Agora que a série Mapa do Vinho deste blog está no Brasil, mais precisamente no Rio Grande do Sul comecei a re visitar alguns produtores da serra gaúcha.
Confesso que fiquei um tanto assustado com a dimensão que o Vale dos Vinhedos tomou, hoje, parece que qualquer garagem tornou-se vinícola.
Pois bem, resolvi aparecer na Dom Cândido, na verdade no final do dia, atrás de capeletti, a massa desta foto abaixo.
Os melhores que conheci até hoje são feitos pela nonna Matriarca da Dom Cândido, mas isto já tinha uns 6 anos que não aparecia por lá.
Acostumado a ser recebido por um exército de funcionários não mais vendo os proprietários tive uma grata surpresa quando vi a Nonna com seu sorriso franco a receber os visitantes.
Logo fui recebido com um abraço e fiquei muito feliz de vê-la por lá. Pena que perdi a presença do Dom Cândido.
E, melhor, lá estavam os capeletti a me esperarem.
Pois sou do tempo em que a Dom Cândido que é vizinha da Casa Valduga era separada por uma cerca, os Patriarcas são irmãos, os proprietários primos, tudo família.
Hoje o progresso criou barreiras físicas entre as vinícolas.
A vinícola Dom Cândido optou pelo crescimento lento e constante, hoje a parte de trás da vinícola vai abrigar, também, a sede administrativa. Mas ainda continua, graças a Deus com a mesma aparência.
Ou esta da vinícola.
Hoje produzem espumantes de qualidade internacional, as uvas mais tradicionais como Chardonnay, Merlot, este com um top maravilhoso o Merlor Documento e o Cabernet Sauvignon, desde vinhos básicos até mais refinados.
O destaque vem por conta do vinho 4 geração feito com a casta Marselan um cruzamento entre a Grenache Preta e a Cabernet Sauvignon, na hora da prova me pareceu um vinho bastante encorpado com teor de álcool mais elevado parceiro de um bom inverno.
Estou com uma garrafa em casa, após abri-la irá para o blog.
Na volta já no carro me lembrei desta música que tantas vezes ouvi nas visitas as vinícolas da serra. Me lembrei dos imigrantes, da sua luta para sobreviver e hoje o que vemos quando vamos para a serra gaúcha, muito desenvolvimento, progresso e beleza natural.
Serra do Sudeste está aí, mais ao centro sul do Estado. A necessidade de novos terroirs levaram os produtores de vinho, tradicionalmente estabelecidos na serra gaúcha mais para o centro sul.
Região de altura média de 350 metros, solo pedregoso, invernos rigorosos e verões ensolarados mas amenos a noite nos trazem condições ideais para uvas tintas, em especial, e brancas como a Chardonnay.
Duas cidades se localizam acima dos 400 metros de altura, Encruzilhada do Sul, para onde migraram a maioria dos produtores de vinho e Piratini, mais ao sul.
Nesta região diferentes uvas estão sendo plantadas, como a Teroldego e Barbera e excelente adaptação da manhosa Pinot Noir e da Merlot.
Já havia comentado em posts anteriores ao falar da Angehben que suas uvas eram de videiras plantadas em Encruzilhada do Sul.
Agora vou recolocar duas matérias sobre a Vinícola Copetti Czarnobay, único produtor a vinificar suas uvas em Encruzilhada do Sul. Além de acreditar no produtor, faz questão de colaborar com o desenvolvimento da aprazível Encruzilhada do Sul.
Começamos com o Merlot.
Este vinho me fez lembrar os conceitos e preconceitos em relação ao vinho tinto no Brasil e a uva da qual foi feito.
A felicidade com este vinho começa com o nome: Alto das Figueiras. Sob a frondosa sombra da centenária Figueira certamente gerações passaram, com suas alegrias, esperanças, lutas e tristezas. Assim como é a vida dos produtores no Brasil. Não pensem que é fácil.
Depois o rótulo. Lindo e simples. Ele cumpre com perfeição sua função. No contra-rótulo importantes informações sobre o vinho a ser apreciado.
