MAPA DO VINHO PARTE 65 FRANÇA PROVENCE II

3 03 2012

Bouches Du Rhone ou boca do Rhone é exatamente o local de desague do rio Rhone e, por consequência, local de subida do rio onde os mercadores levavam as especiarias vindas do oriente.

Aqui as principais cidades são: Arles (moradia de Van Gogh na Provence), Saint Remy, foto acima, local onde  o internaram, Aix-en-Provence, cidade natal de Cézanne, outro espetacular pintor que conseguiu eternizar as cores  e a vida da Provence e Marselha, capital e principal cidade da Provence.

Van Gogh não era entendido na sua época. Seus quadros que hoje alcançam valores incalculáveis quando de sua pintura de nada valiam. Até hoje se percebe a Provence através de suas pinturas, como os campos de lavanda e das plantações de girassol, bem como a luminosidade e magia da Provence.

A região é destacada produtora de vinhos. Aqui fica a denominação de Côtes-d’Aix- en – Provence com destacada produção de tintos com a casta Mouvèdre e os roses. Aqui de vários estilos, desde os mais encorpados com as uvas Grenache e Mouvèdre, até as mais leves com as castas Cinsault e Grenache. E uma menor chamada de Le Baux-en-Provence.

Ao lado de Bouches Du Rhone fica Var e sua cidade chave na produção de vinhos de qualidade, Bandol.

Bandol, talvez a mais espetacular cidade produtora de vinhos da Provence, não só tem grandes roses como ali está a Mouvèdre, uma das grandes uvas tintas do Mediterrâneo.

Bandol, pequena comuna pesqueira no litoral da Provence, bem perto do porto de Marselha. Além de cidade turística é chão e terra da Mouvèdre, uma das mais emblemáticas uvas tintas da borda do Mediterrâneo.

Produz vinhos na Espanha com o nome de Monastrell, mais especificamente em Jumilla, Murcia, por exemplo. Mas é em Bandol que eu penso que desenvolveu sua plenitude.

Para os amantes do vinho, Bandol, quando estampado no rótulo, como nesta garrafa significa, além de região demarcada para produzir tintos é garantia de roses mais encorpados e aromáticos.

A Mouvèdre é uma casta tinta de ótimo potencial de guarda em face de seus taninos. Estes custam um pouco para serem domados o que confere ao vinho muita estrutura e corpo. O tanino serve para o vinho como as colunas principais de um prédio, podem as vezes até atrapalhar, mas jamais se terá um prédio de grande estrutura sem elas.

A Mouvèdre é uma casta que quando vinificada em rose junto com a Grenache concede a estes vinhos aromas mais vigorosos, cor mais intensa e volume, podendo até mesmo ser, em alguns casos, tratados como tintos muito leves e ligeiros.

Já na vinificação em tinto trás ao  vinho uma cor vermelha intensa, vejam a foto, certo amargor na boca, quando jovem e quando domados uma lembrança muito forte de ameixas, secas e especiarias. Um vinho inesquecível.

Mas, de uma maneira ou de outra, seja em tinto ou rose, lembre-se: Cada vez que aparecer esta palavra nos rótulo do vinho a ser apreciado, lembre que este vinho veio de uma região consagrada, desde os idos tempos.

Hoje, sempre que quero um tinto ou um rose mais encorpado vou logo procurando um de Bandol.

Por fim lembre-se, uma grande região produtora de vinhos garante bons vinhos mas não bons produtores. Procure um bom importador que este , certamente,  já garimpou este caminho para ti.

Tirando as barulhentas cigarras o vídeo é lindo.





MAPA DO VINHO PARTE 64 FRANÇA PROVENCE

3 03 2012

A sub-região de Alpes Haute-Provence mais ao norte de Provence, é uma região onde os vinhedos sofrem climas extremos, verões e invernos rigorosos e secos.  As vinhas estão numa altura média de 400 metros.

