PERDRIEL CENTENÁRIO 2005 – A ALMA DE LUJAN DE CUYO

21 04 2012

O produtor é Bodega Norton. O nome inglês vem de seu fundador Edmund James Norton que apaixonou-se pelas terras Mendoncinas quando da construção de estradas de ferro, isto lá pelos idos de 1895. Desde lá vem sendo uma das mais sólidas Bodegas (Viñas) argentinas. Produz vinhos mais populares e segue pela linha top como este Centenário.

A uva é a Malbec que veio na mala de algum imigrante do sudoeste francês. Em Cahors, sua cidade natal é chamada de Negra de Lot (rio) que cruza a cidade. Uma bastante tânica e encorpada que encontrou na sua pátria adotiva as condições ideias para chegar na plenitude que se encontra hoje.

O terroir (lugar) Lujan de Cuyo, sub-distrito de Menconza  está situada entre Mendonza e San Juan ao sul.

A paisagem desta região é belíssima, poucos lugares neste planeta são tão singulares e bonitos.  Cuyo está situada ao pé dos Andes, num clima seco que proporciona uma paisagem quase lunar. Toda a região é governada pelos Andes, desde o clima, com o vento Zonda, os granizos e  as tormentas de verão, passando pela  luminosidade e a irrigação feita através de canais de superfície do tempo dos Incas e pelos rios subterrâneos. Para chegar em Cuyo, necessariamente se passa por pequenos desertos.

Nesta área existe a maior concentração de produtores de vinhos finos na Argentina.

Cuyo concentra as seguintes  sub-regiões:

Em San Juan: Tulum e Ullum.

O grande oásis Mendoncino  do rio Mendonza.

O vasto vale del Uco, desde Tupungato até San Carlos.

Depois, separado por quilômetro de distância onde a unica companhia no deserto são os cactos gigantes, está San Rafael.

em o sistema de irrigação por canal e por rios subterrâneos esta região não seria nada mais do que deserto.

Nesta região o Malbec a Syrah encontraram local ideal para seu desenvolvimento.

É de se lembrar que a altura, neste local é muito importante para que haja a diferença de temperatura ao final do amadurecimento das castas, sendo assim as terras mais disputada são as que estão mais perto da cordilheira.

A tipicidade vem da região de Cuyo, única no mundo em termos de clima, solo e irrigação. O solo ideal para a vinha, na superfície a ausência de matéria orgânica o que faz com que as raízes descem mais de 20 metros para buscar alimento em seus diferentes substratos. O clima é ideal, invernos rigorosos e verões quentes e secos. A irrigação, nunca é demais repetir, é baseada nos canais, as vezes subteraneos de águas do degelo andino.

Vejam a foto

Importantes Bodegas estão lá: –  Alta Vista – www.altavistawines.com.ar

- Altos Las Hornigas – www.altoslashornigas.com - Bodega Achaval-Ferrer www.achavalferrer.com – Bodegas Benegas www.bodegabenegas.com - Bodega Catena Zapata  www.catenawines.com – Bodega Escorrihuela www.escorihuela.com.ar - Bodega Séptima www.bodegaseptima.com.ar

O VINHO:  Este vinho é um corte Malbec/Cabernet  Sauvignon/Merlot elaborado para representar o centenário da Bodega. Ele tem 16 meses de barrica.

Elaborado na sub-região de Perdriel, epicentro de Luján de Cuyo, com vinhas de 50  a 80 anos de idade. Diga-se vinhas antigas produzem pouco mas com extrema qualidade. Imagine beber um vinho de uma videira com 80 anos?  É algo maravilhoso. O vinho é um clássico andino. Forte, encorpado, firme, sem ser enjoativo. Cor vermelho escuro,  insondável como a noite. Nariz elegante de frutos vermelhos, chocolate e baunilha. Na boca taninos perfeitamente domados. Um vinho que enche a boca. Precisa de 1 a 2 horas de decanter.





CONFRARIA ALEMDOVINHO – PARTE III – ARGENTINA – A GRATA SURPRESA ALTOSUR

17 12 2011

A grata surpresa da noite. Um rose de Tupungato (Lujan de Cuyo) Mendonza feito 100% com a Malbec.

