MAPA DO VINHO – PARTE XXXIV – FRANÇA – BORGONHA – GREVEY CHAMBERTIN

22 02 2012

Como visto ao longo dos post sobre a Borgonha aqui o passado é presente. Já dito que os Monges Cistercienses, grandes enólogos da Idade Média, trabalharam e definiram os melhores terroir da Borgonha para a Pinot Noir e a Chardonnay.

Em Gevrey Chambertin não foi diferente. Os primeiros proprietários das vinhas que hoje formam a região estavam nas mãos dos religiosos da Abadia de Cluny. Após a derrocada da Monarquia com a revolução francesa as propriedades foram divididas entre os familiares dos Duques ou vendidas a peso de ouro.

As vinhas Gevrey podem ser divididas em três: Os vinhos da parte norte são os vinhos menos interessantes os mais comuns chamados Rouge e Blanc. No lado sul de Gevrey estão  todos os vinhedos grand cru estão localizadas e, por fim, os do lado leste que margeiam a estrada que corre ao longo da Côte d’Or entre Dijon e Beaune, são os Village.

 





MAPA DO VINHO – PARTE XXXIII – FRANÇA BORGONHA – VOUGEOT

22 02 2012

Em Vougeot foi fundada a Ordem dos Cistercienses cujos Monges, na Idade Média, dedicaram-se ao desenvolvimento das vinhas na França. Pensar em vinho na França é necessariamente falar destes Monges. A região central e norte do país, incluindo Loire, Champagne, Alsácia, Rhône e Borgonha foram trabalhadas por estes religiosos.

Um dos mais famosos religiosos desta Ordem foi Don Pérignon cuja lenda concede a ele o descobrimento do método para a produção do Champagne e a famosa frase: Estou a beber estrelas.

A Ordem fundada em 1098, numa região pantanosa, cobertas de capim (“cistels” em francês antigo). Rapidamente, a partir de 1110 em diante, a Abadia de “Cister” foi beneficiada com doações de terras abandonadas que logo trataram de cultiva-las com as vinhas que hoje formam os vinhedos de Clos Vougeot.

Clos Vougeot era propriedade desta Ordem Religiosa e hoje é dividida com mais de 80 proprietários foi totalmente cercada pelos muros existentes até hoje dando o nome de Clos de Vougeot. Maior área de Cru da Borgonha, mas sem perder a qualidade demonstrada em toda a região.

As suaves colinas da Côte D’Or cntinuam presentes, vejam a foto de Vougeot.

Se em Vosne-Romanée fala-se de tamanhos liliputianos aqui se fala da maior área de Grand Cru da Borgonha. Mesmo sendo a  maior não há perda de qualidade. O reinado da Pinot Noir continua e a parte mais alta destas suaves colinas da foto continuam disputadas para serem Grand Cru desde os tempos dos Monges.

A qualidade dos vinhos continua alta, seus vinhos são agradáveis, encorpados, perfumados e com vocação para a garrafa, envelhecem e bem por mais de 10 anos com saúde.

Mas, sem dúvida que o maior charme de Vougeot foi ser a sede da fundação desta importante Ordem Religiosa que todos os amantes do vinho deveriam reverenciar.

 





MAPA DO VINHO – PARTE XXXII – FRANÇA – BORGONHA – VOSNE ROMANÉE

22 02 2012

Com a pequena vila de Vosne Romanée ao fundo as vinhas de Pinot Noir ao alto respondem por dois dos mais emblemáticos vinhos do mundo, La Romanée-Conti e La Tâache, ambos do mesmo proprietário Domaine de La Romanée Conti. Seguramente daqui saem os melhores Pinot Noir que este planeta consegue produzir. E isto numa região que soma 40 Grand Cru neste pequeno espaço de terra. Terroir aqui é assunto sério, já disse e reptio, centímetro aqui faz diferença.

Tanto é que a área do Romanée Conti está previamente demarcada por estes muros. O que está dentro é Romanée Conti o que está fora é Vosne Romaée.

stes vinhos da Borgonha estão para os apaixonados por carro como um Ferrari, uma Mercedez, enfim, sonho de qualquer amante dos vinhos.

Eu mesmo custei a acreditar que um vinho pudesse alcançar os valores que consegue em Vosne Romanée, claro que há over price pela propaganda, pela fama e outros fatores que encarecem o vinho sem que seja exclusivamente a qualidade da uva, solo e trabalho dos produtores.

A liliputiana Vosne como todas as vilas da Borgonha sofreram forte influência dos nossos amigos Monges Cistercianos por mais de 900 anos, certamente eles foram os principais enólogos que melhoraram e escolheram os melhores terroir para a Pinot Noir.

