENDIDO” de vinho sempre é um chato e esnobe? MENTIRA. Muitos tem em mente que o mundo do vinho é restrito a poucos e que estes falam e dizes coisas que não conheço e é difícil saber. Bobagem, claro que há os enochatos, aliás pessoas que complicam o que é fácil tem em qualquer atividade neste mundo, aqui não é diferente, mas não se intimide, visite alguns blogs e verá que os bons blogueiros combatem esta praga.

Um GRAN RESERVA será sempre melhor que um RESERVA?  MENTIRA. O Gran Reserva apenas garante que o vinho ficou um tempo maior nas barricas de carvalho, mas não garante a qualidade do vinho que está lá dentro.

Há VINHO BRANCO  com mais de 10 anos de garrafa e ainda está bom? VERDADE. Apesar da grande maioria dos vinhos brancos são produzidos para consumo em até 3 anos, há grandes brancos feitos para começarem a dizer porque vieram ao mundo depois de 5 anos de garrafa. Como a chave da longevidade para os brancos é a acidez, há Riesling, Semillon, Grünner Veltiner entre outras que quando jovens são quase intragáveis, mas com a idade ganham complexidade e aromas de nozes e frutos secos que os tornam opções excelentes.

TAMPAS DE ROSCA são usados em vinhos ruins? MENTIRA. Novamente os vinhos são feitos para serem bebidos quase que imediatamente, sendo assim, por questões financeiras e ecológicas, apesar de tirarem parte do ritual do vinho, as opções, tampa de rosca, muito utilizada nos vinhos da Oceania e agora no Chile e Argentina, as sintéticas (não gosto quebraram alguns saca-rolhas) e agora as de vidro são excelentes alternativas.

VINHO É PALADAR? VERDADE. Vinho é prazer e cada qual tem o seu conceito de prazer. O melhor é quando ele cabe no bolso. Claro, também, é que o horizonte deste prazer pode ser aumentado, com experiências, comparações, conversas com bons vendedores, visitas aos blogs e leituras especializadas. Mas sobretudo comparações.

VINHO BARATO  É RUIM? MENTIRA. Para começar o que é caro ou não depende de nossa saúde financeira, mas de maneira alguma vinho barato tem que ser ruim. Em todos os países produtores e consumidores de vinho esta bebida faz parte de seu dia-a-dia, portanto raros são os que abrem Barolos, Borgonhas Premier Cru e grandes chilenos e argentinos todo o dia.  Agora um vinho que nos chega aqui a mais de R$ 100,0 0 tem que ser bom.

Uma CARTA DE VINHOS foi feita para intimidar alguém? MENTIRA. O nosso desconhecimento em relação ao vinho e suas variedades é que nos constrange quando estamos frente a uma carta de vinhos. Graças a Deus, assim podemos evoluir com leitura especializada, bons amigos e vendedores, blogs e muita experiência erro.

Comprar vinhos é uma atividade de risco? VERDADE. Por mais que tomemos os cuidados necessários, certamente vamos comprar aquilo que não gostamos, pelo menos naquele momento, DÊ SEMPRE UMA SEGUNDA CHANCE PARA TI E PARA O VINHO. Mas o aprendizado requer investimento. Certo, também, é que a expectativa que colocamos no vinho é diretamente proporcional ao preço que pagamos por ele.

VINHO BRANCO DOCE é ruim? MENTIRA. Estudos feitos dizem que a grande maioria dos atuais consumidores, inclusive os mais assíduos, iniciaram neste mundo através de um branco mais adocicado, eu me incluo nesta turma. Alguns ficaram com seu  conceito de prazer por aí, outros não. Além do que existem vários brancos que foram feitos para serem doces como os colheita tardia, os botritizados, do qual o Tokaj e o Sauternes são grandes exemplos, afora outros que utilizam variadas técnicas de produção.

O BRASIL produz só vinhos sem expressão? MENTIRA. O Brasil tem vários vinhos com muita tipicidade, isto é, numa degustação podem ser identificados. Os espumantes estão em alta e não fazem feio em nenhuma comparação com os importados. Os bancos seguem o mesmo caminho. Já os tintos, pelas condições de solo e clima não tem esta facilidade. Sofrem com as injustas comparações, principalmente com os chilenos e argentinos, digo injusta porque não se deve comparar grandezas diferentes. O vinho tinto brasileiro deve ser comparado com ele mesmo. Aí temos bons exemplares, principalmente com a casta Merlot, o clima frio e úmido favorece e muito o desenvolvimento desta uva em solos pátrios.

