A Pinot Noir tem seu berço na Borgonha, França. Ali, como em nenhuma outra parte do mundo alcança seu esplendor. Na Borgonha divide espaço com a Chardonnay, fato que além de ser uma verdade tem muito tempo, dá a entender que aonde encontrarmos uma bom Chardonnay encontraremos um bom Pinot Noir. Mas sempre lembrando que a Chardonnay é muito mais flexível ao clima (mais quente ou mais frio) ao solo e as bruscas mudanças climáticas no final da maturação.
Na Borgonha o clima é muito instável, principalmente no verão, com constantes mudanças climáticas ao estilo muito sol ou mesmo chuvas de granizo. E, definitivamente, a Pinot Noir não gosta dos humores do clima.
É uma uva manhosa, mas quando bem trabalhada produz maravilhas. Que o diga o Romanée Conti, talvez o mais caro vinho varietal do mundo. Uva de casca fina, quantidade menor de taninos, produz um vinho muito sedoso, aromático e, em geral, de médio corpo, podendo ser um pouco mais potente dependendo de seu método de elaboração. Aceita estágio em barricas de carvalho, mas não muito.
Esta é uma das uva que eu mais gosto. Excelente para encontro com amigos, final de tarde com petiscos, sanduíches e pratos leves.
Venho procurando Pinot Noir brasileiros e tenho me saído bem. Este é uma confirmação de que estamos no caminho certo.
Este vinho comprei na Almaúnica em visita recente que fiz. Jovem vinícola estabelecida em Bento Gonçalves, Vale dos Vinhedos. Nos vinhos degustados estava este Pinot entre o Merlot, Syrah (grande novidade por estes lados), Cabernet Sauvignon e a Malbec.
Vejam a foto deste vinhedo na entrada da vinícola.
Como o outono chegou por aqui, um Pinot sempre cai bem.
Dos vinhos que apreciei o que mais me chamou a atenção foi este Pinot Noir.
Produzido no limite da concentração e barrica de madeira, para meu gosto, mas mesmo assim manteve a qualidade de um bom Pinot Noir. A sedosidade, aromas de morango e frutos vermelhos e corpo médio, este já tendendo para o concentrado.
Na boca, um vinho firme daqueles que enchem a boca. Final de gole bem forte, mais do que o estilo que estou acostumado nos Pinot Noir. A madeira no qual estagiou está bem presente o que faz dele um Pinot Noir, digamos, mais “bombado”.
Os proprietários e colaboradores da Almaúnica estão de parabéns. Trabalhar com a Pinot Noir não é fácil, eis que uma uva bastante sensível as mudanças climáticas, aliás, bastante comum na serra gaúcha.
Mas, sendo mais sério como este ou mais festeiro como os Pinot Noir mais frutados esta uva, necessariamente, me lembra uma boa conversa entre amigos, um encontro elegante e com boa música.
Este vinho foi muito bem com ela, she ou lei, como queiram, Charles Aznavour é mestre na interpretação.
Serra do Sudeste está aí, mais ao centro sul do Estado. A necessidade de novos terroirs levaram os produtores de vinho, tradicionalmente estabelecidos na serra gaúcha mais para o centro sul.
Região de altura média de 350 metros, solo pedregoso, invernos rigorosos e verões ensolarados mas amenos a noite nos trazem condições ideais para uvas tintas, em especial, e brancas como a Chardonnay.
Duas cidades se localizam acima dos 400 metros de altura, Encruzilhada do Sul, para onde migraram a maioria dos produtores de vinho e Piratini, mais ao sul.
Nesta região diferentes uvas estão sendo plantadas, como a Teroldego e Barbera e excelente adaptação da manhosa Pinot Noir e da Merlot.
Já havia comentado em posts anteriores ao falar da Angehben que suas uvas eram de videiras plantadas em Encruzilhada do Sul.
Agora vou recolocar duas matérias sobre a Vinícola Copetti Czarnobay, único produtor a vinificar suas uvas em Encruzilhada do Sul. Além de acreditar no produtor, faz questão de colaborar com o desenvolvimento da aprazível Encruzilhada do Sul.
Começamos com o Merlot.
Este vinho me fez lembrar os conceitos e preconceitos em relação ao vinho tinto no Brasil e a uva da qual foi feito.
A felicidade com este vinho começa com o nome: Alto das Figueiras. Sob a frondosa sombra da centenária Figueira certamente gerações passaram, com suas alegrias, esperanças, lutas e tristezas. Assim como é a vida dos produtores no Brasil. Não pensem que é fácil.