Mas e o vinho? Bem o vinho, 100% de Merlot, após ligeira oxigenação no decanter, logo abriu em aromas elegantes de ameixa e framboesa seguido de um leve toque de tostado resultado da madeira na qual estagiou.
Cor vermelho vivo, intenso sem ser tinto retinto. Na boca confirmou os aromas, firme, forte e elegante. Senti, apenas, o final de gole, sua persistência é ligeira. Faltou um pouco de arranque final. De qualquer sorte confirma a vocação do solo riograndense para a produção de Merlot.
Assim os conceitos que se firmam. Podemos sim fazer tintos de referência, principalmente os que se utilizam, em corte ou varietal, da Merlot. Encruzilhada do Sul, cada vez mais, firma-se como um das melhores regiões de uvas vínicas no Rio Grande do Sul.
Agora os preconceitos. Já dizia Einestein, mais fácil destruir um átomo do que um preconceito. Aqui começa com o vinho nacional, principalmente o tinto, afinal os espumantes já encontraram seu lugar ao sol. As pessoas pensam que o único vinho tinto que serve são os tintos retintos andinos, ao estilo arrasa quarteirão. Erro total. Cada terra e clima (terroir) produzem um estilo de vinho e este, junto com a culinária e a música são o exemplo da cultura de um povo, rincão, de um lugar. Aqui não é diferente, devemos compará-lo com outros vinhos tintos nacionais, caso contrário estaremos em erro. Comparar grandezas diferentes não é correto.
E este vinho, de médio corpo, aromático e muito bem conseguido está de mãos dadas com um assado de ovelha, típico da culinária de Encruzilhada do Sul.
Outro preconceito é a ideia de que a Merlot não produz grandes vinhos. Assim é a ideia porque nossos supermercados foram inundados com vinhos Merlot, principalmente chilenos, os reservados, de péssima qualidade. Ficou no imaginário que a Merlot não produz grandes vinhos.
A Merlot, junto com a Cabernet Franc e a Sauvignon, faz parte do famoso corte bordalês, responsável pelos caros vinhos de Bordeaux, França. A uva gosta de regiões de solos frios e climas umidos. Verão não muito quente e, principalmente frio a noite. Clima assim lembra o que? A região de Encruzilhada do Sul. Portanto, perfeitamente adaptada ao terroir local.
Não consegui deixar de pensar numa boa ovelha com este vinho. Esta ovelha quero apreciá-la em Encruzilhada do Sul com meus amigos.
Depois o Espumante.
Pois bem, este espumante foi produzido com uvas plantadas em Encruzilhada do Sul, até aí, sem novidade, eis que várias vinícolas do Rio Grande do Sul tem alguns anos plantam suas uvas por lá.
A primeira surpresa está que esta é a única que tem sua sede em Encruzilhada, desde sempre, e vinifica por lá seus vinhos, ao contrários das outras que transferem as uvas para serra gaúcha.
Encruzilhada do Sul, este amável município fica a menos de duas horas de carro a sudoeste de Porto Alegre. Está localizado na Serra do Sudeste que possui altura média de 300 a 400 metros de altura, sendo boa parte de seu solo de pedra, com invernos rigorosos e verões com excelente insolação. De dia muito sol e a noite a temperatura baixa consideravelmente.
A combinação de solo rochoso, dias ensolarados e noites frias, pela altura em que estão plantados os vinhedos, garantem, um lento amadurecimento das uvas, garantindo, assim, a fixação de aromas e sabores.
Este espumante ainda me reservou outras surpresas.
Elaborado em tanques de inox, pelo método Charmat longo, com Chardonnay, Merlot e Cabernet Sauvignon, estas duas tintas vinificadas em branco, isto é sem a casca o que os franceses chamam de blanc de noir, branco do preto. De cor amarelo esverdeado, típica dos melhores Chardonnay.
