ROSE D’ANJOU RÉMY PANNIER 2010 NÃO ENTENDO O PRECONCEITO COM OS ROSES

22 04 2012

Este rose do vale do Loire em Anjou, no Loire médio é muito bom. Não consigo entender porque tanto preconceito com os roses. Afinal vão muito bem com  a conceituada culinária oriental, são parceiros inseparáveis de comidas levemente condimentadas e aromáticas como as da Índia. São descompromissados mas não perdem o charme.

A REGIÂO: Este vem da região do loire, França. Mais impositivo que os Provençais.

A região, mais próxima do Atlântico nos oferece outro clima, mais fresco no verão e um pouco menos rigoroso no inverno, ideal para a Chenin Blanc e para a Cabernet Franc, nativa da cidade de Chinon, bem perto de Anjou.

Vejam a foto

Em Anjou são produzidos vinhos brancos e tintos. Os brancos predominantemente feitos de Chenin Blanc, Chardonnay e Sauvignon Blanc. Os tintos, inevitavelmente de Cabernet Franc.

Mas os roses são um capítulo a parte. Os Roses D’Anjou vão desde os bem secos até o meio doces.

Este, especificamente, feito com as uvas Cabernet Franc, Gammay e Grolleau é seco, levemente ácido e muito refrescante.

Importante destacar o Crémant de Loire, o espumante (Crémant) os melhores são produzidos pelo método tradicional (Champenoise) em Saumur e Vouvray em Touraine. Os de Saumur são feitos de Chenin Blanc,  Chardonnay, Sauvignon Blanc e Cabernet Franc.

O PRODUTOR: Rémy Pannier é um gigante na elaboração de vinhos da região. Produz, tintos, roses e brancos, em destaque o Muscadet Sevre Et Maine, perto de Nantes. Está estabelecido desde 1885, portanto tem alguns anos de experiência.

O VINHO: Este rose cumpre a honra de Anjou neste estilo de vinho. Feito com as castas Cabernet Franc (estrutura, cor e aomas) a Gammay (aromas e suavidade) e a Grolleu volume, formam um rose esplândido.

No visual cor típica dos roses da Provence , aquela clássica cor de casca de cebola. No nariz muito frutado lembrando algo de frutas secas, damasco e tâmaras. Na boca um azedinho constante, característica dos bons roses, acidez leve a média o que o torna refrescante e bastante final de gole.

Um vinho a ser indicado, apreciado e parceiro de culinária oriental.

Fiquem com uma aula sobre os melhores roses da França e, por certo do mundo.





CONFRARIA ALEMDOVINHO BEAUJOLAIS

7 04 2012

Iniciando os tintos, no nosso último encontro, começamos pelo Beaujolais, a terceira garrafa da direita para a esquerda. Beaujolais fica acima de Lyon logo no início da Borgonha.

Terra da Gammay, uma uva que antes era plantada em toda a Borgonha. Mas desde os tempos dos Monges enólogos, algo perto do século XIV passou a ser plantada somente ao sul da Borgonha.

Uva de casca fina com puco tanino produz excelentes vinhos tintos frutados para serem bebidos jovens e levemente gelados. É dela os famosos Beaujolais Nouveau, o primeiro vinho a ser engarrafado dentro da safra do ano. Seu lançamento acontece na segunda metade de novembro.

Este vinho da noite foi um Beaujolais que fica ente a linha de entrada, os Nouveau e os Cru que são os grandes vinhos feitos com a Gammay.

Um vinho de cor  vermelho claro, ao estilo dos bons Pinot Noir, vejam

Na boca muita fruta e frescor num vinho tinto. Acompanhamento ideal para um bom sanduíche de rúcula com mortadela e maçã verde. Vinho para reunir amigos e bebê-lo sem compromisso. Um exemplo de tinto que não passou por madeira.





AVONDALE CHENIN BLANC 2010 A DESCONHECIDA

18 03 2012

Este é o vinho. Um Avondale Chenin Blanc 2010. Maravilhoso.

Mas e a uva?

A Chenin Blanc é originária do centro do vale do Loire, França. Casta extremamente versátil. Produz desde espumante (Vouvray do Loire) até vinhos de sobremesa, Late Harvest e em alguns casos pontuais os atacados pela podridão nobre a Botrytis Cinerea. Um fungo que ataca as frutas quando há condições de umidade e calor. Para as outras culturas, uma praga, para a uva uma benção. Este fungo fura a casca da uva a alimenta-se de açúcar ea desidrata, naturalmente, o bago. Resultado? Um vinho único, que diga o Sauternes e os Tokaj.