Depois o rótulo. Lindo e simples. Ele cumpre com perfeição sua função. No contra-rótulo importantes informações sobre o vinho a ser apreciado.
Mas e o vinho? Bem o vinho, 100% de Merlot, após ligeira oxigenação no decanter, logo abriu em aromas elegantes de ameixa e framboesa seguido de um leve toque de tostado resultado da madeira na qual estagiou.
Cor vermelho vivo, intenso sem ser tinto retinto. Na boca confirmou os aromas, firme, forte e elegante. Senti, apenas, o final de gole, sua persistência é ligeira. Faltou um pouco de arranque final. De qualquer sorte confirma a vocação do solo riograndense para a produção de Merlot.
Assim os conceitos que se firmam. Podemos sim fazer tintos de referência, principalmente os que se utilizam, em corte ou varietal, da Merlot. Encruzilhada do Sul, cada vez mais, firma-se como um das melhores regiões de uvas vínicas no Rio Grande do Sul.
Agora os preconceitos. Já dizia Einestein, mais fácil destruir um átomo do que um preconceito. Aqui começa com o vinho nacional, principalmente o tinto, afinal os espumantes já encontraram seu lugar ao sol. As pessoas pensam que o único vinho tinto que serve são os tintos retintos andinos, ao estilo arrasa quarteirão. Erro total. Cada terra e clima (terroir) produzem um estilo de vinho e este, junto com a culinária e a música são o exemplo da cultura de um povo, rincão, de um lugar. Aqui não é diferente, devemos compará-lo com outros vinhos tintos nacionais, caso contrário estaremos em erro. Comparar grandezas diferentes não é correto.
E este vinho, de médio corpo, aromático e muito bem conseguido está de mãos dadas com um assado de ovelha, típico da culinária de Encruzilhada do Sul.
Outro preconceito é a ideia de que a Merlot não produz grandes vinhos. Assim é a ideia porque nossos supermercados foram inundados com vinhos Merlot, principalmente chilenos, os reservados, de péssima qualidade. Ficou no imaginário que a Merlot não produz grandes vinhos.
A Merlot, junto com a Cabernet Franc e a Sauvignon, faz parte do famoso corte bordalês, responsável pelos caros vinhos de Bordeaux, França. A uva gosta de regiões de solos frios e climas umidos. Verão não muito quente e, principalmente frio a noite. Clima assim lembra o que? A região de Encruzilhada do Sul. Portanto, perfeitamente adaptada ao terroir local.
Não consegui deixar de pensar numa boa ovelha com este vinho. Esta ovelha quero apreciá-la em Encruzilhada do Sul com meus amigos.
Depois o Espumante.
Pois bem, este espumante foi produzido com uvas plantadas em Encruzilhada do Sul, até aí, sem novidade, eis que várias vinícolas do Rio Grande do Sul tem alguns anos plantam suas uvas por lá.
A primeira surpresa está que esta é a única que tem sua sede em Encruzilhada, desde sempre, e vinifica por lá seus vinhos, ao contrários das outras que transferem as uvas para serra gaúcha.
Encruzilhada do Sul, este amável município fica a menos de duas horas de carro a sudoeste de Porto Alegre. Está localizado na Serra do Sudeste que possui altura média de 300 a 400 metros de altura, sendo boa parte de seu solo de pedra, com invernos rigorosos e verões com excelente insolação. De dia muito sol e a noite a temperatura baixa consideravelmente.
A combinação de solo rochoso, dias ensolarados e noites frias, pela altura em que estão plantados os vinhedos, garantem, um lento amadurecimento das uvas, garantindo, assim, a fixação de aromas e sabores.
Este espumante ainda me reservou outras surpresas.
Elaborado em tanques de inox, pelo método Charmat longo, com Chardonnay, Merlot e Cabernet Sauvignon, estas duas tintas vinificadas em branco, isto é sem a casca o que os franceses chamam de blanc de noir, branco do preto. De cor amarelo esverdeado, típica dos melhores Chardonnay.
Mais uma surpresa, ao ser aberta explode em aromas de abacaxi, melão e pêssego, algo raro nos espumantes, pois as uvas são colhidas antecipadamente para garantir a acidez necessária para a vinificação do espumante, não tendo, então a fixação dos aromas.
A terceira surpresa fica por conta de um aroma sutil de nozes, algo que tem muito tempo não sentia nos Chardonnay.