Também a Nobreza Francesa, através dos poderosos Duques assumiu o comando político da Borgonha passando as vilas da Borgonha para a mão de poucos donos. De fato positivo foi a criação do canal de exportação destes vinhos para a Inglaterra com o casamento de Henrique V (inglês) com a Catarina de Valois, em 1420, após a batalha de Agincourt, pequena vila perto de Nuit Saint-Georges.

Com a derrocada da nobreza os vinhedos da Borgonha e de Vosne foram divididos entre vários proprietários, por isto, só na região de Vosne mais de 30 produtores dividem os vinhedos dos Gran Cru.

Os principais Grand Cru de Vosne são:

ROMANÉE-CONTI: O vinhedo Romanée-Conti é o predominante na vila de Vosne . Seu vinhos são seguramente os mais caros do mundo e é o ápice do que pode chegar a casta Pinot Noir.

LA ROMANÉE: É de propriedade do Château de Vosne-Romanée. São vinhos produzidos em apenas 0,84 ha.

LA TÂCHE: Outra propriedade da Domaine de la Romanée Conti produzindo vinhos em 6 ha.

RICHENBOURG: É um Cru em 8 ha  estão divididos entre os 10 produtores, incluindo Domaine Leroy e Domaine de la Romanée Conti.

ROMANÉE SAINT-VIVANT: Produz Pinot Noir fora de série, mas mais leves e sedosos, dos 9,5 ha metadade são da Domaine Romanée-Conti.

LA GRAND RUE: O menos famoso dos seis grandes crus é de propriedade de Domaine de François Lamarche, recentemente promovido a Premier Cru. São 1,4 hectares que situam-se entre Romanée Conti e La Tache.





MAPA DO VINHO – PARTE XXXI – FRANÇA – BORGONHA – CÔTE DE NUITS

22 02 2012

A Côte de Nuits, pequena faixa de terra com 25 quilômetros de extensão e um quilômetro de largura, seguramente, após mais de 100o anos de estudos por parte dos Monges, é o terroir perfeito para a manhosa Pinot Noir.

As portas da Côte de Nuits, a chamada parte norte da Côte D’Or, estão abertas. Château como este são tradicionais na região. Aqui inicia o reino da Pinot Noir.

Terroir, palavra tão gasta pela mídia, aqui aparece com todo o seu esplendor. Centímetro faz diferença. As áreas nobres para os Gran Cru muita vezes terminam meio metro para cá ou para lá. Certamente não foi numa noite de insônia que estas áreas foram demarcadas, mas sim após séculos de estudos sobre o terroir adequado.

Falar em Pinot Noir aqui é falar de vinhos mágicos, vinhos que certamente ficam na memória de quem os aprecia. E dificultam gostar de outros vinhos por um bom tempo.

Sei que o mundo produz de bons a excelentes Pinot Noir, desde os EUA (Oregon) até Nova Zelândia (Central Otago) passando pelo Chile (Casablanca) a Portugal (Bairrada).

MAS EM COMPARAÇÃO COM OS GRANDES DE CÔTE DE NUITS SÓ O NOME PINOT NOIR É IGUAL. Não há meio de comparação.

Deve-se este fato ao clima, ao trabalho secular dos Monges e depois dos proprietários dos vinhedos da região, mas principalmente ao terroir, absolutamente perfeito para esta uva. Daí saem vinhos únicos e como disse o Paulo Queiroz (nossovinho) perfeitos para namorar. São vinhos equilibrados, elegantes,as vezes macios, as vezes robustos, perfumados e absolutamente ímpares.

O clima continental de inverno forte e verão quente e seco são ideias para a uva Pinot Noir, quando o clima não está de mau humor. Devemos pensar que os vinhedos da Côte de Nuits são os mais ao norte para vinhos tintos no mundo. Sabe-se que a Pinot Noir gosta de climas frios, ocorre que aqui as vezes há granizos fora de hora, geadas na primavera, enfim, o clima câmbia e as colheitas também. ASSIM É IMPORTANTE VERIFICAR A SAFRA DO PINOT NOIR ADQUIRIDO OU COMPRÁ-LO DE UM IMPORTADOR SÉRIO PARA EVITAR SURPRESAS.

O solo é um verdadeiro mosaico, modificando muito, como digo aqui metro faz diferença na medida em que o solo influencia e muito na qualidade do produto final e define, categoricamente, qual tipo de Pinot será produzido, desde os Village até os Gran Cru.

