Luxemburgo é um pequeno país encravado entre a Alemanha, França e Bélgica. Em termos de culturais Luxemburgo se aproxima bastante da Alemanha. Mais ainda em termos de vinhos, que é o que nos interessa por aqui.
São vinhedos plantados as margens do Mosela, rio que faz fronteira com a Alemanha. Aliás o Mosela nasce em Metz, na França e vai desaguar no Reno em Koblenz, na Alemanha.
Basicamente são vinhedos muito parecidos com os alemães, vejam a foto.
Nos vales nas encostas do rio. Lá embaixo pequenas cidades medievais.
É reino de vinho branco. A Riesling predomina.
A diferença é que aqui é muito utilizada a casta Ebling, que nos traz vinhos ácidos, secos e muito aromáticos.
São também utilizadas as castas Pinot blanc, Pinot gris, Riesling, Rivaner, Rülander e Traminer.
São castas brancas e de teor alcoólico baixo, algo em torno de 10 a 12 g/l, portanto ideias para o clima tropical do Brasil, principalmente no verão.
Não esquecendo uma pequena parcela de espumantes feitos com as castas brancas e Pinot Noir.
A casta Ebling, principal uva de Luxemburgo, também produz um varietal mais avermelhado, chamado de Roter Ebling ou Ebling vermelha.
Vejam a foto.
AQUI O SEGREDO.
Interessante é que é uma casta branca com casca mais avermelhada e macerada e vinificada como tinta. Resultado? Um rose brilhante, lindo, excepcional, pena que dificilmente se encontra por aqui.
O outono se aproxima do hemisfério sul. Aqui no Rio Grande do Sul, por volta do paralelo 30, os dias já começam a ficar mais curtos. As noites mais frias e a luminosidade solar muda.
No hemisfério norte, começa a primavera. Países mais ao norte, depois de um longo e rigoroso inverno começa a primavera.
Combinação perfeita é um passeio nos parques, praias, enfim, ao ar livre com vinhos e comida.
Mas espera, qual comida se não podemos levar fogões, refrigeradores e outros equipamentos? O velho e bom sanduíche. Quem sabe um pic-nic?
Bem o acompanhamento ideal é o sanduíche.Aceita múltiplas opções.
O nome sanduíche vem de um aristocrata inglês, John Montagou, Earl of Sandwch, inveterado jogador de cartas não queria sair da mesa de jogo,muito menos comer em pratos. Daí pediu aos seus valetes que trouxessem um pedaço de carne com duas fatias de pão. Pronto, logo ganhou seguidores e o nome ficou para sempre.
Mas quais vinhos combinam com quais sanduíches.
Primeiro os ingredientes básicos para várias versões de sanduíches. Eu gosto de rúcula, presento cru, maçã verde, mostarda Dijon, mortadela, lombo de porco defumado, embutidos e defumados.
Os vinhos, certamente, serão desde os brancos passando pelo rose até chegar nos tintos com pouco tanino, algo como um Gammay (Beaujolais) ou um Pinot Noir.
Eu combinaria assim, sanduíches com gordura, seja das carnes ou de molhos com os brancos passados por barrica, Chardonnay oak ou um tinto frutado.
Sanduíches a base light, sem gordura e com muitos vegetais, certamente um branco mineral sem madeira. Riesling, Chenin Blanc, Muscadet, entre outros.
Sanduíches com embutidos, defumados, mostardas temperadas ou presunto cru com frutas, certamente os roses.
Assim, com boas combinações podemos aproveitar bem estes momentos.
A Alsácia no extremo nordeste francês, fronteira com a Alemanha, produz a parte da elite mundial dos vinhos brancos.
Proporciona belos passeios, mas depois de tanto caminhar vem o cansaço e a fome.
Nada melhor que uma pausa nas caves, os weintube ou nos restaurantes. E aí, junto com a especial culinária da região com toques alemães, podemos, com calma, abrir o cardápio e escolhermos alguns dos melhores vinhos brancos do mundo.
Bela e única Alsácia. Pequena região francesa que une a pragmática Alemanha com o charme da França. Fronteira móvel, região que sofreu muitas guerras ao longo da história já foi da Alemanha e depois voltou para a França, por duas vezes, e sempre entremeada de guerras, hoje, é um amálgama perfeito entre estes dois países.
