AS UVAS CLÁSSICAS DO MEDITERRÂNEO

18 12 2011

Toda a borda do Mediterrâneo que vai da França até a Espanha usa e abusa das quatro uvas que dão o tom em seus vinhos.

Este vinhedo de Grenache, no Roussilon, França, que o diga.

Importante  dizer que o clima é mediterrâneo, isto é, clima temperado muito influenciado pelo mar. Sendo assim, podemos ter verões quentes e secos ou frios e chuvosos. Aí entram as uvas chamadas de corte. No blend sob responsabilidade do enólogo, diferentes uvas são utilizadas de acordo com seu grau de qualidade em função do clima.

Muito diferente do clima continental, ao estilo, Colchagua, onde dificilmente temos variações em relação aos estilos de inverno e verão.

Aí é que entram as uvas clássicas do Mediterrâneo.

A Carignan, Grenache, Mouvèdre e Cinsault. Estas uvas tintas estão presentes na grande maioria dos vinhos.

A Carignan, também chamada de Cariñena, na Espanha de onde é originária, inclusive fazendo parte do corte dos vinhos de Rioja. Mas no Languedoc, extensa região na França que vai da Provence até a fronteira espanhola encontrou um local onde produz muito e, hoje, graças ao trabalho dos jovens produtores, produz com qualidade. Uva que traz ao vinho muita cor e aromas, mas possui muita acidez e taninos, por isto dificilmente a vemos, nesta região vinificada sozinha.

O que não é o caso do Chile e dos EUA onde os produtores tem, com sucesso, dominado os taninos e a acidez e produzidos belos varietais.

A outra uva mestra do Mediterrâneo é a Grenache ou Garnacha para os espanhóis. Também chamada de Cannonau na Sardenha.

Esta uva é fundamental para o Rhone sul onde compõe 50% do Châteaueuf-du-pape e entra em basicamente todos os cortes dos vinhos tintos e roses. Vindo mais para oeste, na Provence, Languedoc e Roussilon continua essencial. Dificilmente a vemos fora dos vinhos.

Mais um a uva nativa do norte da Espanha que graças ao trabalhos dos Romanos espalhou-se pela borda do Mediterrâneo. Uva que gosta de muito sol e solos secos, como os da foto acima e como tem maturação prolongada seus altos índices de açúcar permitem elaborar vinhos bastante alcoólicos. Como possui a pelo muito fina não tem cor e taninos para que seja vinificada sozinha, daí a necessidade de suas parceiras, a Mouvèdre, Cinsault e a Carignan.

Mas não podemos pensar em roses de Provence sem que ela esteja presente. É essencial para trazer ao vinho açúcar e álcool.

Na Espanha é importantíssima na produção dos vinhos do Priorato, região perto de Barcelona que produz vinhos potentes junto com a Carignan.

Outra parceira inseparável é a Mouvèdre, chamada, na Espanha de Monastrell. Originária da Catalunha esta casta é amiga  da Grenache completando-a. O que falta numa sobra  na outra. A Garnacha é alcoólica, sem pigmentação e certa doçura. A Mouvèdre é poderosa na cor, nos taninos e na acidez. Portanto, combinação inseparável.

Sozinha a Mouvèdre, na Provence, mais precisamente em Bandol encontrou terreno fértil para que se possa produzir os vinhos tintos da Provence. Sozinha empresta todos os itens necessários a um vinho potente e de guarda. Experimentem um tinto de Bandol e não esquecerão.

Na Espanha a Monastrell é vinificada em toda a borda mediterrânea, tanto sozinha, como no jovem terroir de Jumilla, que faz parte da província de Murcia e Alicante no sul de Valência.

Por fim, mas não menos importante é a Cinsault, também chamada de Hermitage. Hermitage que no cruzamento com a Pinot Noir deu origem à uva chamada Pinotage, ícone da África do Sul.

Uma essencial no Languedoc e no Roussilon, tem por característica a sua tolerância ao sol e ao calor, inclusive é plantada do outro lado do Mediterrâneo, como Marrocos, Líbano e Argélia.

Uva muito produtiva deve ter cuidado máximo para que se obtenha qualidade. Empresta ao corte com a Mouvèdre e a Grenache, sedosidade e aromas.





FALANDO DA SYRAH…

11 12 2011

A Syrah ou Shiraz para quem queira é uma uva tida como internacional. E assim o é não por ser nativa da França e, sim, pela sua alta adaptabilidade, produtividade e qualidade.