Mais uma surpresa, ao ser aberta explode em aromas de abacaxi, melão e pêssego, algo raro nos espumantes, pois as uvas são colhidas antecipadamente para garantir a acidez necessária para a vinificação do espumante, não tendo, então a fixação dos aromas.
A terceira surpresa fica por conta de um aroma sutil de nozes, algo que tem muito tempo não sentia nos Chardonnay.
A quarta surpresa está na cremosidade e untuosidade deste espumante, pois foi elaborado pelo métdodo Charmat, isto é, a segunda fermentação, necessária para a elaboração de um espumante, dando-se em tanques de inox, raramente possuem esta característica. A cremosidade está presente nos espumantes elaborados pelo método tradicional, segunda fermentação na garrafa e mesmo assim após alguns anos de descanso.
Fiquem com Wes Montgomery, para mim, um dos melhores na guitarra, isto que auto didata.
Eis um belo vinho brasileiro. Uma Aurora do vinho brasileiro de alta qualidade.
A região de Pinto Bandeira possui uma região demarcada, chamada Vinhos de Montanha. Distrito de Bento Gonçalves sempre foi uma região destinada a condições especiais para a produção de espumantes. Ali, desde sempre, está a Cave Geisse, hoje, referência em espumante brasileiro, além da Don Giovani e Valmarino.
Sempre entendi que a Chardonnay poderia ser melhor trabalhada para que se pudesse produzir um vinho branco com a cara do Brasil, com a tipicidade necessária para dar identidade a um vinho. Por tipicidade entendo aquela característica que logo podemos identificar como marca registrada.
Pois este é assim. Um vinho que pode enfrentar, com a máxima certeza bons vinhos argentinos e chilenos desta uva. Podem acreditar.
A Chardonnay é seguramente a casta branca mais apreciada e plantada no mundo todo. Para muitos a única uva branca que conhecem e gostam. Normal, se pensarmos que a cada 10 vinhos brancos consumido no mundo agora 9 sejam feitos desta casta.
Há os mais variados estilos de Chardonnay na medida em que a casta é extremamente versátil aos terrenos em que plantada bem como o clima da região. Além do que aceita e bem o estágio em madeira.
A Chardonnay de climas mais quentes apresenta-se com mais doçura do fruto, mais frutada e um tanto puxada para o mel e frutas secas.
Em climas mais frios apresenta-se mais ácida, seca e com aromas cítricos.
Quando passada por carvalho apresenta-se mais amanteigada com aromas de baunilha.
Aqui, o clima mais frio a noite e com boas doses de sol no final da maturação, nos trazem um vinho com acidez marcante, passado nas barricas francesas e americanas, que dão uma elegância interessante.
Cor típica dos bons Chardonnay, amarelo palha puxando para o esverdeado. Nariz de frutas de polpa branca, como maçã verde e pera. Na boca elegante, madeira presente mas não impositiva, médio corpo e final de gole prolongado.
Um excelente vinho branco que confirmou o que pensava sobre o potencial da região para brancos de qualidade, fico feliz.
Este vinho pela sua brasileiro que é, mas sobretudo do Rio Grande do Sul, merece, aquele que é, para mim, o grande compositor gaúcho, Lupicinio Rodrigues.
Na visita que fiz a vinícola Angheben, havia comentado com o Eduardo, o enólogo, que tinha registrado na minha memória sensitiva um grande espumante da Angheben que havia apreciado tempos atrás.
Pois bem, o amigo encontrou exemplares antigos e os colocou para gelar. No encontro abrimos um e levei outro, este da foto. Mas antes de falar sobre ele é impostante destacar que nós temos a sensação de que o espumante nos traz alegria, nos remete a festa e comemorações.
De certo modo não estamos errados. Eu apenas levo um pouco mais a sério. Gosto dos espumante que tem um estilo mais clássico, menos festeiros.
Este estilo de vinho tem origem nas abadias francesas. Falar de Champagne e não falar dos Monges é não falar deste vinho. As primeiras vinhas foram plantadas pelos Romanos. Na Idade Média, as pequenas cidades feudais viviam em função dos nobres e da Igreja.