Pode-se dividir a Alsácia em duas, a alta Alsácia, cuja cidade principal é Colmar e a baixa Alsácia com a capital do Departamento, Estrasburgo.
Do lado oeste está o maciço de Vosges e do lado leste o rio Reno dividindo o país com a Alemanha.
Prensado e protegido dos frios ventos está a alta Alsácia, epicentro dos melhores vinhedos da região. A importância do Vosges é fundamental para o sucesso dos vinhos desta região.
Vejam o mapa.
Em seus 170 quilômetros de extensão produz vinhos brancos secos e bastante aromáticos e uma combinação ímpar entre açúcar, acidez e álcool, sendo um dos melhores, senão o melhor berço das castas brancas no mundo.
Minha região favorita em se tratando de vinhos brancos. Tem de todos os tipos, do mais seco ao mais doce, do mais aromático ao mineral, incluindo aí seu Crémant (sparkling). Eu como gosto e muito de vinhos brancos fico também por aqui no verão.
São também vinhos que formam grande parceria com a gastronomia local, vão muito bem com a culinária alemã, com comidas mais leves e enfrentam com maestria pratos orientais.
Ali encontraram refúgio seguro castas como Sylvanner, Riesling, Gerwurtztraminer, Pinot gris e Pinot Blanc.
Mas a beleza de hoje não traduz explicitamente a luta dos produtores locais. Desde sempre foi uma região disputada e palco de muitas guerras. A paz que reina hoje é fruto da luta incansável de seus produtores. O clima sempre frio mesmo no verão somado ao tipo de solo favorece amplamente as castas brancas. São elas:
SYLVANNER: Produz vinhos muito semelhantes aos Riesling mas sem a complexidade desta, por outro lado, requer menos atenção do que a Riesling, precisa de menos sol e calor, seus vinhos têm cor amarelo, quase transparente, aromas mais florais, acidez bem mais educada do que a Riesling, são vinhos para serem consumidos logo, de preferência um ou dois anos depois da safra.
RIESLING: Não vamos confundir a Riesling Renana, da qual estamos a falar com a Riesling Itálica, utilizada nos espumantes nacionais.
A Riesling Renana tem como seu berço os vales dos rios Saar, Ruwer e Mosela, todos no nordeste da Alemanha. Foi introduzida na Alsácia pelos alemães. Aqui com invernos rigorosos e os verões amenos, a Riesling adaptou-se bem, tem geralmente baixo teor alcoólico, algo perto de 12 graus,o que é uma dádiva em face destes quase vinhardentes que são vendidos hoje. Este mesmo frio ajuda para que a casta seja aromática, refrescante e extremamente longeva. Há exemplares que aguentam muito bem até 10 anos de garrafa.
PINOR GRIS: Originária da Alsácia, França, uva de casca avermelhada mas produz brancos da elite mundial. Possui homônimas espalhadas por vários países, na Iália, Pinot Grigi e na na Alemenha Grauburgunder, entre outros. Mas é na Alsácia que esta casta alcança seu apogeu. Ali em quantidades liliputianas gera um vinho mágico, inebriante e inesquecível. Cor amarelo quase âmbar, nariz flores, frutos de polpa branca, alguma especiaria como canela e zimbro. Na taça untuoso, lágrimas densas e constantes, na boca acidez e doçura no ponto certo.
GEWÜRTZTRAMINER: A Traminer, mãe das castas Traminer, como a Traminer Rosa ou Savigny e da Gewürtztraminer é da região do Alto Adige (Itália) na antiga Süd Tirol. A Gewürtztraminer, é uma uva de casta rosada baixa produção, na Alsácia alcança sua plenitude, tanto em vinhos jovens como nos colheitas tardias para o vinho doce. Vinhos de cor âmbar possuem aromas variados e exuberantes que caracteriza Gewurztraminer. O bouquet é intenso e complexo, oferecendo uma explosão de frutas exóticas (lichia, maracujá, abacaxi, manga), flores (especialmente rosa), frutas cítricas (casca de laranja) e especiarias (gengibre, pimenta, cravo e pimenta) contribuem para dar a estes vinhos uma característica única.
PINOT BLANC: Casta originária da Borgonha, adaptou-se muito bem na Alsácia por ser resistente ao frio. Gosta de solos pedregosos que mantém o calor mesmo em dias mais frios.