Uvas tradicionais do Mediterrâneo, Grenache, Carignan e  Ugni Blanc. Produz tintos, brancos e roses. Os tintos dominam, como os vinhedos são situados em altura e o clima é seco, temos, no final da maturação uma grande diferença de temperatura o que nos traz tintos robustos e tânicos, precisando de tempo de garrafa para amaciar os taninos.

Em proporção um pouco menor os roses. Também firmes e escuros que precisam ser consumidos em até 5 anos de seu engarrafamento.

Já os brancos são minoria e devem ser consumidos jovens.

Vaucluse

Vaucluse conforme o mapa fica a oeste da Provence. De um lado o Rhone, um dos mais importantes rios da França e de outro quatro montanhas que cercam a região. O gigante Mont Ventoux do alto de seus quase 2.000 metros, serve de fronteira entre o vale do Rhone e a Provence, nas sua borda norte, no Rhone Cote Ventoux, ao sul vinhedos Provence. Depois vem Dentelles de Montmirail, Monts de Vaucluse e Mongtagne de Luberon.

Esta região montanhosa fica a leste de Vaucluse. Na região plana que faz fronteira com o Rhone temos importantes vinhedos conforme veremos adiante.

Não se esquecer que o vento Mistral que desce do Mont Ventoux em determinadas épocas do ano, assim como o Zonda em Mendonza, ganha velocidade ao descer da parte fria para a quente causando grandes preocupações. Não é por nada que a mais alta montanha da Provence chama-se Monte dos Ventos.

O passado é marca forte na região. Cidades como Orange e Avignon, antiga sede do Papa quando do cisma do Vaticano quando Avignon foi sede papal de 1309 até 1377. Bem como Orange, talvez a cidade da Provence que mais possui ruínas de vilas romanas. É chamada de Provence dos Papas.

Vejam a sede papal em Avignon

O rio Rhone, como já dito em outros posts foi porta de entrada de especiarias vindas do oriente para serem entregues no centro da Europa. Não é por nada que Lyon, acima na borda do Rhone é considerado o centro da gastronomia mundial.

Na se pode esquecer de Luberon que além de ter vinhedos importantes é centro turístico da mais alta importância. Um lugar alto o que faz com que não seja tão quente e um pouco longe do disputado litoral é cada vez mais procurado por quem quer mais descanso que agito.

Mas e os vinhos? Bem, vamos lá.

É na planície que circunda Avignon, Orange e Châteauneuf-du-pape que estão os principais vinhedos de Vaucluse.

As garrafas levam gravadas no vidro as chaves do papado. É considerado o rei do Rhone, seguramente um dos melhores vinhos do mundo. Nos tintos o corte é de maioria Grenache mais 12 ou mais uvas, entre elas a Cinsault, Mouvèdre, Syrah entre outras. E nos brancos a Grenache Blanc mais um turma de uvas.

O grande segredo está no solo. As chamadas Galets no popular cascalho. O solo assim formado consegue reter o calor do sol e a noite repassá-lo para as uvas ajudando na sua maturação. Diga-se que estas castas preferem o sol para que possam maturar. Não suportam o frio.





MAPA DO VINHO – PARTE 48 – FRANÇA – VINHOS DO MEDITERRÂNEO

27 02 2012

O sul da França vai da fronteira com a Espanha, a chamada Catalunha francesa até o Rhône, tendo como marco o Mont Ventoux.

Como é historicamente parte integrante do Mediterrâneo sempre foi visitada por vários povos e civilizações, dos fenícios aos romanos passando pelos gregos. O Mediterrâneo era o caminho natural entre o oriente e o ocidente, do leste vinham produtos exóticos como a seda, perfumes, os temperos, culinária e sobretudo muita vida e cultura. Do oeste, vinham os produtos que desciam pelo Rhône, como as peles, nozes, carnes exóticas, enfim, tudo que as florestas geladas poderiam trazer.

Os portos do sul da França, como Marselha e final do rio Rhône serviam de porta de entrada e moradia para estes comerciantes vindos dos mais variados locais.

