A rica Lombardia, além das paisagens de tirar o fôlego tem um segredo. A pequena região de Franciacorta perto de da cidade de Brescia que seguramente produz um dos melhores spumanti do mundo.
A fria região sempre foi produtora de vinhos, mas o sucesso dos espumantes remonta algumas décadas atrás. O nome Franciacorta oriundo de Corte Franca em razão de nos idos tempos estar nas mãos de Monges Beneditinos que exigiam uma taxa para que se pudesse circular na região. Alguns rótulos de espumantes e vinhos possuem o nome italiano de Curtefranca.
O rumo para a produção de espumantes de qualidade internacional iniciou quando o winemaker Franco Zilani na dácada de 50 iniciou a produção deste vinho pelo método tradicional, isto é, a segunda fermentação na garrafa. Depois outro produtor, os proprietários da Casa do Bosque, Ca’ del Bosco implementou técnicas modernas de condução das videiras desenvolvendo ainda mais o espumante produzido com a Pinot Blanc, Chardonnay e Pinor Noir. Produção muito limitada são verdadeiras jóias engarrafadas.
Repito quem estiver a frente de um espumante de Franciacorta não hesite pode comprá-lo porque é unanimidade mundial.
A região também é produtora de vinhos brancos das castas Chardonnay, Pinot Blanc e algo ínfimo de Sauvignon Blanc. Em termos de tintos sempre em regiões frias destacam-se a Pinot Noir, Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon, Merlot e as italianas Barbera e Nebbiolo. São vinhos muito bons, mas para mim muito distante dos spumanti estes sim da eilite mundial das borbulhas.
Os monges em suas Abadias, na idade média, detinham o conhecimento de vinho, culinária, livros e a cultura da época.Suas Abadias e Mosteiros eram um porto seguro a vida dramática de quem estava fora dos burgos e da proteção da nobreza. Ali estava a chave da gastronomia e o desenvolvimento dos vinhedos e técnicas de produção.
Pois bem, a mídia fala, diz e acontece que foi Don Pérignon, um abade Cisterciense que produziu o primeiro vinho espumante que se tem notícia, na região de Champagne, por volta de 1700 quem bebeu estrelas no vinho espumante ao experimentar o vinho que sofreu a segunda fermentação na garrafa.
Mas não foi bem assim. Pelo menos 200 anos antes, em Limoux, no Languedoc-Roussilon, nos médios Pirineus, próximo a Espanha, numa altura média de 300 metros, através de outra Ordem Religiosa é que foi processado, pela primeira vez, um vinho espumante.
Blanquette de Limoux, hoje feito com a uva Mauzac e Chardonnay, na Abadia, da Ordem dos Beneditinos, ali surgiu o primeiro vinho que sofreu a segunda fermentação.
Portanto, quem bebeu estrelas primeiro foram os abades beneditinos, quase 200 anos antes de Don Pérignon.
Grande produtora de vinhos brancos e espumantes, Limoux é uma região a ser respeitada, visitada e, principalmente, reverenciada, como região de ótimos vinhos.
Comentário de Euclides que completa perfeitamente o post.
Caro Peter, a propósito desse tema permita-me lembrar um fato histórico que liga Limoux à Champagne: o monge Pierre Perignon começou sua vida religiosa na abadia beneditina de Saint-Hilaire, próxima da Limoux. Durante os 10 anos que ai serviu, Pierre dedicou-se ao conhecimento da Blanquette. Deslocado para Hautvillers aos 30 anos de idade tornou-se maitre de chai e utilizou o conhecimento adquirido no sul da França bem como as dificuldades enfrentadas para desenvolver os espumantes na Champagne (detalhes no meu livro “119 curiosidades sobre o mundo dos vinhos”. ed. Mauad, Rio, 2006, 2a. edição). Abraço, Euclides
O verão, no hemfério sul, esta aí. Todo ano ele chega e com ele a confusão de alguns na hora de escolher o seu espumante ou sparkling wine.
A cena é comum nos supermercados e lojas especializadas. Consumidores e vendedores confusos na hora comprar/indicar um espumante.