Mas voltando a nossa amiga.

Os vinhos tranquilos são aromáticos, agradáveis dependendo do local das videiras um pouco de mineralidade. Quando bem conduzido o vinhedo produz vinhos excelentes a preços bem razoáveis.

Esta uva foi levada para a África do Sul, lá pelos anos de 1580 pelos Huguenotes, expulsos da França, por questões religiosas. Logo que se instalaram em Constantia, perto da Cidade do Cabo trataram de produzir vinhos com a Chenin Blanc.

Este lar adotivo foi aceito pela uva. Na África do Sul se produz, também, os mais variados estilos de vinho com esta casta. Quando bem cuidados como este Avondale, é festa na certa.

O Avondale Chenin Blanc 2010 mostrou uma cor amarelo quase dourado, típica dos bons Chenin. No nariz algo entre o floral e frutado, lembrando bastante damasco seco. Na boca acidez no ponto, muito volume e final de gole bem prolongado. Um belo vinho pelos R$ 28,00 pagos na Vinhos do Mundo em Porto Alegre.





VINHOS FRANCESES – UM PRECONCEITO A SER QUEBRADO

20 01 2012

Nos encontros da confraria do Alemdovinho iniciamos uma série sobre a França, justamente para quebrar este preconceito de que o vinho francês ou é muito bom e muito caro ou muito ruim e barato.

Todo o preconceito é perigoso. Devemos ser como crianças no parque, brincam com todas, não importa cor, raça, posição social ou deficiência física, sempre acomodam todos na brincadeira.

Com o vinho é igual. Claro que a França, como qualquer outro país no mundo produz vinhos sofríveis, sejam eles caros ou baratos. Claro que na França há bons e maus produtores, honestos e desonestos, não teria motivo algum para que lá fosse diferente.

Sei também que os vinhos franceses, seja por razão cultural, vejam a quantidade de nomes metidos a chiques que têm origem francesa. Falam e nomeiam lugares e batizam o que quer que seja com nomes franceses. dá status. Mas também complica a vida de quem trabalha sério e quer trazer, para ficar naquilo que gosto, vinhos.

Aqui sempre são lembrados, de maneira errada, que os vinhos franceses são vinhos de quem tem muito dinheiro ou entende demais de vinho. Pura bobagem. Não se pode imaginar que o país todo só bebe vinhos caríssimos, até para os franceses, algo em torno de 30 euros não é qualquer um que pode pagar. Também não se pode imaginar que lá só se anda com as melhores roupas, se bebe somente o melhor ou se vai a restaurantes caríssimos.

NÃO, NÃO MIL VEZES NÃO. São pessoas normais que bebem vinhos cotidianos e vão a botecos comer o que há de bom e barato.  Daí se produzem, lá, vinhos bons e baratos, vinhos de regiões conhecidas, as vezes menos conhecidas,  por puro preconceito nosso.  Preconceito e preguiça, preconceito já explicado, preguiça porque ficamos somente nos vinhos andinos, bons e baratos.

Mas não se esqueçam há pessoas sérias, trazendo vinhos sérios, de regiões sérias, com preços sérios, para pessoas interessadas em comprar vinhos sem preconceito.

Por último sei, também, que vinho é prazer, portanto a frase vinho bom é o vinho que gosto. Concordo. MAS NOSSO HORIZONTE DE PRAZER PODE SER AUMENTADO, basta deixar  de lado preconceitos bobos e ir à luta,  lendo sobre vinhos, suas regiões, uvas, vinificações, etc. Mas somente comprando, errando e acertando que vamos formar nossa opinião sobre os vinhos, principalmente os franceses.

Ah, existem casas especializadas em vinhos franceses Brasil afora. A  Cave jado www.cavejado.com.br (antes que alguém pense ser um post comercial, sequer visitei a Cavejado, a conheço virtualmente) há grandes importadores, como Mistral, Grand Cru, Expand e outras que trazem vinhos franceses para todos os gostos e bolsos.

Portanto, abaixo o preconceito e a preguiça, caso contrários a vida passa e perdemos grandes oportunidades de aproveitá-la.

Fiquem sem arrependimento com a Edith Piaf





FALANDO DA SYRAH…

11 12 2011

A Syrah ou Shiraz para quem queira é uma uva tida como internacional. E assim o é não por ser nativa da França e, sim, pela sua alta adaptabilidade, produtividade e qualidade.