Desta maneira podemos ver nesta região, até hoje, muitas cidades medievais como a da foto abaixo que outrora eram o centro das atenções. Serviam de morada para perfumistas, comerciantes de especiarias e negociantes de vinhos.

Nestas cidades temos feiras charmosas com seus temperos e produtos vindos da região. Certamente servem de base para uma das mais fantásticas culinárias do mundo.

Falando de vinhos, a natureza é muito mais sábida do que nós. Como o clima é marítimo, temos muitas variações climáticas no ápice do desenvolvimento das uvas,seus últimos 20 ou 30 dias. NEste momento as uvas entram na maturação final e com verões tórridos desenvolvem-se muito rapidamente, o que em alguns casos (uvas) é trágico, ou mesmo chove muito neste período, sem ausência do sol, também pode ser danoso.

Solução? Um mix de uvas, umas se dão melhor no frio e ausência de sol outras  no forte verão. Daí que nestas regiões quase sempre encontramos vinhos de várias uvas.

Aqui há um quinteto quase sempre presente. Syrah, http://wp.me/pPKW2-89 a Mouvèdre, a Grenache ou Garnacha http://wp.me/pPKW2-gO  a Cinsault http://wp.me/pPKW2-ib Carinenha ou Carignan.

Não foi por nada que Vincent Van Gogh apaixonou-se pela região.

Adiante postarei as regiões mais conhecidas do sul da França.





ISTO É PROVENCE – BOUCHES DU RHONE – E SEUS PINTORES

7 01 2012

Bouches Du Rhone ou boca do Rhone é exatamente o local de desague do rio Rhone e, por consequência, local de subida do rio onde os mercadores levavam as especiarias vindas do oriente.

Aqui as principais cidades são: Arles (moradia de Van Gogh na Provence), Saint Remy, local onde  o internaram, Aix-en-Provence, cidade natal de Cézanne, outro espetacular pintor que conseguiu eternizar as cores  e a vida da Provence e Marselha, capital e principal cidade da Provence.

Van Gogh não era entendido na sua época. Seus quadros que hoje alcançam valores incalculáveis quando de sua pintura de nada valiam. Até hoje se percebe a Provence através de suas pinturas, como os campos de lavanda e das plantações de girassol, bem como a luminosidade e magia da Provence.

Na época o único quadro que foi vendido quando ele era vivo foi este vinhedo no outono.

Arles, cidade fundada pelos gregos, hoje reverencia o mestre da pintura em todos os sentidos, desde a casa onde morou até os restaurantes da cidade, como este da foto.

Mais ao norte fica Saint Remy de Provence, uma das muitas cidades antigas. Esta fundada pelos romanos. Para mim uma das mais lindas da Provence. As fotos abaixo dão o tom da cidade e daquilo que representa em termos de detalhes e charme.

Mas e os vinhos? Já que este blog é sobre eles?

A região é destacada produtora de vinhos. Aqui fica a denominação de Côtes-d’Aix- en – Provence com destacada produção de tintos com a casta Mouvèdre e os roses. Aqui de vários estilos, desde os mais encorpados com as uvas Grenache e Mouvèdre, até as mais leves com as castas Cinsault e Grenache. E uma menor chamada de Le Baux-en-Provence.

Fiquem com o vídeo sobre Saint Remy





ISTO É PROVENCE – VAUCLUSE – AQUI PASSADO E PRESENTE EM PERFEITA HARMONIA

5 01 2012

Vaucluse conforme o mapa fica a oeste da Provence. De um lado o Rhone, um dos mais importantes rios da França e de outro quatro montanhas que cercam a região. O gigante Mont Ventoux do alto de seus quase 2.000 metros, serve de fronteira entre o vale do Rhone e a Provence, nas sua borda norte, no Rhone Cote Ventoux, ao sul vinhedos Provence. Depois vem Dentelles de Montmirail, Monts de Vaucluse e Mongtagne de Luberon.

Esta região montanhosa fica a leste de Vaucluse. Na região plana que faz fronteira com o Rhone temos importantes vinhedos conforme veremos adiante.

