
Mais um vinho da Vinícola Copetti Czarnobay de Encruzilhada do Sul, Rio Grande do Sul que será apresentado aqui. Este vinho me fez lembrar os conceitos e preconceitos em relação ao vinho tinto no Brasil e a uva da qual foi feito.
A felicidade com este vinho começa com o nome: Alto das Figueiras. Sob a frondosa sombra da centenária Figueira certamente gerações passaram, com suas alegrias, esperanças, lutas e tristezas. Assim como é a vida dos produtores no Brasil. Não pensem que é fácil.
Digo que para fazer um bom vinho temos o louco que cuida da videira, o sábio que lida com as leis, o técnico que cuida da elaboração do vinho, o amante para bebê-lo e o poeta para cantá-lo.
Depois o rótulo. Lindo e simples. Gosto do máximo no mínimo. Ele cumpre com perfeição sua função. No contra-rótulo importantes informações sobre o vinho a ser apreciado.
Mas e o vinho? Bem o vinho, 100% de Merlot, após ligeira oxigenação no decanter, logo abriu em aromas elegantes de ameixa e framboesa seguido de um leve toque de tostado resultado da madeira na qual estagiou.
Cor vermelho vivo, intenso sem ser tinto retinto. Na boca confirmou os aromas, firme, forte e elegante. Senti, apenas, o final de gole, sua persistência é ligeira. Faltou um pouco de arranque final. De qualquer sorte confirma a vocação do solo riograndense para a produção de Merlot.
Assim os conceitos que se firmam. Podemos sim fazer tintos de referência, principalmente os que se utilizam, em corte ou varietal, da Merlot. Encruzilhada do Sul, cada vez mais, firma-se como um das melhores regiões de uvas vínicas no Rio Grande do Sul. Clima frio no inverno, solo de pobre em material orgânico, vinhas plantadas em altura, 300 metros em média somado ao verão ensolarado e seco com noites frias garantem a qualidade da uva.
Agora os preconceitos. Já dizia Einestein, mais fácil destruir um átomo do que um preconceito. Aqui começa com o vinho nacional, principalmente o tinto, afinal os espumantes já encontraram seu lugar ao sol. As pessoas pensam que o único vinho tinto que serve são os tintos retintos andinos, ao estilo arrasa quarteirão. Erro total. Cada terra e clima (terroir) produzem um estilo de vinho e este, junto com a culinária e a música são o exemplo da cultura de um povo, rincão, de um lugar. Aqui não é diferente, devemos compará-lo com outros vinhos tintos nacionais, caso contrário estaremos em erro. Comparar grandezas diferentes não é correto.
E este vinho, de médio corpo, aromático e muito bem conseguido está de mãos dadas com um assado de ovelha, típico da culinária de Encruzilhada do Sul.
Outro preconceito é a ideia de que a Merlot não produz grandes vinhos. Assim é a ideia porque nossos supermercados foram inundados com vinhos Merlot, principalmente chilenos, os reservados, de péssima qualidade. Ficou no imaginário que a Merlot não produz grandes vinhos.
A Merlot, junto com a Cabernet Franc e a Sauvignon, faz parte do famoso corte bordalês, responsável pelos caros vinhos de Bordeaux, França. A uva gosta de regiões de solos frios e climas umidos. Verão não muito quente e, principalmente frio a noite. Clima assim lembra o que? A região de Encruzilhada do Sul. Portanto, perfeitamente adaptada ao terroir local.
Não consegui deixar de pensar numa boa ovelha com este vinho. Esta ovelha quero apreciá-la em Encruzilhada do Sul com meus amigos.
Segue outra receita, do meu amigo Giuseppe Aprille (http://culinariaaprile.blogspot.com) de costela de porco.
COSTELAS AO MOLHO BALSAMICO
Uma peça de cotela +ou- 1 1/2 a 2 kg temperdo com sal, alho, alecrim e pimenta do reino
2 cebolas grandes em rodelas grosas
Azeite de oliva ou oleo de milho
1 xc de cha de vinho tinto seco
…Papel aluminio
MOLHO:
100 ml de vinagre balsamico
100 ml de vinho bc seco
50 ml de molho shoyu
3 clhs de sp de açucar mascavo
3 clhs de sp de azeite extra virgem
PREPARO:
Pegar as ja temperada e colocar sobre a cebola em rodelas regar com vinho e azeite cobrir com papel aluminio e assar em forno medio por uma hora.
Preparo do Molho;
Bater no liquidificador o vinho e o vinagre balsamico com as cebolas q assou as costelas e passar na peneira, colocar numa caçarola e juntar o shoyu e o açúcar levar ao fogo e deixar reduzir quase q metade e pinselar ssobre as costelas
Obsv: não deixar ficar muito grosso
Acompanhamento fica a gosto.
Um grande abraço e parabéns pela turma da Vinícola Copetti Czarnobay.
Agrego um comentário pertinente.
Diferente de qualquer outro Merlot nacional que provei. Acredito que seja pelo fato que não foi mencionado:
80% do vinho foi envelhecido por 12 meses em barricas de carvalho francês de primeiro uso. Produção mais que limitada > apenas 2.000 garrafas!
É uma joia dos Pampas!
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