A Malbec é originária de Cahors, sudoeste francês, por lá produz vinhos um tanto duros e muitas vezes usados com outras uvas. Lá a chamam de Negra de Lot. Lot é o rio que corta a cidade de Cahors, a mais galo-romana das cidades do sudoeste francês.

Por aqui a Malbec é a carrega bandeira da Argentina, não é nada não é nada colocou o país no epicentro dos países produtores de vinho.

Por aqui produz vinhos encorpados, aromáticos e com uma leve doçura do próprio fruto.

O produtor é a Finca Sophenia que dispensa comentários. Produz vinhos de alto nível sem perder o foco no preço. Em geral acessíveis. Os vinhedos em Tupungato tem mais de 1.200 metros de altura o que nos traz noites frias no verão. De novo a questão de retardar o amadurecimento da uva fixando melhor os aromas e mantendo a acidez necessária.

Vejam a belíssima  foto retirada do site da Bodega.

O vinho foi uma grata surpresa. Altosur é a linha de entrada do produtor. Este rose eu imaginei que seria ao estilo tradicional dos roses andinos. Muita concentração de cor e aromas. Roses quase tintos.

Mas este não. Tem aquela cor forte de um rose bem concentrado, mas no nariz apresentou-se mais suave com aromas firmes mas não enjoativos de cereja e amoras. Na boca manteve a surpresa. Uma acidez muito bem vinda, firme e envolvente, ao final deixou um toque de pimentão verde muito difícil de se encontrar. Final de boca longo e prazeroso.

Gostei muito deste vinho.

Fiquem com o vídeo dos guardiões da vinha.

 





ARGENTINA – PARTE V – SAN RAFAEL BEM AO SUL DE MENDONZA

4 12 2011

Este oásis mendoncino em plena paisagem lunar está mais afastado da cordilheira dos andes que os outros. Está mais ou menos a uma hora de carro do ponto extremo do vale de Uco.

Duas das bodegas argentinas de história e qualidade, mas familiares, estão aqui a Bianchi e Goyenechea.

É, também, o vinhedo mais ao sul de Mendonza, depois, somente os da patagônia.

Aqui  se faziam grandes vinhos argentinos, mas a região anda um pouco esquecida e abandonada.

O grupo espanhol Vila Atuel está investindo pesado na região plantando mais de 4.500 hectares de oliveira e 1.500 hectares de vinhedos. Sem dúvida, um dos projetos agrícolas mais ousados da américa latina.

Principais bodegas da região.

- Bodega Valentín Bianchi www.vbianchi.com

- Bodegas Lavaque www.lavaque.com

- Bodegas Goyenechea www.goyenechea.com





ARGENTINA – PARTE IV – VALE DE UCO

4 12 2011

Uco era o nome de um importante chefe Inca que elaborou e pôs em prática os canais que utilizam a água do degelo dos Andes, canais utilizados atualmente.

Este vale está de costas para os Andes e o imponente vulcão Tupungato, portanto de braços abertos ao sol levante, recebendo, assim, os melhores raios solares que a videira pode querer.

Aqui está o famoso anfiteatro de Mendonza, dito assim pela geografia do local onde são plantadas as videiras. Algo como patamares que vão subindo a cordilheira.

Este anfiteatro, chamado localmente de Cordón de Plata, com mais de 60 quilômetros de extensão.

Aí está o famoso Cordon de Plata.

Os locais mais altos são os mais disputados. Como já se disse, a uva necessita, principalmente me locais com alto índice de insolação no verão, do gradiente de temperatura entre dia e noite, para que haja um amadurecimento lento e harmonioso da uva, principalmente no momento da colheita. Lento amadurecimento afina os aromas e a qualidade da uva que será vinificada.

Vale que vem se tornando uma referência em qualidade de vinhos, tanto é que alguns produtores já destacam nos seus rótulos que o vinho veio do Vale de Uco.