Não se esquecer que o vento Mistral que desce do Mont Ventoux em determinadas épocas do ano, assim como o Zonda em Mendonza, ganha velocidade ao descer da parte fria para a quente causando grandes preocupações. Não é por nada que a mais alta montanha da Provence chama-se Monte dos Ventos.

Vejam a foto do  gigante.

O passado é marca forte na região. Cidades como Orange e Avignon, antiga sede do Papa quando do cisma do Vaticano quando Avignon foi sede papal de 1309 até 1377. Bem como Orange, talvez a cidade da Provence que mais possui ruínas de vilas romanas. É chamada de Provence dos Papas.

Vejam a sede papal em Avignon

O rio Rhone, como já dito em outros posts foi porta de entrada de especiarias vindas do oriente para serem entregues no centro da Europa. Não é por nada que Lyon, acima na borda do Rhone é considerado o centro da gastronomia mundial.

Na se pode esquecer de Luberon que além de ter vinhedos importantes é centro turístico da mais alta importância. Um lugar alto o que faz com que não seja tão quente e um pouco longe do disputado litoral é cada vez mais procurado por quem quer mais descanso que agito.

Esta é uma das cidades.

Mas e os vinhos? Bem, vamos lá.

É na planície que circunda Avignon, Orange e Châteauneuf-du-pape que estão os principais vinhedos de Vaucluse.

As garrafas levam gravadas no vidro as chaves do papado. É considerado o rei do Rhone, seguramente um dos melhores vinhos do mundo. Nos tintos o corte é de maioria Grenache mais 12 ou mais uvas, entre elas a Cinsault, Mouvèdre, Syrah entre outras. E nos brancos a Grenache Blanc mais um turma de uvas.

O grande segredo está no solo. As chamadas Galets no popular cascalho. O solo assim formado consegue reter o calor do sol e a noite repassá-lo para as uvas ajudando na sua maturação. Diga-se que estas castas preferem o sol para que possam maturar. Não suportam o frio.

Este  é o famoso solo.

A região é propicia para o descanso em Luberon e passeios por Orange e Avignon para apreciar a cultura romana e a antiga morada dos papas.

Não sem esquecer de apreciar um belo vinho nestes restaurantes.

Por isto sou apaixonado pela Provence.





ISTO É PROVENCE – ALPES MARÍTIMOS – VINHOS, PRAIAS E PERFUMES

26 12 2011

 

No interior dos Alpes Marítimos, deixe a vida andar num ritmo diferente.

Hoje a região dos Alpes Marítimos é importante destino turístico, cidades como Cannes, Saint Tropez, Nice entre outras pequenas cidades encravadas nas costas das montanhas debruçadas no Mediterrâneo, foram, desde os Romanos, importantes e cidades e o início da história da Provence. Quem não conhece, de nome, a chamada Costa Azul ou Cote D’Azur.

Felizmente a Cote D’Azur é apenas uma parte do Departamento dos Alpes Marítimos. Lá também está um verdadeiro cinturão de cidades muito pequenas, que iniciam com nomes de Santos, pela influência dos Monges Cistercienses do tempo dos Duques e da expansão da Catalunha. Cidades que estão encravadas nas encostas dos Alpes Marítimos e iniciaram, de certa forma, em torno das Abadias e Mosteiros.

Vejam o exemplo de La Roquette-Sur-Var, minúscula e linda.

E o detalhe das casas.

Não se pode falar dos Alpes Marítimos sem comentar sobre Grasse, a chamada capital dos perfumes. Aqui, desde os tempos antigos existe o ofício do perfumista, aquele mago que mistura os cheiros e os aromas para criar perfumes únicos. Não é de hoje que a pequena Grasse envia sua produção, tanto para os centros mais importantes da França como para o exterior.

Grasse, localizada no centro noroeste dos Alpes Marítimos, possui uma geografia acidentada com picos de mais de 1000 metros de altitude e, desde o século 18, tem na técnica do perfume sua sobrevivência. O que não impede de servir vinhos da melhor qualidade nos seus pequenos restaurantes, como este da foto.

