PERDRIEL CENTENÁRIO 2005 – A ALMA DE LUJAN DE CUYO

21 04 2012

O produtor é Bodega Norton. O nome inglês vem de seu fundador Edmund James Norton que apaixonou-se pelas terras Mendoncinas quando da construção de estradas de ferro, isto lá pelos idos de 1895. Desde lá vem sendo uma das mais sólidas Bodegas (Viñas) argentinas. Produz vinhos mais populares e segue pela linha top como este Centenário.

A uva é a Malbec que veio na mala de algum imigrante do sudoeste francês. Em Cahors, sua cidade natal é chamada de Negra de Lot (rio) que cruza a cidade. Uma bastante tânica e encorpada que encontrou na sua pátria adotiva as condições ideias para chegar na plenitude que se encontra hoje.

O terroir (lugar) Lujan de Cuyo, sub-distrito de Menconza  está situada entre Mendonza e San Juan ao sul.

A paisagem desta região é belíssima, poucos lugares neste planeta são tão singulares e bonitos.  Cuyo está situada ao pé dos Andes, num clima seco que proporciona uma paisagem quase lunar. Toda a região é governada pelos Andes, desde o clima, com o vento Zonda, os granizos e  as tormentas de verão, passando pela  luminosidade e a irrigação feita através de canais de superfície do tempo dos Incas e pelos rios subterrâneos. Para chegar em Cuyo, necessariamente se passa por pequenos desertos.

Nesta área existe a maior concentração de produtores de vinhos finos na Argentina.

Cuyo concentra as seguintes  sub-regiões:

Em San Juan: Tulum e Ullum.

O grande oásis Mendoncino  do rio Mendonza.

O vasto vale del Uco, desde Tupungato até San Carlos.

Depois, separado por quilômetro de distância onde a unica companhia no deserto são os cactos gigantes, está San Rafael.

em o sistema de irrigação por canal e por rios subterrâneos esta região não seria nada mais do que deserto.

Nesta região o Malbec a Syrah encontraram local ideal para seu desenvolvimento.

É de se lembrar que a altura, neste local é muito importante para que haja a diferença de temperatura ao final do amadurecimento das castas, sendo assim as terras mais disputada são as que estão mais perto da cordilheira.

A tipicidade vem da região de Cuyo, única no mundo em termos de clima, solo e irrigação. O solo ideal para a vinha, na superfície a ausência de matéria orgânica o que faz com que as raízes descem mais de 20 metros para buscar alimento em seus diferentes substratos. O clima é ideal, invernos rigorosos e verões quentes e secos. A irrigação, nunca é demais repetir, é baseada nos canais, as vezes subteraneos de águas do degelo andino.

Vejam a foto

Importantes Bodegas estão lá: –  Alta Vista – www.altavistawines.com.ar

- Altos Las Hornigas – www.altoslashornigas.com - Bodega Achaval-Ferrer www.achavalferrer.com – Bodegas Benegas www.bodegabenegas.com - Bodega Catena Zapata  www.catenawines.com – Bodega Escorrihuela www.escorihuela.com.ar - Bodega Séptima www.bodegaseptima.com.ar

O VINHO:  Este vinho é um corte Malbec/Cabernet  Sauvignon/Merlot elaborado para representar o centenário da Bodega. Ele tem 16 meses de barrica.

Elaborado na sub-região de Perdriel, epicentro de Luján de Cuyo, com vinhas de 50  a 80 anos de idade. Diga-se vinhas antigas produzem pouco mas com extrema qualidade. Imagine beber um vinho de uma videira com 80 anos?  É algo maravilhoso. O vinho é um clássico andino. Forte, encorpado, firme, sem ser enjoativo. Cor vermelho escuro,  insondável como a noite. Nariz elegante de frutos vermelhos, chocolate e baunilha. Na boca taninos perfeitamente domados. Um vinho que enche a boca. Precisa de 1 a 2 horas de decanter.





MAPA DO VINHO – PARTE XVI – FRANÇA SUDOESTE – CAHORS

20 02 2012

Bem mais longe da região de Bordeuax, já com outro clima e geografia, no Midi-Pirénnés,  Cahors, as margens do rio Lot,  a mais galo-romana cidade do sudoeste francês.