Nesta região estão as bodegas européias ou chilenas. Como Lurton, Clos de los 7, Salentein, La Celia e Monte Viejo.

Estão já plantando a 1.500 metros de altura. E a região mais afamada é La Consulta.

Principais bodegas:

- Bodega Lurton www.bodegalurton.com

- Bodega Monte Viejo  www.monteviejo.com

- Bodega Salentein www.bodegasalentein.com

- Bodega Finca La Celia

- Bodegas O. Fournier www.ofournier.com





ARGENTINA – PARTE III – LUJAN DE CUYO

4 12 2011

Luján de Cuyo está situada entre Mendonza e San Juan ao sul.

A paisagem desta região é belíssima, poucos lugares neste planeta são tão singulares e bonitos.  Cuyo está situada ao pé dos Andes, num clima seco que proporciona uma paisagem quase lunar.

Toda a região é governada pelos Andes, desde o clima, com o vento Zonda, os granizos e  as tormentas de verão, passando pela  luminosidade e a irrigação feita através de canais de superfície do tempo dos Incas e pelos rios subterrâneos. Para chegar em Cuyo, necessariamente, se passa por pequenos desertos.

Quando se imagina que nada vai aparecer começam a surgir os vinhedos, literalmente, cravados na terra árida. E tem que ser assim,  se houver muita matéria orgânica no solo a videira não desenvolve seu potencial.

Vejam o exemplo do vinhedos aí em cima.

Interessante destacar que vinho bom é de videira que sofre, que vai buscar seu alimento bem abaixo no solo. E para tanto os famosos canais arquitetados pelos Incas continuam a exercer sua função.

A chamada diferença de temperatura essencial para a fixação de aromas e sabores na uva ao prolongar seu final de maturação, vem por conta da altura dos vinhedos, algo em torno de 800 metros e do ar muito seco o que traz temperaturas de deserto, quentes de dia e frio a noite.

Nesta área existe a maior concentração de produtores de vinhos finos na Argentina.

Cuyo concentra conhecidas  sub-regiões:

Em San Juan: Tulum e Ullum.

O grande oásis Mendoncino  do rio Mendonza.

O vasto vale del Uco, desde Tupungato até San Carlos.

Depois, separado por quilômetro de distância onde a unica companhia no deserto são os cactos gigantes, está San Rafael.

Nesta região a Malbec,  a Syrah e  a Cabernet Sauvignon encontraram local ideal para seus desenvolvimentos.

É de se lembrar que a altura, neste local é muito importante para que haja a diferença de temperatura ao final do amadurecimento das castas, sendo assim as terras mais disputada são as que estão mais perto da cordilheira.

As vinícolas mais conhecidas desta região são:

-  Alta Vista – www.altavistawines.com.ar

- Altos Las Hornigas – www.altoslashornigas.com

- Bodega Achaval-Ferrer www.achavalferrer.com

- Bodegas Benegas www.bodegabenegas.com

- Bodega Catena Zapata  www.catenawines.com

- Bodega Escorrihuela www.escorihuela.com.ar

- Bodega Norton www.norton.com.ar

- Bodega Séptima www.bodegaseptima.com.ar

- Bodegas Terrazas www.terrazasdelosandes.com

Entre outras.





ARGENTINA – PARTE I – ARGENTINA E CHILE SÓ PARECEM MUITO IGUAIS

4 12 2011

 

A começar pelo mapa do vinho nos dois países. Enquanto o Chile tem alta concentração na região  perto da capital Santiago. Já a Argentina tem suas regiões vínicas ao longo da cordilheira dos Andes e na patagônia, bem a sudeste do país.

A ideia comum é que o Chile e Argentina, no mundo do vinho são iguais, apenas separados pelos Andes. Mas na verdade são muito diferentes, cai por terra.

A começar pela geografia. No Chile as mais variadas regiões vinícolas, desde o vale del Limari no extremo norte, perto de Atacama até o extremo sul em Bio Bio, patagônia chilena.  Normalmente são regiões de baixa altitude, altura média de 400 metros. Há vinhedos perto do mar, caso de Casablanca, Leyda e San Fernando onde as castas brancas se desenvolvem muito bem. Como há o vale central, Conchagua, Rapel e Curicó onde as tintas encontram seu território ideal.