Ou observarmos as famosas janelas provençais.

Mas e o vinho? Calma. Os Alpes Marítimos tem, nos arredores de Nice uma das menores regiões demarcadas, chama-se Bellet. Mais precisamente a oeste da mais importante cidade do Departamento.

Nas colinas etão plantados os vinhedos que não aceitam a mecanização, toda o cuidado e colheita das uvas é feito manualmente.

Outro charme, além da pequena produção colhida manualmente é  a utilização de uvas nativas, como as brancas Pignerol e Mayorquin com as conhecidas Muscadt e Chardonnay.

Já as tintas que produzem vinhos tintos ou roses são as nativas Fuella e Braquet com a Cinsault e Grenache.

Visto, então que os Alpes Marítimos, tem muito charme, desde as cidades praianas da Costa Azul até cidades pequenas do seu interior. Charme, este, também estampado na pequena produção de seus vinhos com uvas nativas.

 

 

 





CONFRARIA ALEMDOVINHO – OS ROSES – PARTE I -A PROVENCE E SEUS ROSES – MAGNÍFICO CHÂTEAU LAFOUX

17 12 2011

Encontro vínico realizado na Via Vino, Rua Dinarte Ribeiro, 131, Porto Alegre/RS, www.viavino.com.br e desde já agradeço atenção do André e da Carol pela ajuda necessária.

A loja está muito bonita, bons preços e variedade de vinhos, vale a visita.

Bem, mas o tema da degustação era apresentar os vinhos roses para quem não tinha nenhuma ou pouca intimidade com eles. Ou, até mesmo, para afastar alguns preconceitos bobos em relação aos roses.

O primeiro vinho da noite, este da foto, o Château Lafoux, safra 2010.

Mas antes de falar do vinho, um toque sobre a Procenve

A região é Provence, terra e berço dos melhores roses do mundo. Provence, desde sempre foi porta de entrada para os produtos vindos do oriente através do Medeiterrâneo. Daí subiam o rio Rhone e chegavam, via Lyon e Dijon no centro da Europa. Em suas cidades está nota-se a presença dos Romanos por toda a parte o que já nos indica que seus vinhedos são antigos, eis que falar de Romanos é falar da vinha, pois responsáveis por espalhá-las pela Europa.

Além disto, tem muitos anos que a Provence especializou-se na produção de roses. E assim pensando em roses desde a videira. As videiras e as uvas são cuidadas para produzirem o que temos de melhor em se falando desde estilo de vinho.

Utilizam a técnica da maceração carbônica, onde as uvas são colocadas umas em cima das outras para que o peso delas inicie o processo de esmagamento e fermentação. Não se utilizando de prensas e sim do delicado amassamento. Conservam-se, assim, os aromas e sabores das uvas.

As uvas utilizadas são as clássicas do Mediterrâneo, a Cisault, Grenache e a Mouvèdre.

Bem, mas e o Château Lafoux?

O produtor está localizado em Provence Verne, no Massif de la Saint Baurme. Muito perto de Toulon e da conhecida Saint Tropez.

Uma a vila Romana, olha elas aí de novo, deram origem a sede do produtor. Os vinhedos estão situados a 320 metros de altura e recebem, assim, o frescor noturno no final da maturação. Noites frias no verão garantem uns 15 dias a mais na maturação das uvas fixando melhor os aromas e as condições de uma uva mais perfeita para a vinificação.

As uvas utilizadas foram a Grenache e a Cinsault. A cor clássica de casca de cebola, um alaranjado típico. No nariz sutis (aí que me apaixono pelos roses de Provence) de frutas vermelhas, lembrando muito cereja. Na boca uma força que não se espera pelo visual do vinho. Sua cor alaranjada nos remete a um vinho sem força. Mas que agradável engano. Na boca demonstra corpo médio e acidez firme e refrescante. De final de gole prolongado.

Ideal para ser bebido sozinho, com uma boa leitura ou com amigos, como fizemos neste último encontro da Confraria.