Além do gosto pessoal é importante conhecer alguns detalhes que fazem a diferença no final.
Champagne, somente na região demarcada na França, todos os outros são espumantes. Os mestres do marketing, os americanos, a chamam de sparkling wine, vinho que solta flashes of light.
O vinho base do espumante é mais ácido e menos doce que o normal, pois irá sofrer nova fermentação. Assim normalmente o vinho base provem de regiões mais frias, na Itália, ao nordeste – Vêneto (Prosecco), Franciacorta, na Lombardia, com os espumantes tradicionais e os Asti, do Piemonte. Na França, além da demarcada região do Champagne tem a Alsácia, Loire, Borgonha, enfim, regiões frias. Portugal, Varosa. Espanha com as Cavas, da Catalunha. No Brasil, por ter condições ideais a serra gaúcha está inserida no mapa mundial deste tipo de vinho.
Prosecco não é tipo de espumante, mas sim a casta utilizada para fabricá-lo.
Cava é um tipo de espumante produzido somente em Barcelona, Espanha, com castas locais.
Pode-se produzir o espumante por dois métodos, o Charmat e o Champenoise, levando em conta que o espumante deve, necessariamente, sofrer uma segunda fermentação na garrafa ou em tanques de inox.
O método Charmat consiste na segunda fermentação em tanques de inox com controle de temperatura, assim existe visivel redução de custo, infelizmente, também, de qualidade, prefira, se o bolso permitir, comprar um champenoise.
No métoido tradicional ou Champenoise a segunda fermentação ocorre na própria garrafa. Mais caro mas mantém a qualidade do espumante por uma dezena de anos.
Quando produzidas no método champenoise, as garrafas são postas com inclinação de gargalo para baixo e giradas um quarto de volta por dia. Ao final do período necessário, forma-se na ponta acúmulo das leveduras. O gargalo é congelado e as borras são retiradas. O espaço é preenchido com o licor de expedição para completar a garrafa.
Agora é que os caminhos serão definidos. O licor de expedição, no caso dos Champenoise ou a pura adição de açúcar nos Charmat, em quantidades que variam na legislação de cada país.
No Brasil.
DOCE: Igual ou superior a 60 gl de açúcar.
DEMI-SEC MEIO DOCE: De 20 a 60 gl de açúcar.
SEC – SECO: Entre 15 a 20 gl de açúcar.
BRUT: Entre 8 e 15 gl de açúcar.
EXTRA-BRUT: Entre 3 e 8 gl de açúcar.
NATURE: De 0 a 3 gl de açúcar.
Fiquem com a elaboração do Champagne
Bem agora é só escolher o caminho que quer seguir. Eu gosto dos nature ou extra-brut.
Cuidado que cada país tem a sua legislação em relação à quantidade de açúcar adicionado.
Já usei esta foto neste blog. Repito porque ela expressa muito bem o que iriei escrever nestas breves linhas.
A mesa está posta para uma reunião informal de amigos. Uma linda mesa, diga-se de passagem Na Campania, Itália. Uma região debruçada na costa amalfitana.
Nesta ocasião os vinhos nos serão apresentados. O momento mágico para qualquer enófilo ou apreciador de vinho é aquele em que uma garrafa de vinho desconhecido será aberta.
Preciso fazer uma advertência. Neste momento surge uma figura que eu combato dia-a-dia, seja informal ou formalmente. Seja na loja, na rua, nos encontros e nos blogs. E os combato porque atrapalham intimidando quem está a iniciar neste mundo, já um pouco assustado com tantos rituais, uns necessários outros absolutamente desnecessários, além de palavras, vinhos e conceitos diversos.
O famoso estraga prazer, mais conhecido como enochato, aquele que tudo complica com frases de efeito, aromas que só ele cheira e informações que só ele sabe. Esta figuras não são exclusividade do vinho, aliás, estão em toda a parte, inclusive já andam falando por aí do cervochato, aquele que entende mais de cerveja do que qualquer outro.