Fácil verificar que se dá bem na França, Portugal, EUA, Chile, Argentina e na Nova Zelândia, foto acima. Lá é ovelha, ovelha, ovelha e humm vinhedos, principalmente de Shiraz, Pinot Noir, Sauvignon Blanc e Riesling.

Falar da Syrah é dizer que alguns entendem como vinda da Pérsia e que viajou até o Rhone instalando-se em Hemitage.

Aliás, Hermtige, algo como eremita, seria um cavaleiro templário que não mais foi ao Oriente lutar nas Cruzadas, instalou-se no Rhone e ali foram plantadas as primeiras mudas.

Mas história ou estória, o certo é que falar da Syrah é falar de uma uva produz vinhos de cor vermelho escuro, aromas de couro, pimentão, pimenta, noz moscada e, dependendo da madeira utilizada, café e tostado. Na boca volume, densidade taninos presentes e final prolongado.

Falar da Syrah é não esquecer Gosta de locais quentes e, além do Rhône norte a Austrália a tem como casta ícone.  Lá, nos vales de Barossa, Hunter e Mclaren produzem Syrah fora da média. Potentes, com muita doçura da fruta e aromáticos.

Inclusive, em alguns casos utilizam um corte com a branca Viognier, como Côte Rôtie,  para dar um pouco mais de leveza ao vinho. Nos Estadus Unidos vales mais quentes, assim como no Chile, Colchagua e Cachapoal e Argentina no Vale Del Uco, Mendonza. Importante dizer que em Portugal vem dando excelentes resultados no Alentejo.

Mas falar da Syrah é não esquecer que até locais não tão quentes, como a Nova Zelândia produzem excelentes exemplares. O frio faz com que nos traga vinhos mais calmos, menos alcoólicos, mas ainda assim, vinhos charmosos e sem perder sua característica de temperos e pimenta.

Sou muito suspeito para falar da Syrah porque a tenho no coração.

No vídeo de um vinhedo de Syrah no Rhone, vejam a exposição solar das vinhas e o solo totalmente  desprovido de matéria orgânica. A videira tem raízes profundas, algo como 8 a 10 metros vai buscar seu provimento bem longe do solo.





AS DIFERENÇAS NO RHONE NORTE – PARTE IV – HERMITAGE

27 11 2011

Pois bem a pequena cidade Tain L’Hermitage é o coração do vale do Rhône. Mais uma vez em suas encostas, desta vez de quem sobe o Rhône no seu lado leste, estão plantados estes magníficos vinhedos. Só a foto já bastaria para alegrar o dia. Mas não é só de beleza que vive a região.

Diz a lenda que um cavaleiro templário, cansado das idas e vindas para o Oriente lutar nas cruzadas aqui estabeleceu-se e viveu como um Hermitage (eremita). Dizem, também, que as pequenas Igrejas e Capelas que ponteavam o caminho escondiam o dinheiro e outras riquezas saqueadas do Oriente ou mesmo serviam de cofre para que durante o caminho pudessem abastecerem-se. Logo veremos uma destas.

Sabe-se lá se trouxe ou melhorou as vinhas na região, mas o que importa e que daqui sai um dos melhores Syrah do que se pode produzir. Ao estilo Cote Rotie, forte, volumoso encorpado e bastante tânico assim com ótima vocação para envelhecer, com saúde, na garrafa. Após alguns anos temos um vinho rico de aromas, couro, especiarias, pimenta e um leve mentolado único que caracteriza um Syrah desta estirpe.

O clima continental ainda impera no vale do Rhône, inverno e verão bem demarcado sem muitas alterações climáticas favorecem o desenvolvimento de poucas, mas selecionadas castas.

A diferença, aqui para o resto do norte vale do Rhône é que as brancas Roussanne e Marsanne disputam palmo a palmo a qualidade e excelência da região.

Da Syrah já falamos, mas das brancas não.

A Roussanne é uma casta branca com cor avermelhada quando da sua colheita, produz brancos untuosos, ricos em aromas, nativas desta região do Rhône, fora dele se tem pouca notícia de algo que faça frente as aqui elaboradas. Aqui é corte com a Marsanne para produzir os aromáticos, ricos e volumosos brancos de Hermitage. Fazendo frente aos potentes Syrah.