A quarta surpresa está na cremosidade e untuosidade deste espumante, pois foi elaborado pelo métdodo Charmat, isto é, a segunda fermentação, necessária para a elaboração de um espumante, dando-se em tanques de inox, raramente possuem esta característica. A cremosidade está presente nos espumantes elaborados pelo método tradicional, segunda fermentação na garrafa e mesmo assim após alguns anos de descanso.
Fiquem com Wes Montgomery, para mim, um dos melhores na guitarra, isto que auto didata.
Na visita que fiz a vinícola Angheben, havia comentado com o Eduardo, o enólogo, que tinha registrado na minha memória sensitiva um grande espumante da Angheben que havia apreciado tempos atrás.
Pois bem, o amigo encontrou exemplares antigos e os colocou para gelar. No encontro abrimos um e levei outro, este da foto. Mas antes de falar sobre ele é impostante destacar que nós temos a sensação de que o espumante nos traz alegria, nos remete a festa e comemorações.
De certo modo não estamos errados. Eu apenas levo um pouco mais a sério. Gosto dos espumante que tem um estilo mais clássico, menos festeiros.
Este estilo de vinho tem origem nas abadias francesas. Falar de Champagne e não falar dos Monges é não falar deste vinho. As primeiras vinhas foram plantadas pelos Romanos. Na Idade Média, as pequenas cidades feudais viviam em função dos nobres e da Igreja.
Quer queiram quer não, a Igreja, nesta época, desenvolveu importante papel na sociedade. As Abadias, do latim Abattia deriva do aramaico Abba (Pai), eram verdadeiros oásis na selva que era a vida fora dos burgos e das áreas controladas pela Igreja.
Nos Mosteiros, Conventos e Abadias a vida seguia em segurança, algo como um condomínio fechado, se assim posso comparar, onde se desenvolvia a gastronomia, a cultura e, claro, o vinho.
Diz a lenda que o Monge Dom Perignon, meio sem querer querendo descobriu o método arcaico do Champenoise, qual seja, a segunda fermentação na garrafa.
Bem como dito a ligação entre Igreja e Monarquia era muito próxima, inclusive alguns Reis resolveram, por si, criar Igrejas ou mesmo serem um déspota iluminado, que o diga o Rei Sol, Luis XIV, os Champagnes logo ganharam os salões e se tornou sinônimo de vinho cheio de glamour.
Pois bem, este espumante não foi diferente, logo me lembrou uma boa música, um bom jantar e um deixa estar. Um oásis nesta vida tão conturbada que vivemos.
Um belo vinho para acompanhar um bailado.
A idade fez bem a este espumante. Ganhou seriedade e elegância. No nariz amêndoas ao invés do cítrico tradicional. Ao fundo o clássico cheirinho de padaria devido a fermentação. Na boca a elegância se mantém. Muita cremosidade e densidade. Ao contrário de uma certa aspereza dos espumantes mais novos.
A linha de bolinhas, o perlage que pode ser traduzido, na perfeição, como colar de pérolas, estava como devia ser, fino, com as bolinhas subindo com constância e levemente separadas uma das outras.
Realmente, um espumante fora de série, muito bem trabalhado e que a idade só fez foi melhorar. Pena que se foi, vamos esperar novas remessas, desde já estou na fila.
Aqui foi parceiro de uma salada de camarão.
Mas combinou melhor com a conversa e a música ao melhor estilo de Louis Armstrong.
Como disse a letra: Deve haver uma maneira de viver sem ti, mas eu ainda não encontrei.
Estes tempos apreciei o Pinot Noir 2010 da Angheben e minhas impressões estão em post anterior.
Desta feita abri um Pinot Noir do mesmo produtor, safra 2008. Além do tempo ter feito sua parte, o próprio vinho f o Pinot Noir foi vinificado com outra proposta.
O PInot 2008 muito mais sério e clássico. Menos fruta, mais concentração, mais força, mais imposição. Lembrando muitas vezes o estilo da Borgonha, da Borgonha, terra desta uva.
Já o Pinot Noir 2010, mais festeiro, mais Noir frutado e menos impositivo. Lembrando o estilo dos Pinot Noir de Casablanca, Chile e da Patagônia, Argentina.
Interessante a comparação para vermos o trabalho do enólogo que decide qual o estilo de vinho a ser produzido, apesar de terem sido feitos com a mesma uva e da mesma região.
Algo como duas versões de uma mesma música.
Ou o estilo clássico ou o moderno, mas a mesma música.