Quer queiram quer não, a Igreja, nesta época, desenvolveu importante papel na sociedade. As Abadias, do latim Abattia deriva do aramaico Abba (Pai), eram verdadeiros oásis na selva que era a vida fora dos burgos e das áreas controladas pela Igreja.
Nos Mosteiros, Conventos e Abadias a vida seguia em segurança, algo como um condomínio fechado, se assim posso comparar, onde se desenvolvia a gastronomia, a cultura e, claro, o vinho.
Diz a lenda que o Monge Dom Perignon, meio sem querer querendo descobriu o método arcaico do Champenoise, qual seja, a segunda fermentação na garrafa.
Bem como dito a ligação entre Igreja e Monarquia era muito próxima, inclusive alguns Reis resolveram, por si, criar Igrejas ou mesmo serem um déspota iluminado, que o diga o Rei Sol, Luis XIV, os Champagnes logo ganharam os salões e se tornou sinônimo de vinho cheio de glamour.
Pois bem, este espumante não foi diferente, logo me lembrou uma boa música, um bom jantar e um deixa estar. Um oásis nesta vida tão conturbada que vivemos.
Um belo vinho para acompanhar um bailado.
A idade fez bem a este espumante. Ganhou seriedade e elegância. No nariz amêndoas ao invés do cítrico tradicional. Ao fundo o clássico cheirinho de padaria devido a fermentação. Na boca a elegância se mantém. Muita cremosidade e densidade. Ao contrário de uma certa aspereza dos espumantes mais novos.
A linha de bolinhas, o perlage que pode ser traduzido, na perfeição, como colar de pérolas, estava como devia ser, fino, com as bolinhas subindo com constância e levemente separadas uma das outras.
Realmente, um espumante fora de série, muito bem trabalhado e que a idade só fez foi melhorar. Pena que se foi, vamos esperar novas remessas, desde já estou na fila.
Aqui foi parceiro de uma salada de camarão.
Mas combinou melhor com a conversa e a música ao melhor estilo de Louis Armstrong.
Como disse a letra: Deve haver uma maneira de viver sem ti, mas eu ainda não encontrei.
No mapa o Rio Grande do Sul é este Estado brasileiro mais ao sul deste país continental. Fronteira com Argentina e Uruguai.A população, na sua maioria, uma mescla de portugueses, alemães, italianos, espanhóis, índio e negros.
Mas foram os imigrantes italianos que iniciaram o cultivo das vinhas. Os imigrantes italianos que vieram, por volta de 1870, para o sul do Brasil são oriundos do norte da Itália, basicamente do Veneto. Nomes como Nova Vicenza, Nova Trento, Nova Pádua (Padova), entre outros são muito comuns por aqui.
Como a imigração italiana foi posterior a alemã sobraram as terra mais altas na serra gaúcha.
Lá iniciaram o plantio das primeiras vinhas, certamente com as uvas tradicionais do Veneto. Hoje, alguns produtores, estão iniciando o replantio destas castas, como a Teroldego, por exemplo.
Outro período interessante de ser destacado foram os anos 70 e 80 com a chegada das multinacionais das bebidas, como Martini e Rossi, Chandon, Almadén, Heublein e outras.
Estas empresas vieram para produzir o espumante. Já tem tempo que sabe-se que o terroir (clima + solo) da serra gaúcha é especial para este tipo de vinho.
E com elas os primeiros enólogos importados, como Adolfo Lona e Mario Geisse que uniram-se a enólogos como Idalencio Angheben.
Assim começou a revolução nos sistemas de plantios e investimentos na produção e aprimoramento das uvas.
Outra fase importante foi a abertura do mercado brasileiro e internacional, iniciou-se a chamada globalização.
Mais mudanças, agora mais radicais. Aqueles que plantavam uvas para serem entregues às multinacionais, agora começam a sua produção de vinhos. Vinícolas conhecidas como A Valduga, Dom Cândido, Miol, Cave Geisse, iniciam suas atividades de elaboração de vinhos próprios para o mercado interno e externo.