Sua parceira inseparável a Marsanne que completa o trio das castas brancas do norte do vale do Rhône, junto com a Roussanne e a Viognier. Também nativa do Hermitage, mais prolixa e rentável que Roussanne vem dar a esta quantidade, qualidade e aromas mais florais e cítricos, já que a Roussanne sempre puxa para o mel e aromas de frutas secas, como damasco e tâmaras. Portanto vem dar vivacidade aos vinhos brancos do Hermitage.

Já falamos que a chave da longevidade dos vinhos brancos é a acidez o que não é o forte dos vinhos brancos de Hermitage, estes devem ser consumidos o mais jovem possível.

O vídeo mostra o vinho do local.





PRIMEIROS PASSOS – PARTE XXIII – TINTOS MADUROS

21 11 2011

São vinhos que precisam de algum tempo de estágio em madeira e garrafa, algo em torno de 10 anos caso contrário estaríamos abrindo um vinho que sequer conseguiu desenvolver-se. São vinhos, por este motivo, caros, alguns mais caros que deveriam.

Nos brancos temos a Riesling, a Grünner Veltiner e a Semillon que produzem brancos excepcionais, mas para serem apreciados após 10 anos de descanso. Os Riesling, de preferência alemães ou ausralianos e Grünner Veltiner, Áustria e a Semillon, apesar de compor o corte das brancas de Bordeaux, inclusive o botritizado Sauternes, desenvolve-se com maestria na Austrália onde alcança a sua plenitude depois de 10  12 anos de garrafa.

Nos tintos o segredo, com suas raras exceções é o tanino. Ele quando em grande quantidade traz muita estrutura para um vinho, ocorre que para arredondá-los só o tempo em barricas, como na foto acima e muita espera em garrafa. Nesta turma eu gosto:

PORTUGAL: Certamente a tânica e manhosa Baga, da Bairrada. Região perto do Atlântico são vinhos que quando bem trabalhados produzem verdadeiras joias da coroa. Um vinho bastante complexo, frutas silvestres com um fundo de café e tostado. Ou então um maduro alentejano como um Mouchão ou um Pera Manca, elegantes e refinados.

URUGUAI: A Tannat, a exemplo da Baga possui bastante taninos e quando os produtores acertam a mão o vinho é um pouco mais caro mas muito bom. Bastante corpo, aromas de frutos vermelhos e couro.

FRANÇA: Certamente a minha amada Syrah, os Hermitage e Cotie Rotie do alto Rhône são meus preferidos. Vinhos que precisam de 10 anos de garrafa, quando se abre o ambiente perfuma, nariz de frutos vermelhos e especiarias, como cravo e canela. Na boca volume, potência com toques de mentolado  e pimenta. FANTÁSTICOS, puro sangue total. Tem os vinhos de Bordeaux, no estilo mais charmosos e elegantes. Nariz mais calmo, café e tostado, na boca corpo elegante e sedoso, no estilo mais clássico que os puro sangue do Rhône, ah e bem mais caros também.

ITÁLIA: Aqui as opções são várias. Do sul com a uva Aglianico, Taurassi e Basilicata, são potentes e firmes, ao estilo dos vinhos do Rhône, verdadeiros puro sangue, como um carro esportivo, como dizem por lá, uma máquina, mas em face dos taninos precisam, também, de muito tempo de descanso nas barricas e garrafas. Do Piemonte os Barolos, com a Nebiollo, certamente grandes representantes. Vinhos firmes, encorpados, nariz de frutas vermelhas e discreta madeira. Na boca densos e firmes. Em Valpolicella os Amarones feitos com a especial técnica das uvas desidratadas, potentes, alguns chegam a 17% de álcool. Boca firme e encorpada com um final meio amargo. Nariz mais adocicado de frutos vermelhos e tabaco. Bela opção.

AUSTRÁLIA: Certamente os tintos do Vale Barossa, densos e com ato índice de álcool, muitas vezes utilizam ao exemplo de Cotie Rotie a Viognier para acalmar a Syrah.

CHILE e ARGENTINA: Certamente os clássicos com muito tempo de barrica e garrafa. Principalmente os feitos com Cabernet Sauvignon (Chile) em especial os de Colchagua e a Malbec (Argentina) estes em especial os de regiões quentes de Mendonza, como Lujan de Cuyo e La Consulta.