É muito utilizada para a produção do Crémant D’Alsace, por ser uma casta mais ácida, frutada com aromas de maçã, pêssego e toques florais.
Há uma pequena produção de Pinot Noir, mas estes em comparação com os da vizinha Borgonha não alcançam a plenitude que lá existe.
O mapa é auto explicativo, inclusive destacando quais as uvas de cada região do país.
Penso que algumas palavras devo dizer sobre os vinhos da Nova Zelândia.
São os vinhedos mais austrais que se tem notícia, principalmente as regiões da ilha sul.
Em termos de beleza talvez sejam os mais lindos.
Só na Nova Zelândia se pode tomar banho de mar com as altas montanhas nevadas ao fundo.
A grande uva que colocou este país no mapa dos principais produtores e exportadores foi a Sauvignon Blanc que se adaptou com perfeição produzindo vinhos extremamente deliciosos e únicos.
Na ilha norte concentram-se as uvas francesas que compõem o famoso corte bordalês, a Cabernet Franc, a Sauvignon e a Merlot.
São também os primeiros vinhedos do país.
Sem deixar de falar na Chardonnay. Região mais quente e ensolarada, menos sujeita às intempéries como ventos fortes e frios fora de época.
A meu ver o grande destaque fica por conta da Chardonnay de Hawkes Bay.
Na ilha sul estão concentradas as principais regiões. No norte da ilha sul a Sauvignon Blanc encontrou terreno fértil e vem produzindo um vinho de exceção. São Sauvignon Blanc extremamente aromáticos lembrando a maracujá e laranja. Na boca acidez firme e marcante com final de gole longo e muito refrescante.
O epicentro, sem dúvida alguma, é Marlborough. Suas baías e reentrâncias com clima frio e ensolarado no verão certamente são divinos e únicos.
Não tenha medo. Ao encontrar um vinho da Nova Zelândia com a uva Sauvignon Blanc de com o destaque de Marlborough no rótulo, compre-o ele é um vinho diferenciado.
Canterbury, mais ao sul da ilha ainda mantém condições para bons Sauvignon Blanc, mas a Pinot Noir, na minha opinião, outra grande uva da Nova Zelândia, começa a aparecer com força.
Também temos Riesling de grande qualidade.
Pegasus Bay é uma grande indicação de qualidade.
E a nossa manhosa Pinot Noir mostra toda a sua força e elegância em Central Otago, ao sul da ilha sul.
Vinhedos protegidos dos fortes e frios ventos, por montanhas esplêndidas,, além de serem um dos mais belos vinhedos que conheço, fornecem as condições ideais para o desenvolvimento da Pinot Noir. Noites frias e dias ensolarados no verão nos trazem condições ideais.
De fato os vinhos com a Pinot Noir de Central Otago são de tirar o fôlego.
Vejam o vídeo sobre a Sauvignon Blanc em Marlborough
São vinhos que precisam de algum tempo de estágio em madeira e garrafa, algo em torno de 10 anos caso contrário estaríamos abrindo um vinho que sequer conseguiu desenvolver-se. São vinhos, por este motivo, caros, alguns mais caros que deveriam.
Nos brancos temos a Riesling, a Grünner Veltiner e a Semillon que produzem brancos excepcionais, mas para serem apreciados após 10 anos de descanso. Os Riesling, de preferência alemães ou ausralianos e Grünner Veltiner, Áustria e a Semillon, apesar de compor o corte das brancas de Bordeaux, inclusive o botritizado Sauternes, desenvolve-se com maestria na Austrália onde alcança a sua plenitude depois de 10 12 anos de garrafa.
Nos tintos o segredo, com suas raras exceções é o tanino. Ele quando em grande quantidade traz muita estrutura para um vinho, ocorre que para arredondá-los só o tempo em barricas, como na foto acima e muita espera em garrafa. Nesta turma eu gosto:
PORTUGAL: Certamente a tânica e manhosa Baga, da Bairrada. Região perto do Atlântico são vinhos que quando bem trabalhados produzem verdadeiras joias da coroa. Um vinho bastante complexo, frutas silvestres com um fundo de café e tostado. Ou então um maduro alentejano como um Mouchão ou um Pera Manca, elegantes e refinados.
URUGUAI: A Tannat, a exemplo da Baga possui bastante taninos e quando os produtores acertam a mão o vinho é um pouco mais caro mas muito bom. Bastante corpo, aromas de frutos vermelhos e couro.