Aqui como na Côte de Beaune, os melhores solos, os de calcário, estão nas encostas dos morros numa altura média de 150 a 250 metros de altura, portanto os mais altos em geral são os melhores, descendo o morro encontramos os Premier Cru e abaixo os Village.

As principais sub-regiões que veremos com mais calma são   Gevrey-Chambertin  Morey St Denis, Chambolle-Musigny, Vougeot, Vosne-Romanée, Flagey-Échézeaux, Nuits St-Georges e Fixin.

E não esqueçam a Côte de Nuits também produz excepcionais Chardonnay.

O vídeo vale a pena ser visto.





MAPA DO VINHO – PARTE XXX – FRANÇA – BORGONHA – ALOXE CORTON

21 02 2012

Aloxe-Corton é  o último suspiro da Chardonnay na Côte D’Or.  E que suspiro. Aqui tendo o Château-Corton, este aí da foto, como base central.

Os vinhedos de Corton estão localizados a 5 quilômetros ao norte de Beaune e produzem tanto Pinot Noir quanto MARAVILHOSOS Chardonnay. As melhores vinhas estão ao redor do Monte Corton que se eleva a 380 metros.

Como disse os vinhedos espalham-se ao redor do Monte Corton e é como descer o monte em espiral. Os melhores vinhedos estão na face sul sudoeste. Ao pé do monte estão as Pinot Noir.

Um dos mais fantásticos Grand Cru exclusivamente de Chardonnay da Côte D’Or saem de minúsculas áreas que somadas chegam a 0,30 hectare, isto mesmo, algo como um campo de futebol e nada mais em Corton-Charlemagne. (Carlos Magno) este nome lembra algumas passagens da história da França? Desde aquela época já andava por lá, portanto não é de hoje que estes vinhedos produzem estas pérolas.

O vídeo mostra bem o monte de Aloxe-Corton





MAPA DO VINHO – PARTE XXVI – FRANÇA – BORGONHA – MERSAULT

21 02 2012

Vejam as colinas que mencionei no post anterior. Pensem que nestas colinas  faz mais de mil anos que se produz ótimos vinhos com a Chardonnay e a Pinot Noir, os Monges, enólogos da Idade Média, já trabalhavam estas uvas e estudavam o melhor terroir.

Mersault seguramente tem a maior área plantada de brancos Grand Cru da Côte D’Or. Seus vinhos são esplêndidos, mágicos e facilmente conquistam o coração de quem os aprecia.

O solo argiloso mantém o frio e a umidade mesmo no verão frio que a Chardonnay tanto gosta além de possuir  ótima exposição solar garantindo uma maturação segura e sem sobressaltos, dai a produção destes vinhos de exceção.

TODOS OS BONS CHARDONNAY QUE BEBESTE DEVEM SER ESQUECIDOS, POIS IGUAIS A ESTES EXEMPLARES DE CÔTE D’OR  NÃO HÁ. SOMENTE CHABLIS E SEUS MELHORES EXEMPLARES.

Os melhores exemplares podem envelhecer por mais de 10 anos. Quando jovens são encorpados, aromáticos e bastante minerais ao mesmo tempos em possuem aromas de pêssego, damascos e maçã. Os vinhos mais antigos já possuem toques de mel, amêndoas e são bastante amanteigados.

Se estiveres na frente de um rótulo destes e possuir dinheiro em seu bolso compre-o sem vacilar a experiência será inesquecível.

 Vejam no vídeo as suaves colinas que fazem a diferença na Côte D’Or





MAPA DO VINHO – PARTE XXV – FRANÇA – BORGONHA – CHASSAGNE MONTRACHET

21 02 2012

Chassagne-Montrachet faz parte do trio de ouro para os brancos em Beaune junto com Mersault e Pullygni-Montrachet. A figura acima já explicada em post anterior demonstra que nesta área de Côte D’Or as camadas de solo estão dispostas em sistema de patamares, onde pela localização (altura) dos vinhedos são produzidos do melhor aos mais comum, se é que se pode chamar assim, dos Chardonnay.

Antes a região era dividida entre Pinot Noir e Chardonnay, hoje praticamente são plantadas somente a Chardonnay. É do trio a maior área disponível para as vinhas, mas não se iluda seus brancos são de máxima exceção.

Os brancos são de cor amarelo oliva, complexos, aromas marcados de grama molhada, frutas cítricas uma mineralidade bem demarcada.

Os tintos são poucos mas feitos com a Pinot Noir apresentam uma rusticidade bem maior que os seus primos da Côte D’Or, mas a não ser que conheça o produtor não perca tempo e dinheiro com eles, vá direto para os brancos, estes sim inesquecíveis.