Penso que uma reunião de amigos em torno da mesa, como esta da foto, serve para uma troca de ideias e experiências, o (con)viver algo raro hoje em dia, o “deixar para ver como fica” enfim, desfrutar do ócio sem maiores pretensões e, claro, muita conversa sobre o vinho. Eu disse conversa sobre o vinho e não imposições de ideias sobre o vinho.
Falamos que tal vinho tem aromas florais, ele logo vem com aroma da Edelweiss colhida nos Alpes e será que ele conhece o aroma desta flor?. Falamos de gosto mineral nos vinhos brancos ele entra com o gosto de petróleo, ora lá alguma vez bebi petróleo? Falamos de final prolongado e ele entre com retrogosto de alta persistência durando cerca de 5 minutos. Nunca parei para medir o tempo do final de gole, simplesmente sinto-o ou não. Falamos, por exemplo, de Bordeaux, vinhos acessíveis é claro e ele vem com Bordeaux caríssimos safras antiquíssimas de leilões disputadíssimos, será que comprou alguns destes? Será que já os apreciou?
Eles vêm sempre com aquelas pontuações e conceitos de Robert Parker e sua turma. Este vinho tem tantos pontos RP, este ele disse que era bom, ora não se bebe vinho pela boca dos outros, cada um de nós tem a sua experiência, suas emoções e lembranças eno-gastronômicas. Isto quando eles não tem suas próprias pontuações, se o Robert Parker original é ruim que dirá o clone.
Afora as frases lapidares. Vinho branco não é vinho. A pensar assim mais da metade do mundo do vinho desaparece. Cote D’Or, na Borgonha, fica pela metade, Riesling alemão de mais de 20 anos de garrafa virará tempero.
Ou o melhor vinho de tal país é este. Ora ele bebeu TODOS os vinhos daquele país? Espelhou-se em algum guia que certamente não apreciou todos os vinhos. Mais, ele mesmo não apreciou os vinhos tratados no guia. Então não me venha falar de MELHOR vinho deste ou daquele país.
Detesto vinho brasileiro e gosta de espumante nacional. Ora, espumante até onde sei é vinho.
Fala com uma propriedade definitiva, este vinho é ruim ou é bom. Não tem vinho ruim ou bom tem vinho estragado ou não. O estragado ninguém quer, de resto é paladar, o melhor vinho é aquele que de dá prazer e ponto final. O horizonte de prazer pode ser aumentado com leitura, degustações, amigos, enfim, troca de experiências, que aliás é o que se busca nestes momentos de encontros eno gastronômicos.
O que pretendo na sequência é conduzir aqueles que têm menos experiência a apreciar da melhor maneira possível este vinho que está sendo apresentado.
A degustação de vinho tem um ritual mínimo que deve ser seguido à risca, sob pena de não alcançarmos os resultados pretendidos.
Nos ensinaram a falar e a escrever, mas não nos ensinaram a cheirar e a sentir a textura dos alimentos e bebidas. Portanto temos que educar nosso nariz e boca e o faremos em várias oportunidades.
Algumas regras devem ser seguidas:
- Serão apresentados vários vinhos? Comece pelo espumante/champagne/sparkling. Depois os brancos leves. Após os brancos mais encorpados e por fim os que passaram por barricas de madeira. Após os roses e , por fim, os tintos, na mesma sequência dos brancos, do mais leve e frutado ao mais encorpado.
- Quantidade muito grande de vinho, não faça fiasco. Nossas papilas gustativas estão ativadas somente até a terceira taça, depois amortecem (não se usufrui como deve ser) e após e bebedeira mesmo. PORTANTO USE A CUSPIDEIRA, AQUELE BALDE QUE CUSPIMOS E COLOCAMOS O RESTO DA TAÇA FORA.
- Mulheres, perfume e baton, fora, fora e fora. Atrapalham e muito a parte olfativa da degustação.
- Balance a taça com cuidado E NÃO PRECISA FAZER UM REDEMOINHO, POR FAVOR.
- Cheire o vinho, se precisar cheire um pouco mais forte, NÃO PRECISA FAZER BARULHOS ESTRANHOS.