Por fim, três regiões em Bento Gonçalves estão bem definidas, inclusive duas com denominação de origem: Vale dos Vinhedos, a mais famosa e a primeira a conseguir sua denominação, Pinto Bandeira, a segunda denominação e Faria Lemos. No Vale dos Vinhedos, vinícolas como Angheben, Dom Laurindo, Miolo, Pizzato, Valduga, Almaúnica e outras, em Pinto Bandeira, Cave Geisse, Dom Giovani e Valmarino. Em Faria Lemos a Dal Pizzol, a mais famosa.
Hoje, existem vinícolas e vinhos para todos os gostos. Desde as pequenas com sua produção de garagem até gigantes como a Miolo. Em termos de vinhos, o espumante brasileiro já tem fama mundial pela sua excelência.
Quanto às uvas, as tintas, Merlot (para mim a grande uva tinta da serra) a Cabernet Sauvignon e, em escala bem menor, ainda não sei porque, a Cabernet Franc.
Nas brancas, a onipresente Chardonnay e em menor quantidade a Sauvignon Blanc, não sem esquecer aquela que, para mim, é a uva ícone da serra gaúcha a Riesling Itálica, presente, em boa quantidade, na maioria dos espumantes ali produzidos.
Mas temos vinhos, também, para todos os gostos, desde os mais simples e produzidos em grande escala até os de produção limitada e lapidados com muito carinho, façam suas escolhas.
Nos próximos posts algumas vinícolas, fotos e vinhos de Bento Gonçalves.
Como estamos a falar do Rio Grande do Sul, nada como nosso payador (menestrel) maior, Jaime Caetano Braun.
Pois bem, este é um belo vinho. Em conversa com o enólogo a ideia era produzir um vinho descompromissado, mas, ao mesmo tempo, feito com esmero e muito carinho.
E conseguiram.
O produtor dispensa comentários em razão do post anterior onde este blog apresentou a vinícola e seu ideal.
A uva, a Pinot Noir, tem seu berço na Borgonha onde divide as honras com a Chardonnay e alcança seu apogeu, nas suaves colinas da Cote D’Or, como Vougeot, foto abaixo.
Tem mais de 800 anos de história na Borgonha. Produz, entre outros, o famoso Domaine de la Romanée-Conti.
Uva manhosa com as alterações climáticas, de casca fina e poucos taninos, se dá muito bem onde estão as brancas Chardonnay e Sauvignon Blanc, em geral produz vinhos agradáveis, sedosos devido aos baixos taninos, frutada e aromática. Ideal para os dias menos quentes e vai muito bem com sanduíches, peixes com um pouco mais de gordura, massas e pratos mais leves.
Muitos torcem o nariz para a Pinot Noir, por não ser ela estilo tinto retinto com muita madeira. Assim acham o vinho leve e frutado. E é exatamente este o seu charme.
Este vinho é exatamente assim. Descompromissado, mas sem perder a elegância e a qualidade. O esmero com que foi feito está presente em cada gole. De cor vermelho claro e translúcido. Nariz frutado lembrando morango e compota de amoras. Na boca, médio corpo e sedoso. Como não é um vinho impositivo é ideal reunir amigos.
Difícil entender aqueles que somente entendem o vinho tinto como sendo retinto e com muito madeira.
É um Vinho envolvente como este jazz de Charlie Parker e Coleman Hawkins
Primeiro toma uma taça de Chardonnay que vamos conversar, numa série de posts sobre o vinho brasileiro. E ele não se resume ao espumante que já é um vinho reconhecido internacionalmente.
A produção não fica só nas bolinhas. Temos vinhos brancos, roses e tintos de grande qualidade. Temos, como em qualquer outro lugar no mundo, vinhos simples ou ainda, vinhos caros de duvidosa qualidade.
Em época de estudos de salvaguarda aos vinhos importados, uma medida protecionista do governo brasileiro que, por enquanto, causou mais barulho do que resultado. Este blogueiro resolveu publicar a saga do vinho nacional e dos pequenos e preciosos produtores, que estão a esmerar-se na excelência de seus produtos com muita tecnologia, descoberta de terroir específico para cada uva e alguns com produção limitada.
