CASA VALDUGA – GEWÜRTZTRAMINER 2012 – MAIS UM REPRESENTANTE DE ENCRUZILHADA DO SUL

29 05 2012

Já que estamos a falar de Encruzilhada do Sul/RS e seu destacado terroir para uvas viníferas, vamos falar deste nobre representante.

A uva Gewürtztraminer

parece ter crise de identidade. Possui a casca vermelha, mas produz um vinho branco de excelência máxima. Tem nome alemão mas nasceu em Traminer, hoje, Itália, Alto Ádige, antigo Süd Tirol do império Austro-Húngaro, mas faz um sucesso danado na Alsácia, França.  Para muitos difícil de falar o nome, mas muito fácil de se apaixonar pelos seus vinhos.  Gewurtz (espciaria) em alemão Traminer.

Cuidado ao abrir um bom vinhos com esta uva, logo surge uma explosão de aromas que vão das frutas ao frutos secos.  Na boca outro show. Na ponta da língua o seu adocicado característico e ao fundo a acidez bem-vinda. Experimente encher a boca com este vinho e deixá-lo lá por uns instantes. É  um caleidoscópio de sabores e aromas.

Mas ela tem seus caprichos. Sua produção é baixa o que faz com que muitos não a plantem. Não se adapta fácil em qualquer lugar. Alcança seu potencial máximo na Alsácia, mas pode ser encontrada com qualidade na Itália, Alto Ádige, Austrália, Nova Zelândia, EUA e, com critério, no Chile e no Brasil, isto mesmo. O Brasil em tempos idos foi um bom produtor desta casta, principalmente na fronteira com o Uruguai.

Mas, sem dúvida alguma, os alsacianos são os melhores nesta casta.

No nariz não fugiu a regra. Ao abrir o vinho parece uma feira, melão, mamão, banana, abacaxi, frutos de polpa branca, e por aí vai.

Na taça foge um pouco, de cor amarelo mais clara, como vemos na foto. Na boca uma grande diferença, acidez marcante e corpo médio, algo bem diferente dos Gewürtz tradicionais, mas mesmo assim um belo vinho.

Como combinação sugiro um peixe de pouca gordura, algo como um linguado com cremes mais encorpados.





A SAGA DO VINHO BRASILEIRO – VINÍCOLA ANGHEBEN E O MINIMALISMO

10 05 2012

Na série a Saga do Vinho Brasileiro, além de falar da história e regiões que produzem vinho, escreverei, entremeando, as vinícolas e/ou os vinhos brasileiros que gosto.

E resolvi escrever sobre vinho brasileiro ante a discussão que campeia os meio vínico nacional, seja entre os homens da lei, seja entre os amantes do vinho, os profissionais do vinhos, restaurantes e os blogueiros, que é a questão da salvaguarda aos vinhos importados. Muito barulho até agora, com boicotes e ranger de dentes, mas de concreto me parece que a máxima do dividir para comandar está vigendo. O mundo brasileiro do vinho está, hoje, dividido.

Bem, mas a Vinícola Angheben foi fundada por Idalêncio Angheben, cuja biografia sempre se confundiu com a história moderna do vinho no Rio Grande do Sul, maior Estado brasileiro produtor e onde, de fato tudo iniciou.

Professor, orientador e motivador do moderno vinho nacional, Angheben foi um dos primeiros enólogos a sair das salas de aula e a estudar o terroir (leia-se clima + solo) para esta ou aquela uva.  Forte trabalho foi feito em tempos passados com a Cabernet Franc, que penso se adpata perfeitamente ao solo úmido e frio da serra gaúcha, mas hoje um pouco sumida.

O sonho de pioneirismo e de amor ao vinho foi passado ao seu filho, Eduardo Angheben, que hoje está no timão da vinícola, produzindo vinhos artesanais, os chamados vinhos de garagem, uvas selecionadas, produção liliputiana e preços acessíveis. Veremos.

Inspirados por esta luz e paisagem da foto acima, o pessoal da Angheben abre as portas da vinícola, todos os dias, para que possamos usufruir de suas preciosidades.

Mas e o minimalismo? Bem na arte é conhecido o minimalismo como o máximo no mínimo. O máximo da arte no mínimo dos traços. Quando abre seu atelier, a Angheben produz o máximo em vinhos no mínimo espaço, equipamentos e pessoas envolvidas.

As fotos adiante assim dizem:

Da única prensa, passando por alguns tanques de inox para a fermentação até estas barricas e terminou o atelier do Eduardo Angheben.