FRANÇA: Certamente a minha amada Syrah, os Hermitage e Cotie Rotie do alto Rhône são meus preferidos. Vinhos que precisam de 10 anos de garrafa, quando se abre o ambiente perfuma, nariz de frutos vermelhos e especiarias, como cravo e canela. Na boca volume, potência com toques de mentolado e pimenta. FANTÁSTICOS, puro sangue total. Tem os vinhos de Bordeaux, no estilo mais charmosos e elegantes. Nariz mais calmo, café e tostado, na boca corpo elegante e sedoso, no estilo mais clássico que os puro sangue do Rhône, ah e bem mais caros também.
ITÁLIA: Aqui as opções são várias. Do sul com a uva Aglianico, Taurassi e Basilicata, são potentes e firmes, ao estilo dos vinhos do Rhône, verdadeiros puro sangue, como um carro esportivo, como dizem por lá, uma máquina, mas em face dos taninos precisam, também, de muito tempo de descanso nas barricas e garrafas. Do Piemonte os Barolos, com a Nebiollo, certamente grandes representantes. Vinhos firmes, encorpados, nariz de frutas vermelhas e discreta madeira. Na boca densos e firmes. Em Valpolicella os Amarones feitos com a especial técnica das uvas desidratadas, potentes, alguns chegam a 17% de álcool. Boca firme e encorpada com um final meio amargo. Nariz mais adocicado de frutos vermelhos e tabaco. Bela opção.
AUSTRÁLIA: Certamente os tintos do Vale Barossa, densos e com ato índice de álcool, muitas vezes utilizam ao exemplo de Cotie Rotie a Viognier para acalmar a Syrah.
CHILE e ARGENTINA: Certamente os clássicos com muito tempo de barrica e garrafa. Principalmente os feitos com Cabernet Sauvignon (Chile) em especial os de Colchagua e a Malbec (Argentina) estes em especial os de regiões quentes de Mendonza, como Lujan de Cuyo e La Consulta.
Bem seja qual for o estilo nos vinhos maduros, beba-os devagar, aprecie o momento de estar a frente de um vinho que descansou, pelo menos 8 a 10 anos até estar a sua frente.
Não entendo até hoje porque as lojas especializadas insistem na separação dos vinhos por países e não por estilos de vinhos.
Para mim além das percepções normais, como visual (cor), olfato (aromas) e gosto (boca) tenho que o vinho carrega consigo um estilo. Estilo vindo da genética da uva da qual foi feita somado ao terroir do local em que foi plantada. Portanto esta questão de país limita a classificação do vinho e cria barreiras desnecessárias.
Bem, mas para quem quer um branco com acidez marcante, boca mineral e aromas que puxam o cítrico, tenho a dizer que esta é a turma dos vinhos germânicos. E por vinhos germânicos entendo os austríacos e os de Luxemburgo, com exceção para um Chablis ou um Albarinho/Albariño e deu. Este mundo lamentavelmente é bastante limitado.
A Alemanha com seus vinhedos mais setentrionais do mundo, como este da foto, vem com a casta Riesling.
A Riesling Renana tem como seu berço os vales dos rios Saar, Ruwer e Mosela, todos no nordeste do país região fronteiriça com a França e Luxemburgo.
Como os invernos são rigorosos e os verões amenos, a Riesling tem baixo teor alcoólico, algo perto de 11 a 12 graus,o que é uma dádiva em face destes quase vinhardentes que são vendidos hoje.
Este mesmo frio ajuda para que a casta seja ácida, aromática, refrescante e extremamente longeva. Há exemplares que aguentam muito bem até 20 anos de garrafa. A acidez é a chave da longevidade nos brancos.
É certo que são excelentes parceiros para os frutos do mar, peixes leves acompanhadas apenas de um queijo leve. Como o teor alcoólico é baixo são também ideias para conversas ao fim de tarde de um verão.
Sei que têm excelentes exemplares na Alsácia, Austrália,Nova Zelândia, até mesmo no Chile. Mas nenhum destes vinhos superam um bom Riesling alemão.
Luxemburgo é um pequeno país encravado entre a Alemanha, França e Bélgica. Em termos de culturais Luxemburgo se aproxima bastante da Alemanha. Mais ainda em termos de vinhos, que é o que nos interessa por aqui.
