FAUSTO PIZZATO ROSE 2011 – SEM ARREPENDIMENTO

2 06 2012

Este é o rose de Merlot daPizzato produzido no Vale dos Vinhedos em Bento Gonçalves, Brasil.

Sem arrependimento um belo vinho. E é um rose.

Ah os roses. Tão mal amados. Ouve-se coisas horríveis do rose. Para os super iniciados rose não é mistura de branco com tinto. Segundo, temos dois tipos de roses, os que nasceram para serem roses, desde a videira até a garrafa e os roses de sangria.

Os primeiros, facilmente encontráveis na Europa, principalmente no sul da França, como os roses de Tavel e  Bandol entre outras regiões da França mediterrânea. Tratam-se de uvas tintas colhidas em tempos diferentes das uvas que produzirão vinhos tintos, como a Grenache. Ao serem maceradas as cascas ficam pouco tempo em contato com o mosto, assim temos os vinhos levemente rosados, secos e de acidez, as vezes marcante.

Já os roses de sangria são em geral os roses do novo mundo ou de países sem muita expressão neste estilo de vinho. As uvas tintas quando de seu início de fermentação ao crescer o mosto, retira-se parte dele, por sangria,aumentando a sua concentração.  Bem, esta sangria mais tarde dará origem aos roses. Argentina, Brasil e Chile produzem quase 100% de seus roses por este método.

Bem, as razões de se beber rose são várias.

- É um vinho extremamente adaptável à culinária, à roda de amigos e as várias situações que temos uma multiplicidade de pratos para combinar com os vinhos.

- É um vinho agradável para se beber em dias mais amenos.

- Em termos de harmonia com os pratos é um coringa.

- Com pratos orientais é imbatível, enfrenta qualquer situação com galhardia. E melhor companhia para carne de porco.

- É um vinho charmoso, desde os aromas até a cor.

 Mas muitos consumidores ainda tem resistência de comprá-los.  Resistência duplicada quando se trata de um rose brasileiro. Mas, sem arrependimentos um vinho muito bom.

Este com a tradicional cor de casca de cebola, que eu gosto muito.

É um rose de Merlot. Álcool educadíssimo, 12,5 %, algo raro hoje em dia. Nariz um pouco fechado, mas com um agradável aroma de melancia e morangos. Na boca acidez marcante, muito diferentes do que pensam alguns que imaginam o rose como um vinho doce. Médio corpo e final de gole persistente.

Um vinho feito com o esmero de uma vinícola que preza pelo cuidados aos seus vinhos e não tem uma produção desmedida. Mesmo assim, um preço bem razoável para a qualidade do vinho.

Está de parabéns a Pizzato. Prova de que o Brasil pode fazer belos vinhos. Podem comprá-lo sem arrependimento.

Hoje, parceiro de uma costela de porco com geleia de amoras, sem açúcar da Casa de Madeira, também, de Bento Gonçalves.

A costela de porco cada um asse do jeito que quiser, para a calda de amora,

200 gramas de geléia de amora, 100 ml de vinho do Porto mais 100 ml de água.

Por fim, a inesquecível Edith Piaf, sem arrependimentos.





ANGHEBEN MERLOT 2000 – UM BOM VELHINHO

25 05 2012

Eis um bom velhinho. Na visita que fiz ao Eduardo Angheben havia comentado que penso ser a Merlot nossa grande uva ícone.

O Rio Grande do Sul tem todas as condições de desenvolvê-la. É uma uva que adapta-se, maravilhosamente bem ao clima frio e de pouco sol no verão. Gosta de solos arenosos e úmidos, condições que lembram seu berço, o lado direito do Gironde, em Bordeaux, França.

Sabe-se que Pomerol, Saint Emilion e Fronsac, são as melhores regiões da margem direita do estuário Gironde e do rio Dordogne. Ali as melhores uvas são a Merlot e a Cabernet Franc em detrimento de uma menor quantidade no corte da Cabernet Sauvignon.