Quanto aos vinhos a Angheben optou por trabalhar de modo artesanal, fugindo a toda espécie de globalização, seja no estilo dos vinhos, na sua comercialização ou nas uvas.

As uvas utilizadas são: A branca Gewurtztraminer, original do Alto Ádige, ao lado do Veneto, de onde vieram a esmagadora maioria dos imigrantes italianos que se instalaram na serra gaúcha, as tintas, Barbera, Piemonte) Pinot Noir (Borgonha), Cabernet Sauvignon (Bordeaux),  a Teroldego (Veneto) e a Touringa Nacional (Portugal).

O estilo dos vinhos é sempre no sentido de respeitar o terroir de Encruzilhada do Sul, mais ao centro sul do Rio Grande do Sul. Clima mais frio nas nas noites de verão ao final da maturação, aliado ao sol, figura mais constante que na serra, fazem com que as uvas tenham um amadurecimento mais lento fixando melhor, cor, açúcares e aromas. Somado ao estilo de vinho estas uvas trazem.

NADA DE GLOBALIZAÇÃO.

Mas não pensem que é fácil andar na contra-mão. Ser minimalista num mundo absolutamente globalizado em estilo e ideias é complicado. Hoje muitos não enxergam amor no que fazem mas simplesmente dinheiro. Preferem mais quantidade do que qualidade, preferem o igual ao diferente, uvas pouco conhecidas e estilos de vinhos também fora do tinto retinto cheio de madeira parece loucura. E é, loucura saudável e necessária. Mas é preciso ser sensível e sonhador.

Pessoal da Angheben, só me prometam uma coisa, não mudem jamais, sob pena de deixar órfão, tanto o editor deste blog, como uma legião de consumidores fiéis.

Fiquem com o poeta da alma, Fernando Pessoa: Matar o sonho é matarmo-nos. É mutilar a nossa alma. O sonho é o que temos de realmente nosso, de impenetravelmente e inexpugnavelmente nosso.

E com outro sonhador Raul Seixas, que muito sofreu em ser “louco” saudável.





MAPA DO VINHO PARTE 88 ITÁLIA ALTO ADIGE

20 03 2012

O Alto Adige,  junto com Veneza e Veneza Giulia formavam o reino de Veneza as três venezas, a trentina, Veneza e a Giulia, hoje Friuli. Ficam no extremo norte da Itália.

O Alto Adige, também chamado de Süd Tirol durante muitos anos terra austríaca. É também a Itália bilíngue, ali o alemão e o italiano são línguas oficiais.

Região montanhosa, ali ficam as famosas Dolomitas que durante a segunda guerra mundial tirou vidas de muitos soldados, mas também de inúmeros vales com o clima indo dos Alpes até as planícies perto do Mediterrâneo.

Vários climas e micro-climas pela região montanhosa temos vários estilos de vinhos e uvas. Cada qual com seu lugar preferido.

Os brancos desta região são adoráveis e, para mim, estão na elite mundial. As uvas são:

GEWÜRTZTRAMINER: Que diziam ser da Alsácia, França, na verdade é nativa do Alto Adige, inclusive há uma vila com o nome de Termeno (Traminer na língua tedesca-alemã). E como Gewürtz significa tempero, temos a temperada de Traminer. Uva banca de casca vermelha produz vinhos que vão do aromático – floral até o frutado, são vinhos, em geral, de média acidez e um pouco mais adocicados. Os estilos variam de vinhos tranquilos até os colheita tardia.

PINOT BLANC: Trazida da Áustria é uma uva elegante com aromas de maçã verde e um pouco herbácea. Dá-se muito bem no Süd Tirol.

PINOT GRIGIO: Junto com a Gewürtztraminer formam a dupla de ouro do Alto Adige. Mesma uva que leva o nome de Pinot Gris na Alsácia, mas estilos, em face do terroi completamente difernentes. Se na Alsácia ganha conotações semelhantes a Gewürtztraminer, aqui acidez e frescor marcantes. Aromas herbáceos e na boca mineralidade bem demarcada.

Depois temos a onipresente Chardonnay, a Veltiner da vizinha Áustria, a Rieling e a Muscat amarela a Moscato Giallo, sim, a mesma que encontramos aqui no Brasil. Uva aromática vinda da Grécia pelas Legiões Romanas e muito utilizada em vinhos de sobremesa.

Já nas tintas temos:

LAGREIN: Uma das grandes uvas tintas nativas do Alto Adige. Junto à cidade de Bolzano produz tintos de forte presença e elegância. Muito parecida com a Pinot Noir em termos de taninos e sedosidade. No nariz aromas de morangos e cereja, na boca um vinho extremamente agradável.