Pode ser parceiro de pratos a base de peixes, frutos do mar e carne branca com molhos bem leves.





VAMOS DE ROSE?

25 11 2011

Este é um dos meus preferidos. Um rose de Tavel, a única região demarcada da França autorizada a produzir somente roses.

Desta vez a escolha era minha. Pedi um rose da Provence, dos 6 que estavam ali, em princípio só eu e mais um aprovaram a escolha. Ao final somente um mantinha-se na sua posição inicial.

Motivo da mudança? Preconceito, apenas. Sejamos como crianças que brincam nos parques e não dão a mínima para aquelas que são mais pobres ou ricas, se pretas, orientais ou brancas e se têm defeito físico ou não.

Ah os roses. Tão mal amados. Para os super iniciados rose não é mistura de branco com tinto. Segundo, temos dois tipos de roses, os que nasceram para serem roses, desde a videira até a garrafa e os roses de sangria.

Os primeiros facilmente encontráveis na Europa, principalmente no sul da França, como os roses de Tavel e  Bandol entre outras regiões da França e dos países mediterrâneos. Tratam-se de uvas tintas colhidas em tempos diferentes das uvas que produzirão vinhos tintos, como a Grenache. Ao serem maceradas as cascas ficam pouco tempo em contato com o mosto, assim temos os vinhos levemente rosados, secos e de acidez, as vezes marcante.

Já os roses de sangria são em geral os roses do novo mundo ou de países sem muita expressão neste estilo de vinho. As uvas tintas quando de seu início de fermentação ao crescer o mosto, retira-se parte dele, por sangria,aumentando a sua concentração.  Bem, esta sangria mais tarde dará origem aos roses. Argentina, Brasil e Chile produzem quase 100% de seus roses por este método.

Bem as razões de se beber rose são várias.

- É um vinho extremamente adaptável à culinária, à roda de amigos e as várias situações que temos uma multiplicidade de pratos para combinar com os vinhos.

- É um vinho agradável para se beber em qualquer época do ano e em qualquer clima.

- Em termos de harmonia com os pratos é um coringa.

- Com pratos orientais é imbatível, enfrenta qualquer situação com galhardia.

- É um vinho charmoso, desde os aromas até a cor.

- Não é um vinho feminino.

- Sua variedade de cores é divina, vai desde o casca de cebola até os quase tintos, passando pelos rosas pink.

Portanto, vá à luta, perca o preconceito e experimente um bom rose.

 





PRIMEIROS PASSOS – PARTE XX – ROSES E SEUS ESTILOS

21 11 2011

Há um rose para cada estilo, experimente e escolha o seu. Só não vale deixar de prová-lo.

Para lembrar há três formas de elaborar um rose.

A maceração carbônica onde as uvas não são esmagadas por prensa e sim pelo próprio peso da uva, desde modo cada baguinho de uva inicia seu processo de fermentação no momento certo de maneira muito lenta permitindo a concentração de aromas, açúcar e álcool no que resulta, ao final espetaculares roses. Técnica utilizada nos roses de Tavel.

O processo de sangria,  é usado nos roses do novo mundo ou de países sem muita expressão neste estilo de vinho. As uvas tintas quando de seu início de fermentação ao crescer o mosto, retira-se parte dele, por sangria, aumentando a sua concentração.  Bem, esta sangria mais tarde dará origem aos roses. Argentina, Brasil e Chile produzem quase 100% de seus roses por este método.

Por fim o contato com as cascas, técnica utilizada nos roses que nasceram para serem roses da videira à garrafa. As cascas das uvas tintas são mantidas em contato com o mosto. Quanto mais breve o contato mais leve será o rose.

Bem vamos aos estilos. Mas antes um recado a cor dos roses não quer dizer muito. Na verdade o rose não tem cor definida, vai desde os escuros, quase um Pinot Noir até os mais claros ao estilo casca de cebola. O que dá o tom ao rose é o processo de vinificação e as uvas utilizadas.

E lembre-se, a grande maioria dos roses são feitos para serem bebidos muito jovens.