A ponte, sobre o rio Lot foi construída no início de 1300, isto mesmo, 200 anos antes do Sr Pedro Álvares Cabral e sua turma aparecerem por aqui.

Os romanos foram os primeiros a plantar uvas nestas paragens. Na idade média seu vinho era conhecido como o tinto de Lot e desde lá produzido com a casta Côt Noir, Auxerrois ou a nossa velha e conhecida Malbec.

Bem a Malbec andina, de semelhante só o nome, pois a francesa é de todo diferente. Seus vinhos são, em função do frio e a umidade de Cahors, são de corpo médio, taninos muito mais marcantes e acidez refrescante. Portanto muito diferentes dos Malbec andinos, principalmente os Argentinos. Estes são bem mais encorpados e com muita doçura da própria uva.

Os vinhos de Cahors aceitam até 30% em corte com a Tannat, Merlot ou a Cabernet Franc. Alguma produção de brancos e roses, mas estes em menor quantidade.

O  estrondoso sucesso da Malbec andina tem despertado o interesse cada vez maior nos vinhos de Cahors.Vamos aproveitar este interesse em divulgar os vinhos de maravilhosa região da França.

Já apreciei ótimos vinhos desta região, mas se falassem que era da Malbec teria estranhado muito.





DICA DA HORA – ABERDEEN ANGUS – ROSE 2011 – FINCA FLICHMAN

7 02 2012

Falo, bebo e indico vinho barato. Este rose custa em torno de R$ 10,00. Para os que não moram no Brasil custa uma cerveja de qualidade. Sei que os detratores do vinho rose vão gostar, devem pensar, por este preço só mesmo um rose.

Mas se enganam, claro que só podemos comparar grandezas iguais. Este vinho, se comparado com os vinho que existem no mercado por este preço está excelente.

Inclusive vale a dica aos amigos portugueses, pois a Finca Flichaman foi comprada pelo grupo Sogrape, então, imagino que deva estar no mercado português.

Vejam a foto deste vinho.

Trata-se de um vinho simples é verdade, mas não menos interessante. Um corte meio a meio Syrah e Malbec.

A cor é só ver a foto, aromas um pouco fechados, mas com o tempo vêm morango e melancia. Na boca seco e de final de gole pouco persistente, mas bastante refrescante em face da acidez firme.

Muito bom para acompanhar os tradicionais petiscos de verão e bebê-los com amigos na maior descontração.

Vale muito a pena experimentá-lo. Em Por Alegre e São Paulo na rede Zaffari.





CONFRARIA ALEMDOVINHO – PARTE III – ARGENTINA – A GRATA SURPRESA ALTOSUR

17 12 2011

A grata surpresa da noite. Um rose de Tupungato (Lujan de Cuyo) Mendonza feito 100% com a Malbec.

A Malbec é originária de Cahors, sudoeste francês, por lá produz vinhos um tanto duros e muitas vezes usados com outras uvas. Lá a chamam de Negra de Lot. Lot é o rio que corta a cidade de Cahors, a mais galo-romana das cidades do sudoeste francês.

Por aqui a Malbec é a carrega bandeira da Argentina, não é nada não é nada colocou o país no epicentro dos países produtores de vinho.

Por aqui produz vinhos encorpados, aromáticos e com uma leve doçura do próprio fruto.

O produtor é a Finca Sophenia que dispensa comentários. Produz vinhos de alto nível sem perder o foco no preço. Em geral acessíveis. Os vinhedos em Tupungato tem mais de 1.200 metros de altura o que nos traz noites frias no verão. De novo a questão de retardar o amadurecimento da uva fixando melhor os aromas e mantendo a acidez necessária.

Vejam a belíssima  foto retirada do site da Bodega.

O vinho foi uma grata surpresa. Altosur é a linha de entrada do produtor. Este rose eu imaginei que seria ao estilo tradicional dos roses andinos. Muita concentração de cor e aromas. Roses quase tintos.

Mas este não. Tem aquela cor forte de um rose bem concentrado, mas no nariz apresentou-se mais suave com aromas firmes mas não enjoativos de cereja e amoras. Na boca manteve a surpresa. Uma acidez muito bem vinda, firme e envolvente, ao final deixou um toque de pimentão verde muito difícil de se encontrar. Final de boca longo e prazeroso.

Gostei muito deste vinho.

Fiquem com o vídeo dos guardiões da vinha.