SCHIAVA: Ou na tradução, escrava, uma tinta utilizada no vinho chamado Santa Madalena.

PINOT NOIR: A grande uva tinta do Alto Adige. Nativa da Borgonha, França, o frio faz bem para a Pinot Noir e aqui ela encontra um lar adotivo perfeito. Os melhores exemplares se equiparam aos bons Pinot da bBorgonha.

O vídeo é sensacional





MAPA DO VINHO – PARTE XXXVII – FRANÇA ALSÁCIA

23 02 2012

A Alsácia no extremo nordeste francês, fronteira com a Alemanha, produz a parte da elite mundial dos vinhos brancos.

Proporciona belos passeios, mas depois de tanto caminhar vem o cansaço e a fome.

Nada melhor que uma pausa nas caves, os weintube ou nos restaurantes. E aí, junto com a especial culinária da região com toques alemães, podemos, com calma, abrir o cardápio e escolhermos alguns dos melhores vinhos brancos do mundo.

Bela e única Alsácia. Pequena região francesa que une a pragmática Alemanha com o charme da França. Fronteira móvel, região que sofreu muitas guerras ao longo da história já foi da Alemanha e depois voltou para a França, por duas vezes, e sempre entremeada de guerras, hoje,  é um amálgama perfeito entre estes dois países.

Pode-se dividir a Alsácia em duas, a alta Alsácia, cuja cidade principal é Colmar e a baixa Alsácia com a capital do Departamento, Estrasburgo.

Do lado oeste está o maciço de Vosges e do lado leste o rio Reno dividindo o país com a Alemanha.

Prensado e protegido dos frios ventos está a alta Alsácia, epicentro dos melhores vinhedos da região. A importância do Vosges é fundamental para o sucesso dos vinhos desta região.

Vejam o mapa.

Em seus 170 quilômetros de extensão produz vinhos brancos secos e bastante aromáticos e uma combinação ímpar entre açúcar, acidez e álcool, sendo um dos melhores, senão o melhor berço das castas brancas no mundo.

Minha região favorita em se tratando de vinhos brancos. Tem de todos os tipos, do mais seco ao mais doce, do mais aromático ao mineral, incluindo aí seu Crémant (sparkling). Eu como gosto e muito de vinhos brancos fico também por aqui no verão.

São também vinhos que formam grande parceria com a gastronomia local, vão muito bem com a culinária alemã, com comidas mais leves e enfrentam com maestria pratos orientais.

Ali encontraram refúgio seguro castas como Sylvanner, Riesling, Gerwurtztraminer, Pinot gris   e Pinot Blanc.

Mas a beleza de hoje não traduz explicitamente a luta dos produtores locais. Desde sempre foi uma região disputada e palco de muitas guerras. A paz que reina hoje é fruto da luta incansável de seus produtores. O clima sempre frio mesmo no verão somado ao tipo de solo favorece amplamente as castas brancas. São elas:

SYLVANNER: Produz vinhos muito semelhantes aos Riesling mas sem a complexidade desta, por outro lado, requer menos atenção do que a Riesling, precisa de menos sol e calor, seus vinhos têm cor amarelo, quase transparente,  aromas mais florais, acidez bem mais educada do que a Riesling, são vinhos para serem consumidos logo, de preferência um ou dois anos depois da safra.

RIESLING: Não vamos confundir a Riesling Renana, da qual estamos a falar com a Riesling Itálica, utilizada nos espumantes nacionais.

A Riesling Renana tem como seu berço os vales dos rios Saar, Ruwer e Mosela, todos no nordeste da Alemanha. Foi introduzida na Alsácia pelos alemães. Aqui com invernos rigorosos e os verões amenos, a Riesling adaptou-se bem, tem geralmente baixo teor alcoólico, algo perto de 12 graus,o que é uma dádiva em face destes quase vinhardentes que são vendidos hoje. Este mesmo frio ajuda para que a casta seja aromática, refrescante e extremamente longeva. Há exemplares que aguentam muito bem até 10 anos de garrafa.

PINOR GRIS: Originária da Alsácia, França, uva de casca avermelhada mas produz brancos da elite mundial. Possui homônimas espalhadas por vários países, na Iália, Pinot Grigi e  na na Alemenha Grauburgunder, entre outros. Mas é na Alsácia que esta casta alcança seu apogeu. Ali em quantidades liliputianas gera um vinho mágico, inebriante e inesquecível. Cor amarelo quase âmbar, nariz flores, frutos de polpa branca, alguma especiaria como canela e zimbro. Na taça untuoso, lágrimas densas e constantes, na boca acidez e doçura no ponto certo.