Vejam a foto da Merlot no Chateau Petrus

Arenoso até onde pode.

Tratando-se de vinhos mais velhos tudo o que é sólido desmancha no ar. Todos os nossos conceitos evaporam quando estamos diante de um vinho antigo que não foi projetado para tanto.

Não estamos diante dos grandes europeus, estilo Barolo, Barbaresco, Aglianico, entre outros que foram feitos para serem apreciados com o mínimo de 10 anos de garrafa.

Vamos pela rolha que cumpriu seu trabalho por 12 anos, PERFEITA.

Não tem nenhum vazamento. Diga-se que a função da rolha, além de vedar, é manter a micro-oxigenação do vinho, um corpo vivo, disse micro-oxigenação, portanto, lenta e constante. Se houver vazamento o vinho  muito provavelmente se tornou vinagre.

Como tem  vinho que aguenta a super oxigenação, a cor de um vinho mais velho é essencial. Se tiver o centro ou as borda cor de tijolo, no caso dos tintos, e amarelo escuro nos brancos, o vinho está oxidado, morreu.

Vejam a linda cor deste Merlot de 12 anos

Terceiro passo, é a necessidade de decantar. Cuide, um vinho muito antigo que não foi projetado para esta idade, como este, não pode ser decantado. Se um velhinho correr ele morre.

Este vinho foi uma grata surpresa. Estava, tanto na vinícola como em casa, maravilhoso. Nariz mais fechado que os mais novos, mas ainda assim com boa dose de , aromas de amoras e frutos vermelhos. A cor é só ver a foto acima vermelho translúcido, muito diferente dos tintos retintos de hoje em dia. Na boca um vinho europeu, isto é, elegante, álcool na medida educada, 12 G/L. Leve acidez muito convidativa para um bom prato de massa com molho vermelho.

Um vinho que me surpreendeu, pela idade e pela jovialidade e vitalidade.

Assim como o meu amigo BB King, amigo de muitos momentos. Apesar da idade atual como poucos.





MAPA DO VINHO PARTE 99 BRASIL RIO GRANDE DO SUL SERRA DO SUDESTE

24 05 2012

Serra do Sudeste está aí, mais ao centro sul do Estado. A necessidade de novos terroirs levaram os produtores de vinho, tradicionalmente estabelecidos na serra gaúcha mais para o centro sul.

Região de altura média de 350 metros,  solo pedregoso, invernos rigorosos e verões ensolarados mas amenos a noite nos trazem condições ideais para uvas tintas, em especial, e brancas como a Chardonnay.

Duas cidades se localizam acima dos 400 metros de altura, Encruzilhada do Sul, para onde migraram a maioria dos produtores de vinho e Piratini, mais ao sul.

Nesta região diferentes uvas estão sendo plantadas, como a Teroldego e Barbera e excelente adaptação da manhosa Pinot Noir e da Merlot.

Já havia comentado em posts anteriores ao falar da Angehben que suas uvas eram de videiras plantadas em Encruzilhada do Sul.

Agora vou recolocar duas matérias sobre a Vinícola Copetti Czarnobay, único produtor a vinificar suas uvas em Encruzilhada do Sul. Além de acreditar no produtor, faz questão de colaborar com o desenvolvimento da aprazível Encruzilhada do Sul.

Começamos com o Merlot.

Este vinho me fez lembrar os conceitos e preconceitos em relação ao vinho tinto no Brasil e a uva da qual foi feito.

A felicidade com este vinho começa com o nome: Alto das Figueiras. Sob a frondosa sombra da centenária Figueira certamente gerações passaram, com suas alegrias, esperanças, lutas e tristezas. Assim como é a vida dos produtores no Brasil. Não pensem que é fácil.

Depois o rótulo. Lindo e simples.  Ele cumpre com perfeição sua função. No contra-rótulo importantes informações sobre o vinho a ser apreciado.