VINHO um pouco mais ÁCIDO é vinho ruim? MENTIRA. Em geral estamos acostumados com a doçura, da própria uva, nos vinhos andinos, aí pensamos que quando ela inexiste, como na maioria dos vinhos do velho mundo entendemos como vinho ruim. A acidez é muito bem vinda nos tintos, pois demonstra a vocação destes vinhos para a culinária, são excelentes parceiros da gastronomia local.

VINHO ITALIANO E FRANCÊS ou é bom e caro ou é ruim e barato? MENTIRA, mil vezes mentira. Já disse que os tradicionais países produtores de vinho o tem como alimento e consumo diário. Assim, por certo nem todos tem dinheiro para beber os melhores vinhos das melhores safras todos os dias. Tem seus vinhos de qualidade com preços mais em conta. E temos alguns importadores no Brasil que trazem estes vinhos para nós. Portanto é o nosso desconhecimento que dá falsa sensação de verdade a esta afirmação.





ISTO É PROVENCE – BOUCHES DU RHONE – E SEUS PINTORES

7 01 2012

Bouches Du Rhone ou boca do Rhone é exatamente o local de desague do rio Rhone e, por consequência, local de subida do rio onde os mercadores levavam as especiarias vindas do oriente.

Aqui as principais cidades são: Arles (moradia de Van Gogh na Provence), Saint Remy, local onde  o internaram, Aix-en-Provence, cidade natal de Cézanne, outro espetacular pintor que conseguiu eternizar as cores  e a vida da Provence e Marselha, capital e principal cidade da Provence.

Van Gogh não era entendido na sua época. Seus quadros que hoje alcançam valores incalculáveis quando de sua pintura de nada valiam. Até hoje se percebe a Provence através de suas pinturas, como os campos de lavanda e das plantações de girassol, bem como a luminosidade e magia da Provence.

Na época o único quadro que foi vendido quando ele era vivo foi este vinhedo no outono.

Arles, cidade fundada pelos gregos, hoje reverencia o mestre da pintura em todos os sentidos, desde a casa onde morou até os restaurantes da cidade, como este da foto.

Mais ao norte fica Saint Remy de Provence, uma das muitas cidades antigas. Esta fundada pelos romanos. Para mim uma das mais lindas da Provence. As fotos abaixo dão o tom da cidade e daquilo que representa em termos de detalhes e charme.

Mas e os vinhos? Já que este blog é sobre eles?

A região é destacada produtora de vinhos. Aqui fica a denominação de Côtes-d’Aix- en – Provence com destacada produção de tintos com a casta Mouvèdre e os roses. Aqui de vários estilos, desde os mais encorpados com as uvas Grenache e Mouvèdre, até as mais leves com as castas Cinsault e Grenache. E uma menor chamada de Le Baux-en-Provence.

Fiquem com o vídeo sobre Saint Remy





ISTO É PROVENCE…

25 12 2011

A Provence fica no sudeste francês e vai desde o Languedoc Roussilon a oeste até a Itália a leste, seguindo a borda do mediterrâneo. Para o norte temos a parte dos alpes e alpes marítimos a nordeste, inclusive fazendo fronteira com o Piemonte, Itália e, a noroeste com o Rhône.

Apesar de termos a ideia comum de que a Provence é só litoral e praias lindas nos esquecemos que a norte, noroeste e nordeste temos os Alpes e os Alpes Marítimos com montanhas que alcançam fácil 2500 metros, inclusive, no inverno com muita neve.

Deste modo temos várias sub-regiões e com climas variados o que nos traz diferentes tipos de vinho e uvas.

Em relação a sua história fácil verificar a forte influência dos gregos e dos romanos nos variados estilos de ruínas de teatros, vilas e construções. E com eles os vinhedos. Vejam as fotos abaixo.

Como esta ponte romana.

E as ruínas deste teatro grego.

As marcas destas civilizações são constantes nas vilas e cidades medievais do sul da Provence, como Arles, Bandol, Avignon e Orange, por exemplo.

Os gregos iniciaram sua influência em cidades portuárias ao sul, como a principal delas, Marseille. Na então chamada Massalia há os templos aos deuses gregos e teatros.

Após, os romanos vindos da vizinha italiana Liguria se espalharam pelo litoral do Mediterrâneo, indo da hoje Monaco até o Languedoc Roussilon. Numerosas vilas romanas estão até hoje lá dando-nos a prova de sua permanência.