Bem seja qual for o estilo nos vinhos maduros, beba-os devagar, aprecie o momento de estar a frente de um vinho que descansou, pelo menos 8 a 10 anos até estar a sua frente.





SIMPLESMENTE O MELHOR

17 07 2011

A Syrah dizem uns ser originária do vale do Rhone, norte, perto de Lyon, tida como a capital mundial  da gastronomia. Outros, numa versão mais épica dizem ser esta uva originária da Pérsia, hoje Irã onde, inclusive tem uma cidade chamada Shiraz. Esta uva teria sido trazida para o Rhône por um cavaleiro templário. Este ao abandonar suas cruzadas teria se tornado um eremita (Hermitage) e se fixado paragem no Rhone.

Pois bem esta casta no vale do Rhone alcança sua plenitude. Ali três locais se destacam. Hermitage, alto do vale, Corzes Hermitage, parte de baixo do Rhone, a partir da capela que dizem ser última morada do nosso famoso cavaleiro templário e, do outro lado do vale, Cotie Rotie onde esta casta, inclusive é misturada ao branco Viognier, para, assim dizer, acalmá-la um pouco.

Segue a foto da capela com vale do Rhone ao fundo.

Por outro lado é certo que esta casta, pela sua adaptabilidade hoje está espalhada pelo mundo inteiro, desde o Rhone sul, países andinos, EUA e Austrália, onde é tida como uva símbolo.

Gosto e muito desta casta. Quando ela se desenvolve com maestria, certamente, teremos um vinho de exceção.

Na Enoteca Conte Freire, Rua Desembargador Espiridião de Lima Medeiros, 156, Porto Alegre/BR, abrimos ao final do curso sobre Chile e Argentina, suas regiões e diferenças, este Montes Alpha 2006 da foto e ele   é exatamente assim. Encorpado, cor escura, aromas que vão das ameixas e frutos secos passando por couro e especiarias. Na boca volumoso, picante e apimentado, exatamente, apimentado. Os melhores Syrah mostram esta característica de pimenta e pimentão verde. Final de gole longo agradável e ABSOLUTAMENTE INESQUECÍVEL. Vale cada gota.

Aurélio Montes é figura conhecida no Chile e está entre os melhores enólogos daquele país, Colchagua é, seguramente, uma das melhores regiões vinhateiras do mundo, este Montes Alpha tem região demarcada e filiação correta, utilizando-se de uma das melhores uvas que existem só poderia ser simplesmente o melhor da noite.

Safra mais antiga, 2006, mas que em nada piora, muito pelo contrário, um clássico, assim como curtir Tina Turner.





VINHOS MADUROS – ESCOLHA SEU ESTILO

10 04 2011

São vinhos que precisam de algum tempo de estágio em madeira e garrafa, algo em torno de 10 anos caso contrário estaríamos abrindo um vinho que sequer conseguiu desenvolver-se. São vinhos, por este motivo, caros, alguns mais caros que deveriam.

Nos brancos temos a Riesling, a Grünner Veltiner e a Semillon que produzem brancos excepcionais, mas para serem apreciados após 10 anos de descanso. Os Riesling, de preferência alemães ou ausralianos e Grünner Veltiner, Áustria e a Semillon, apesar de compor o corte das brancas de Bordeaux, inclusive o botritizado Sauternes, desenvolve-se com maestria na Austrália onde alcança a sua plenitude depois de 10  12 anos de garrafa.

Nos tintos o segredo, com suas raras exceções é o tanino. Ele quando em grande quantidade traz muita estrutura para um vinho, ocorre que para arredondá-los só o tempo em barricas, como na foto acima e muita espera em garrafa. Nesta turma eu gosto:

PORTUGAL: Certamente a tânica e manhosa Baga, da Bairrada. Região perto do Atlântico são vinhos que quando bem trabalhados produzem verdadeiras joias da coroa. Um vinho bastante complexo, frutas silvestres com um fundo de café e tostado. Ou então um maduro alentejano como um Mouchão ou um Pera Manca, elegantes e refinados.

URUGUAI: A Tannat, a exemplo da Baga possui bastante taninos e quando os produtores acertam a mão o vinho é um pouco mais caro mas muito bom. Bastante corpo, aromas de frutos vermelhos e couro. Gosto do Staiger Viejo, com o detalhes que as uvas não são dos arredores de Montevidéo e sim da região noroeste do país.