Pois bem, este é um belo vinho. Em conversa com o enólogo a ideia era produzir um vinho descompromissado, mas, ao mesmo tempo, feito com esmero e muito carinho.
E conseguiram.
O produtor dispensa comentários em razão do post anterior onde este blog apresentou a vinícola e seu ideal.
A uva, a Pinot Noir, tem seu berço na Borgonha onde divide as honras com a Chardonnay e alcança seu apogeu, nas suaves colinas da Cote D’Or, como Vougeot, foto abaixo.
Tem mais de 800 anos de história na Borgonha. Produz, entre outros, o famoso Domaine de la Romanée-Conti.
Uva manhosa com as alterações climáticas, de casca fina e poucos taninos, se dá muito bem onde estão as brancas Chardonnay e Sauvignon Blanc, em geral produz vinhos agradáveis, sedosos devido aos baixos taninos, frutada e aromática. Ideal para os dias menos quentes e vai muito bem com sanduíches, peixes com um pouco mais de gordura, massas e pratos mais leves.
Muitos torcem o nariz para a Pinot Noir, por não ser ela estilo tinto retinto com muita madeira. Assim acham o vinho leve e frutado. E é exatamente este o seu charme.
Este vinho é exatamente assim. Descompromissado, mas sem perder a elegância e a qualidade. O esmero com que foi feito está presente em cada gole. De cor vermelho claro e translúcido. Nariz frutado lembrando morango e compota de amoras. Na boca, médio corpo e sedoso. Como não é um vinho impositivo é ideal reunir amigos.
Difícil entender aqueles que somente entendem o vinho tinto como sendo retinto e com muito madeira.
É um Vinho envolvente como este jazz de Charlie Parker e Coleman Hawkins
Na série a Saga do Vinho Brasileiro, além de falar da história e regiões que produzem vinho, escreverei, entremeando, as vinícolas e/ou os vinhos brasileiros que gosto.
E resolvi escrever sobre vinho brasileiro ante a discussão que campeia os meio vínico nacional, seja entre os homens da lei, seja entre os amantes do vinho, os profissionais do vinhos, restaurantes e os blogueiros, que é a questão da salvaguarda aos vinhos importados. Muito barulho até agora, com boicotes e ranger de dentes, mas de concreto me parece que a máxima do dividir para comandar está vigendo. O mundo brasileiro do vinho está, hoje, dividido.
Bem, mas a Vinícola Angheben foi fundada por Idalêncio Angheben, cuja biografia sempre se confundiu com a história moderna do vinho no Rio Grande do Sul, maior Estado brasileiro produtor e onde, de fato tudo iniciou.
Professor, orientador e motivador do moderno vinho nacional, Angheben foi um dos primeiros enólogos a sair das salas de aula e a estudar o terroir (leia-se clima + solo) para esta ou aquela uva. Forte trabalho foi feito em tempos passados com a Cabernet Franc, que penso se adpata perfeitamente ao solo úmido e frio da serra gaúcha, mas hoje um pouco sumida.
O sonho de pioneirismo e de amor ao vinho foi passado ao seu filho, Eduardo Angheben, que hoje está no timão da vinícola, produzindo vinhos artesanais, os chamados vinhos de garagem, uvas selecionadas, produção liliputiana e preços acessíveis. Veremos.
Inspirados por esta luz e paisagem da foto acima, o pessoal da Angheben abre as portas da vinícola, todos os dias, para que possamos usufruir de suas preciosidades.
Mas e o minimalismo? Bem na arte é conhecido o minimalismo como o máximo no mínimo. O máximo da arte no mínimo dos traços. Quando abre seu atelier, a Angheben produz o máximo em vinhos no mínimo espaço, equipamentos e pessoas envolvidas.
As fotos adiante assim dizem:
Da única prensa, passando por alguns tanques de inox para a fermentação até estas barricas e terminou o atelier do Eduardo Angheben.
Quanto aos vinhos a Angheben optou por trabalhar de modo artesanal, fugindo a toda espécie de globalização, seja no estilo dos vinhos, na sua comercialização ou nas uvas.
As uvas utilizadas são: A branca Gewurtztraminer, original do Alto Ádige, ao lado do Veneto, de onde vieram a esmagadora maioria dos imigrantes italianos que se instalaram na serra gaúcha, as tintas, Barbera, Piemonte) Pinot Noir (Borgonha), Cabernet Sauvignon (Bordeaux), a Teroldego (Veneto) e a Touringa Nacional (Portugal).