GEWÜRTZTRAMINER: A Traminer, mãe das castas Traminer, como a Traminer Rosa ou Savigny e da Gewürtztraminer é da região do Alto Adige (Itália) na antiga Süd Tirol. A Gewürtztraminer, é uma uva de casta rosada baixa produção, na Alsácia alcança sua plenitude, tanto em vinhos jovens como nos colheitas tardias para o vinho doce. Vinhos de cor âmbar possuem aromas variados e exuberantes que caracteriza Gewurztraminer. O bouquet é intenso e complexo, oferecendo uma explosão de frutas exóticas (lichia, maracujá, abacaxi, manga), flores (especialmente rosa), frutas cítricas (casca de laranja) e especiarias (gengibre, pimenta, cravo e pimenta) contribuem para dar a estes vinhos uma característica única.

PINOT BLANC: Casta originária da Borgonha, adaptou-se muito bem na Alsácia por ser resistente ao frio. Gosta de solos pedregosos que mantém o calor mesmo em dias mais frios.

É muito utilizada para a produção do Crémant D’Alsace, por ser uma casta mais ácida, frutada com aromas de maçã, pêssego e toques florais.

Há uma pequena produção de Pinot Noir, mas estes em comparação com os da vizinha Borgonha não alcançam a plenitude que lá existe.





ENCONTRO CONFRARIA ALEMDOVINHO – AQUARELA DOS BRANCOS – GENTIL HUGEL

2 02 2012

Pois bem este foi um alsaciano totalmente diferente do que eu imaginava. Ao deixá-lo por último tinha em mente um vinho muito aromático e com acidez moderada bem ao estilo que gostaria de apresentar, digamos, como sendo o oposto do primeiro vinho o Sauvignon Blanc do Loire.

Começou sendo diferente porque é um corte assim composto Gewurztraminer: 12% , Muscat: 2%
Pinot gris: 22% , Riesling: 20% , Sylvaner e Pinot Blanc: 44%.

Se apresentou completamente diferente. Um vinho de coloração mais clara, aromas contidos, aliás muito contidos para um alsaciano. Na boca um vinho leve com uma acidez média. Interessante foi o seu final de gole. Longo e interessante.

Um vinho diferente, agradável, leve e bastante interessante.

Mas não podemos deixar de falar no produtor. Existe desde 1.639, isto mesmo. Se existe desde esta época é porque se produz vinho de qualidade lá.





PRIMEIROS PASSOS – PARTE XVIII – BRANCOS AROMÁTICOS

20 11 2011

 O mundo dos vinhos brancos e aromáticos, infelizmente,  é pequeno, também.

Caso goste dos brancos aromáticos, acidez média e aromas que vão desde o floral até os de frutas de polpa branca, como maçã e pera, pense na Alsácia, na Torrontés e na Vermentino.

Os vinhos da Alsácia são extremamente aromáticos e as melhores castas são:

PINOT GRIS:  também chamada de Pinot Grigio, Rulander e Grauburgunder.

É uma uva que foi trazida pelos Monges Cistercienses, olha eles aí de novo, neste blog há vários posts que comentam sobre eles. Os Monges Cistercienses, durante a Idade Média foram os enólogos da época, trazendo e levando uvas de um país para outro e as aprimorando. A Borgonha e seus Chardonnay e Pinot Noir devem muito a eles. A Pinot Gris foi trazida do Leste Europeu, mais precisamente da Hungria por eles e plantadas, principalmente na Borgonha, sede da Abadia de Cister.

É uma uva cuja casca é avermelhada, por vezes parece uma uva tinta. De cor variando do amarelo palha ao dourado, caso dos alsacianos.

Os aromas e sabores dependem muito do clima, se de regiões frias, fora a Alsácia que pelo solo é um caso a parte, são Pinot Grigio, bem secos, minerais mais ácidos. Se de regiões mais quentes, perde em frescor e acidez mas ganha em aromas e corpo.

Na Alsácia, com seu solo vulcânico, primavera seca e verões cujas noites não são extremamente quentes, produzem um vinho muito aromáico, menos ácido e bem mais encorpado e aveludado.