São vinhedos plantados as margens do Mosela, rio que faz fronteira com a Alemanha. Aliás o Mosela nasce em Metz, na França e vai desaguar no Reno em Koblenz, na Alemanha. Basicamente são vinhedos muito parecidos com os alemães.
É reino de vinho branco, ácido, mineral e aromático. A diferença é que aqui é muito utilizada a casta Ebling. São também utilizadas as castas Pinot blanc, Pinot gris, Riesling, Rivaner, Rülander e Traminer.
São castas brancas e de teor alcoólico baixo, algo em torno de 10 a 12 g/l, portanto ideias para nosso clima, principalmente no verão.
Por fim a Áustria entra neste mundo com a mágica Grünner Veltiner.
A Grüner Veltiner é a casta ícone da Áustria, não é a única, mas certamente é o centro das atenções. Certo que a produção de vinhos na Áustria é muito pequena, quase todo o vinho é ali consumido,o que não impediu que esta fantástica casta, aos poucos fosse sendo conhecida mundo afora.
Produz vinhos brancos de excelente acidez, quase crocantes, quando jovem pouco aromáticos e bastante nervosos, minerais e herbáceos. Com o tempo de garrafa, 5 a 8 anos de garrafa desenvolve aromas complexos, na boca algo entre frutos secos e nozes, sua evolução é semelhante a sua parceira a Riesling , a Pinor Gris e a Gewürtztraminer.
É plantada no extremo oeste do país, por onde passa o emblemático rio Danúbio, faz fronteira com a República Checa e por ali também é plantada.
Portanto se gostam deste tipo de vinho não fiquem perdendo tempo e dinheiro por aí, vá logo para estas castas produzidas nestes países.
Fiquem com este lindo vídeo, isto é Wachau, Áustria, de onde saem as Grünner Veltiner.
A Alsácia proporciona belos passeios, mas depois de tanto caminhar vem o cansaço e a fome. Nada melhor que uma pausa nas caves, os weintube ou nos restaurantes. E aí, junto com a especial culinária da região com toques alemães, podemos, com calma, abrir o cardápio e escolhermos alguns dos melhores vinhos brancos do mundo.
Bela e única Alsácia. Pequena região francesa que une a pragmática Alemanha com o charme da França. Fronteira móvel, região que sofreu muitas guerras ao longo da história já foi da Alemanha e depois voltou para a França, hoje, a é um amálgama perfeito entre estes dois países.
Em seus 170 quilômetros de extensão produz vinhos brancos secos e bastante aromáticos e uma combinação ímpar entre açúcar, acidez e álcool, sendo um dos melhores, senão o melhor berço das castas brancas no mundo.
Minha região favorita em se tratando de vinhos brancos. Tem de todos os tipos, do mais seco ao mais doce, do mais aromático ao mineral, incluindo aí seu Crémant (sparkling). Eu como gosto e muito de vinhos brancos fico também por aqui no verão.
São também vinhos que formam grande parceria com a gastronomia local, vão muito bem com a culinária alemã, com comidas mais leves e enfrentam com maestria pratos orientais.
Ali encontraram refúgio seguro castas como Sylvanner, Riesling, Gerwurtztraminer, Pinot gris e Pinot Blanc.
Mas a beleza de hoje não traduz explicitamente a luta dos produtores locais. Desde sempre foi uma região disputada e palco de muitas guerras. A paz que reina hoje é fruto da luta incansável de seus produtores. O clima sempre frio mesmo no verão somado ao tipo de solo favorece amplamente as castas brancas. São elas:
SYLVANNER: Produz vinhos muito semelhantes aos Riesling mas sem a complexidade desta, por outro lado, requer menos atenção do que a Riesling, precisa de menos sol e calor, seus vinhos têm cor amarelo, quase transparente, aromas mais florais, acidez bem mais educada do que a Riesling, são vinhos para serem consumidos logo, de preferência um ou dois anos depois da safra.
RIESLING: Não vamos confundir a Riesling Renana, da qual estamos a falar com a Riesling Itálica, utilizada nos espumantes nacionais.