FRANÇA: Certamente a minha amada Syrah, os Hermitage e Cotie Rotie do alto Rhône são meus preferidos. Vinhos que precisam de 10 anos de garrafa, quando se abre o ambiente perfuma, nariz de frutos vermelhos e especiarias, como cravo e canela. Na boca volume, potência com toques de mentolado  e pimenta. FANTÁSTICOS, puro sangue total. Tem os vinhos de Bordeaux, no estilo mais charmosos e elegantes. Nariz mais calmo, café e tostado, na boca corpo elegante e sedoso, no estilo mais clássico que os puro sangue do Rhône, ah e bem mais caros também.

ITÁLIA: Aqui as opções são várias. Do sul com a uva Aglianico, Taurassi e Basilicata, são potentes e firmes, ao estilo dos vinhos do Rhône, verdadeiros puro sangue, como um carro esportivo, como dizem por lá, uma máquina, mas em face dos taninos precisam, também, de muito tempo de descanso nas barricas e garrafas. Do Piemonte os Barolos, com a Nebiollo, certamente grandes representantes. Vinhos firmes, encorpados, nariz de frutas vermelhas e discreta madeira. Na boca densos e firmes. Em Valpolicella os Amarones feitos com a especial técnica das uvas desidratadas, potentes, alguns chegam a 17% de álcool. Boca firme e encorpada com um final meio amargo. Nariz mais adocicado de frutos vermelhos e tabaco. Bela opção.

AUSTRÁLIA: Certamente os tintos do Vale Barossa, densos e com ato índice de álcool, muitas vezes utilizam ao exemplo de Cotie Rotie a Viognier para acalmar a Syrah.

CHILE e ARGENTINA: Certamente os clássicos com muito tempo de barrica e garrafa. Principalmente os feitos com Cabernet Sauvignon (Chile) em especial os de Colchagua e a Malbec (Argentina) estes em especial os de regiões quentes de Mendonza, como Lujan de Cuyo e La Consulta.

Bem seja qual for o estilo nos vinhos maduros, beba-os devagar, aprecie o momento de estar a frente de um vinho que descansou, pelo menos 8 a 10 anos até estar a sua frente.





TINTOS LEVES E FRUTADOS? DESCUBRA O SEU ESTILO

22 03 2011

Para quem mora no hemisfério sul o outono está aí. Aqui em Porto Alegre os dias já vão se encurtando, a luminosidade solar é outra e no início da manhã e ao final do dia já sentimos um ar mais leve, mais frio.

A linda foto acima me inspirou a escrever sobre os tintos frutados, leves e refrescantes, ideais para estes dias.

Alguns segredos se revelam. Um tinto para ser leve, de corpo médio e frutado depende da uva a ser utilizada, o ideal são uvas com bagos grandes e cascas finas que retêm pouco tanino, como a Pinot Noir, a Gammay, a Spätburgunder e por aí vai.

Outra dica são os tintos de regiões mais frias onde no final de maturação a uva não adquire muito açúcar mantendo a agradável acidez. Por fim o processo de vinificação, sem sangria, sem “engrossar” o mosto, como a maceração carbônica, muito utilizada nos Beaujoais, aquela em que o mosto inicial é originado não pela prensa nos bagos das uvas e sim o próprio peso delas, umas em cima das outras. Mantendo o frescor e aromas da uva.

Neste estilo o meu preferido é o Beaujolais, de preferência os Crus feito com a uva Gammay, França,  na Borgonha sul, logo acima de Lyon.

Hoje a Gamay domina a região sul da Borgonha, como toda a uva que produz muito e sendo mal conduzida pode levar a vinhos bastante simples. Bem trabalhada produz vinhos com baixo potencial de taninos, bastante frutada,  aromática e com acidez marcante, alguns produtores a vinificam para que possam ter mais tempo de garrafa. Para mim não importa, gosto dos Beaujolais justamente por serem vinhos novos, agradáveis e excelentes companheiros para longas conversas sem compromisso. Nesta época então é a pedida.

Para os que inexplicavelmente não gostam dos roses este é uma alternativa, tão leve quanto e tão frutado quanto, apenas sem aquela cor e charme que só os roses têm.

Já que estamos na Borgonha por que não um Pinot Noir Village, muito agradável, leve e bastante companheiro para pratos leves e uma boa conversa e a preços acessíveis.