Com a queda do império romano sucessivas civilizações chegaram na Provence, desde os germânicos e suas tribos, até os árabes (sarracenos), passando pelos Duques, desde os vindos da Catalunha até os do norte, Borgonha.

Neste período é importante destacar que Avignon foi sede Papal durante 70 anos com o cisma ocorrido na Igreja Católica.

Tamanha influência de variadas civilizações, por certo, construíram o que hoje se pode chamar de estilo provençal, desde a arquitetura, com suas típicas casas de pedra, como nas fotos abaixo

E suas janelas e venezianas em tom azul anil

E na culinária com os mais variados temperos vindos de lugares distantes. Principalmente porque a Provence e ponto final de um dos mais importantes rios da França, o Rhone, que nasce no centro da Europa e vem desaguar no mar e serviu de canal de navegação para o transporte de especiarias vindas do Oriente.

Nos mercados e feiras das cidades medievais que salpicam a Provence é comum vermos esta imagem.

A cultura do Oriente trouxe, também o conhecimento sobre perfumes, que o digam os campos de Lavanda

 

e a medieval  cidade de Grasse, chamada capital dos perfumes, onde tudo iniciou.

E quanto aos vinhos da Provence?

Como qualquer outra região do Mediterrâneo não poderia fugir da utilização das castas da região, as tintas Mouvèdre, Grenache, Carignan, Syrah e as nativas Cinsault e Tilbouren. Já as brancas usam-se Bourbolenc Blanc, Clairette, Rolle e Semillon.

Bem, mas onde está a marca registrada da Provence nos vinhos? É que aqui pode-se chamar de berço e terra máxima dos roses. Em nenhuma outra região deste planeta se produz tanto rose com tanta qualidade como aqui.

Veremos em posts posteriores as regiões demarcadas e os  roses desta terra mágica.





DIFERENÇAS NO RHONE SUL – PARTE III – TAVEL E SUA JOIA

28 11 2011

Vamos reavivar a memória com este mapa. Estamos falando do Rhone sul.

Ao falar do Rhône sul não se pode esquecer Tavel. Pequena cidade perto de Orange e Avignon. E primeira região demarcada na França onde é proibida a produção de vinhos que não sejam roses.

Os roses são feitos das castas tradicionais do mediterrâneo, Grenache, Cinsualt, Clairette entre outras.

São roses encorpados, volumosos e únicos, principalmente porque utilizam a Mouvèdre, uva de forte cor e sabor.

Quem gosta de um bom rose como eu este é imperdível ele é completamente diferente de todos os outros roses que possas ter experimentado.

O Tavel está entre os melhores vinhos da França. São encorpados, frutados e com grande final de boca. De cor exuberante vão do rosa vivo até o vermelho mais claro.

Os segredinhos de Tavel são, além da região somente produzir roses em área muito pequena possui aquele conhecido solo de cascalho que retém calor de dia e o libera a noite ajudando no amadurecimento das castas, além de reter a umidade, essencial numa região tão ensolarada e quente no verão.

Outro segredo é a técnica de vinificação. Aqui é usada a maceração carbônica onde as uvas não são esmagadas por prensa e sim pelo próprio peso da uva, desde modo cada baguinho de uva inicia seu processo de fermentação no momento certo de maneira muito lenta permitindo a concentração de aromas, açúcar e álcool no que resulta, ao final nestes espetaculares roses.

São excelentes parceiros para os pratos orientais e peixes mais gordurosos como salmão e atum.





PRIMEIROS PASSOS – PARTE V – O SERVIÇO DO VINHO – A QUESTÃO DAS TAÇAS

15 11 2011

Vinho na temperatura certa antes de abri-los é importante separar as taças. Sei que há taças caríssimas altamente sofisticadas, estilo Riedel, http://www.riedel.com/ mas convenhamos vamos por os pé no mundo real. Em 90% dos casos não estaremos em condições de estar a frente destas Ferraris das taças.

A figura acima é elucidativa. Apenas uma explicações.

A diferença entre o branco e o branco jovem. O primeiro em quase todos os casos passa por madeira, isto é teve contato com madeira, os melhores e mais caros, estagiaram em barricas de madeira francesa ou americana, neste blog tem um post sobre eles http://wp.me/pPKW2-CI portanto a taça deve ser mais bojuda para que os aromas fiquem “presos” mais tempo e assim possamos apreciar melhor seus aromas. Já os brancos jovens, na maioria dos casos, leves e frutados já explodem os aromas no nariz assim que abrimos o vinho.

Nos tintos vale a mesma regra. Quanto mais estagiou em madeira e envelhecido na garrafa, tipo 8 a 10 anos para ficar no ponto, maior a taça e seu bojo.