MAPA DO VINHO – PARTE XXIV – FRANÇA – BORGONHA – CÔTE D’OR E SEUS SEGREDOS

21 02 2012

Calma, antes de sair para conhecer os vinhedos da Côte D’Or como este ao redor do Chateau Du Pommard é importante algumas informações sobre esta área da Borgonha que, desde 1300 é considerada especial para história mundial do vinho.

HISTÓRIA: A Borgonha, pela sua proximidade com a capital sempre esteve envolvida com o Poder da época. E falar em Poder desde os anos de 900 até a Revolução Francesa é falar da Igreja Católica e da Monarquia Francesa, aí incluindo os Monges Cistercieneses, GRANDES ENÓLOGOS DA ÉPOCA E ORDEM RELIGIOSA DE DOM PÉRGINON, O MONGE QUE VIU ESTRELAS NAS BOLINHAS DE SUA CHAMPAGNE, e  a família real e os Ducados. Após com os Monges, suas Abadias e Mosteiros eram um porto seguro a vida dramática de quem estava fora dos burgos e da proteção da nobreza. Ali estava a chave da gastronomia e o desenvolvimento dos vinhedos e técnicas de produção.Os primeiros Mosteiros datam do ano de 900 e 1098, em Cluny e Cister (daí o nome da Ordem Cisterciense), respectivamente. Após vieram os Poderosos Duques da Borgonha cujo reinado se estendia até Flandres (Bélgica e Holanda). Sucessivas guerras enfraqueceram o seu Poder, em 1415 houve a famosa Batalha de Agincourt onde foram derrotados por Henrique V dando início ao reinado compartilhado. O Ducado indo até a Holanda e a divisão do reinado com os ingleses explicam as rotas internacionais de escoamento do vinho da Borgonha, Inglaterra e Holanda sempre disputaram a primazia do comércio internacional marítimo neste período. Com a Revolução Francesa e a derrocada da Monarquia toda área que estava na mão de poucos nobres espalharam-se pela linhagem da família, isto explica porque há tantas propriedades em tão pouco espaço. Há, inclusive, linhas de vinhedos que são divididos entre diferentes proprietários.

GEOGRAFIA: Côte D’Or tem 50 quilômetros de extensão e 2 de largura, portanto é um pequena linha de terra onde estão concentrados míticos produtores e seus vinhos. Aqui centímetro faz diferença.

 

O solo normalmente apresenta-se em camadas de vários tipos, ferroso, argiloso, calcário e assim vai, mas aqui há o GRANDE CHARME DA CÔTE D’OR QUE SÃO SUAS SUAVES COLINAS, NELAS, POR UMA RAZÃO GEOLÓGICA AS CAMADA SE APRESENTAM EM PATAMARES E ESTA CARACTERÍSTICA DEFINE SE QUE VINHO SERÁ. Vejam a figura ao lado retirado do site oficial da Borgonha. A figura voltará no próximo post de uma maneira mais clara.

TERROIR: Por terroir entende-se o conjunto de fatores climáticos, solos e orientação solar que influenciam dramaticamente no desenvolvimento da vinha. Palavra hoje um pouco surrada pela utilização desmedida como item de marketing. Não se pode colocar no rótulo dos vinhos: MELHOR TERROIR para tal uva num vinho de R$ 20,00. Há que entender o terroir como sendo algo muito importante para o desenvolvimento de uma planta E QUE DEMANDA ESTUDO E MAIS ESTUDO ALÉM DE MUITO DINHEIRO ENVOLVIDO. TERROIR NA BORGONHA NÃO É BRINCADEIRA E SIM SERIEDADE MÁXIMA. Informe-se com quem lida com plantas que ele dirá que uma rosa, por exemplo, vai bem numa série de terrenos e climas, MAS EM TAL TERRENO, CLIMA E SOL irá desenvolver sua máxima expressão. Com o vinho é igual e quem desenvolveu a perfeição o terroir de Côte D’Or foram os Monges, os enólogos da idade média. Aqui cada casta tem seu lugar definido há séculos e estes lugares defnem a qualidade e preço do vinho. VOU REPETIR, AQUI CENTÍMETRO FAZ DIFERENÇA.

UVAS: Na Côte D’Or Haviam três castas, duas tintas a Pinot Noir e a Gamay e a Chardonnay. Com o tempo e o estudo do terroir os Monges viram que a Pinot produziam pérolas e a Gamy nem tanto, esta segunda era mais usada para os vinhos mais populares, assim foi banida da região e passou a ser plantada mais ai sul da Borgonha, de onde nos trazem os amáveis Beaujolais. A Chardonnay, desde sempre alcançou sua expressão máxima em Chassagne-Montrachet e em Chablis.