Na França ainda temos o Chinon, uma joia feita na cidade homônima no coração do Loire, coma nativa Cabernet Franc. Um belíssimo vinho de cor vermelho escuro, aromas de morango e cereja, na boca sedoso e delicado com bom final de gole.

A Alemanha entra com a sua Spätburgunder (Borgonha atrasado), na verdade um clone da Pinot Noir, feito no sul do país em Baden, muito bom, alegre, frutado e macio.

A Itália tem os vinhos do Piemonte, a Barbera, e o Dolcetto. O primeiro cor vermelho escuro, aromas que puxam mais para o apimentado, na boca um pouco mais de força e acidez, mais rústico, bem ao estilo italiano, mas imbatível com uma boa pizza. O segundo, apesar do nome, docinho, nada tem de doce, muito pelo contrário, seus aromas de frutos vermelhos e a acidez garantem um vinho bem refrescante e companheiro para os pratos leves e carnes brancas.

Portugal tem uma região que produz, neste estilo, vinhos de elite, o Dão. Região montanhosa entre o litoral, Bairrada e o interior o Douro. Aproveita os frios ventos do Atlântico para refrescar seus vinhedos no verão o que garante vinhos com boa dose de acidez e fruta. Somam-se as casta locais como a Alfrocheiro e a onipresente Touringa  Nacional, entre outras, garantindo todas as qualidades de um bom vinho tinto para a esta época, principalmente no preço.

A África do Sul, o nosso velho novo mundo tem os Pinotage, cruza de Pinot Noir com a Hermitage (Cinsault), casta do Rhône.  São vinhos vinificados ao estilo europeu, madeira na medida certa, o que garante a jovialidade e os aromas de frutas vermelhas que tanto queremos.





ENCONTRO – RHÔNE NA PRÁTICA – HERMITAGE MARQUISE DE LA TOURETTE 2006 – DELAS FRÈRE

25 11 2010

 

Rhône norte Hermitage é o berço de uma das castas que mais aprecio a Syrah, mas ao falar de Hermitage esqueça tudo o que sabes sobre a Syrah e dos vinhos que tenha provado. O Syrah de Hermitage de igual só o nome.

REGIÃO: Pois bem a pequena cidade Tain L’Hermitage é o coração do vale do Rhône. Mais uma vez em suas encostas, desta vez de quem sobe o Rhône no seu lado leste, estão plantados os magníficos vinhedos de Syrah.

Só a foto já bastaria para alegrar o dia. Mas não é só de beleza que vive a região.

Diz a lenda que um cavaleiro templário, cansado das idas e vindas para o Oriente lutar nas cruzadas aqui estabeleceu-se e viveu como um Hermitage (eremita). Dizem, também, que as pequenas Igrejas e Capelas que ponteavam o caminho escondiam o dinheiro e outras riquezas saqueadas do Oriente ou mesmo serviam de cofre para que durante o caminho pudessem abastecerem-se. Logo veremos uma destas.

Sabe-se lá se trouxe ou melhorou as vinhas na região, mas o que importa e que daqui sai um dos melhores Syrah do que se pode produzir. Ao estilo Cote Rotie, forte, volumoso encorpado e bastante tânico assim com ótima vocação para envelhecer, com saúde, na garrafa. Após alguns anos temos um vinho rico de aromas, couro, especiarias, pimenta e um leve mentolado único que caracteriza um Syrah desta estirpe.

O clima continental ainda impera no vale do Rhône, inverno e verão bem demarcado sem muitas alterações climáticas favorecem o desenvolvimento de poucas, mas selecionadas castas.

A UVA: Esta é uma das minhas castas preferidas. Seu berço é  na subida do rio Rhône perto de Lyon. Quando encontra seu local ideal produz vinhos de cor vermelho escuro, aromas de couro, pimentão, pimenta, noz moscada e, dependendo da madeira utilizada, café e tostado. Na boca volume, densidade taninos presentes e final prolongado.

Gosta de locais quentes e, além do Rhône norte a Austrália  tem-na  como casta ícone.  Lá, nos vales de Barossa, Hunter e Mclaren produzem Sirah fora da média. Potentes, com muita doçura da fruta e aromáticos. Inclusive, em alguns casos utilizam um corte com a branca Viognier para dar um pouco mais de leveza ao vinho. Nos Estadus Unidos vales mais quentes, assim como no Chile, Colchagua e Cachapoal e Argentina no Vale Del Uco, Mendonza. Importante dizer que em Portugal vem dando excelentes resultados no Alentejo.