Mas e o vinho? Bem o vinho, 100% de Merlot, após ligeira oxigenação no decanter, logo abriu em aromas elegantes de ameixa e framboesa seguido de um leve toque de tostado resultado da madeira na qual estagiou.

Cor vermelho vivo, intenso sem ser tinto retinto. Na boca confirmou os aromas, firme, forte e elegante. Senti, apenas, o final de gole, sua persistência é ligeira. Faltou um pouco de arranque final. De qualquer sorte confirma a vocação do solo riograndense para a produção de Merlot.

Assim os conceitos que se firmam. Podemos sim fazer tintos de referência, principalmente os que se utilizam, em corte ou varietal, da Merlot. Encruzilhada do Sul, cada vez mais, firma-se como um das melhores regiões de uvas vínicas no Rio Grande do Sul.

Agora os preconceitos. Já dizia Einestein, mais fácil destruir um átomo do que um preconceito. Aqui começa com o vinho nacional, principalmente o tinto, afinal os espumantes já encontraram seu lugar ao sol. As pessoas pensam que o único vinho tinto que serve são os tintos retintos andinos, ao estilo arrasa quarteirão. Erro total. Cada terra e clima (terroir) produzem um estilo de vinho e este, junto com a culinária e a música são o exemplo da cultura de um povo, rincão, de um lugar. Aqui não é diferente, devemos compará-lo com outros vinhos tintos nacionais, caso contrário estaremos em erro. Comparar grandezas diferentes não é correto.

E este vinho, de médio corpo, aromático e muito bem conseguido está de mãos dadas com um assado de ovelha, típico da culinária de Encruzilhada do Sul.

Outro preconceito é a ideia de que a Merlot não produz grandes vinhos. Assim é a ideia porque nossos supermercados foram inundados com vinhos Merlot, principalmente chilenos, os reservados, de péssima qualidade. Ficou no imaginário que a Merlot não produz grandes vinhos.

A Merlot, junto com a Cabernet Franc e a Sauvignon, faz parte do famoso corte bordalês, responsável pelos caros vinhos de Bordeaux, França. A uva gosta de regiões de solos frios e climas umidos. Verão não muito quente e, principalmente frio a noite. Clima assim lembra o que? A região de Encruzilhada do Sul. Portanto, perfeitamente adaptada ao terroir local.

Não consegui deixar de pensar numa boa ovelha com este vinho. Esta ovelha quero apreciá-la em Encruzilhada do Sul com meus amigos.

Depois o Espumante.

Pois bem, este espumante foi produzido com uvas plantadas em Encruzilhada do Sul, até aí, sem novidade, eis que  várias vinícolas do Rio Grande do Sul tem alguns anos plantam suas uvas por lá.

A primeira surpresa está que esta é a única que tem sua sede em Encruzilhada, desde sempre, e vinifica por lá seus vinhos, ao contrários das outras que transferem as uvas para serra gaúcha.

Encruzilhada do Sul, este amável município fica a menos de duas horas de carro a sudoeste de Porto Alegre. Está localizado na Serra do Sudeste que possui altura média de 300 a 400 metros de altura, sendo boa parte de seu solo de pedra, com invernos rigorosos e verões com excelente insolação. De dia muito sol e a noite a temperatura baixa consideravelmente.

A combinação de solo rochoso, dias ensolarados e noites frias, pela altura em que estão plantados os vinhedos, garantem, um lento amadurecimento das uvas, garantindo, assim, a fixação de aromas e sabores.

Este espumante ainda me reservou outras surpresas.

Elaborado em tanques de inox, pelo método Charmat longo,  com Chardonnay, Merlot e Cabernet Sauvignon, estas duas tintas vinificadas em branco, isto é sem a casca o que os franceses chamam de blanc de noir, branco do preto. De cor amarelo esverdeado, típica dos melhores Chardonnay.

Mais uma surpresa, ao ser aberta explode em aromas de abacaxi, melão e pêssego, algo raro nos espumantes, pois as uvas são colhidas antecipadamente para garantir a acidez necessária para a vinificação do espumante, não tendo, então a fixação dos aromas.