A Riesling Renana tem como seu berço os vales dos rios Saar, Ruwer e Mosela, todos no nordeste da Alemanha. Foi introduzida na Alsácia pelos alemães. Aqui com invernos rigorosos e os verões amenos, a Riesling adaptou-se bem, tem geralmente baixo teor alcoólico, algo perto de 12 graus,o que é uma dádiva em face destes quase vinhardentes que são vendidos hoje. Este mesmo frio ajuda para que a casta seja aromática, refrescante e extremamente longeva. Há exemplares que aguentam muito bem até 10 anos de garrafa.
PINOR GRIS: Originária da Alsácia, França, uva de casca avermelhada mas produz brancos da elite mundial. Possui homônimas espalhadas por vários países, na Iália, Pinot Grigi e na na Alemenha Grauburgunder, entre outros. Mas é na Alsácia que esta casta alcança seu apogeu. Ali em quantidades liliputianas gera um vinho mágico, inebriante e inesquecível. Cor amarelo quase âmbar, nariz flores, frutos de polpa branca, alguma especiaria como canela e zimbro. Na taça untuoso, lágrimas densas e constantes, na boca acidez e doçura no ponto certo.
GEWÜRTZTRAMINER: A Traminer, mãe das castas Traminer, como a Traminer Rosa ou Savigny e da Gewürtztraminer é da região do Alto Adige (Itália) na antiga Süd Tirol. A Gewürtztraminer, é uma uva de casta rosada baixa produção, na Alsácia alcança sua plenitude, tanto em vinhos jovens como nos colheitas tardias para o vinho doce. Vinhos de cor âmbar possuem aromas variados e exuberantes que caracteriza Gewurztraminer. O bouquet é intenso e complexo, oferecendo uma explosão de frutas exóticas (lichia, maracujá, abacaxi, manga), flores (especialmente rosa), frutas cítricas (casca de laranja) e especiarias (gengibre, pimenta, cravo e pimenta) contribuem para dar a estes vinhos uma característica única.
PINOT BLANC: Casta originária da Borgonha, adaptou-se muito bem na Alsácia por ser resistente ao frio. Gosta de solos pedregosos que mantém o calor mesmo em dias mais frios.
É muito utilizada para a produção do Crémant D’Alsace, por ser uma casta mais ácida, frutada com aromas de maçã, pêssego e toques florais.
Há uma pequena produção de Pinot Noir, mas estes em comparação com os da vizinha Borgonha não alcançam a plenitude que lá existe.
Portanto comprem, apreciem e vejam como são deliciosos os vinhos da Alsácia.
Ao final dos cursos ou palestras vem a pergunta. Mas qual o vinho que tu gostas?
Em primeiro lugar só existe vinho estragado e o não estragado o resto é paladar. O que é bom para mim pode não ser para outro. A grande magia do vinho é a sua diversidade. Cada garrafa uma surpresa.
Um bom vinho, se ele em qual estilo ou uva for, para mim, de cara, deve me surpreender, assim como fico quando vejo o quadro acima de Van Gogh sobre a noite. Parece triste, mas não é. Pensem na dificuldade de pintar a noite, o escuro e suas poucas luzes. Depois tente daí fazer algo inesquecível como este quadro, simplesmente fantástico.
Pois bem um vinho que me surpreende já é um bom sinal.
Depois a harmonia deve ser marcante. O vinho tem, basicamente, três elementos que devem andar em harmonia, acidez, doçura e álcool. Se um dos três desequilibra o vinho perde qualidade. Pensemos nos tintos. Firmeza (corpo) vinda dos taninos, acidez refrescante, doçura, entendendo-se aí uvas colhidas no ponto certo e álcool perfeitamente integrado, estamos certamente na frente de um bom vinho.
Para os brancos tranquilos (sem ser estilo espumante ou de sobremesa, procuro acidez, sem ela não temos um bom branco. E acidez no ponto significa menos açúcar da uva, consequentemente menos álcool. De novo o equilíbrio que falei antes.
Nos espumante igual. Não gosto daqueles extremamente secos (menos doces) muito menos dos demi-sec. Prefiro os que nós esvaziamos as garrafas sem se dar conta.
Já nos vinhos de sobremesa o binômio açúcar/acidez deve ser realçado. Na ponta da língua sentimos o doce ao fundo o ácido, portanto um vinho, tido como de sobremesa, deve ser assim, o gole inicia doce e termina ácido, simplesmente perfeito. Pena que muito poucos são assim. Neste quesito os Sauternes, Tokaj e Ice Wine são imbatíveis.
