FALANDO DA MERLOT …

15 12 2011

Falar da Merlot é conhecer Bordeaux  e seus maravilhosos vinhos, pois ela faz parte do chamado corte bordalês junto com as Cabernet Franc e Sauvignon. Neste corte ela traz suavidade.

Falar da Merlot é dizer que a suavidade é sua característica principal, mas não se pode esquecer que produz vinhos encorpados e aromáticos.

Falar da Merlot é dizer que ela foi confundida durante muitos anos com a Carmenère em Apalta, na sub-região do Colchagua, Chile.

Falar da Merlot é dizer que pela sua adaptabilidade, produtividade e qualidade é, hoje, conhecida e plantada em todo mundo.

É dizer que gosta de climas frios dando-se muito bem no Chile, EUA e Argentina.

É falar que poderia se a uva ícone do Brasil, pois perfeitamente adaptada ao clima do sul do Brasil, região que concentra a produção nacional de vinhos.

Mas é falar, também, que nos últimos tempos vem produzindo vinhos  em grande escala, principalmente chilenos e de qualidade sofrível o que a fez perder cair em descrédito.

Falar da Merlot é dizer de sua perfeita perfeita combinação com carnes de porco e ovelha, esta última mais adocicada o que é par perfeito com a suavidade da Merlot.

E quando falo da Merlot só posso dizer que gosto muito de seus vinhos.

Quem sabe um Laura Hartwig produzido em Apalta? Todos os preconceitos vão evaporar-se.

Por fim o vídeo da Casa Lapostolle em Apalta Valley





CHILE – PARTE IV – VALE DO CACHAPOAL

2 12 2011

 

Tinha esquecido nos posts anteriores de colocar o mapa das regiões vínicas do Chile. E, sem mapa, não se pode falar de vinho

Pois o vale do Cachapoal está aí, logo abaixo de Maipo, no início do vale das duas cordilheiras.

A foto dá a exata ideia do Cachapoal, vale entre as duas cordilheiras e ao lado do Colchagua.

Na verdade os dois faziam, tempos atrás parte do Vale do Rapel, hoje subdividido entre Colchagua e Cachapoal.

A referência é a cidade de Rancagua, típica cidade da região com a arquitetura moldada pela proteção aos sismos como esta calle da foto.

O rio Colchagua divide os dois vales, Colchagua mais ao sul e Cachapoal ao norte.

A altura dos vinhedos está em torno de 250 a 300 metros. É importante destacar que ali estão as melhores condições para o desenvolvimento da, hoje, casta ícone, a Carmenère, antes confundida com a Merlot, mas que de uns tempos para cá separada e está sofrendo profundas modificações em seus vinhedos para que possa desenvolver todo o seu potencial.

Terroir (junção de clima e  solo) consagradíssimo para tintos de grande guarda como Cabernet Sauvignon, Merlot e alguns Syrah de grande estirpe. Vinhos com alta recomendação de origem.

Alguns dos principais produtores:

Viña Chateau Los Boldos

Viña Morandé

Viña Ventisquero





CHILE – PARTE II – COLCHAGUA O CORAÇÃO VINHATEIRO

29 11 2011

Com a foto do vale do Colchagua, ao final do dia, não tem como perder a inspiração e escrever algumas linhas sobre o Colchagua.

O  coração vinhateiro do Chile, neste fértil vale com suas casas e fazendas  ancestrais que sentiu uma forte modernização na produção do vinho impulsionando o Chile para ser um dos maiores produtores mundiais de vinhos de qualidade.

Este vale encravado entre as duas cordilheiras tem na regularidade climática, exposição solar, qualidade de solo e o tão desejado  gradiente de temperatura quando recebe, a noite, os ventos que descem da cordilheira dos Andes, no verão, refrescando os vinhedos, pois ficam represados entre as cordilheiras.

Ali estão as vinhas e sub-regiões que muito se fala nos últimos tempos. Local ideal para a Carmeère, Syrah e os grandes e magníficos Cabernet Sauvignon.

Aliás, aqui foi redescoberta a Carmnère, na sub-região de Apalta.