A terceira surpresa fica por conta de um aroma sutil de nozes, algo que tem muito tempo não sentia nos Chardonnay.

A quarta surpresa está na cremosidade e untuosidade deste espumante, pois foi elaborado pelo métdodo Charmat, isto é, a segunda fermentação, necessária para a elaboração de um espumante, dando-se em tanques de inox, raramente possuem esta característica. A cremosidade está presente nos espumantes elaborados pelo método tradicional, segunda fermentação na garrafa e mesmo assim após alguns anos de descanso.

Fiquem com Wes Montgomery, para mim, um dos melhores na guitarra, isto que auto didata.





MAPA DO VINHO PARTE 97 BRASIL RIO GRANDE DO SUL

18 05 2012

No mapa o Rio Grande do Sul é este Estado brasileiro mais ao sul deste país continental. Fronteira com Argentina e Uruguai.A população, na sua maioria, uma mescla de portugueses, alemães, italianos, espanhóis, índio e negros.

Mas foram os imigrantes italianos que iniciaram o cultivo das vinhas. Os imigrantes italianos que vieram, por volta de 1870, para o sul do Brasil são oriundos do norte da Itália, basicamente do Veneto. Nomes como Nova Vicenza, Nova Trento, Nova Pádua (Padova), entre outros são muito comuns por aqui.

Como a imigração italiana foi posterior a alemã sobraram as terra mais altas na serra gaúcha.

Lá iniciaram o plantio das primeiras vinhas, certamente com as uvas tradicionais do Veneto. Hoje, alguns produtores, estão iniciando o replantio destas castas, como a Teroldego, por exemplo.

Outro período interessante de ser destacado foram os anos 70 e 80 com a chegada das multinacionais das bebidas, como Martini e Rossi, Chandon, Almadén, Heublein e outras.

Estas empresas vieram para produzir o espumante. Já tem tempo que sabe-se que o terroir (clima + solo) da serra gaúcha é especial para este tipo de vinho.

E com elas os primeiros enólogos importados, como Adolfo Lona e Mario Geisse que uniram-se a enólogos como Idalencio Angheben.

Assim começou a revolução nos sistemas de plantios e investimentos na produção e aprimoramento das uvas.

Outra fase importante foi a abertura do mercado brasileiro e internacional, iniciou-se a chamada globalização.

Mais mudanças, agora mais radicais. Aqueles que plantavam uvas para serem entregues às multinacionais, agora começam a sua produção de vinhos. Vinícolas conhecidas como A Valduga, Dom Cândido, Miol, Cave  Geisse, iniciam suas atividades de elaboração de vinhos próprios para o mercado interno e externo.

Por fim, três regiões em Bento Gonçalves estão bem definidas, inclusive duas com denominação de origem: Vale dos Vinhedos, a mais famosa e a primeira a conseguir sua denominação, Pinto Bandeira, a segunda denominação e Faria Lemos. No Vale dos Vinhedos, vinícolas como Angheben, Dom Laurindo, Miolo, Pizzato, Valduga, Almaúnica e outras, em Pinto Bandeira, Cave Geisse, Dom Giovani e Valmarino. Em Faria Lemos a Dal Pizzol, a mais famosa.

Hoje, existem vinícolas e vinhos para todos os gostos. Desde as pequenas com sua produção de garagem até gigantes como a Miolo. Em termos de vinhos, o espumante brasileiro já tem fama mundial pela sua excelência.

Quanto às uvas, as tintas, Merlot (para mim a grande uva tinta da serra) a Cabernet Sauvignon e, em escala bem menor, ainda não sei porque, a Cabernet Franc.

Nas brancas, a onipresente Chardonnay e em menor quantidade a  Sauvignon Blanc, não sem esquecer aquela que, para mim, é a uva ícone da serra gaúcha a Riesling Itálica, presente, em boa quantidade, na maioria dos espumantes ali produzidos.