Fácil verificar que se dá bem na França, Portugal, EUA, Chile, Argentina e na Nova Zelândia, foto acima. Lá é ovelha, ovelha, ovelha e humm vinhedos, principalmente de Shiraz, Pinot Noir, Sauvignon Blanc e Riesling.

Falar da Syrah é dizer que alguns entendem como vinda da Pérsia e que viajou até o Rhone instalando-se em Hemitage.

Aliás, Hermtige, algo como eremita, seria um cavaleiro templário que não mais foi ao Oriente lutar nas Cruzadas, instalou-se no Rhone e ali foram plantadas as primeiras mudas.

Mas história ou estória, o certo é que falar da Syrah é falar de uma uva produz vinhos de cor vermelho escuro, aromas de couro, pimentão, pimenta, noz moscada e, dependendo da madeira utilizada, café e tostado. Na boca volume, densidade taninos presentes e final prolongado.

Falar da Syrah é não esquecer Gosta de locais quentes e, além do Rhône norte a Austrália a tem como casta ícone.  Lá, nos vales de Barossa, Hunter e Mclaren produzem Syrah fora da média. Potentes, com muita doçura da fruta e aromáticos.

Inclusive, em alguns casos utilizam um corte com a branca Viognier, como Côte Rôtie,  para dar um pouco mais de leveza ao vinho. Nos Estadus Unidos vales mais quentes, assim como no Chile, Colchagua e Cachapoal e Argentina no Vale Del Uco, Mendonza. Importante dizer que em Portugal vem dando excelentes resultados no Alentejo.

Mas falar da Syrah é não esquecer que até locais não tão quentes, como a Nova Zelândia produzem excelentes exemplares. O frio faz com que nos traga vinhos mais calmos, menos alcoólicos, mas ainda assim, vinhos charmosos e sem perder sua característica de temperos e pimenta.

Sou muito suspeito para falar da Syrah porque a tenho no coração.

No vídeo de um vinhedo de Syrah no Rhone, vejam a exposição solar das vinhas e o solo totalmente  desprovido de matéria orgânica. A videira tem raízes profundas, algo como 8 a 10 metros vai buscar seu provimento bem longe do solo.





AS DIFERENÇAS NO RHONE NORTE – PARTE V HERMITAGE E CROZES-HEMITAGE

27 11 2011

Diferenças em relação ao Hermitage? Há sim.

Financeira. Em primeiro lugar Crozes-Hermitage é a maior região demarcada do Rhône norte, sendo assim há mais produtores e seus vinhos, sem perder a qualidade são relativamente mais baratos que os do Hermitage.

Climática. Pouco muda, mas é importante ressaltar que os vinhedos de Crozes-Hermitage, são plantados bem mais abaixo que o Hermatage, portanto recebem mais influência da umidade do rio Rhône e de possíveis neblinas e menos tempo de sol. No que resultam vinhos mais leves, frutados e ligeiramente ácidos ótimos  para serem bebidos mais jovens.

Altura. Já dito em post anterior que a altura tem forte influência na maturação das uvas, principalmente no seu período final, isto é, nos últimos 20 dias antes da colheita. Quanto menos altura menor a variação de temperatura, principalmente nas noites de verão.

Solo. O solo muda e para pior descendo a ladeira da encosta do morro, quanto mais baixo menos qualidade tem em relação ao topo. Pessoal, não foi por uma noite de insônia que são criadas as denominações de origem. Elas são criadas após exaustivos testes para definir quais as melhores condições de desenvolvimento de uma casta.

Resultado, os vinhos do Crozes-Hermitage são vinhos da tinta Syrah e das brancas Roussanne e Marsanne mais leves, frutados e para serem bebidos mais jovens que os complexos vinhos do Hermitage, logo ali, mas com grandes diferenças.

A uva é um vegetal e como tal metro faz diferença. Experimentem trocar uma samambaia de parede ou de sala, ela até pode morrer. Da mesma maneira a uva.





PRIMEIROS PASSOS – PARTE XXIV – UMA IDEIA DOS EFEITOS DO TERROIR – DIFERENÇAS ENTRE PINOT GRIS E PINOT GRIGIO

22 11 2011

Terroir, já vimos, pode ser traduzido por solo+clima+geografia, fatores que influenciam fortemente a videira e, por consequência, seu fruto, a uva.

 uva é esta. Os nomes têm grafia diferente, apenas em virtude dos países em que estão. Grigio na Itália e Gris na França, além de outros nomes que ela tem na Alemanha e Áustria, para ficar por aí.