GEWÜRTZTRAMINER: A Traminer, mãe das castas Traminer, como a Traminer Rosa ou Savigny e da Gewürtztraminer é da região do Alto Adige (Itália) na antiga Süd Tirol. A Gewürtztraminer, é uma uva de casta rosada baixa produção, na Alsácia alcança sua plenitude, tanto em vinhos jovens como nos colheitas tardias para o vinho doce. Vinhos de cor âmbar possuem aromas variados e exuberantes que caracteriza Gewurztraminer. O bouquet é intenso e complexo, oferecendo uma explosão de frutas exóticas (lichia, maracujá, abacaxi, manga), flores (especialmente rosa), frutas cítricas (casca de laranja) e especiarias (gengibre, pimenta, cravo e pimenta) contribuem para dar a estes vinhos uma característica única.

SYLVANNER: Produz vinhos muito semelhantes aos Riesling mas sem a complexidade desta, por outro lado, requer menos atenção do que a Riesling, precisa de menos sol e calor, seus vinhos têm cor amarelo, quase transparente,  aromas mais florais, acidez bem mais educada do que a Riesling, são vinhos para serem consumidos logo, de preferência um ou dois anos depois da safra.

VERMENTINO: A Itália colabora com a Vermentino. Casta tradicional da Sardenha e do litoral da Toscana. Também de cor vermelha, daí o nome. Produz brancos de acidez média, de cor amarelo com toques verde-oliva, muito aromática, no nariz vai desde o floral até o levemente cítrico. Na boca um show, bastante encorpada levemente amanteigada, mas com final seco e longo. Muito parceira dos frutos do mar e peixes leves.

Por fim a  Torrontés de Salta, Argentina, um charme.

TORRONTÉS: A Torrontés, dizem originária de Rioja, Espanha, deve ter vindo na mala de algum missionário espanhol e encontrou seu berço adotivo na região do Vale de Calchaqui, este aí tirado na Estância Colomé.

Um vale árido, no norte da Argentina, quem quiser saber mais, http://wp.me/pPKW2-ba

Impressionante como ela é , destacadamente, melhor do que a Torrontés  plantada em outros locais da Argentina.

Aqui, neste vale, ela desabrocha numa uva aromática que vai do floral ao cítrico, na boca do ácido a uma leve ponta de açúcar, algo parecido com o que ocorre com as brancas da Alsácia, França, retrogosto prolongado e muito bom bom.

Em termos gastronômicos ela é extremamente versátil, acompanha deste peixes não muito gordurosos até pratos orientais baseados em frutos do mar.

Além de ser uma casta única no mundo, diria até que não existe, pelo menos neste potencial, algo semelhante. Ela reúne um trinômio especial, preço, qualidade e singularidade.

Infelizmente algumas pessoas ainda tem na memória aqueles Echartt Privado feitos desta casta entendendo ser a Torrontés uma casta doce, mas não é, ela, definitivamente não é uma casta doce como a Moscatel.

Um dos grandes vinhos desta casta é o Crios da Susana Balbo quem tiver a oportunidade de comprá-lo, não hesite.

Façam suas escolhas.





SOU A GEWÜRTZTRAMINER

13 11 2011

A foto foi retirada do site de Rolf Hicker. Não resisti de tão linda.

Pois bem a Gewürtztraminer parece ter crise de identidade. Possui a casca vermelha, mas produz um vinho branco de excelência máxima. Tem nome alemão mas nasceu em Traminer, hoje, Itália, Alto Ádige, antigo Süd Tirol do império Austro-Húngaro, mas faz um sucesso danado na Alsácia, França.  Para muitos difícil de falar o nome, mas muito fácil de se apaixonar pelos seus vinhos.

Esta é a Gewurtz(espciaria) em alemão Traminer.

Se a Sauvignon Blanc do post anterior vai do vinho com acidez marcante, estilo lima-limão, até os minerais. A Gewürtztraminer segue, dos vinhos levemente minerais e de acidez mais baixa até espetaculares vinhos tardios, principalmente os alsacianos.

Como todas  as uvas brancas de casca vermelha produzem vinhos de um amarelo dourado inebriante  muito aromáticos e de acidez média baixa a exemplo da Vermentino e da Pinot Gris.

Cuidado ao abrir um bom vinhos com esta uva, logo surge uma explosão de aromas que vão das frutas ao frutos secos.  Na boca outro show. Na ponta da língua o seu adocicado característico e ao fundo a acidez bem-vinda. Experimente encher a boca com este vinho e deixá-lo lá por uns instantes. É  um caleidoscópio de sabores e aromas.