Mas temos vinhos, também, para todos os gostos, desde os mais simples e produzidos em grande escala até os de produção limitada e lapidados com muito carinho, façam suas escolhas.

Nos próximos posts algumas vinícolas, fotos e vinhos de Bento Gonçalves.

Como estamos a falar do Rio Grande do Sul, nada como nosso payador (menestrel)  maior, Jaime Caetano Braun.





A SAGA DO VINHO BRASILEIRO

6 05 2012

Primeiro toma uma taça de Chardonnay que vamos conversar, numa série de posts sobre o vinho brasileiro. E ele não se resume ao espumante que já é um vinho reconhecido internacionalmente.

A produção não fica só nas bolinhas. Temos vinhos brancos, roses e tintos de grande qualidade. Temos, como em qualquer outro lugar no mundo, vinhos simples ou ainda, vinhos caros de duvidosa qualidade.

Em época de estudos de salvaguarda aos vinhos importados, uma medida protecionista do governo brasileiro que, por enquanto, causou mais barulho do que resultado. Este blogueiro resolveu publicar a saga do vinho nacional e dos pequenos e preciosos produtores, que estão a esmerar-se na excelência de seus produtos com muita tecnologia, descoberta de terroir específico para cada uva e alguns com produção limitada.

Regiões como o vale do São Francisco, serra catarinense, serra do sudeste e campanha, no Rio Grane do Sul, entre outras, começam a investir pesadas somas para alcançar e colocar no mercado vinhos excelentes.

A uva Merlot já tem encontrado lugar seguro no Rio Grande do Sul.

Os brancos que tenho apreciado um melhor do que o outro. A Sauvignon Blanc já produz vinhos de qualidade mundial na serra catarinense. A Chardonnay no Rio Grande do Sul já é uma certeza absoluta de vinho agradável.

O que se precisa quebrar é este preconceito contra o vinho nacional. Assim como outras regiões produtoras de vinho, a uva, desde a videira, está sendo, para usar uma palavra da moda, repaginada, para garantir vinhos interessantes. Mais, muitos produtores estão optando por produção limitada de seus vinhos o que os tornam verdadeiras joias engarrafadas. Mas como é vinho nacional muitos consumidores não conseguem enxergar esta qualidade e singularidade a de se produzir poucas garrafas a cada safra.

Vamos falar da Angheben e seu vinhos de garagem, por exemplo, o vinho com a uva piemontesa Barbera, de produção limitada. Dito aqui poucos se importam. Mas, , se fosse vinho estrangeiro já estariam a falar, pessoal comprei um vinho cujo produtor só colocou pouquíssimas garrafas no mercado.

Mas não cometam o erro de muitos de compará-lo com vinhos estrangeiros, as vezes de outras uvas e certamente outros terroir. Vamos compará-los aos seus iguais. Vinhos brasileiros se compra com vinhos brasileiros e ponto final.

Claro que tem aqueles produtores que já estão vendendo vinho nacional a preços proibitivos a maioria dos bolsos brasileiros, mas estes são um capítulo a parte. Vamos nos concentrar em deixar de lado preconceitos e apreciar, comprar, conversar e saber um pouco mais da luta deste produtores para lançar no mercado seus vinhos.





VILLA ANTINORI – SANGIOVESE, MAGIA DO SANGUE DE JUPITER

21 04 2012

 

Toscana, terra dos etruscos, de Leonardo da Vinci, do renascimento, de Florença, uma das mais belas cidades do mundo, dos Chianti, dos super toscanos, localizada no centro norte do pais e berço de uma das mais emblemáticas uvas do mundo, a Sangiovese a sangue de Júpiter.

Casta plantada no centro da Itália, produz vinhos forte e tânicos e quando bem feitos vinhos inesqucíveis. É de um cone dela que são produzidos o Brunello de Montalcino. Quanto a produtor a família produz vinhos a 600 anos, apenas.