 





HARMONIZAÇÃO VINHO E CULINÁRIA EXPRESSÃO DE UM POVO PARTE II

11 12 2011

Harmonizar vinho e culinária é como se fosse uma festa ao estilo do Império Austro-Húngaro, muito lindo, tudo no lugar e a sensibilidade num crescente.

Chegam os convidados. As mais conhecidas tintas, primeiro.

TINTAS: SYRAH, Rhône, França. Muito plantada, também, na Austrália, Argentina e Chile. Gosta de lugares quentes, e já foi objeto de post neste blog http://wp.me/pPKW2-89  a cor de seus vinhos em geral são de um vermelho escuro mas vibrante. Os aromas lembrar especiarias, pimenta, pimentão verde, canela e noz moscada. Na boca em geral são vinhos volumosos, final de gole prolongado e marcante. Podem ser vinhos de guarda. Os cortes, geralmente são feitos com a Cabernet Sauvignon.

TANNAT: Madiran, Sudoeste Francês, mas adaptou-se maravilhosamente no Uruguai. Hoje se cultiva na França, Uruguai, Argentina e na serra gaúcha. Sua cor éo vermelho rubi intenso. São vinhos de muito corpo e com grande quantidade de taninos. Aromas a frutos vermelhos e compota de frutos silvestres. Na boca taninos fortes e marcantes, um vinho com muita força e estrutura. Retrogosto prolongado. E corte vai muito bem com a Merlot.

CABERNET FRANC: Nativa de Bordeuax, França, muito plantada mundo afora, principalmente Argentina, Estados Unidos e Brasil, serra gaúcha onde adpata-se muito bem, eu pelo menos gosto dos vinhos feitos desta uva. Sua cor vermelho de média a alta concentração. Os aromas de frutosvermelhos mas com u tom herbáceo bem forte. Na boca confirma os aromas, frutos vermelhos, final herbáceo,algolembrando a pimentão. É excelente companheira no corte com a Cabernet Sauvignon e a Merlot no que se chama de corte bordalês.

CABERNET SAUVIGNON: Bordeuax, França, quem não a conhece não conhece vinho, pois é plantada no mundo todo.Os chilenos pejorativamente a chamam de carne de perro. Muito adpatável, produz vinhos, desde o rose até os tintos encorpados, solitas ou acompanhadas, passando de mádio corpo a vinhos potentes. Cor vermelho púrpura até o vermelho claro, os aromas são frutados, algo de cassis e ervas. De taninos marcados a vinhos leves, dependendo de como se conduz a produção. Na boca uma certa adstringência marca os bons Cabernet. Sua combinação é de ampla gama.

MERLOT: De Bordeuax,França, também plantada no mundo todo, geralmente em contra posição à Cabernet eis que mais macia e sedosa.Foi objeto de post neste blog http://wp.me/pPKW2-7q Gosta de climas frescos e altos, daí vai muito bem na serra gaúcha e catarinense. Plantada praticamente no mundo todo, compõe as chamadas castas internacionais. Cor vermelha granada, pode ser desde o rose até vinho de médio para alto corpo. Aromática, os chamados frutos vermelhos e groselha, na boca os conhecidos taninos sedosos, pouca adstringência. Combina a excelência com as Cabernet Franc e Sauvignon.

PINOT NOIR: Borgonha, França, também se deu relativamente bem no Chile, vale de Casablanca, Austrália  e, principalmente,  Nova Zelândia, principalmente no sul da ilha norte Marlbourgh e por aí a fora, mas sem muita expressão.  Gosta de climas frios e quase sempre está de mãos dadas com a Sauvignon Blanc e a Chardonnay. Sua cor é o vermelho mediano, se tem madeira o vermelho se intensifica. Aromas característicos de geleia de morango, cereja e algo de herbáceo nos melhores exemplares. Na boca corpo médio, taninos agradáveis e dificilmente se apresenta com muito corpo e estrutura.

MALBEC: Seu berço é na região sudoeste da França, em Cahors, onde também é chamada de Auxerrois. Na Argentina alcançou seu potencial máximo, eu gosto dos Malbec de Salta, extremo norte do país, mas é plantada, também,  no Chile, e Uruguai. A cor é vermelho profundo, nariz, frutos vermelhos, cassis e quando nas barricas couro, defumado e café. Na boca a doçura do fruto, taninos nada agressivos, redondo e com retrogosto prolongado. Vai bem no corte com a Bonarda, a Syrah  e a Cabernet Sauvignon.