PRODUTOR: Maison Delas Frère possui vinhos de quase todas as regiões do Rhône, fundada em 1835, desde 1995 vem passando por uma grande renovação com pesados investimentos em equipamentos e tecnologia, tendo como lema a produção de um vinho que expressa a força do terroir de onde provêm as uvas. Os seus vinhos procuram respeitar ao máximo a tipicidade de cada local onde foram plantadas as videiras.





VALE DO RHÔNE – CORNAS E SEU PURO SANGUE

4 11 2010

 

Cornas ponto final do que chamo de vale do Rhône norte. Antiga região de bons vinhos. Desde o tempo da Idade Média vem produzindo vinhos de exceção. Infelizmente há uns 20 ou mais anos a qualidade dos vinhos de Cornas baixaram a qualidade. Sempre no binômio conhecido optar por quantidade em detrimento da qualidade.

Os varietais do novo mundo e a globalização que atingiu o mundo do vinho fez muito bem para a, hoje, renovada região de Cornas.

Produzido integralmente pela casta Syrah, ao melhor estilo varietal do novo mundo. Quer queiram quer não, os vinhos varietais, comercialmente, tem mais venda que os cortes. Agora, só se pode produzir varietais de qualidade em climas continentais onde há invernos e verões rigorosos e bem demarcados. Ou que o clima da região, mesmo mais próxima do mar seja um clima mais constante, como as algumas regiões chilenas e australianas, por exemplo. Caso contrário, necessariamente o produtor tem que se servir de várias castas justamente para compensar a qualidade da uva em face das diferenças climáticas.

Mas voltando a Cornas. Os vinhedos, aos melhor estilo do Hermitage, são plantados nas encostas do Rhône, em terreno granítico e recebendo muito sol no fim da maturação. A Syrah gosta de verões quentes e secos. Assim são produzidos vinhos, quando jovens muito potentes, fortes, volumosos e tânicos, VERDADEIROS CAVALOS ÁRABE PURO-SANGUE e desde logo demonstrando grande vocação para o envelhecimento. Em ambiente com redução de oxigênio como as barricas de carvalho fazem com que ao final de alguns anos tenhamos um vinho, ainda muito elegante, macio e inesquecível.

Ainda mais que a Syrah, das tintas é a minha preferida. Um bom Syrah, necessariamente, tem uma cor vermelho granada, nariz de couro e especiarias, como noz moscada e canela. Na boca volume e presença sem perder a elegância.





VINHOS DO RHÔNE – CROZES-HERMITAGE SERÁ QUE HÁ DIFERENÇAS PARA O HERMITAGE?

3 11 2010

Esta é a famosa Capela do Hermitage. De lá para baixo é Crozes-Hermitage.  Diferenças em relação ao Hermitage? Há sim.

Financeira. Em primeiro lugar Crozes-Hermitage é a maior região demarcada do Rhône norte, sendo assim há mais produtores e seus vinhos, sem perder a qualidade são relativamente mais baratos que os do Hermitage.

Climática. Pouco muda, mas é importante ressaltar que os vinhedos de Crozes-Hermitage, são plantados bem mais abaixo que o Hermatage, portanto recebem mais influência da umidade do rio Rhône e de possíveis neblinas e menos tempo de sol. No que resultam vinhos mais leves, frutados e ligeiramente ácidos ótimos  para serem bebidos mais jovens.

Altura. Já dito em post anterior que a altura tem forte influência na maturação das uvas, principalmente no seu período final, isto é, nos últimos 20 dias antes da colheita. Quanto menos altura menor a variação de temperatura, principalmente nas noites de verão.

Solo. O solo muda e para pior descendo a ladeira da encosta do morro, quanto mais baixo menos qualidade tem em relação ao topo. Pessoal, não foi por uma noite de insônia que são criadas as denominações de origem. Elas são criadas após exaustivos testes para definir quais as melhores condições de desenvolvimento de uma casta.

Resultado, os vinhos do Crozes-Hermitage são vinhos da tinta Syrah e das brancas Roussanne e Marsanne mais leves, frutados e para serem bebidos mais jovens que os complexos vinhos do Hermitage, logo ali, mas com grandes diferenças.

A uva é um vegetal e como tal metro faz diferença. Experimentem trocar uma samambaia de parede ou de sala, ela até pode morrer. Da mesma maneira a uva.

 








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