Este vinho, Villa Antonori é produzido deste 1928.

Quem quiser saber mais www.antinori.it

Este Villa Antonori á um corte com 55%  Sangiovese, 25% Cabernet Sauvignon, 15% Merlot e 5% Syrah.

A família Antinori produz vinhos desde 1.400, segundo o site. Novos no ramo, diria eu. Este vinho é único, preço na média para a sua qualidade. Apresenta-se vermelho rubi. Um vermelho brilhante e intenso. No nariz, depois de estagiar no decanter por 1 hora no nariz, amoras e cheiro de terra. Na boca volumoso, levemente ácido e com taninos bem vivos, a rústica Sangiovese que eu espero.

Final e boca prolongado e muito bom. Um gole pede outro.





MAPA DO VINHO PARTE 72 ITÁLIA TOSCANA E OS SUPER TOSCANOS

8 03 2012

Bolgheri, Maremma, IGT, Super Toscano, hoje são palavras e nomes mais familiares, mas a uma década atrás, não eram. A revolução foi tal que Bolgheri e Maremma no litoral da Toscana passaram de vilas simples e esquecidas para a elite mundial de vinhos.

Graças aos vinhedos de Merlot, Syrah, Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc, sim castas   “francesi” em plena Itália.

ara mim falar sobre vinho é falar com paixão e alma. Não consigo entender o vinho como algo fechado em si, reduzido a pontuações deste ou daquele formador de opinião.

 Sabia da existência dos Super Toscanos mas o interesse em conhecê-los a fundo era distante. Mas depois que me tornei um leitor do Nossovinho, e seguidamente ler as palavras e juras de amor que o Paulo, postou meu interesse foi aumentanto. Quando ele escreve sobre os Toscanos derrama amor nas palavras. São vinhos tratados como amigos inseparáveis. Pensei que mundo estaria perdendo?  Um mundo de elegância, charme, presença e sedução.

Tal como esta enoteca em Bolgheri.

Mas e a revolução? Bem ela começa com a plantação das videiras de Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc e Merlot, castas sabidamente bordalesas e francesas. Algo que os italianos puristas jamais pensariam. Como plantar castas francesas em solo italiano? Nem pensar.

Aí para fugir das rígidas regras aplicadas à região da Toscana, mais precisamente ao seu vinho mais famoso, o Chianti, visionários, iniciaram o plantio das uvas bordalesas. No início esta ideia era vista com total desconfiança. Primeiro porque eram castas estrangeiras, depois porque plantadas numa região muito perto do mar e, por fim, para produzir vinhos que não eram a vocação da Toscana.

Passado o tempo e hoje temos alguns dos ícones mundiais do vinho. Nomes como Sassicaia, da Tenuta (Fazenda) San Guido, Tignanello e Ornelaia, hoje são vinhos reconhecidos mundialmente.

Impressionante como o solo e clima influenciam no vinho. A uva como qualquer outro vegetal para desenvolver-se com plenitude precisa estar adaptada. Experimentem trocar uma samambaia de lugar. As vezes a outra parede do mesmo ambiente pode matá-la.

Para nossa sorte e prazer estas castas bordalesas estão perfeitamente adaptadas ao litoral da Toscana.

Mas as dificuldades continuavam. Como classificar o vinho produzido com castas estrangeiras? De início colocavam no rótulo, vinho de mesa, apenas. Mas como vender este vinho, com esta classificação no exterior? Muito difícil. Vinho de mesa é a classificação mais ordinária que um vinho possa ter na Europa. A solução foi colocar no rótulo IGT. Indicazione Geografica Tipica, algo como a dizer que não é um vinho de mesa, mas não pode receber as honrarias por ter na sua composição castas estrangeiras. Por fim hoje são chamados de Supertoscanos. Realmente uma classificação bem melhor que o vinho de mesa.

O que dizer destes vinhos? Alguns são caríssimos outros nem tanto, mas todos são excelentes. Posso dizer que até hoje não encontrei um vinho desta região que não fosse cuidadosamente elaborado.