Agora tenho dificuldade de gostar de vinho do Porto tinto, taninos e doçura me complicam. Quanto aos Porto brancos, maravilhosos.
Ah, quanto a harmonia ser de uma só uva (varietal), duo, muito comum entre os andinos, estilo cabernet/malbec ou de várias uvas, como os do Rhône, não há problema algum, mas disse e repito a surpresa e a harmonia me fascinam e tornam aquele vinho apreciado como um bom vinho.
Quanto às uvas? Gosto da Syrah, Chardonnay, Riesling, Vermentino, Pinot Gris, Gewurtztraminer, merlot, cabernet franc, sangiovese, grenache e mouvèdre, certamente estão entre as minhas favoritas.
Mas não esqueçam um bom vinho é aquele que te dá prazer.
Vejam os três exemplos de harmonia, seja varietal, duo ou variado.
São vinhos que precisam de algum tempo de estágio em madeira e garrafa, algo em torno de 10 anos caso contrário estaríamos abrindo um vinho que sequer conseguiu desenvolver-se. São vinhos, por este motivo, caros, alguns mais caros que deveriam.
Nos brancos temos a Riesling, a Grünner Veltiner e a Semillon que produzem brancos excepcionais, mas para serem apreciados após 10 anos de descanso. Os Riesling, de preferência alemães ou ausralianos e Grünner Veltiner, Áustria e a Semillon, apesar de compor o corte das brancas de Bordeaux, inclusive o botritizado Sauternes, desenvolve-se com maestria na Austrália onde alcança a sua plenitude depois de 10 12 anos de garrafa.
Nos tintos o segredo, com suas raras exceções é o tanino. Ele quando em grande quantidade traz muita estrutura para um vinho, ocorre que para arredondá-los só o tempo em barricas, como na foto acima e muita espera em garrafa. Nesta turma eu gosto:
PORTUGAL: Certamente a tânica e manhosa Baga, da Bairrada. Região perto do Atlântico são vinhos que quando bem trabalhados produzem verdadeiras joias da coroa. Um vinho bastante complexo, frutas silvestres com um fundo de café e tostado. Ou então um maduro alentejano como um Mouchão ou um Pera Manca, elegantes e refinados.
URUGUAI: A Tannat, a exemplo da Baga possui bastante taninos e quando os produtores acertam a mão o vinho é um pouco mais caro mas muito bom. Bastante corpo, aromas de frutos vermelhos e couro. Gosto do Staiger Viejo, com o detalhes que as uvas não são dos arredores de Montevidéo e sim da região noroeste do país.
FRANÇA: Certamente a minha amada Syrah, os Hermitage e Cotie Rotie do alto Rhône são meus preferidos. Vinhos que precisam de 10 anos de garrafa, quando se abre o ambiente perfuma, nariz de frutos vermelhos e especiarias, como cravo e canela. Na boca volume, potência com toques de mentolado e pimenta. FANTÁSTICOS, puro sangue total. Tem os vinhos de Bordeaux, no estilo mais charmosos e elegantes. Nariz mais calmo, café e tostado, na boca corpo elegante e sedoso, no estilo mais clássico que os puro sangue do Rhône, ah e bem mais caros também.
ITÁLIA: Aqui as opções são várias. Do sul com a uva Aglianico, Taurassi e Basilicata, são potentes e firmes, ao estilo dos vinhos do Rhône, verdadeiros puro sangue, como um carro esportivo, como dizem por lá, uma máquina, mas em face dos taninos precisam, também, de muito tempo de descanso nas barricas e garrafas. Do Piemonte os Barolos, com a Nebiollo, certamente grandes representantes. Vinhos firmes, encorpados, nariz de frutas vermelhas e discreta madeira. Na boca densos e firmes. Em Valpolicella os Amarones feitos com a especial técnica das uvas desidratadas, potentes, alguns chegam a 17% de álcool. Boca firme e encorpada com um final meio amargo. Nariz mais adocicado de frutos vermelhos e tabaco. Bela opção.
AUSTRÁLIA: Certamente os tintos do Vale Barossa, densos e com ato índice de álcool, muitas vezes utilizam ao exemplo de Cotie Rotie a Viognier para acalmar a Syrah.