- Não tenha receio de encher a boca com vinho. Ele deve circular por toda a língua.
- Não tenha receio de falar para quem está ao lado o que cheirou ou sentiu. Talvez a tua simplicidade ajude os amigos a identificarem o que não conseguem identificar.
- Por fim não se torne um estraga prazer.
Nesta degustação de Bordeaux até os grandes se enganam. Vejam até o final para a surpresa.
Vinho na temperatura certa antes de abri-los é importante separar as taças. Sei que há taças caríssimas altamente sofisticadas, estilo Riedel, http://www.riedel.com/ mas convenhamos vamos por os pé no mundo real. Em 90% dos casos não estaremos em condições de estar a frente destas Ferraris das taças.
A figura acima é elucidativa. Apenas uma explicações.
A diferença entre o branco e o branco jovem. O primeiro em quase todos os casos passa por madeira, isto é teve contato com madeira, os melhores e mais caros, estagiaram em barricas de madeira francesa ou americana, neste blog tem um post sobre eles http://wp.me/pPKW2-CI portanto a taça deve ser mais bojuda para que os aromas fiquem “presos” mais tempo e assim possamos apreciar melhor seus aromas. Já os brancos jovens, na maioria dos casos, leves e frutados já explodem os aromas no nariz assim que abrimos o vinho.
Nos tintos vale a mesma regra. Quanto mais estagiou em madeira e envelhecido na garrafa, tipo 8 a 10 anos para ficar no ponto, maior a taça e seu bojo.
Nos espumantes/Champagne o clássico é este “flute”, mas eu prefiro os “flute” mais boljudos assim mantemos os delicados aromas por mais tempo na taça.
Detalhe, nunca encha demais a taça, assim pode-se girá-la para liberar os aromas. E a segure pela haste ou pé. Assim não suja o seu corpo com a gordura das mãos o que facilitará a análise visual, além de não esquentar o líquido.
Técnicas básicas de degustação e se devo decantar os vinho veremos adiante.
Muito antes de falarmos de rolhas, como sacá-las, das garrafas e taças, a primeira e principal observação é a temperatura do vinho.
Aqui o detalhe é determinante para que se aproveite, ao máximo, o precioso líquido que está a nossa frente.
Espumantes: 5 Celsius
Brancos Doces: 6 Celsius
Champagnes: 8 Celsius
Brancos Secos Leves: 9 Celsius
Brancos Secos Corpo Médio: 12 Celsius
Brancos Secos Encorpados: 14 Celsius
Rosés: 9 a 10 Celsius
Tintos Leves: 12o Celsius
Tintos de Corpo Médio: 13 a 14 Celsius
Vinho do Porto, Madeira: 14 Celsius
Tintos encorpados: 17 a 18 Celsius
As temperaturas mais elevadas favorecem a volatização do álcool subtraindo os aromas.
As temperaturas mais baixas, em relação aos tintos amargam os taninos e em relação aos brancos de qualidade, eliminam qualquer possibilidade de apreciar a elegância e a delicada harmonia que eles possuem.
Em relação aos espumantes e champagne, exceto os mais doces, temperaturas mais baixas que o indicado eliminam qualquer possibilidade de sentir os seus subliminares aromas. Isto porque o vinho base para os espumantes e champgne são mais ácidos que o normal devido a maturação incompleta levando, naturalmente, a diminuição de aromas primários, tornando-os não aromáticos.
Uma dica para sentirmos os aromas destes vinhos é aumentar um pouco a temperatura de serviço e, contrariamente ao divulgado, utilizarmos taças de vinho branco, menores e mais fechadas na boca, assim o espumante ou champagne, pode “rodar” na taça liberando os tão quridos aromas.
O vinho é um fermentado da uva, assim como a sidra e o calvado vêm da maçã. Portanto, somente o vinho provem da uva.
Mas de todas as uvas? Sim, mas eles ganham diferentes classificações no Brasil. O vinho conhecido como VINHO FINO vem das uvas viníferas, Cabernet Sauvignon, Chardonnay entre outras. A uva americana ou uva de mesa, também produzem vinho, mas são de categoria bem inferior, os chamados vinhos da colonia ou de garrafão. As mais conhecidas são Santa Isabel, Niágara, bordo entre outras e representam a maior parte dos vinhos no Brasil.