No quesito rose, certamente a Provence, na França, dita o ritmo. A região produz roses de grande qualidade desde os tempos antigos. Mas não é só a Provence, de certo modo toda a região mediterrânea os elabora.

Os roses da Provence são em geral feitos pela dupla, Grenache e Cinsault. Possuem cor alaranjada chegando até um salmão bem claro. Leves, refrescantes e aromáticos são ideias para acompanhar uma roda de amigos, pratos leves ou um bom sanduíche. O GRANDE CHARME DESTES VINHOS É O DE  BEBÊ-LOS SEM COMPROMISSO.

Pensa que eles são muito leves e sem profundidade?

Passe para um Bandol. Reconhecida região na Provence para roses de elite. A diferença é a inclusão da Mouvedre, poderosa casta tinta do Mediterrâneo. Ela traz ao rose, corpo, volume e cor. Por falar em cor aqui temos um rose cor de morango chegando, em alguns casos, até quase a cor do Pinot Noir. Os aromas mudam bastante, aparecem com força a cereja, o morango e até mesmo cravos e pimentão.

Saindo da Provence chegamos ao Rhône sul, Tavel, a única região demarcada na França autorizada a produzir roses. Os roses são feitos das castas mediterrâneas, Grenache, Cinsualt, Clairette entre outras. São roses encorpados, volumosos, aromáticos lembrando especiarias.

Há, também, os roses do Languedoc Roussilon onde há a inclusão da Syrah e da Carignan gerando roses com aromas de especiarias.

Gosta de um estilo de rose mais seco e mineral? Não precisa sair da França. Vá para o Loire. Ali temos os roses de Anjou. São roses mágicos feitos de Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc e Gammay. Resultado? Um rose de médio porte, mais seco, mineral e com leve toque de acidez.

Saindo da França temos Argentinos, em geral feitos com a Malbec pelo método sangria. Roses mais adocicados e de cor mais escura.Os chilenos feitos com a Cabernet Sauvignon em geral mais secos e ácidos do que os argentinos. E os brasileiros, em geral mais leves e menos adocicados que os andinos.

Estados Unidos com a Zinfandel e a Austrália com a Grenache também produzem ótimos roses.

MAS, SINCERAMENTE A FRANÇA É, PARA MIM, O GRANDE PRODUTOR DE ROSES.

A Provence, terra de sol, praia e especiarias não poderia deixar de elaborar um vinho que fosse parceiro de sua culinária.

Mas repito, concordando ou não com este post  NÃO DEIXE DE APRECIAR UM ROSE.





VINHO ROSE E AS CORES DA PRIMAVERA

9 10 2011

Diz a mitologia grega que existia no início dos tempos  somente o verão e a primavera. Uma jovem de beleza única costumava passear pelos campos, seu nome? Perséfone. E não é que o Deus do  mundo subterrâneo, Hades, apaixonando-se raptou-a levando-a para o interior da Terra.

Sua mãe, Deméter, Deusa do casamento e das colheitas entristecida caiu em choro e saudade fizeram com que os frutos e flores perecessem fazendo com que a fome espalhasse sobre a Terra. Os homens, desesperados, pediram ajuda a Zeus.

Nesta difícil situação e sabendo que Hades, seu irmão, já havia casado com Perséfone, mas Zeus precisava interceder. Solução?   Perséfone ficaria 6 meses com a mãe, simbolizando a primavera e o verão e 6 meses com Hades, simbolizando o outono e inverno.

 Então primavera para mim é renascimento e cor. E lembrando de renascimento e cor a estação combina exatamente com o vinho rose.

Vinho de múltiplas cores dependendo da uva e técnica de vinificação é fresco, frutado, aromático e extremamente versátil. Combina muito bem com pratos orientais, frutos do mar e culinária que utilize de temperos variados, como a de Provence, França, seu berço e onde alcança vinhos de excelência máxima.

E há um rose para cada estilo, experimente e escolha o seu. Só não vale deixar de prová-lo.

Para lembrar há três formas de elaborar um rose.