Mas quem é o o responsável pela diferença entre elas?

O famoso TERROIR palavra um tanto desgastada pela mídia, mas que pode ser simplificada como sendo o conjunto de clima e solo.

Parece simples, mas não é.

São dois vinhos ABSOLUTAMENTE  diferentes feitos com a mesma casta. Há outros exemplos como a Chardonnay mundo afora e aquela de Chablis ou então a Sauvignon Blanc do Loire e a da Nova Zelândia. Mas vamos ficar por aqui.

Muito se fala nela mundo afora. É um tal de Pinot Griogio daqui, Pinot Grigio dali. Percorri algumas lojas de vinho de Porto Alegre e vi uma série de novos vinhos desta casta. Dois anos atrás era muito difícil de encontrar. Tinha os alsacianos e olhe lá.

Mas quem é esta uva? De onde saiu? Qual o seu charme?

Bem a Pinot Grigio, na Europa Central tem vários nomes. Mas ficamos com este e o nome que tem na Alsácia, Pinot Gris.

É uma uva que foi trazida pelos Monges Cistercienses, olha eles aí de novo, neste blog há vários posts que comentam sobre eles. Os Monges Cistercienses, durante a Idade Média foram os enólogos da época, trazendo e levando uvas de um país para outro e as aprimorando. A Borgonha e seus Chardonnay e Pinot Noir devem muito a eles.

A Pinot Grigio foi trazida do Leste Europeu, mais precisamente da Hungria por eles e plantadas, principalmente na Borgonha, sede da Abadia de Cister.

Dali espalhou pela Europa Central, principalmente França, Alemanha, onde ganha o nome de Rüllender, na Áustria é chamada assim ou atende pelo nome de Grauburgunder.

É uma uva cuja casca é avermelhada, vejam a foto que por vezes parece uma uva tinta. Os vinhos variando do amarelo palha, ( GRIGIO)  ao dourado, caso dos alsacianos (A GRIS).

Os aromas e sabores dependem muito do clima e solo (OLHA O NOSSO FAMOSO TERROIR)  se de regiões frias, fora a Alsácia que pelo solo é um caso a parte, são Pinot Grigio, bem secos, minerais mais ácidos. Se de regiões mais quentes, perde em frescor e acidez mas ganha em aromas e corpo.

Na Alsácia (O TERROIR DE NOVO), com seu solo único, primavera seca e verões cujas noites não são extremamente quentes, produzem um vinho muito aromáico, menos ácido e bem mais encorpado e aveludado.

Na Itália, encontrou o porto de partida para o novo mundo encontra seu esplendor no Alto Ádige, nos vinhedos da foto acima. O clima frio nas noites de verão garantem uma maturação lenta, principalmente nos últimos 15 dias nos trazendo um vinho com melhor fixação de aromas, seco, ácido e refrescante, bem diferente dos alsacianos ao ponto de pensarmos que estamos na frente de duas uvas diferentes, vale a experiência de realizar uma degustação com os dois estilos.

Assim a comparação é uma das grandes provas da existência e importância do TERROIR na produção de vinhos.

Fiquem com o lindo vídeo do Alto Ádige e suas Dolomitas.

 





SOU A GEWÜRTZTRAMINER

13 11 2011

A foto foi retirada do site de Rolf Hicker. Não resisti de tão linda.

Pois bem a Gewürtztraminer parece ter crise de identidade. Possui a casca vermelha, mas produz um vinho branco de excelência máxima. Tem nome alemão mas nasceu em Traminer, hoje, Itália, Alto Ádige, antigo Süd Tirol do império Austro-Húngaro, mas faz um sucesso danado na Alsácia, França.  Para muitos difícil de falar o nome, mas muito fácil de se apaixonar pelos seus vinhos.

Esta é a Gewurtz(espciaria) em alemão Traminer.

Se a Sauvignon Blanc do post anterior vai do vinho com acidez marcante, estilo lima-limão, até os minerais. A Gewürtztraminer segue, dos vinhos levemente minerais e de acidez mais baixa até espetaculares vinhos tardios, principalmente os alsacianos.

Como todas  as uvas brancas de casca vermelha produzem vinhos de um amarelo dourado inebriante  muito aromáticos e de acidez média baixa a exemplo da Vermentino e da Pinot Gris.