Mas ela tem seus caprichos. Sua produção é baixa o que faz com que muitos não a plantem. Não se adapta fácil em qualquer lugar. Alcança seu potencial máximo na Alsácia, mas pode ser encontrada com qualidade na Itália, Alto Ádige, Austrália, Nova Zelândia, EUA e, com critério, no Chile e no Brasil, isto mesmo. O Brasil em tempos idos foi um bom produtor desta casta, principalmente na fronteira com o Uruguai.

Mas, sem dúvida alguma, os alsacianos são os melhores nesta casta.

Em termos de gastronomia, são parceiros ideais para a culinária alsaciana que lembra a alemã. Carne de porco com temperos agridoces.

Em falar em agridoces, certamente, vai muito bem com culinária oriental ao estilo Thai.

Vai dar vontade de estar lá depois de verem este vídeo.





GOSTA DE VINHOS BRANCOS? CONHECEM A ALSÁCIA E SUAS JOIAS?

6 11 2011

A Alsácia proporciona belos passeios, mas depois de tanto caminhar vem o cansaço e a fome. Nada melhor que uma pausa nas caves, os weintube ou nos restaurantes. E aí, junto com a especial culinária da região com toques alemães, podemos, com calma, abrir o cardápio e escolhermos alguns dos melhores vinhos brancos do mundo.

Bela e única Alsácia. Pequena região francesa que une a pragmática Alemanha com o charme da França. Fronteira móvel, região que sofreu muitas guerras ao longo da história já foi da Alemanha e depois voltou para a França, hoje, a é um amálgama perfeito entre estes dois países.

Em seus 170 quilômetros de extensão produz vinhos brancos secos e bastante aromáticos e uma combinação ímpar entre açúcar, acidez e álcool, sendo um dos melhores, senão o melhor berço das castas brancas no mundo.

Minha região favorita em se tratando de vinhos brancos. Tem de todos os tipos, do mais seco ao mais doce, do mais aromático ao mineral, incluindo aí seu Crémant (sparkling). Eu como gosto e muito de vinhos brancos fico também por aqui no verão.

São também vinhos que formam grande parceria com a gastronomia local, vão muito bem com a culinária alemã, com comidas mais leves e enfrentam com maestria pratos orientais.

Ali encontraram refúgio seguro castas como Sylvanner, Riesling, Gerwurtztraminer, Pinot gris   e Pinot Blanc.

Mas a beleza de hoje não traduz explicitamente a luta dos produtores locais. Desde sempre foi uma região disputada e palco de muitas guerras. A paz que reina hoje é fruto da luta incansável de seus produtores. O clima sempre frio mesmo no verão somado ao tipo de solo favorece amplamente as castas brancas. São elas:

SYLVANNER: Produz vinhos muito semelhantes aos Riesling mas sem a complexidade desta, por outro lado, requer menos atenção do que a Riesling, precisa de menos sol e calor, seus vinhos têm cor amarelo, quase transparente,  aromas mais florais, acidez bem mais educada do que a Riesling, são vinhos para serem consumidos logo, de preferência um ou dois anos depois da safra.

RIESLING: Não vamos confundir a Riesling Renana, da qual estamos a falar com a Riesling Itálica, utilizada nos espumantes nacionais.

A Riesling Renana tem como seu berço os vales dos rios Saar, Ruwer e Mosela, todos no nordeste da Alemanha. Foi introduzida na Alsácia pelos alemães. Aqui com invernos rigorosos e os verões amenos, a Riesling adaptou-se bem, tem geralmente baixo teor alcoólico, algo perto de 12 graus,o que é uma dádiva em face destes quase vinhardentes que são vendidos hoje. Este mesmo frio ajuda para que a casta seja aromática, refrescante e extremamente longeva. Há exemplares que aguentam muito bem até 10 anos de garrafa.

PINOR GRIS: Originária da Alsácia, França, uva de casca avermelhada mas produz brancos da elite mundial. Possui homônimas espalhadas por vários países, na Iália, Pinot Grigi e  na na Alemenha Grauburgunder, entre outros. Mas é na Alsácia que esta casta alcança seu apogeu. Ali em quantidades liliputianas gera um vinho mágico, inebriante e inesquecível. Cor amarelo quase âmbar, nariz flores, frutos de polpa branca, alguma especiaria como canela e zimbro. Na taça untuoso, lágrimas densas e constantes, na boca acidez e doçura no ponto certo.