A tão desejada diferença de temperatura entre o dia e a noite vem dos ventos marítimos, caso das regiões produtoras de brancos e Pinot Noir, Casablanca, Leyda, San Fernando e, modernamente, Bio Bio e a costa do vale del Maule. Já no caso das tintas o vento gélido que desce dos Andes e fica represado entre as duas cordilheiras, Andes e Costeira.

A Argentina, não tem vinhedos marítimos bem como não possue vale entre cordilheiras, sendo assim,  a maioria dos vinhedos são de altura. Em Mendonza, principal região produtora, funciona como um grande anfiteatro onde a altura é fator diferencial em qualidade e condições de micro região para as castas. A maioria dos vinhedos estão plantados numa altura média de 800 metros, excluindo Salta, mais ao norte com seu vale del Calchaqui com altura média de 1.500 metros. Tal fato se faz necessário para haver a diferença de temperatura entre o dia e a noite.

Tal diferença geográfica, por si só, de modo geral, indica que o Chile está muito mais propício a produzir brancos de qualidade, pelos seus vinhedos marítimos do que a Argentina. É de se lembrar que a única região argentina que produz, na média, brancos e espumantes de qualidade é a patagônia, vinhedo de planície, à sudeste, quase no nível do mar, mas aproveitando o vento frio que sopra do sul.

Em climáticos os vinhedos chilenos, principalmente a região de Colchagua, Curicó e Cachapoal, possuem um clima bastante estável. Dificilmente vê-se mudanças radicais.

Já do lado argentino dos Andes as condições climáticas são mais radicais, ventos, granizos e geadas são frequentes.

É muito comum nos Andes argentinos, onde estão os vinhedos, a geada fora de hora e a temida chuva de granizo, no verão, que pode destruir em minutos um parreiral inteiro.

A fora os três ventos que compõem a característica de Mendonza. O  vento Zonda, na primavera,  que vem do oeste e ao cruzar os Andes vindo do pacífico perde umidade e aumenta de velocidade e temperatura causando prejuízos as plantações. O vento polar que vem do sul  no outono  sendo gelado e seco. E o sudestada que começa no verão trazendo umidade e refrescando os vinhedos a noite. Inclusive deu nome a um vinho chamado Trivento.

E, por fim, o governo, no Chile ajudou e muito a produção, melhoria de qualidade  e exportação de vinhos, desde o final da década de 80. Já na Argentina os desmandos do governo, sua interferência quase nefasta atrasou e muito a renovação e produção de vinhos de qualidade

Estas são algumas características e diferenças que consigo lembrar de plano.





A FASCINANTE SAUVIGNON BLANC

22 10 2011

Pensou no verão, calor, praia, piscina, sol e comidas leves, certamente pensará na Suavignon Blanc. Pensou num vinho branco seco, as vezes mineral, as vezes frutado, mas sempre com acidez marcante, pensou num Sauvignon Blanc.

Eis a Sauvignon Blanc, linda, deliciosa, saborosa e majestosa. Nascida em Bordeaux, onde com a Semillon produz um dos néctares dos Deuses, o Sauternes. Junto com  a Chardonnay compõe  a dupla de uvas brancas ffrancesas hoje tidas como internacionais. E assim o é pela sua versatilidade, produtividade e adaptabilidade.

A Sauvignon Blanc é extremamente sensível ao terroir daonde foi plantada, produzindo, assim, diferentes estilos de vinhos.

Temos os franceses de Bordeaux onde ela não alcança, sozinha sua plenitude. São vinhos, em geral, de médio corpo, acidez na medida e aromáticos.

No Loire, perto da Borgonha já é outra história. Temos dois locais que ficam na memória e qualquer amante do vinho: Sancerre e Pouilly-Fumé, apenas um rio separa geograficamente estas cidades, vejam o linkhttp://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/7/79/Vignobles_val_de_loire.png  mas em termos de vinhos, mas  quanta diferença. O Sauvignon Blanc do Sancerre é seco, mineral, aromas herbáceos e acidez marcante. O do outro lado do rio, como o nome indica é fumado, tem toques de fumaça e defumado, continua seco e com acidez marcante.