Outro lembrete chamado vinho suave, ESTE VINHO É AQUELE NO QUAL É ADICIONADO, AO DURANTE A VINIFICAÇÃO, AÇÚCAR DE CANA, em grande quantidade tenha aç~ucar residual não transformado em álcool e fique mais “docinho”. Necessariamente no rótulo está esta indicação. Estes podem ser brancos ou tintos.
Os vinhos finos não possuem adição de açúcar ao final da vinificação. Podem conter açúcar de cana, durante o processo de vinificação para ganhar mais álcool ao final, processo chamado de chaptalização. Mas são vinhos SECOS, isto é, não adocicados.
Pois bem, a uva é o fruto da videira e esta é uma trepadeira, portanto precisa ser conduzida, seja por amarração, cabos e fios ou por poda. Possui uma raiz poderosa que desce fácil 10 metros para buscar sua sustentação, seja física, seja biológica. E um detalhe, não pode haver matéria orgânica na superfície, caso contrário a raiz vai para os lados superficialmente e não fixa-se no solo. Por isto as imagens de videiras são imagens bíblicas, muito sol e terra a mostra.
A foto aí em cima mostra bem esta ideia. As videiras de Grenache (Garnacha), um das rainhas do mediterrâneo junto com a Mouvèdre (Monastrel) no Languedoc, região mediterrânea da França. Detalhe, sem condução, apenas na poda. Ao fundo uma cidade medieval em cima do morro para maior proteção. Algo que verão sempre nesta região.
Mas a videira precisa de atenção constante. Poda seca no inverno ou a poda verde para diminuir a quantidade de frutos e concentrar a força em menos cachos, menos quantidade, mais qualidade.
Pode ser tipo latada, mais comum, como esta da foto.
Ou o sistema mais utilizado para vinhos de qualidade que é a espaldeira, note que cada fileira toma a sua quota certa de sol.
Tipos de vinhos.
Espumante/Champagne, com sua segunda fermentação na garrafa(champenoise) ou tanques de inox (charmat).
Vinho branco de uvas brancas ou tintas estas vinificadas sem a casca.
Tinto, vinificadas com a casca que dá cor ao vinho.
Rose, pode ser com o pouco contato da casca com o mosto (líquido inicial da maceração das uvas) ou pelo método de sangria, quando retira-se parte do mosto logo que se vinifica as tintas.
Vinho de sobremesa, pode ser colheita tardia, onde acontece a passificação das uvas, isto é a perda da água concentrando-se o açúcar. As atacadas pelo fungo Botrytis Cinerea que aparece em determinadas regiões, como Tokaj (Hungria) e Bordeaux, os chamados Sauternes, que ataca a casca das uvas desidratando-as e os Ice Wine, as uvas são colhidas congeladas e assim processadas. Os cristais de gelo levam a desidratação da uva.
Por fim os fortificados, estilo Porto, Madeira entre outros onde coloca-se Grapa, aguardente vínica no início da fermentação. Aumenta-se o álcool, estanca-se o processo de vinificação e obtêm-se um vinho fortificado, alcoólico e doce.
Próximo passo veremos as principais uvas e o serviço do vinho.
A mesa está posta para uma reunião informal de amigos. Uma linda mesa, diga-se de passagem Na Campania, Itália. Uma região debruçada na costa amalfitana. Mário (mondovino), certamente sabe e concorda com que acabei de escrever.
Pois bem, neste momento surge uma figura que eu combato dia-a-dia, seja informal, seja formalmente. Seja na loja, na rua, nos encontros e nos blogs. E os combato porque atrapalham intimidando quem está a iniciar neste mundo, já um pouco assustado com tantas palavras, vinhos e conceitos diversos.
Aliás, o objetivo primeiro da criação deste blog é exatamente este, ajudar a servir de guia neste mundo.