GEWÜRTZTRAMINER: A Traminer, mãe das castas Traminer, como a Traminer Rosa ou Savigny e da Gewürtztraminer é da região do Alto Adige (Itália) na antiga Süd Tirol. A Gewürtztraminer, é uma uva de casta rosada baixa produção, na Alsácia alcança sua plenitude, tanto em vinhos jovens como nos colheitas tardias para o vinho doce. Vinhos de cor âmbar possuem aromas variados e exuberantes que caracteriza Gewurztraminer. O bouquet é intenso e complexo, oferecendo uma explosão de frutas exóticas (lichia, maracujá, abacaxi, manga), flores (especialmente rosa), frutas cítricas (casca de laranja) e especiarias (gengibre, pimenta, cravo e pimenta) contribuem para dar a estes vinhos uma característica única.

PINOT BLANC: Casta originária da Borgonha, adaptou-se muito bem na Alsácia por ser resistente ao frio. Gosta de solos pedregosos que mantém o calor mesmo em dias mais frios.

É muito utilizada para a produção do Crémant D’Alsace, por ser uma casta mais ácida, frutada com aromas de maçã, pêssego e toques florais.

Há uma pequena produção de Pinot Noir, mas estes em comparação com os da vizinha Borgonha não alcançam a plenitude que lá existe.

Portanto comprem, apreciem e vejam como são deliciosos os vinhos da Alsácia.





PARA MIM O QUE É UM BOM VINHO?

25 09 2011

Ao final dos cursos ou palestras vem a pergunta. Mas qual o vinho que tu gostas?

Em primeiro lugar só existe vinho estragado e o não estragado o resto é paladar. O que é bom para mim pode não ser para outro. A grande magia do vinho é a sua diversidade. Cada garrafa uma surpresa.

Um bom vinho, se ele em qual estilo ou uva for, para mim, de cara, deve me surpreender, assim como fico quando vejo o quadro acima de Van Gogh sobre a noite. Parece triste, mas não é. Pensem na dificuldade de pintar a noite, o escuro e suas poucas luzes. Depois tente daí fazer algo inesquecível como este quadro, simplesmente fantástico.

Pois bem um vinho que me surpreende já é um bom sinal.

Depois a harmonia deve ser marcante. O vinho tem, basicamente, três elementos que devem andar em harmonia, acidez, doçura e álcool. Se um dos três desequilibra o vinho perde qualidade. Pensemos nos tintos. Firmeza (corpo) vinda dos taninos, acidez refrescante, doçura, entendendo-se aí uvas colhidas no ponto certo e álcool perfeitamente integrado, estamos certamente na frente de um bom vinho.

Para os brancos tranquilos (sem ser estilo espumante ou de sobremesa, procuro acidez, sem ela não temos um bom branco. E acidez no ponto significa menos açúcar da uva, consequentemente menos álcool. De novo o equilíbrio que falei antes.

Nos espumante igual. Não gosto daqueles extremamente secos (menos doces) muito menos dos demi-sec. Prefiro os que nós esvaziamos as garrafas sem se dar conta.

Já nos vinhos de sobremesa o binômio açúcar/acidez deve ser realçado. Na ponta da língua sentimos o doce ao fundo o ácido, portanto um vinho, tido como de sobremesa, deve ser assim, o gole inicia doce e termina ácido, simplesmente perfeito. Pena que muito poucos são assim. Neste quesito os Sauternes, Tokaj e Ice Wine são imbatíveis.

Agora tenho dificuldade de gostar de vinho do Porto tinto, taninos e doçura me complicam. Quanto aos Porto brancos, maravilhosos.

Ah, quanto a harmonia ser de uma só uva (varietal), duo, muito comum entre os andinos, estilo cabernet/malbec ou de várias uvas, como os do Rhône, não há problema algum, mas disse e repito a surpresa e a harmonia me fascinam e tornam aquele vinho apreciado como um bom vinho.

Quanto às uvas? Gosto da Syrah, Chardonnay, Riesling, Vermentino, Pinot Gris, Gewurtztraminer, merlot, cabernet franc, sangiovese, grenache e mouvèdre, certamente estão entre as minhas favoritas.

Mas não esqueçam um bom vinho é aquele que te dá prazer.

Vejam os três exemplos de harmonia, seja varietal, duo ou variado.





BRANCOS AROMÁTICOS – PENSE NA ALSÁCIA NA VERMENTINO E NA TORRONTÉS DE SALTA

6 03 2011

O mundo dos vinhos brancos e aromáticos, infelizmente é pequeno, também.

Caso goste dos brancos aromáticos, acidez média e aromas que vão desde o floral até os de frutas de polpa branca, como maçã e pera, pense na Alsácia, na Torrontés e na Vermentino.