Cuidado ao abrir um bom vinhos com esta uva, logo surge uma explosão de aromas que vão das frutas ao frutos secos.  Na boca outro show. Na ponta da língua o seu adocicado característico e ao fundo a acidez bem-vinda. Experimente encher a boca com este vinho e deixá-lo lá por uns instantes. É  um caleidoscópio de sabores e aromas.

Mas ela tem seus caprichos. Sua produção é baixa o que faz com que muitos não a plantem. Não se adapta fácil em qualquer lugar. Alcança seu potencial máximo na Alsácia, mas pode ser encontrada com qualidade na Itália, Alto Ádige, Austrália, Nova Zelândia, EUA e, com critério, no Chile e no Brasil, isto mesmo. O Brasil em tempos idos foi um bom produtor desta casta, principalmente na fronteira com o Uruguai.

Mas, sem dúvida alguma, os alsacianos são os melhores nesta casta.

Em termos de gastronomia, são parceiros ideais para a culinária alsaciana que lembra a alemã. Carne de porco com temperos agridoces.

Em falar em agridoces, certamente, vai muito bem com culinária oriental ao estilo Thai.

Vai dar vontade de estar lá depois de verem este vídeo.





MERLOT – ALTO DAS FIGUEIRAS – VINÍCOLA COPETTI – CONCEITOS E PRECONCEITOS

4 09 2011

Mais um vinho da Vinícola Copetti Czarnobay de Encruzilhada do Sul, Rio Grande do Sul que será apresentado aqui. Este vinho me fez lembrar os conceitos e preconceitos em relação ao vinho tinto no Brasil e a uva da qual foi feito.

A felicidade com este vinho começa com o nome: Alto das Figueiras. Sob a frondosa sombra da centenária Figueira certamente gerações passaram, com suas alegrias, esperanças, lutas e tristezas. Assim como é a vida dos produtores no Brasil. Não pensem que é fácil.

Digo que para fazer um bom vinho temos o louco que cuida da videira, o sábio que lida com as leis, o técnico que cuida da elaboração do vinho, o amante para bebê-lo e o poeta para cantá-lo.

Depois o rótulo. Lindo e simples. Gosto do máximo no mínimo. Ele cumpre com perfeição sua função. No contra-rótulo importantes informações sobre o vinho a ser apreciado.

Mas e o vinho? Bem o vinho, 100% de Merlot, após ligeira oxigenação no decanter, logo abriu em aromas elegantes de ameixa e framboesa seguido de um leve toque de tostado resultado da madeira na qual estagiou.

Cor vermelho vivo, intenso sem ser tinto retinto. Na boca confirmou os aromas, firme, forte e elegante. Senti, apenas, o final de gole, sua persistência é ligeira. Faltou um pouco de arranque final. De qualquer sorte confirma a vocação do solo riograndense para a produção de Merlot.

Assim os conceitos que se firmam. Podemos sim fazer tintos de referência, principalmente os que se utilizam, em corte ou varietal, da Merlot. Encruzilhada do Sul, cada vez mais, firma-se como um das melhores regiões de uvas vínicas no Rio Grande do Sul. Clima frio no inverno, solo de pobre em material orgânico, vinhas plantadas em altura, 300 metros em média somado ao verão ensolarado e seco com noites frias garantem a qualidade da uva.

Agora os preconceitos. Já dizia Einestein, mais fácil destruir um átomo do que um preconceito. Aqui começa com o vinho nacional, principalmente o tinto, afinal os espumantes já encontraram seu lugar ao sol. As pessoas pensam que o único vinho tinto que serve são os tintos retintos andinos, ao estilo arrasa quarteirão. Erro total. Cada terra e clima (terroir) produzem um estilo de vinho e este, junto com a culinária e a música são o exemplo da cultura de um povo, rincão, de um lugar. Aqui não é diferente, devemos compará-lo com outros vinhos tintos nacionais, caso contrário estaremos em erro. Comparar grandezas diferentes não é correto.

E este vinho, de médio corpo, aromático e muito bem conseguido está de mãos dadas com um assado de ovelha, típico da culinária de Encruzilhada do Sul.

Outro preconceito é a ideia de que a Merlot não produz grandes vinhos. Assim é a ideia porque nossos supermercados foram inundados com vinhos Merlot, principalmente chilenos, os reservados, de péssima qualidade. Ficou no imaginário que a Merlot não produz grandes vinhos.