É o famoso estraga prazer, mais conhecido como enochato, aquele que tudo complica com frases de efeito, aromas que só ele cheira e informações que só ele sabe. Esta figuras não são exclusividade do vinho, aliás, estão em toda a parte, inclusive já andam falando por aí do cervochato, aquele que entende mais de cerveja do que qualquer outro.
Penso que uma reunião de amigos em torno da mesa, como esta da foto, serve para uma troca de ideias e experiências, o (con)viver algo raro hoje em dia, o “deixar para ver como fica” enfim, desfrutar do ócio sem maiores pretensões e, claro, muita conversa sobre o vinho. Eu disse conversa sobre o vinho e não imposições de ideias sobre o vinho.
Falamos que tal vinho tem aromas florais, ele logo vem com aroma da Edelweiss colhida nos Alpes e será que ele conhece o aroma desta flor?. Falamos de gosto mineral nos vinhos brancos ele entra com o gosto de petróleo, ora lá alguma vez bebi petróleo? Falamos de final prolongado e ele entre com retrogosto de alta persistência durando cerca de 5 minutos. Nunca parei para medir o tempo do final de gole, simplesmente sinto-o ou não. Falamos, por exemplo, de Bordeaux, vinhos acessíveis é claro e ele vem com Bordeaux caríssimos safras antiquíssimas de leilões disputadíssimos, será que comprou alguns destes? Será que já os apreciou?
Eles vêm sempre com aquelas pontuações e conceitos de Robert Parker e sua turma. Este vinho tem tantos pontos RP, este ele disse que era bom, ora não se bebe vinho pela boca dos outros, cada um de nós tem a sua experiência, suas emoções e lembranças eno-gastronômicas. Isto quando eles não tem suas próprias pontuações, se o Robert Parker original é ruim que dirá o clone.
Afora as frases lapidares. Vinho branco não é vinho. A pensar assim mais da metade do mundo do vinho desaparece. Cote D’Or, na Borgonha, fica pela metade., Riesling alemães de mais de 20 anos de garrafa viram tempero.
Ou o melhor vinho de tal país é este. Ora ele bebeu TODOS os vinhos daquele país? Espelhou-se em algum guia que certamente não apreciou todos os vinhos. Mais, ele mesmo não apreciou os vinhos tratados no guia. Então não me venha falar de MELHOR vinho deste ou daquele país.
Detesto vinho brasileiro e gosta de espumante nacional. Ora, espumante até onde sei é vinho.
Fala com uma propriedade definitiva, este vinho é ruim ou é bom. Não tem vinho ruim ou bom tem vinho estragado ou não. O estragado ninguém quer, de resto é paladar, o melhor vinho é aquele que de dá prazer e ponto final. O horizonte de prazer pode ser aumentado com leitura, degustações, amigos, enfim, troca de experiências, que aliás é o que se busca nestes momentos de encontros eno gastronômicos.
Por fim só gosta de vinhos caros. Já disse que o vinho ao lado da gastronomia e da música são as bandeiras da cultura de um lugar. E, certo, ali não se bebe somente vinhos caros todo o dia. Portanto, pensar assim e pensar errado e, pior, induzir ao erro os iniciantes.
Vamos ajudar o vinho a desmistificá-lo e não a tratá-lo como algo inacessível, com gostos e cheiros que um mortal comum não conhece.
Por fim experiência é o nome que damos aos nossos erros e não fazer algo errado durante vários anos.
Vejam o exemplo desta pianista, interpretando o Concerto para piano e orquestra 26 – Coronation de Mozart, divino.
Digo sempre que o vinho nos reserva surpresas. Aqui não foi diferente. Recebi a simpática diretora comercial da Vinícola Copetti, Evelyne Copetti, que gentilmente me ofertou com este espumante e um tinto, o Merlot Alto das Figueiras, que será objeto de futuro post.
Pois bem, este espumante foi produzido com uvas plantadas em Encruzilhada do Sul, até aí, sem novidade, eis que várias vinícolas do Rio Grande do Sul tem alguns anos plantam suas uvas por lá.