Os vinhos da Alsácia são extremamente aromáticos e as melhores castas são:

PINOT GRIS:  também chamada de Pinot Grigio, Rulander e Grauburgunder.

É uma uva que foi trazida pelos Monges Cistercienses, olha eles aí de novo, neste blog há vários posts que comentam sobre eles. Os Monges Cistercienses, durante a Idade Média foram os enólogos da época, trazendo e levando uvas de um país para outro e as aprimorando. A Borgonha e seus Chardonnay e Pinot Noir devem muito a eles. A Pinot Gris foi trazida do Leste Europeu, mais precisamente da Hungria por eles e plantadas, principalmente na Borgonha, sede da Abadia de Cister.

É uma uva cuja casca é avermelhada, por vezes parece uma uva tinta. De cor variando do amarelo palha ao dourado, caso dos alsacianos.

Os aromas e sabores dependem muito do clima, se de regiões frias, fora a Alsácia que pelo solo é um caso a parte, são Pinot Grigio, bem secos, minerais mais ácidos. Se de regiões mais quentes, perde em frescor e acidez mas ganha em aromas e corpo.

Na Alsácia, com seu solo vulcânico, primavera seca e verões cujas noites não são extremamente quentes, produzem um vinho muito aromáico, menos ácido e bem mais encorpado e aveludado.

GEWÜRTZTRAMINER: A Traminer, mãe das castas Traminer, como a Traminer Rosa ou Savigny e da Gewürtztraminer é da região do Alto Adige (Itália) na antiga Süd Tirol. A Gewürtztraminer, é uma uva de casta rosada baixa produção, na Alsácia alcança sua plenitude, tanto em vinhos jovens como nos colheitas tardias para o vinho doce. Vinhos de cor âmbar possuem aromas variados e exuberantes que caracteriza Gewurztraminer. O bouquet é intenso e complexo, oferecendo uma explosão de frutas exóticas (lichia, maracujá, abacaxi, manga), flores (especialmente rosa), frutas cítricas (casca de laranja) e especiarias (gengibre, pimenta, cravo e pimenta) contribuem para dar a estes vinhos uma característica única.

SYLVANNER: Produz vinhos muito semelhantes aos Riesling mas sem a complexidade desta, por outro lado, requer menos atenção do que a Riesling, precisa de menos sol e calor, seus vinhos têm cor amarelo, quase transparente,  aromas mais florais, acidez bem mais educada do que a Riesling, são vinhos para serem consumidos logo, de preferência um ou dois anos depois da safra.

VERMENTINO: A Itália colabora com a Vermentino. Casta tradicional da Sardenha e do litoral da Toscana. Também de cor vermelha, daí o nome. Produz brancos de acidez média, de cor amarelo com toques verde-oliva, muito aromática, no nariz vai desde o floral até o levemente cítrico. Na boca um show, bastante encorpada levemente amanteigada, mas com final seco e longo. Muito parceira dos frutos do mar e peixes leves.

Por fim a  Torrontés de Salta, Argentina, um charme.

TORRONTÉS: A Torrontés, dizem originária de Rioja, Espanha, deve ter vindo na mala de algum missionário espanhol e encontrou seu berço adotivo na região do Vale de Calchaqui, este aí tirado na Estância Colomé.

Um vale árido, no norte da Argentina, quem quiser saber mais, http://wp.me/pPKW2-ba

Impressionante como ela é , destacadamente, melhor do que a Torrontés  plantada em outros locais da Argentina.

Aqui, neste vale, ela desabrocha numa uva aromática que vai do floral ao cítrico, na boca do ácido a uma leve ponta de açúcar, algo parecido com o que ocorre com as brancas da Alsácia, França, retrogosto prolongado e muito bom bom.

Em termos gastronômicos ela é extremamente versátil, acompanha deste peixes não muito gordurosos até pratos orientais baseados em frutos do mar.

Além de ser uma casta única no mundo, diria até que não existe, pelo menos neste potencial, algo semelhante. Ela reúne um trinômio especial, preço, qualidade e singularidade.

Infelizmente algumas pessoas ainda tem na memória aqueles Echartt Privado feitos desta casta entendendo ser a Torrontés uma casta doce, mas não é, ela, definitivamente não é uma casta doce como a Moscatel.

Um dos grandes vinhos desta casta é o Crios da Susana Balbo quem tiver a oportunidade de comprá-lo, não hesite.

Façam suas escolhas.








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