TEMPRANILLO: Espanha e Portugal, neste pais também é conhecida, no sul como Aragones e no norte como Tinta Roriz. Na Espanha ganha uma infinidade de nomes. Se cultiva muito esta espécie na Argentina e algo no Chile. Suoira cor é vermelho mediano, aromas de frutos secos e vermelhos. Na boca, taninos mais redondos e menos agressivos, corpo médio e um vinho ao seu final muito agradável.

Estas são as tintas, claro que ao falarmos localmente de alguns países outras castas virão.





ARGENTINA – PARTE VII – PATAGONIA

4 12 2011

O vale do rio Negreo está a 1.400 quilômetros ao sul da Calchaqui e 700 de Mendonza. Encravado entre as províncias de Rio Negro e Neuquén.

Possui mais ou menos 120 quilômetros entre a parte baixa, em torno de 300 metros de altitude e a alta, em Neuquén, 480 metros de altitude.

A região, também, conhecida como centro arqueológico, daí o nome de um linha de vinhos Saurus.

Os invernos são rigorosos, as estações bem definidas e com verões quentes de dia e frios a noite, ventando em quase todas as estações.

A fora a geografia do vale irrigado pelo rio Nego, temos estepes áridas, mas o vale é propício, pois a terra tem pouca matéria orgânica e o solo é ideal para a viticultura.

A grande diferença dos vinhos argentinos em relação aos chilenos do mesmo paralelo é que aqui o clima é muito mais seco o que favorece o crescimento das videiras com mais saúde.

Gosto muito do Pinot Noir e dos brancos, em especial o Sauvignon Blanc e os espumantes. Mas, sem dúvida alguma os grandes e afamados vinhos são os Pinot Noir, o clima frio favorece o desenvolvimento desta casta.

A vinícola mais antiga da região é Humberto Canale, está aqui desde o tempo das construções dos diques dos vários lagos da região.

As principais bodegas são: Tierras del Vento www.bodegasestepa.com, NQN Malma, Viñedos Infinitus do grupo Fabre Montmayou, Humberto Canale www.bodegahcanale.com e Bodega Fin del Mundo.

A foto foi tirada na região e me lembrou as frias noites de inverno no pampa gaúcho, céu claro, nada na volta somente o pampa a perder de vista.





ARGENTINA – PARTE III – LUJAN DE CUYO

4 12 2011

Luján de Cuyo está situada entre Mendonza e San Juan ao sul.

A paisagem desta região é belíssima, poucos lugares neste planeta são tão singulares e bonitos.  Cuyo está situada ao pé dos Andes, num clima seco que proporciona uma paisagem quase lunar.

Toda a região é governada pelos Andes, desde o clima, com o vento Zonda, os granizos e  as tormentas de verão, passando pela  luminosidade e a irrigação feita através de canais de superfície do tempo dos Incas e pelos rios subterrâneos. Para chegar em Cuyo, necessariamente, se passa por pequenos desertos.

Quando se imagina que nada vai aparecer começam a surgir os vinhedos, literalmente, cravados na terra árida. E tem que ser assim,  se houver muita matéria orgânica no solo a videira não desenvolve seu potencial.

Vejam o exemplo do vinhedos aí em cima.

Interessante destacar que vinho bom é de videira que sofre, que vai buscar seu alimento bem abaixo no solo. E para tanto os famosos canais arquitetados pelos Incas continuam a exercer sua função.

A chamada diferença de temperatura essencial para a fixação de aromas e sabores na uva ao prolongar seu final de maturação, vem por conta da altura dos vinhedos, algo em torno de 800 metros e do ar muito seco o que traz temperaturas de deserto, quentes de dia e frio a noite.

Nesta área existe a maior concentração de produtores de vinhos finos na Argentina.

Cuyo concentra conhecidas  sub-regiões:

Em San Juan: Tulum e Ullum.

O grande oásis Mendoncino  do rio Mendonza.

O vasto vale del Uco, desde Tupungato até San Carlos.

Depois, separado por quilômetro de distância onde a unica companhia no deserto são os cactos gigantes, está San Rafael.