O estilo dos vinhos é sempre no sentido de respeitar o terroir de Encruzilhada do Sul, mais ao centro sul do Rio Grande do Sul. Clima mais frio nas nas noites de verão ao final da maturação, aliado ao sol, figura mais constante que na serra, fazem com que as uvas tenham um amadurecimento mais lento fixando melhor, cor, açúcares e aromas. Somado ao estilo de vinho estas uvas trazem.
NADA DE GLOBALIZAÇÃO.
Mas não pensem que é fácil andar na contra-mão. Ser minimalista num mundo absolutamente globalizado em estilo e ideias é complicado. Hoje muitos não enxergam amor no que fazem mas simplesmente dinheiro. Preferem mais quantidade do que qualidade, preferem o igual ao diferente, uvas pouco conhecidas e estilos de vinhos também fora do tinto retinto cheio de madeira parece loucura. E é, loucura saudável e necessária. Mas é preciso ser sensível e sonhador.
Pessoal da Angheben, só me prometam uma coisa, não mudem jamais, sob pena de deixar órfão, tanto o editor deste blog, como uma legião de consumidores fiéis.
Fiquem com o poeta da alma, Fernando Pessoa: Matar o sonho é matarmo-nos. É mutilar a nossa alma. O sonho é o que temos de realmente nosso, de impenetravelmente e inexpugnavelmente nosso.
E com outro sonhador Raul Seixas, que muito sofreu em ser “louco” saudável.
O Alto Adige, junto com Veneza e Veneza Giulia formavam o reino de Veneza as três venezas, a trentina, Veneza e a Giulia, hoje Friuli. Ficam no extremo norte da Itália.
O Alto Adige, também chamado de Süd Tirol durante muitos anos terra austríaca. É também a Itália bilíngue, ali o alemão e o italiano são línguas oficiais.
Região montanhosa, ali ficam as famosas Dolomitas que durante a segunda guerra mundial tirou vidas de muitos soldados, mas também de inúmeros vales com o clima indo dos Alpes até as planícies perto do Mediterrâneo.
Vários climas e micro-climas pela região montanhosa temos vários estilos de vinhos e uvas. Cada qual com seu lugar preferido.
Os brancos desta região são adoráveis e, para mim, estão na elite mundial. As uvas são:
GEWÜRTZTRAMINER: Que diziam ser da Alsácia, França, na verdade é nativa do Alto Adige, inclusive há uma vila com o nome de Termeno (Traminer na língua tedesca-alemã). E como Gewürtz significa tempero, temos a temperada de Traminer. Uva banca de casca vermelha produz vinhos que vão do aromático – floral até o frutado, são vinhos, em geral, de média acidez e um pouco mais adocicados. Os estilos variam de vinhos tranquilos até os colheita tardia.
PINOT BLANC: Trazida da Áustria é uma uva elegante com aromas de maçã verde e um pouco herbácea. Dá-se muito bem no Süd Tirol.
PINOT GRIGIO: Junto com a Gewürtztraminer formam a dupla de ouro do Alto Adige. Mesma uva que leva o nome de Pinot Gris na Alsácia, mas estilos, em face do terroi completamente difernentes. Se na Alsácia ganha conotações semelhantes a Gewürtztraminer, aqui acidez e frescor marcantes. Aromas herbáceos e na boca mineralidade bem demarcada.
Depois temos a onipresente Chardonnay, a Veltiner da vizinha Áustria, a Rieling e a Muscat amarela a Moscato Giallo, sim, a mesma que encontramos aqui no Brasil. Uva aromática vinda da Grécia pelas Legiões Romanas e muito utilizada em vinhos de sobremesa.
Já nas tintas temos:
LAGREIN: Uma das grandes uvas tintas nativas do Alto Adige. Junto à cidade de Bolzano produz tintos de forte presença e elegância. Muito parecida com a Pinot Noir em termos de taninos e sedosidade. No nariz aromas de morangos e cereja, na boca um vinho extremamente agradável.
SCHIAVA: Ou na tradução, escrava, uma tinta utilizada no vinho chamado Santa Madalena.
PINOT NOIR: A grande uva tinta do Alto Adige. Nativa da Borgonha, França, o frio faz bem para a Pinot Noir e aqui ela encontra um lar adotivo perfeito. Os melhores exemplares se equiparam aos bons Pinot da bBorgonha.
A rica Lombardia, além das paisagens de tirar o fôlego tem um segredo. A pequena região de Franciacorta perto de da cidade de Brescia que seguramente produz um dos melhores spumanti do mundo.