São vinhos elegantes, sedutores e mágicos. Eu não me apaixonei na primeira vista. Mas aos poucos foram me seduzindo aos poucos a tal ponto que não posso mais ficar sem eles. Hoje, felizmente, há vinhos desta região que são vendidos a preços mais acessíveis. Eu gosto muito do Brancaia e do Mediterra (Poggio al Tesoro) ou algo como poço do tesouro.

Procurem que encontrão opções desta região que caibam no seu bolso.

 O vídeo é esclarecedor





MAPA DO VINHO PARTE 63 FRANÇA BORDEAUX SAINT EMILION POMEROL

2 03 2012

Desta janela de alguma enoteca em Saint-Emilion é falar da história do vinho de Bordeaux e da França.

Sabe-se que Pomerol, Saint Emilion e Fronsac, estão entre as melhores regiões da margem direita do estuário Gironde e do rio Dordogne. Ali as melhores uvas são a Merlot e a Cabernet Franc em detrimento de uma menor quantidade no corte da Cabernet Sauvignon.

Nós que vivemos num país continental como o Brasil pensamos que tido tem proporções enormes. As distâncias são de muito quilômetros.

A região que está direita do Dordogne, atrás da cidade de Libourne é muito pequena. Num raio de 30 quilômetros encontramos as sub-regiões de Saint Emilion, Pomerol e Fronsac o Creme de la Creme de Bordeaux. A única região que rivaliza com os Chateau do Médoc.

Falar da margem direita do Dordone/Gironde é falar de Saint Emilion

E de Pomerol. Imagina-se cidades médias, mas o que se vê são cidades medievais pequenas ou vilarejos como Pomerol, abaixo.

Quando se fala de vinho temos que falar da videira, necessariamente, e esta como um vegetal muitas vezes metro faz diferença que dirão quilômetros de solo e clima.

Pois bem, a direita do rio Dordogne temos um clima muito mais seco e menos flutuante do que o de Médoc, cujos vinhedos estão quase ao lado do Atlântico.  O clima mais continental nos traz mais variação de temperatura, principalmente no verão o que favorece a maturação mais lenta da Merlot e Cabernet Franc.

O solo, como se vê na foto abaixo é argiloso em troca do cascalho sobreposto pelas dragagens que sofreu o Gironde , para que se pudesse ter a área que hoje é Médoc. E solos argilosos e frios favorecem a Merlot e a Cabernet Franc. Como este vinhedo no Chateau Petrus, um dos consagrados da região.

E o vinho não pode ser diferente da uva. A Merlot e a Cabernet Franc possuem menos taninos que a Cabernet Sauvignon, assim seus vinhos são mais sedosos e “redondos” que os da vizinha Médoc.

Pena que são vinhos com preços exorbitantes para maioria das pessoas. O ideal é compartilhar uma garrafa destes vinhos para que possamos, nem que seja numa taça apreciá-los.

Para quem gosta de legislação e dados vejam, http://en.wikipedia.org/wiki/Classification_of_Saint-%C3%89milion_wine





MAPA DO VINHO PARTE 60 FRANÇA BORDEAUX – MÉDOC

1 03 2012

Sei que recentemente postei sobre Bordeaux, agora repito o post, mas é para deixar a série mapa do vinho completa.

Médoc existe graças trabalho de engenheiros holandeses que no século XVIII drenaram a pântano surgindo  o solo abençoado de Médoc para a produção de grandes vinhos, após a 1750.

Nunca esquecendo que o comércio de vinhos entre Inglaterra e França foi o expoente máximo para a produção de vinhos nesta região. Produção esta a cargo de comerciantes que investiam todo o eu potencial econômico na constante melhoria de solo e uvas.

Ao contrário da Borgonha, ali o trabalho de desenvolvimento de solo e qualidade do vinho ficou a cargo dos Monges Cistercienses.