Já do outro lado do mundo encontramos na Nova Zelândia,  no norte da ilha sul, mais especificamente em Marborough, um SB extremamente frutado e aromático. Ao abrir a garrafa logo salta ao nariz os aromas de marcujá e melão. Sua importância é tão grande que colocou a Nova Zelândia no seleto grupo de países produtores de vinho de alta qualidade.

Outro SB que me chama atenção são os de Cuyo, Mendonza, Argentina. Muito herbácio. Na boca cítrico, lima-limão típico, acidez elevada e seco. Um grande vinho para acompanhar-nos na praia, piscina e com frutos do mar. Parceria ideal para o camarão, já que ele é um pouco adocicado.

Os SB chilenos também não ficam atrás, os melhores são os de Casablanca, perto de Valparíso. Melhor terroir chileno para brancos e Pinot Noir. Seguem a mesma linha dos argentinos.

No Brasil não podemos esquecer os da serra catarinense, espetaculares, alguns com aromas de amendoas e frutos secos, divinos.

Gosto, também, dos SB sul-africanos, em especial os de Steelbosch, perto da Cidade do Cabo e região mais fria do que sua vizinha Paarl.

Mas apesar de ser uma uva, tida como internacional, ainda prefiro do Loire. Se puderem façam a comparação degustativa dos Sauvignon Blanc do Sancerre e do Pouilly-Fumé uma experiência  INESQUECÍVEL.

O certo é que seja de onde for o verão pede um Sauvignon Blanc. Outra lembrança a Sauvignon Blanc dificilmente aceita madeira, portanto se não gosta dos brancos barricados aqui está a dica.

O vídeo de um vinhedo de Sauvignon Blanc em Sancerre  é lindo os vinho melhor ainda

 





HENRY I 2001 – UM NOBRE ESTEVE NA ENOTECA CONTE FREIRE

26 06 2011

Esteve na Enoteca Conte Freire, Rua Desembargador Espiridião de Lima Medeiros, 156, Porto Alegre/RS o Henry I, um vinho elaborado, em Mendonza, pela Bodega Lagarde. Um vinho ao estilo clássico feito no chamado Novo Mundo.

Aliás, estes conceitos de Velho e Novo Mundo marcados pela maioria, inclusive eu, deveria ser modificado. Penso ser mais correto falar de estilo clássico e estilo moderno. Certamente, a Europa com seus países mais do que tradicionais na elaboração de vinhos, certamente, respeitando suas diferenças geográficas e regionais elaboram, em sua maioria, vinhos ao estilo mais tradicional, com menos álcool, madeira e menos concentração. Respeitando ao máximo as tradições e a culinária do lugar onde foram produzidos e são consumidos.

Já o estilo Novo Mundo, liderado pelos Estados Unidos, com a legislação mais aberta e menos rígida marcou território no mundo do vinho através dos varietais, isto é, os vinhos produzidos por uma só uva. Além da legislação mais favorável, eis que em alguns países da Europa, como a França, Borgonha, por exemplo, não se produz vinho na Cote D’Or que não seja Chardonnay e Pinot Noir, ao estilo varietal, MAS PROÍBE, qualquer vinificação que não leve estas uvas, os EUA iniciaram o estudo do clima e solo para desenvolver esta ou aquela uva para este ou aquele vinho.

A moda pegou e, até pouco tempo atrás, poucos eram os produtores, que vinificavam seus vinhos aos estilo corte, isto, blend de uvas. A esmagadora maioria seguia o vencedor esquema dos varietais.

Mas não bastava ser tinto de uma só casta, tinha que ser tinto retinto,muita concentração de fruta, aromas, álcool e corpo, vinhos ao estilo arrasa quarteirão. Felizmente venho notado que aos poucos esta moda vai desaparecendo, vinho mais leves, menos concentrados e feito ao estilo clássico vem sendo produzidos, para a minha felicidade.