A fria região sempre foi produtora de vinhos, mas o sucesso dos espumantes remonta algumas décadas atrás. O nome Franciacorta oriundo de Corte Franca em razão de nos idos tempos estar nas mãos de Monges Beneditinos que exigiam uma taxa para que se pudesse circular na região. Alguns rótulos de espumantes e vinhos possuem o nome italiano de Curtefranca.
O rumo para a produção de espumantes de qualidade internacional iniciou quando o winemaker Franco Zilani na dácada de 50 iniciou a produção deste vinho pelo método tradicional, isto é, a segunda fermentação na garrafa. Depois outro produtor, os proprietários da Casa do Bosque, Ca’ del Bosco implementou técnicas modernas de condução das videiras desenvolvendo ainda mais o espumante produzido com a Pinot Blanc, Chardonnay e Pinor Noir. Produção muito limitada são verdadeiras jóias engarrafadas.
Repito quem estiver a frente de um espumante de Franciacorta não hesite pode comprá-lo porque é unanimidade mundial.
A região também é produtora de vinhos brancos das castas Chardonnay, Pinot Blanc e algo ínfimo de Sauvignon Blanc. Em termos de tintos sempre em regiões frias destacam-se a Pinot Noir, Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon, Merlot e as italianas Barbera e Nebbiolo. São vinhos muito bons, mas para mim muito distante dos spumanti estes sim da eilite mundial das borbulhas.
O outono se aproxima do hemisfério sul. Aqui no Rio Grande do Sul, por volta do paralelo 30, os dias já começam a ficar mais curtos. As noites mais frias e a luminosidade solar muda.
No hemisfério norte, começa a primavera. Países mais ao norte, depois de um longo e rigoroso inverno começa a primavera.
Combinação perfeita é um passeio nos parques, praias, enfim, ao ar livre com vinhos e comida.
Mas espera, qual comida se não podemos levar fogões, refrigeradores e outros equipamentos? O velho e bom sanduíche. Quem sabe um pic-nic?
Bem o acompanhamento ideal é o sanduíche.Aceita múltiplas opções.
O nome sanduíche vem de um aristocrata inglês, John Montagou, Earl of Sandwch, inveterado jogador de cartas não queria sair da mesa de jogo,muito menos comer em pratos. Daí pediu aos seus valetes que trouxessem um pedaço de carne com duas fatias de pão. Pronto, logo ganhou seguidores e o nome ficou para sempre.
Mas quais vinhos combinam com quais sanduíches.
Primeiro os ingredientes básicos para várias versões de sanduíches. Eu gosto de rúcula, presento cru, maçã verde, mostarda Dijon, mortadela, lombo de porco defumado, embutidos e defumados.
Os vinhos, certamente, serão desde os brancos passando pelo rose até chegar nos tintos com pouco tanino, algo como um Gammay (Beaujolais) ou um Pinot Noir.
Eu combinaria assim, sanduíches com gordura, seja das carnes ou de molhos com os brancos passados por barrica, Chardonnay oak ou um tinto frutado.
Sanduíches a base light, sem gordura e com muitos vegetais, certamente um branco mineral sem madeira. Riesling, Chenin Blanc, Muscadet, entre outros.
Sanduíches com embutidos, defumados, mostardas temperadas ou presunto cru com frutas, certamente os roses.
Assim, com boas combinações podemos aproveitar bem estes momentos.
A região central do vale do Loire é responsável pelos tintos da região.
As apelações de Chinon, Bourgueil e Saint Nicolas-de-Borgueil. São tintos de médio corpo, frutados, jovens e refrescantes. Produzidos com a Cabernet Franc. Seu estilo lembra os vinhos do mediterrâneo. Tem, claro, suas exceções.
Chinon é a maior das três apelações e está às margens do Loire e de seu afluente Vienne.
Ao leste da cidade principal, Tours, estão as apelações de Vouvray e Montlouis. Ali nasce a maravilhosa Chenin Blanc, extremamente versátil, produz vinhos branco de corpo médio, jovens, alegres, de acidez média, frutados e aromáticos. Produz, vinhos secos, semi-doces, doces e espumantes.
Vai muito bem na África do Sul e na Argentina. Quem quiser saber mais sobre a Chenin Blanc veja http://wp.me/pPKW2-f7
Mas , sem dúvida alguma os Chenin Blanc de Vouvray, são vinhos ímpares.
No vídeos todos os tipos de vinhos que a região central do Loire tem: Tinto, rose, branco e crémant.
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