Nesta região a Malbec,  a Syrah e  a Cabernet Sauvignon encontraram local ideal para seus desenvolvimentos.

É de se lembrar que a altura, neste local é muito importante para que haja a diferença de temperatura ao final do amadurecimento das castas, sendo assim as terras mais disputada são as que estão mais perto da cordilheira.

As vinícolas mais conhecidas desta região são:

-  Alta Vista – www.altavistawines.com.ar

- Altos Las Hornigas – www.altoslashornigas.com

- Bodega Achaval-Ferrer www.achavalferrer.com

- Bodegas Benegas www.bodegabenegas.com

- Bodega Catena Zapata  www.catenawines.com

- Bodega Escorrihuela www.escorihuela.com.ar

- Bodega Norton www.norton.com.ar

- Bodega Séptima www.bodegaseptima.com.ar

- Bodegas Terrazas www.terrazasdelosandes.com

Entre outras.





PRIMEIROS PASSOS – PARTE XXII – TINTOS SENSUAIS

21 11 2011

São aqueles vinhos que ao contrário da paixão arrebatadora, mas nem sempre duradoura, vão aos poucos conquistando seu coração, para nunca mais sair.

Preferem ser implícitos do que explícitos, suas mensagens são subliminares. Não gritam, sussuram. Quando se menos espera entram em nossas vidas para nunca mais sair.

De início parece um vinho “aguado” e levemente ácido em comparação com os bombados vinhos estilo moderno. Mas aos poucos vão impondo seu estilo, Eu mesmo, hoje tenho dificuldade em apreciar um destes musculosos vinhos modernos, ao estilo Robert Parker.

São vinhos ótimos para namorar, sair com amigos ou mesmo um momento introspectivo, além de ser ideais para suas aptidões gastronômicas.

Nesta linha as possibilidades são grandes mas a qualidade nem tanto.

Gosto dos vinhos dos pequenos produtores da França, Itália, Portugal e os sul americanos.

FRANÇA: Certamente os vinhos do Loire, Borgonha, sul e sudoeste da França. Experimente um vinho do Rhône sul com corte tradicional Grenache/Cinsault/Mouvedre e as vezes Syrah? Veja os tintos do Sancerre, terra dos famosos brancos feitos com a Sauvignon Blanc? Veja os do sudoeste francês, ali bem pertinho de Bordeuax, as vezes com o tradicional corte, Cabernet Sauvignon/Merlot/Cabernet Franc, outras vezes com corte de uvas locais?

PORTUGAL: Certamente o meu amado  Douro. Os vinhos feitos com os cortes locais, Tinta Roriz, Barroca,  Franca e Touringa nacional. São vinhos agradáveis, aromáticos e muito sedutores. De início quem está acostumado com os tintos retintos estranha, mas depois é puro prazer. São tintos maduros e com acidez refrescante.

ITÁLIA: Depois dos bons Chianti vêm os  vinhos do Piemonte com as castas Nebiollo, Dolcetto e Barbera. Vinhos fortes, mas sem exageros, aromas de especiarias e vocacionados para a gastronomia.

ARGENTINA: Os meus preferidos neste estilo são os Malbec de Rioja, mais raros,  e os de Salta. O frio faz com que eles sejam mais educados, elegantes bem longe dos tintos retintos que existem na Argentina e geralmente lembram a vinificação européia.

CHILENOS: Os tintos de Casablanca em especial os Pinot Noir. Ou mesmo um Merlot, se bem que esta uva por lá anda meio desacreditada pela globalização, quem sabe um Carmenere?

ESPANHA: Os tintos com a Tempranillo em especial os de Rioja, Duero  e Toro. São quentes, agradáveis e aromáticos.

NOVA ZELÂNDIA: Certamente os Pinot Noir de Central Otago, excelentes.

Estes são meus preferidos. E os teus? Me diga não há unanimidade no mundo do vinho. Já dizia nosso Nelson Rodrigues. Toda a unanimidade é burra.





PRIMEIROS PASSOS – PARTE XX – ROSES E SEUS ESTILOS

21 11 2011

Há um rose para cada estilo, experimente e escolha o seu. Só não vale deixar de prová-lo.

Para lembrar há três formas de elaborar um rose.