A Merlot, junto com a Cabernet Franc e a Sauvignon, faz parte do famoso corte bordalês, responsável pelos caros vinhos de Bordeaux, França. A uva gosta de regiões de solos frios e climas umidos. Verão não muito quente e, principalmente frio a noite. Clima assim lembra o que? A região de Encruzilhada do Sul. Portanto, perfeitamente adaptada ao terroir local.

Não consegui deixar de pensar numa boa ovelha com este vinho. Esta ovelha quero apreciá-la em Encruzilhada do Sul com meus amigos.

Segue outra receita, do meu amigo Giuseppe Aprille (http://culinariaaprile.blogspot.com) de costela de porco.

COSTELAS AO MOLHO BALSAMICO
Uma peça de cotela +ou- 1 1/2 a 2 kg temperdo com sal, alho, alecrim e pimenta do reino
2 cebolas grandes em rodelas grosas
Azeite de oliva ou oleo de milho
1 xc de cha de vinho tinto seco
…Papel aluminio
MOLHO:
100 ml de vinagre balsamico
100 ml de vinho bc seco
50 ml de molho shoyu
3 clhs de sp de açucar mascavo
3 clhs de sp de azeite extra virgem
PREPARO:
Pegar as ja temperada e colocar sobre a cebola em rodelas regar com vinho e azeite cobrir com papel aluminio e assar em forno medio por uma hora.
Preparo do Molho;
Bater no liquidificador o vinho e o vinagre balsamico com as cebolas q assou as costelas e passar na peneira, colocar numa caçarola e  juntar o shoyu e o açúcar levar ao fogo e deixar reduzir quase q metade e pinselar ssobre as costelas
Obsv: não deixar ficar muito grosso
Acompanhamento fica a gosto.

Um grande abraço e parabéns pela turma da Vinícola Copetti Czarnobay.

Agrego um comentário pertinente.

Diferente de qualquer outro Merlot nacional que provei. Acredito que seja pelo fato que não foi mencionado:
80% do vinho foi envelhecido por 12 meses em barricas de carvalho francês de primeiro uso. Produção mais que limitada > apenas 2.000 garrafas!
É uma joia dos Pampas!





SIMPLESMENTE O MELHOR

17 07 2011

A Syrah dizem uns ser originária do vale do Rhone, norte, perto de Lyon, tida como a capital mundial  da gastronomia. Outros, numa versão mais épica dizem ser esta uva originária da Pérsia, hoje Irã onde, inclusive tem uma cidade chamada Shiraz. Esta uva teria sido trazida para o Rhône por um cavaleiro templário. Este ao abandonar suas cruzadas teria se tornado um eremita (Hermitage) e se fixado paragem no Rhone.

Pois bem esta casta no vale do Rhone alcança sua plenitude. Ali três locais se destacam. Hermitage, alto do vale, Corzes Hermitage, parte de baixo do Rhone, a partir da capela que dizem ser última morada do nosso famoso cavaleiro templário e, do outro lado do vale, Cotie Rotie onde esta casta, inclusive é misturada ao branco Viognier, para, assim dizer, acalmá-la um pouco.

Segue a foto da capela com vale do Rhone ao fundo.

Por outro lado é certo que esta casta, pela sua adaptabilidade hoje está espalhada pelo mundo inteiro, desde o Rhone sul, países andinos, EUA e Austrália, onde é tida como uva símbolo.

Gosto e muito desta casta. Quando ela se desenvolve com maestria, certamente, teremos um vinho de exceção.

Na Enoteca Conte Freire, Rua Desembargador Espiridião de Lima Medeiros, 156, Porto Alegre/BR, abrimos ao final do curso sobre Chile e Argentina, suas regiões e diferenças, este Montes Alpha 2006 da foto e ele   é exatamente assim. Encorpado, cor escura, aromas que vão das ameixas e frutos secos passando por couro e especiarias. Na boca volumoso, picante e apimentado, exatamente, apimentado. Os melhores Syrah mostram esta característica de pimenta e pimentão verde. Final de gole longo agradável e ABSOLUTAMENTE INESQUECÍVEL. Vale cada gota.

Aurélio Montes é figura conhecida no Chile e está entre os melhores enólogos daquele país, Colchagua é, seguramente, uma das melhores regiões vinhateiras do mundo, este Montes Alpha tem região demarcada e filiação correta, utilizando-se de uma das melhores uvas que existem só poderia ser simplesmente o melhor da noite.

Safra mais antiga, 2006, mas que em nada piora, muito pelo contrário, um clássico, assim como curtir Tina Turner.








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