A primeira surpresa está que esta é a única que tem sua sede em Encruzilhadas, desde sempre, e vinifica por lá seus vinhos, ao contrários das outras que transferem as uvas para serra gaúcha.
Encruzilhada do Sul, este amável município fica a menos de duas horas de carro a sudoeste de Porto Alegre. Está localizado na Serra do Sudeste que possui altura média de 300 a 400 metros de altura, sendo boa parte de seu solo de pedra, com invernos rigorosos e verões com excelente insolação. De dia muito sol e a noite a temperatura baixa consideravelmente.
A combinação de solo rochoso, dias ensolarados e noites frias, pela altura em que estão plantados os vinhedos, garantem, um lento amadurecimento das uvas, garantindo, assim, a fixação de aromas e sabores.
Este espumante ainda me reservou outras surpresas.
Elaborado em tanques de inox, pelo método Charmat longo, com Chardonnay, Merlot e Cabernet Sauvignon, estas duas tintas vinificadas em branco, isto é sem a casca o que os franceses chamam de blanc de noir, branco do preto. De cor amarelo esverdeado, típica dos melhores Chardonnay.
Mais uma surpresa, ao ser aberta explode em aromas de abacaxi, melão e pêssego, algo raro nos espumantes, pois as uvas são colhidas antecipadamente para garantir a acidez necessária para a vinificação do espumante, não tendo, então a fixação dos aromas.
A terceira surpresa fica por conta de um aroma sutil de nozes, algo que tem muito tempo não sentia nos Chardonnay.
A quarta surpresa está na cremosidade e untuosidade deste espumante, pois foi elaborado pelo métdodo Charmat, isto é, a segunda fermentação, necessária para a elaboração de um espumante, dando-se em tanques de inox, raramente possuem esta característica. A cremosidade está presente nos espumantes elaborados pelo método tradicional, segunda fermentação na garrafa e mesmo assim após alguns anos de descanso.
Portanto, a todos os que trabalharam neste espumante, desde a videira até o engarrafamento estão de parabéns. Assim que terminar a Expointer 2011, na qual a Enoteca está presente teremos este espumante para a venda na loja.
E já que estamos falando de Rio Grande do Sul e de Expointer, a maior feira de agronegócio da América Latina, ficamos com Jaime Caetano Braun.
O maior pajador deste Estado. Pajada ou Payada é uma forma de poesia improvisada vigente na Argentina, no Uruguai, no sul do Brasil e no Chile (onde chama-se Paya).
A rica Lombardia, além das paisagens de tirar o fôlego tem um segredo. A pequena região de Franciacorta perto de da cidade de Brescia que seguramente produz um dos melhores spumanti do mundo.
A fria região sempre foi produtora de vinhos, mas o sucesso dos espumantes remonta algumas décadas atrás. O nome Franciacorta oriundo de Corte Franca em razão de nos idos tempos estar nas mãos de Monges Beneditinos que exigiam uma taxa para que se pudesse circular na região. Alguns rótulos de espumantes e vinhos possuem o nome italiano de Curtefranca.
O rumo para a produção de espumantes de qualidade internacional iniciou quando o winemaker Franco Zilani na dácada de 50 iniciou a produção deste vinho pelo método tradicional, isto é, a segunda fermentação na garrafa. Depois outro produtor, os proprietários da Casa do Bosque, Ca’ del Bosco implementou técnicas modernas de condução das videiras desenvolvendo ainda mais o espumante produzido com a Pinot Blanc, Chardonnay e Pinor Noir. Produção muito limitada são verdadeiras jóias engarrafadas.
Repito quem estiver a frente de um espumante de Franciacorta não hesite pode comprá-lo porque é unanimidade mundial.
A região também é produtora de vinhos brancos das castas Chardonnay, Pinot Blanc e algo ínfimo de Sauvignon Blanc. Em termos de tintos sempre em regiões frias destacam-se a Pinot Noir, Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon, Merlot e as italianas Barbera e Nebbiolo. São vinhos muito bons, mas para mim muito distante dos spumanti estes sim da eilite mundial das borbulhas.
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