Médoc fica no banco ao lado esquerdo do rio Gironde e lado Garone. Ao sul a cidade de Bordeaux, a oeste o Oceano Atlântico, a leste os rios Gironde e Garone, ao norte o encontro do Atlântico com o rio Gironde.

Médoc tem no seu rico solo um dos seus segredo. Como disse acima a drenagem do mar nestas charnecas fizeram com que aparecesse o solo cascalho e pedras ricas em sedimentos. Depois o clima constante, mesmo estando perto do Atlântico, portanto poderia estar sujeito aos humores do tempo, por ser um clima marítimo, Médoc fica entre duas massas de água, O mar e o estuário do Gironde. Os ventos do fortes vindos do mar são freados pela floresta que serve de anteparo e proteção dos vinhedos. As duas massas de água (mar e rio) criam condições ideais para a circulação do ar afastando os fungos e doenças que poderiam vir nos verões quentes e úmidos.

As uvas plantadas com sucesso no Médoc são: A Cabernet Sauvignon é a principal uva do Médoc. O solo pedregoso e úmido traz as condições ideais para o desenvolvimento desta casta. Experimentar um bom exemplar de Médoc com a Cabernet Sauvignon é ver até onde chega esta casta.

A Merlot é parceria ideal para a Cabernet Sauvignon nos vinhos do Médoc. Confere a eles elegância e aormas, suavizando e conferindo sedosidade aos taninos da Cabernet Sauvignon.

Em menor quantidade a Cabernet Franc e a Petit Verdot.

Grandes regiões demarcadas e produtores estão lá, vejam:

 MARGAUX: Chateau Margaux, Chateau Palmer, Chateau Lascombes, Chateau D’Issan, Chateau Kirwan e  Chateau Brane-Cantenac.

PAUILLAC: Chateau Lafite-Rothschild, Chateau Latour, Chateau Mouton-Rothschild e Chateau Lynch-Bages.

SAINT-JULIEN: Chateau Léoville-Las Cases, Chateau Léoville-Barton, Chateau Ducru-Beaucaillou, Chateau Lagrange e Chateau Talbot.

4) SAINT-ESTÈPHE: Ch. Cos D’Estournel, Ch. Montrose, Ch. Haut-Marbuzet, Ch. Phélan-Ségur, Ch. Calon-Ségur e Chateau Les Ormes de Pez.

O vídeo é esclarecedor





MAPA DO VINHO – PARTE XVIII – FRANÇA SUDOESTE – BERGERAC

20 02 2012

Esta é a cidade medieval de Bergerac, também conhecida pelo personagem Cyrano de Bergerac. Fica a leste de Bordeuax, as margens do rio Dordogne, um dos afluentes que formará o estuário de Gironde cujas margens estão os famosos vinhedos de Bordeuax.

Os vinhedos plantados na volta da cidade produzem excelentes tintos baseados nas castas Merlot, Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc.

Nas brancas predominam a Sauvignon Blanc e Semillon.

A região não é tão famosa quanto a sua vizinha Bordeuax. Em Bergerac se produz vinhos de alta qualidade até os mais simples. Daí a necessidade de comprá-los de um bom importador.

Os tintos são vinhos encorpados, um certo tânicos e extremamente parceiros para bons pratos a base de molhos mais reforçados.

Os brancos são confiáveis, secos e ácidos muitas vezes pedem um pouco mais de tempo antes de serem consumidos para que desenvolva seu potencial. As duas castas brancas são longevas e com vocação para o estágio na garrafa. Há vinhos feitos com a Semillon que têm mais de 10 anos de estágio antes de serem consumidos.

Como dito seus vinhos são muito confiáveis e de um modo geral são excelentes vinhos por preços bem razoáveis.

Os Cotes de Bergerac são vinhos envelhecidos por mais tempo e com castas vindas de região predeterminada para produzir uvas com capacidade de envelhecer com saúde.








Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.

Junte-se a 65 outros seguidores