Sempre esposei a tese de que os países sul-americanos começassem a produzir vinhos aos estilo clássico, com os preços que têm, certamente irão incomodar os, por assim dizer europeus. Qualidade e preço é o que se quer.

Pois este é um dos vinhos neste estilo. Um clássico, elegante, aristocrático, elaborado para ser um vinho de Gran Guarda, 1o ou mais anos de garrafa. Rolha comprida, macia e de alta qualidade.

A linha Henry é o topo desta Bodega instalada desde 1897 em em Mendonza, Argentina, com vinhedos nas sub-regiões de Lujan de Cuyo e Tupungato. É um corte feito com as melhores uvas das grandes safras. Este de 2001 é 88% Cabernet Sauvignon e 12% Syrah, portanto, nesta safra,  não entra a principal casta argentina, a Malbec. Passa 24 meses EM BARRICA DE CARVALHO FRANCÊS o que lhe dá uma matiz clássica, fugindo dos aromas tradicionais de  chocolate e baunilha do carvalho americano.

Seguramente um dos melhores vinhos argentinos que pude apreciar. Cor vermelho rubi intensa mas translúcida. Nariz muito delicado de frutos secos, algo como ameixa, tâmara e damasco. Na boca perfeitamente equilibrado, sedoso e ainda com força para aguentar mais um par de anos na garrafa. Final de gole persistente, característico dos melhores vinhos. Recomenda-se decantar por uma hora ou mais.

Um achado e uma surpresa muito agradável.

Vejam o vídeo até o fim. Das mãos calejadas desde homens começa a saga de um Grande Vinho como este Henry I. A fora a verdadeira aula sobre vinho.





CUSTO X BENEFÍCIO

23 06 2011

O que mais ouço na Enoteca Conte Freire, Rua Desembargador Espiridião de Lima Mederiros, 156, Porto Alegre/RS é o tal de: Quero um vinho com ótimo custo x benefício.

Como o título do post anterior avisa: Tudo o que é sólido desmancha no ar. Muito relativo o pedido.

Para se fazer um bom, mas não necessariamente caro, vinho precisamos de alguns detalhes.

- Qualidade da uva plantada. Custa dinheiro.

- Espaçamento mínimo entre os pé, menos cachos por braço de videiras. Menos rendimento, mais qualidade, mais dinheiro.

- Vinhos de videiras antigas. Menos produção mais qualidade. Em primeira hora, menos dinheiro

- Conhecimento do terreno, solo e clima (terroir), custam algumas décadas e dinheiro.

- Tempo de barrica, (tintos e alguns brancos) e garrafa. Falta de giro na vinícola, estoque e mais dinheiro.

- Investimento e propaganda, marketing e fixação do nome do vinho no mercado. Mais dinheiro.

Portanto, o plantio, elaboração e venda de um vinho, por mais romantismo que tenha, não foge das regras de mercado e administração do negócio.

Mas têm vinhos que fogem desta regra e são uma benéfica exceção. O Amancaya é um deles. Na Enoteca Conte Freire, por R$ 69,00,  já vendemos todos da safra 2007 e veio nova remessa toda vendida.

Trata-se de um vinho elaborado pela Bodega Caro, uma parceria Catena Zapata e Rothschilld TUDO INDICANDO UM VINHO COM OVER PRICE. As uvas vêm de Mendonza, mais especificamente as sub-regiões de Vistalba, Agrelo, La Consulta e Tupungato. Portanto a linhagem está garantida.

O vinho é um corte de Malbec e Cabernet Sauvignon com predominância da primeira.

O vinho é elaborado no estilo clássico, isto é, menos álcool, menos predominância da fruta, terminando por ser um vinho muito especial.

Cor vermelho translúcido, algo raro em vinhos argentinos. Nariz muito delicado de amoras e frutos vermelhos e, ao final, leve toque da madeira. Na boca segue a elegância, nada sobra ou falta. Final de boca agradável e persistente. Um belo vinho que podemos caracterizar como alvo do tão sonhado custo x benefício.