A maceração carbônica onde as uvas não são esmagadas por prensa e sim pelo próprio peso da uva, desde modo cada baguinho de uva inicia seu processo de fermentação no momento certo de maneira muito lenta permitindo a concentração de aromas, açúcar e álcool no que resulta, ao final espetaculares roses. Técnica utilizada nos roses de Tavel.

O processo de sangria,  é usado nos roses do novo mundo ou de países sem muita expressão neste estilo de vinho. As uvas tintas quando de seu início de fermentação ao crescer o mosto, retira-se parte dele, por sangria, aumentando a sua concentração.  Bem, esta sangria mais tarde dará origem aos roses. Argentina, Brasil e Chile produzem quase 100% de seus roses por este método.

Por fim o contato com as cascas, técnica utilizada nos roses que nasceram para serem roses da videira à garrafa. As cascas das uvas tintas são mantidas em contato com o mosto. Quanto mais breve o contato mais leve será o rose.

Bem vamos aos estilos. Mas antes um recado a cor dos roses não quer dizer muito. Na verdade o rose não tem cor definida, vai desde os escuros, quase um Pinot Noir até os mais claros ao estilo casca de cebola. O que dá o tom ao rose é o processo de vinificação e as uvas utilizadas.

E lembre-se, a grande maioria dos roses são feitos para serem bebidos muito jovens.

No quesito rose, certamente a Provence, na França, dita o ritmo. A região produz roses de grande qualidade desde os tempos antigos. Mas não é só a Provence, de certo modo toda a região mediterrânea os elabora.

Os roses da Provence são em geral feitos pela dupla, Grenache e Cinsault. Possuem cor alaranjada chegando até um salmão bem claro. Leves, refrescantes e aromáticos são ideias para acompanhar uma roda de amigos, pratos leves ou um bom sanduíche. O GRANDE CHARME DESTES VINHOS É O DE  BEBÊ-LOS SEM COMPROMISSO.

Pensa que eles são muito leves e sem profundidade?

Passe para um Bandol. Reconhecida região na Provence para roses de elite. A diferença é a inclusão da Mouvedre, poderosa casta tinta do Mediterrâneo. Ela traz ao rose, corpo, volume e cor. Por falar em cor aqui temos um rose cor de morango chegando, em alguns casos, até quase a cor do Pinot Noir. Os aromas mudam bastante, aparecem com força a cereja, o morango e até mesmo cravos e pimentão.

Saindo da Provence chegamos ao Rhône sul, Tavel, a única região demarcada na França autorizada a produzir roses. Os roses são feitos das castas mediterrâneas, Grenache, Cinsualt, Clairette entre outras. São roses encorpados, volumosos, aromáticos lembrando especiarias.

Há, também, os roses do Languedoc Roussilon onde há a inclusão da Syrah e da Carignan gerando roses com aromas de especiarias.

Gosta de um estilo de rose mais seco e mineral? Não precisa sair da França. Vá para o Loire. Ali temos os roses de Anjou. São roses mágicos feitos de Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc e Gammay. Resultado? Um rose de médio porte, mais seco, mineral e com leve toque de acidez.

Saindo da França temos Argentinos, em geral feitos com a Malbec pelo método sangria. Roses mais adocicados e de cor mais escura.Os chilenos feitos com a Cabernet Sauvignon em geral mais secos e ácidos do que os argentinos. E os brasileiros, em geral mais leves e menos adocicados que os andinos.

Estados Unidos com a Zinfandel e a Austrália com a Grenache também produzem ótimos roses.

MAS, SINCERAMENTE A FRANÇA É, PARA MIM, O GRANDE PRODUTOR DE ROSES.

A Provence, terra de sol, praia e especiarias não poderia deixar de elaborar um vinho que fosse parceiro de sua culinária.

Mas repito, concordando ou não com este post  NÃO DEIXE DE APRECIAR UM ROSE.





PRIMEIROS PASSOS – PARTE III – UVAS MAIS CONHECIDAS

13 11 2011

Segundo nossos primeiros passos. Vamos dar uma rápida ideia das uvas mais conhecidas. São as chamadas uvas internacionais e assim o são não porque vieram deste ou daquele país e, sim, porque têm alto poder de adaptação, produtividade e qualidade.