Me desculpem este post fugiu das minhas características de escrever pouco, mas aqui não tive alternativa.

Nos próximos posts tentarei desvendar cada micro-região da Côte D’Or.





MAPA DO VINHO – PARTE XX – FRANÇA – BORGONHA

21 02 2012

Escrever em blog não é fácil, postar quase todo o dia, ser rápido, ter conteúdo e criatividade. Piora quando se escreverá sobre a Borgonha, sua história, seus Duques, sua importância para a França e, principalmente suas regiões e vinhos. Piora quando se lê sobre a Borgonha em outros blogs e não podemos cair no valo comum.

De conhecido os famosos telhados da Borgonha.

Em termos de história os Duques da Borgonha, no período de 1360 até 1480, sob a dinastia Flanders,  simplesmente comandaram o espetáculo político e econômico na França. Vamos desde Felipe o Bravo até Carlos o Temerário (sugestivo este apelido). Indo de grandes conquistas territoriais com0 a Bélgica e a  Holanda até a Batalha de Agincourt (vejam o filme Henrique V, além de único é uma síntese do período) quando compartilharam o reino da França com os ingleses, até a morte de Joanna D’Arc. Estes Duques trouxeram para a Borgonha o que havia e melhor em termos culturais, arquitetura, arte e gastronomia.

Não esquecendo da importância das Abadias, Mosteiros e seus Monges, detentores das chaves da gastronomia e vinicultura da época.

Tem também os castelos dos Duques da Borgonha sua grandeza econômica e militar. Muitos destes Duques e seus seguidores lutaram nas Cruzadas, alguns ficaram pelo Oriente outros voltaram e outros formaram a lenda do Cavaleiro de Hermitage como visto antes.

Um bom exemplo arquitetônico é este antigo Hospício de Beaunne com os telhados de cerâmica, ainda existentes nos prédios antigos de Dijon e nas pequenas cidades medievais a sua volta.

Em termos de gastronomia Dijon, importante centro nevrálgico da época,  está para a Borgonha como Lyon está para o Rhône. Simplesmente impossível passar por esta cidade sem entregar-se à boa mesa e aos seus vinhos. Há restaurantes e vinhos para todos os bolsos, desde os caríssimos e afamados vinhos da Cote D’Or até os maravilhosos vinhos dos dia a dia.

Falaremos também nos sucessivos posts sobre as regiões vínicas de Chablis, Cote D’Or, Côte de Beaunne, Côte de Nuit, Côte Chalonaisse, Mâcon e Beaujolais, lugares míticos e que produzem vinhos para todos os bolsos, mas sem perder a qualidade.

A Borgonha se divide marcadamente em duas quando falamos de vinhos, da parte sul entre Beaujolais, nos arredores de Lyon até Mâcon reina absoluta a tinta Gammay e a branca Chardonnay. Ao norte desta região começa a famosa Cote D’Or, pequena faixa de terreno de 2 quilômetros de largura e 40 de extensão, mas responsável pela maior produção de vinhos de altíssimo preço e qualidade que este planeta conhece. Mais ao norte meio deslocado está Chablis e seus brancos inconfundíveis.

Beaujolais colheita. Olha a Gammay.





CÔTES DE NUITS – FIXIN E MARSANNAY AQUI TERMINA O REINADO DA PINOT NOIR

5 12 2010

 

Ao menos espiritualmente estou a encontrar os meus amigos nesta loja de vinhos em Fixin para conversar sobre a magia da Borgonha. Fixin e Marsannay já na borda de Dijon produzem ao estilo da Côte D’Or, mas sem a exuberância de seus parceiros mais ao sul.

São Pinot Noir cheios de sabor e bem estruturado, embora não tão complexo quanto os seus primos do sul. Como seus vinhos não alcançaram a fama dos vinhos mais ao sul os seus preços não são iguais, são mais acessíveis com preços mais baixos e excelente oportunidade para iniciar a viagem para esta região mágica.

A grande maioria dos vinhos são da Pinot Noir, mas não impede que haja brancos feitos de Chardonnay.

O terroir aqui não é tão extremo como nas comunas mais ao sul da Côte de Nuits, mas os melhores saem das encostas, de novo, mais acima melhora a drenagem do solo e a Pinot Noir agradece, os Premier Cru de Fixin são plantados nos locais mais altos.

Agora vamos mais ao norte fora da Côte D’Or para conhecermos Chablis e seus Chardonnay metalizados e únicos.








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