Regiões como o vale do São Francisco, serra catarinense, serra do sudeste e campanha, no Rio Grane do Sul, entre outras, começam a investir pesadas somas para alcançar e colocar no mercado vinhos excelentes.
A uva Merlot já tem encontrado lugar seguro no Rio Grande do Sul.
Os brancos que tenho apreciado um melhor do que o outro. A Sauvignon Blanc já produz vinhos de qualidade mundial na serra catarinense. A Chardonnay no Rio Grande do Sul já é uma certeza absoluta de vinho agradável.
O que se precisa quebrar é este preconceito contra o vinho nacional. Assim como outras regiões produtoras de vinho, a uva, desde a videira, está sendo, para usar uma palavra da moda, repaginada, para garantir vinhos interessantes. Mais, muitos produtores estão optando por produção limitada de seus vinhos o que os tornam verdadeiras joias engarrafadas. Mas como é vinho nacional muitos consumidores não conseguem enxergar esta qualidade e singularidade a de se produzir poucas garrafas a cada safra.
Vamos falar da Angheben e seu vinhos de garagem, por exemplo, o vinho com a uva piemontesa Barbera, de produção limitada. Dito aqui poucos se importam. Mas, , se fosse vinho estrangeiro já estariam a falar, pessoal comprei um vinho cujo produtor só colocou pouquíssimas garrafas no mercado.
Mas não cometam o erro de muitos de compará-lo com vinhos estrangeiros, as vezes de outras uvas e certamente outros terroir. Vamos compará-los aos seus iguais. Vinhos brasileiros se compra com vinhos brasileiros e ponto final.
Claro que tem aqueles produtores que já estão vendendo vinho nacional a preços proibitivos a maioria dos bolsos brasileiros, mas estes são um capítulo a parte. Vamos nos concentrar em deixar de lado preconceitos e apreciar, comprar, conversar e saber um pouco mais da luta deste produtores para lançar no mercado seus vinhos.
Em época de salvaguarda, leia-se proteção do vinho nacional, via aumento de impostos sobre os importados, mania que estes governantes tem de tentar, ao trocar os nomes, mascarar o que é ruim. Eu resolvi apresentar neste blog os vinhos nacionais que gosto.
E este é um deles.
A região das uvas é Bento Gonçalves na serra do Rio Grande do Sul, Estado localizado no extremo sul do Brasil e nos paralelos de Santiago (Chile) e Mendonza, Argentina, Cidade do Cabo, África do Sul e Perth, Austrália, portanto na linha de bons vinhedos.
Bento Gonçalves fica nesta mancha a nordeste do mapa do Rio Grande do Sul. Região serrana que alcança 800 metros ou mais. Terra adotiva de imigrantes que vieram do Veneto, norte da Itália. E com eles as videiras.
Esta região serrana tem clima instável no final da maturação das uvas, principalmente em relação a quantidade de sol, pois temos verões bem chuvosos.
Desde sempre foi terra de excelentes espumantes e bons vinhos brancos.
A uva deste vinho é a clássica Chardonnay, tida por muitos como a rainha dos vinhos brancos. Nativa da Borgonha, França, a Chardonnay tem alto poder de adaptação com qualidade. Está na base de 90% dos espumantes do mundo e 100%, por certo, dos Champagnes.
O produtor é/era a Cooperativa Aurora, desde sempre uma incentivadora do vinho brasileiro, desde os tempos difíceis, nos anos 70 e 80. Infelizmente por questões que não cabem aqui debater quase quebrou.
Felizmente, tal qual a mítica Fênix ressurgiu das cinzas e hoje está capitaneando grandes vinhos e projetos como este agora comentado. Feliz por ver tal situação.