Nos espumantes/Champagne o clássico é este “flute”, mas eu prefiro os “flute” mais boljudos assim mantemos os delicados aromas por mais tempo na taça.

Detalhe, nunca encha demais a taça, assim pode-se girá-la para liberar os aromas. E a segure pela haste ou pé. Assim não suja o seu corpo com a gordura das mãos o que facilitará a análise visual, além de não esquentar o líquido.

Técnicas básicas de degustação e se devo decantar os vinho veremos adiante.

Bohemian Glass, tudo de bom.





PRIMEIROS PASSOS – A UVA, A VIDEIRA E SEUS VINHOS

13 11 2011

O vinho é um fermentado da uva, assim como a sidra e o calvado vêm da maçã. Portanto, somente o vinho provem da uva.

Mas de todas as uvas? Sim, mas eles ganham diferentes classificações no Brasil. O vinho conhecido como VINHO FINO  vem das uvas viníferas, Cabernet Sauvignon, Chardonnay entre outras. A uva americana ou uva de mesa, também produzem vinho, mas são de categoria bem inferior, os chamados vinhos da colonia ou de garrafão. As mais conhecidas são Santa Isabel, Niágara, bordo entre outras e representam a maior parte dos vinhos no Brasil.

Outro lembrete chamado vinho suave, ESTE VINHO É AQUELE NO QUAL É ADICIONADO, AO DURANTE A VINIFICAÇÃO, AÇÚCAR DE CANA, em grande quantidade tenha aç~ucar residual não transformado em álcool e  fique mais “docinho”. Necessariamente no rótulo está esta indicação. Estes podem ser brancos ou tintos.

Os vinhos finos não possuem adição de açúcar ao final da vinificação. Podem conter açúcar de cana, durante o processo de vinificação para ganhar mais álcool ao final, processo chamado de chaptalização. Mas são vinhos SECOS, isto é, não adocicados.

Pois bem, a uva é o fruto da videira e esta é uma trepadeira, portanto precisa ser conduzida, seja por amarração, cabos e fios ou por poda. Possui uma raiz poderosa que desce fácil 10 metros para buscar sua sustentação, seja física, seja biológica. E um detalhe, não pode haver matéria orgânica na superfície, caso contrário a raiz vai para os lados superficialmente e não fixa-se no solo. Por isto as imagens de videiras são imagens bíblicas, muito sol e terra a mostra.

A foto aí em cima mostra bem esta ideia. As videiras de Grenache (Garnacha), um das rainhas do mediterrâneo junto com a Mouvèdre (Monastrel) no Languedoc, região mediterrânea da França. Detalhe, sem condução, apenas na poda. Ao fundo uma cidade medieval em cima do morro para maior proteção. Algo que verão sempre nesta região.

Mas a videira precisa de atenção constante. Poda seca no inverno ou a poda verde para diminuir a quantidade de frutos e concentrar a força em menos cachos, menos quantidade, mais qualidade.

Pode ser tipo latada, mais comum, como esta da foto.

Ou o sistema mais utilizado para vinhos de qualidade que é a espaldeira, note que cada fileira toma a sua quota certa de sol.

Tipos de vinhos.

Espumante/Champagne, com sua segunda fermentação na garrafa(champenoise) ou tanques de inox (charmat).

Vinho branco de uvas brancas ou tintas estas vinificadas sem a casca.

Tinto, vinificadas com a casca que dá cor ao vinho.

Rose, pode ser com o pouco contato da casca com o mosto (líquido inicial da maceração das uvas) ou pelo método de sangria, quando retira-se parte do mosto logo que se vinifica as tintas.

Vinho de sobremesa, pode ser colheita tardia, onde acontece a passificação das uvas, isto é a perda da água concentrando-se o açúcar. As atacadas pelo fungo Botrytis Cinerea que aparece em determinadas regiões, como Tokaj (Hungria) e Bordeaux, os chamados Sauternes, que ataca a casca das uvas desidratando-as e os Ice Wine, as uvas são colhidas congeladas e assim processadas. Os cristais de gelo levam a desidratação da uva.

Por fim os fortificados, estilo Porto, Madeira entre outros onde coloca-se Grapa, aguardente vínica no início da fermentação. Aumenta-se o álcool, estanca-se o processo de vinificação e obtêm-se um vinho fortificado, alcoólico e doce.

Próximo passo veremos as principais uvas e o serviço do vinho.

Fiquem com este vídeo sobre o Ice Wine








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