Por R$ 69,00 um grande campeão e vendas da Enoteca.





VINHOS MADUROS – ESCOLHA SEU ESTILO

10 04 2011

São vinhos que precisam de algum tempo de estágio em madeira e garrafa, algo em torno de 10 anos caso contrário estaríamos abrindo um vinho que sequer conseguiu desenvolver-se. São vinhos, por este motivo, caros, alguns mais caros que deveriam.

Nos brancos temos a Riesling, a Grünner Veltiner e a Semillon que produzem brancos excepcionais, mas para serem apreciados após 10 anos de descanso. Os Riesling, de preferência alemães ou ausralianos e Grünner Veltiner, Áustria e a Semillon, apesar de compor o corte das brancas de Bordeaux, inclusive o botritizado Sauternes, desenvolve-se com maestria na Austrália onde alcança a sua plenitude depois de 10  12 anos de garrafa.

Nos tintos o segredo, com suas raras exceções é o tanino. Ele quando em grande quantidade traz muita estrutura para um vinho, ocorre que para arredondá-los só o tempo em barricas, como na foto acima e muita espera em garrafa. Nesta turma eu gosto:

PORTUGAL: Certamente a tânica e manhosa Baga, da Bairrada. Região perto do Atlântico são vinhos que quando bem trabalhados produzem verdadeiras joias da coroa. Um vinho bastante complexo, frutas silvestres com um fundo de café e tostado. Ou então um maduro alentejano como um Mouchão ou um Pera Manca, elegantes e refinados.

URUGUAI: A Tannat, a exemplo da Baga possui bastante taninos e quando os produtores acertam a mão o vinho é um pouco mais caro mas muito bom. Bastante corpo, aromas de frutos vermelhos e couro. Gosto do Staiger Viejo, com o detalhes que as uvas não são dos arredores de Montevidéo e sim da região noroeste do país.

FRANÇA: Certamente a minha amada Syrah, os Hermitage e Cotie Rotie do alto Rhône são meus preferidos. Vinhos que precisam de 10 anos de garrafa, quando se abre o ambiente perfuma, nariz de frutos vermelhos e especiarias, como cravo e canela. Na boca volume, potência com toques de mentolado  e pimenta. FANTÁSTICOS, puro sangue total. Tem os vinhos de Bordeaux, no estilo mais charmosos e elegantes. Nariz mais calmo, café e tostado, na boca corpo elegante e sedoso, no estilo mais clássico que os puro sangue do Rhône, ah e bem mais caros também.

ITÁLIA: Aqui as opções são várias. Do sul com a uva Aglianico, Taurassi e Basilicata, são potentes e firmes, ao estilo dos vinhos do Rhône, verdadeiros puro sangue, como um carro esportivo, como dizem por lá, uma máquina, mas em face dos taninos precisam, também, de muito tempo de descanso nas barricas e garrafas. Do Piemonte os Barolos, com a Nebiollo, certamente grandes representantes. Vinhos firmes, encorpados, nariz de frutas vermelhas e discreta madeira. Na boca densos e firmes. Em Valpolicella os Amarones feitos com a especial técnica das uvas desidratadas, potentes, alguns chegam a 17% de álcool. Boca firme e encorpada com um final meio amargo. Nariz mais adocicado de frutos vermelhos e tabaco. Bela opção.

AUSTRÁLIA: Certamente os tintos do Vale Barossa, densos e com ato índice de álcool, muitas vezes utilizam ao exemplo de Cotie Rotie a Viognier para acalmar a Syrah.

CHILE e ARGENTINA: Certamente os clássicos com muito tempo de barrica e garrafa. Principalmente os feitos com Cabernet Sauvignon (Chile) em especial os de Colchagua e a Malbec (Argentina) estes em especial os de regiões quentes de Mendonza, como Lujan de Cuyo e La Consulta.

Bem seja qual for o estilo nos vinhos maduros, beba-os devagar, aprecie o momento de estar a frente de um vinho que descansou, pelo menos 8 a 10 anos até estar a sua frente.








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