Nas tintas temos:

CABERNET FRANC: Esta da foto acima. Originária do Loire, França, faz parte do chamado corte bordalês, isto é, faz parte dos afamados vinhos de Bordeaux junto com a Cabernet Sauvignon  e a Merlot.  Gosta de solos frios e clima temperado.  Uva de taninos (veremos em outro post o que é) firmes, sedosa, aromática e se encaixa perfeitamente na combinação acima. Individualmente, mais raro de se encontrar,  produz um vinho encorpado e agradável de se beber, mas sua grande qualidade é a perfeita combinação com a Merlot  e/ou a Cabernet Sauvignon.

CABERNET SAUVIGNON: Esta para as tintas omo a Chardonnay para as brancas. Difícil o lugar onde não é plantada. Nascida em Bordeaux, França. Alta produtividade e adaptabilidade. Seus vinhos são um tanto tânicos e duros, nos vinhos de menor expressão. Aromas profundos de ameixa e frutos vermelhos. Muito propícia ao envelhecimento, com saúde, e a vocação para a madeira, aceitando o estágio nas barricas de carvalho.

MERLOT: Outra espécie vinda de Bordeaux, França. Adora locais frios e solos úmidos. Vinho de taninos médios. Nos melhores exemplares é bastante sedosa. Bastante frutada quando o vinhedo está em locais mais quentes, com aromas de ameixa, frutos negros como amora e cassis. Nos vinhedos mais frios seus aromas lembram pimentão verde e toques mais herbáceos. Está espalhada pelo mundo pela mesma razão de suas irmãs acima. No Brasil adapta-se perfeitamente, podendo-se dizer que é nossa uva tinta ícone, isto é, produz-se com qualidade e quantidade ímpar.

PINOT NOIR: Mais uma uva francesa, agora da Borgonha. Uva que faz parte do corte da Champagne junto com a Chardonnay e a Pinot Munier. Gosta de locais frios e sempre está de mãos dadas com as castas brancas Chardonnay e Sauvignon Blanc, portanto aonde tem estas castas tem uma boa Pinot Noir. Seus vinhos são de corpo médio, muito aromáticos e de cor vermelho claro. Baixo índice de taninos nos trazem um vinho muito frutado e agradável de se beber.

MALBEC: Pelo menos para os consumidores que estão abaixo da linha do Equador é uma das principais uvas tintas. É originária de Cahors, no sudoeste francês. Lá nunca alcançou a grandeza que tem agora na Argentina e Chile. Uva que produz tintos encorpados. Aceita muito bem a madeira e produz vinhos com aromas de ameixa e frutos vermelhos. Tem muita doçura da própria uva o que traz vinhos menos ácidos e mais aos gosto dos que estão iniciando no mundo do vinho.

CARMENÈRE: Nascida em Bordeaux e por lá extinta tem tempo. Muito anos confundida com a Merlot no Chile. redescoberta a pouco mais de uma década, hoje é a uva símbolo do Chile. Vinhos muito parecidos com os Merlot, porém com um gosto terroso que aqueles não tem. Sedosa, taninos médios, pouco menos aromática que a Merlot. Até pouco tempo atrás, na minha opinião, não se produzia vinhos de grande expressão. Hoje mudou, há vinhos excelentes.

Nas brancas, certamente temos uma dupla francesa de muito sucesso.

CHARDONNAY: Seu berço é a Borgonha, França. Seguramente a mais importante uva branca que existe. Sua adaptabilidade é imensa. Temos desde os vinhos normais até os de sobremesa. Vai desde os vinhos sem madeira até os barricados. Sem esquecer que é a uva branca no corte de Champagne e dos espumantes. Se os vinhedos estão em locais mais frios produzem vinhos herbáceos, minerais e de uma acidez marcante. Se em locais mais quentes algo puxado a mel e bastante encorpados.

SAUVIGNON BLANC: Uns dizem ser de Bordeaux outros do Loire, mas o que interessa é que junto com a Chardonnay está espalhada por todo o mundo. Mas, ao contrário de sua parceira, produz vinhos de acidez alta, cítricos e muito secos (quase sem doçura natural). Ideais para frutos do mar e pratos leves. Aromas cítricos e herbáceos, muito refrescante e amiga dos dias mais quentes.

Fiquem com este vinhedo de Chardonnay na Borgonha. É época de colheita. Vejam o cuidado. A colheita é manual e em pequenas cestas. Todo o cuidado  é pouco, nada pode ser perdido.








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