A maceração carbônica onde as uvas não são esmagadas por prensa e sim pelo próprio peso da uva, desde modo cada baguinho de uva inicia seu processo de fermentação no momento certo de maneira muito lenta permitindo a concentração de aromas, açúcar e álcool no que resulta, ao final espetaculares roses. Técnica utilizada nos roses de Tavel, única região francesa autorizada a produzir somente roses.

O processo de sangria,  é usado nos roses do novo mundo ou de países sem muita expressão neste estilo de vinho. As uvas tintas quando de seu início de fermentação ao crescer o mosto, retira-se parte dele, por sangria, aumentando a sua concentração.  Bem, esta sangria mais tarde dará origem aos roses. Argentina, Brasil e Chile produzem quase 100% de seus roses por este método.

Por fim o contato com as cascas, técnica utilizada nos roses que nasceram para serem roses da videira à garrafa. As cascas das uvas tintas são mantidas em contato com o mosto. Quanto mais breve o contato mais leve será o rose.

Bem vamos aos estilos. Mas antes um recado a cor dos roses não quer dizer muito. Na verdade o rose não tem cor definida, vai desde os escuros, quase um Pinot Noir até os mais claros ao estilo casca de cebola. O que dá o tom ao rose é o processo de vinificação e as uvas utilizadas.

E lembre-se, a grande maioria dos roses são feitos para serem bebidos muito jovens.

No quesito rose, certamente a Provence, na França, dita o ritmo. A região produz roses de grande qualidade desde os tempos antigos. Mas não é só a Provence, de certo modo toda a região mediterrânea os elabora.

Os roses da Provence são em geral feitos pela dupla, Grenache e Cinsault. Possuem cor alaranjada chegando até um salmão bem claro. Leves, refrescantes e aromáticos são ideias para acompanhar uma roda de amigos, pratos leves ou um bom sanduíche. O GRANDE CHARME DESTES VINHOS É O DE  BEBÊ-LOS SEM COMPROMISSO.

Pensa que eles são muito leves e sem profundidade?

Passe para um Bandol. Reconhecida região na Provence para roses de elite. A diferença é a inclusão da Mouvedre, poderosa casta tinta do Mediterrâneo. Ela traz ao rose, corpo, volume e cor. Por falar em cor aqui temos um rose cor de morango chegando, em alguns casos, até quase a cor do Pinot Noir. Os aromas mudam bastante, aparecem com força a cereja, o morango e até mesmo cravos e pimentão.

Saindo da Provence chegamos ao Rhône sul, Tavel, a única região demarcada na França autorizada a produzir roses. Os roses são feitos das castas mediterrâneas, Grenache, Cinsualt, Clairette entre outras. São roses encorpados, volumosos, aromáticos lembrando especiarias.

Há, também, os roses do Languedoc Roussilon onde há a inclusão da Syrah e da Carignan gerando roses com aromas de especiarias.

Gosta de um estilo de rose mais seco e mineral? Não precisa sair da França. Vá para o Loire. Ali temos os roses de Anjou. São roses mágicos feitos de Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc e Gammay. Resultado? Um rose de médio porte, mais seco, mineral e com leve toque de acidez.

Saindo da França temos Argentinos, em geral feitos com a Malbec pelo método sangria. Roses mais adocicados e de cor mais escura.Os chilenos feitos com a Cabernet Sauvignon em geral mais secos e ácidos do que os argentinos. E os brasileiros, em geral mais leves e menos adocicados que os andinos.

Estados Unidos com a Zinfandel e a Austrália com a Grenache também produzem ótimos roses.

MAS SINCERAMENTE A FRANÇA É, PARA MIM, O GRANDE PRODUTOR DE ROSES.

A Provence, terra de sol, praia e especiarias não poderia deixar de elaborar um vinho que fosse parceiro de sua culinária.

 

Fiquem com este belíssimo vídeo de Gian Lorenzo Bernini, 1598-1680, sobre o rapto de Perséfone, estonteante é o mínimo que se pode dizer.

 








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