CHILE e ARGENTINA: Certamente os clássicos com muito tempo de barrica e garrafa. Principalmente os feitos com Cabernet Sauvignon (Chile) em especial os de Colchagua e a Malbec (Argentina) estes em especial os de regiões quentes de Mendonza, como Lujan de Cuyo e La Consulta.
Bem seja qual for o estilo nos vinhos maduros, beba-os devagar, aprecie o momento de estar a frente de um vinho que descansou, pelo menos 8 a 10 anos até estar a sua frente.
Não entendo até hoje porque as lojas especializadas insistem na separação dos vinhos por países e não por estilos de vinhos.
Para mim além das percepções normais, como visual (cor), olfato (aromas) e gosto (boca) tenho que o vinho carrega consigo um estilo. Estilo vindo da genética da uva da qual foi feita somado ao terroir do local em que foi plantada. Portanto esta questão de país limita a classificação do vinho e cria barreiras desnecessárias.
Bem, mas para quem quer um branco com acidez marcante, boca mineral e aromas que puxam o cítrico, tenho a dizer que esta é a turma dos vinhos germânicos. E por vinhos germânicos entendo os austríacos e os de Luxemburgo, com exceção para um Chablis ou um Albarinho/Albariño e deu. Este mundo lamentavelmente é bastante limitado.
A Alemanha com seus vinhedos mais setentrionais do mundo, como este da foto, vem com a casta Riesling.
A Riesling Renana tem como seu berço os vales dos rios Saar, Ruwer e Mosela, todos no nordeste do país região fronteiriça com a França e Luxemburgo.
Como os invernos são rigorosos e os verões amenos, a Riesling tem baixo teor alcoólico, algo perto de 11 a 12 graus,o que é uma dádiva em face destes quase vinhardentes que são vendidos hoje.
Este mesmo frio ajuda para que a casta seja ácida, aromática, refrescante e extremamente longeva. Há exemplares que aguentam muito bem até 20 anos de garrafa. A acidez é a chave da longevidade nos brancos.
É certo que são excelentes parceiros para os frutos do mar, peixes leves acompanhadas apenas de um queijo leve. Como o teor alcoólico é baixo são também ideias para conversas ao fim de tarde de um verão.
Sei que têm excelentes exemplares na Alsácia, Austrália,Nova Zelândia, até mesmo no Chile. Mas nenhum destes vinhos superam um bom Riesling alemão.
Luxemburgo é um pequeno país encravado entre a Alemanha, França e Bélgica. Em termos de culturais Luxemburgo se aproxima bastante da Alemanha. Mais ainda em termos de vinhos, que é o que nos interessa por aqui.
São vinhedos plantados as margens do Mosela, rio que faz fronteira com a Alemanha. Aliás o Mosela nasce em Metz, na França e vai desaguar no Reno em Koblenz, na Alemanha. Basicamente são vinhedos muito parecidos com os alemães.
É reino de vinho branco, ácido, mineral e aromático. A diferença é que aqui é muito utilizada a casta Ebling. São também utilizadas as castas Pinot blanc, Pinot gris, Riesling, Rivaner, Rülander e Traminer.
São castas brancas e de teor alcoólico baixo, algo em torno de 10 a 12 g/l, portanto ideias para nosso clima, principalmente no verão.
Por fim a Áustria entra neste mundo com a mágica Grünner Veltiner.
A Grüner Veltiner é a casta ícone da Áustria, não é a única, mas certamente é o centro das atenções. Certo que a produção de vinhos na Áustria é muito pequena, quase todo o vinho é ali consumido,o que não impediu que esta fantástica casta, aos poucos fosse sendo conhecida mundo afora.
Produz vinhos brancos de excelente acidez, quase crocantes, quando jovem pouco aromáticos e bastante nervosos, minerais e herbáceos. Com o tempo de garrafa, 5 a 8 anos de garrafa desenvolve aromas complexos, na boca algo entre frutos secos e nozes, sua evolução é semelhante a sua parceira a Riesling , a Pinor Gris e a Gewürtztraminer.
É plantada no extremo oeste do país, por onde passa o emblemático rio Danúbio, faz fronteira com a República Checa e por ali também é plantada.
Portanto se gostam deste tipo de vinho não fiquem perdendo tempo e dinheiro por aí, vá logo para estas castas produzidas nestes países.
Fiquem com este lindo vídeo, isto é Wachau, Áustria, de onde saem as Grünner Veltiner.
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