Este Chardonnay com uvas do local, passou por barricas de carvalho francês, como este da foto
O vinho é excepcional. Uma acidez marcante, apesar de passar pela madeira o que o faz um grande vinho, pois geralmente ao passar pela madeira o Chardonnay fica um pouco mais pesado, este não. A cor amarelo ouro característica dos Chardonnay barricados. No nariz, abacaxi, pera e maçã verde. Na boca acidez firme e refrescante. Final de gole um pouco rápido mas muito agradável.
ESTÃO DE PARABÉNS OS PRODUTORES DESTE VINHO.
Fiquem neste caminho. O preço excelente, R$ 25,00 reais na rede Zaffari. Aí em São Paulo no Bourbon do antigo Shopping Matarazzo.
Esta é a maneira correta de enfrentar os importados. Qualidade e preço. Este vinho derrubou muitos chilenos e argentinos pelo mesmo preço.
O último encontro do Alemdovinho teve como tema a madeira na produção e estilo dos vinhos.
Este Chardonnay foi o escolhido para ser o branco que passou em barricas de madeira.
O produtor é Antinori, uma lenda, produz vinhos desde 1385, sim muito antes do Cabral e sua turma aportarem no Brasil. Quem se interessar www.antonori.it
A região é a Umbria terra dos Etruscos,os mesmos que povoavam a Toscana. Hoje é a única região italiana que não possui litoral. Região montanhosa cortada pelo rio Tibre e pela cadeia de montanhas os Apeninnos.
Hoje salpicada de pequenas vilas medievais onde floresceram mosteiros, abadias e conventos. São cidades que mais conservam seu passado medieval nas construções e relíquias, como a famosa Assis.
Região montanhosa com vários micro-climas ideal para um bom Chardonnay.
O vinho é especial. Chardonnay fermentado nas borras e depois foi para barricas francesas Allier, esta da foto, por 5 meses.
Trata-se de um vinho especial. Um leve toque de madeira perfeitamente harmonizado com o álcool e a acidez. Médio corpo, cor amarelo ligeiramente dourado, vejam a foto.
Um vinho com aromas de nozes e frutas secas. Na boca médio corpo com final de gole longo. Digo que deixaria muito Chardonnay da Borgonha para trás.
Por fim, de especial, a agradável sensação de um vinho muito elegante. Muito longe de alguns Chardonnay barricados que ficam com aquela sensação de laranja passada.
Recomendo fortemente. Inclusive em época de páscoa irá muito bem com um bacalhau mais elaborado, principalmente os que levam nata, ovos e azeitonas.
A rica Lombardia, além das paisagens de tirar o fôlego tem um segredo. A pequena região de Franciacorta perto de da cidade de Brescia que seguramente produz um dos melhores spumanti do mundo.
A fria região sempre foi produtora de vinhos, mas o sucesso dos espumantes remonta algumas décadas atrás. O nome Franciacorta oriundo de Corte Franca em razão de nos idos tempos estar nas mãos de Monges Beneditinos que exigiam uma taxa para que se pudesse circular na região. Alguns rótulos de espumantes e vinhos possuem o nome italiano de Curtefranca.
O rumo para a produção de espumantes de qualidade internacional iniciou quando o winemaker Franco Zilani na dácada de 50 iniciou a produção deste vinho pelo método tradicional, isto é, a segunda fermentação na garrafa. Depois outro produtor, os proprietários da Casa do Bosque, Ca’ del Bosco implementou técnicas modernas de condução das videiras desenvolvendo ainda mais o espumante produzido com a Pinot Blanc, Chardonnay e Pinor Noir. Produção muito limitada são verdadeiras jóias engarrafadas.
Repito quem estiver a frente de um espumante de Franciacorta não hesite pode comprá-lo porque é unanimidade mundial.
A região também é produtora de vinhos brancos das castas Chardonnay, Pinot Blanc e algo ínfimo de Sauvignon Blanc. Em termos de tintos sempre em regiões frias destacam-se a Pinot Noir, Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon, Merlot e as italianas Barbera e Nebbiolo. São vinhos muito bons, mas para mim muito distante dos spumanti estes sim da eilite mundial das borbulhas.
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