Os principais produtores são:

Casa Lapostolle  www.casalapostolle.com Com seu fantástico Clos Apalta

Laura Hartwig

Viña Casa Silva  www.casasilva.cl

Viu Manent y Cia Ltda www.viumanent.cl





A SAGA DA CARMÈNERE – DE BORDEAUX PARA O CORAÇÃO DO COLCHAGUA

26 11 2011

Este é o Colchagua, Chile, uma das mais famosas áreas vinhateiras do mundo.

Que os vinhos do Chile e Argentina vendem mais que os do velho mundo não é novidade. As razões vão desde o preço até o desconhecimento em relação aos vinhos europeus.

Para mim a novidade foi a Carmenère ser a uva mais procurada. Sempre tive que a Malbec era quase que associada ao vinho de tanto que pediam.

O nome vem da palavra Carmin (a cor avermelhada) em Francês. Esta uva nasceu em Bordeaux, França, mas de lá saiu na mala de algum missionário ou imigrante. Em sua terra natal deve estar extinta, principalmente porque não gosta de frio, muito menos de solos frios como sua parente próxima, a Merlot. Encontrou no vale do Colchagua, este da foto, as condições ideais para se desenvolver. Muito tempo confundida e tratada como uma  Merlot hoje vive dias de esplendor.

O Chile na busca de uma uva símbolo, assim que descobriu a Carmenère tratou de desenvolver estudos para descobrir como e onde desenvolver a melhor Carmenère. Hoje sabe-se que os melhores vinhos desta casta vêm do Colchagua.

O vale do Colchagua fica ao sul de Santiago e entre duas cordilheiras, a menor, segura os frios ventos do oceano Pacífico, e a dos Andes que refresca os vinhedos nas noites de verão. O clima estável, ano a ano, tem invernos rigorosos e verões com noites frescas, ideais para o desenvolvimento da Carmenère.

Um bom Carmenère é um vinho de médio corpo, cor vermelha escura, nariz típico de frutos vermelhos. Na boca é sedoso, aveludado e possui um toque terroso, muito característico.

Gosto destes três excelentes exemplares desta casta:

ODFJELL – ORZADA – CARMENÈRE

A vinícola, fundada por um armador norueguês, Dan Odfjell, que apaixonou por um lugarejo no famoso Vale do Maipo no Chile, vem produzindo vinhos maravilhosos a preços bem razoáveis. Este Carmenère produzido ao melhor estilo andino com concentração de aromas e sabores.

Outro Carmenère bastante procurado é o elabora pela  VON SIEBENTHAL, no vale do Aconcagua a nordeste da capital chilena. Trata-se de um Carmenère super sedoso, agradável, encorpado, aromas de ameixas, tâmaras e frutos secos. Elabora mais ao estilo velho mundo, portanto mais tranquilo e elegante.

Por fim, o Carmenère da LAURA HARTWIG, vinícola estabelecida na sub-região do Colchagua, Apalta. Mais ao estilo moderno com grande concentração de fruto e aromas. Um Carmenère bastante firme e muito parceiro de pratos como uma boa carne assada com molhos encorpados.

Mas, independente do estilo com o qual foi elaborado, a Carmenère produz, sempre um vinho envolvente, sedoso, com taninos bem educados  e bastante aromático.

Um vinho feito com uma uva redescoberta. Algo como a música que sai do sax do Charlie Parker, The Bird, apelido dado pelo estilo com que tocava o sax, algo como o voo de um pássaro.

Por fim, vejam que a música do vídeo é a mesma, mas tocada em estilos diferentes. Assim como a Merlot e a Carmenère, parecidas mas com estilos completamente diferentes.

 





PRIMEIROS PASSOS – PARTE III – UVAS MAIS CONHECIDAS

13 11 2011

Segundo nossos primeiros passos. Vamos dar uma rápida ideia das uvas mais conhecidas. São as chamadas uvas internacionais e assim o são não porque vieram deste ou daquele país e, sim, porque têm alto poder de adaptação, produtividade e qualidade.

Nas tintas temos:

CABERNET FRANC: Esta da foto acima. Originária do Loire, França, faz parte do chamado corte bordalês, isto é, faz parte dos afamados vinhos de Bordeaux junto com a Cabernet Sauvignon  e a Merlot.  Gosta de solos frios e clima temperado.  Uva de taninos (veremos em outro post o que é) firmes, sedosa, aromática e se encaixa perfeitamente na combinação acima. Individualmente, mais raro de se encontrar,  produz um vinho encorpado e agradável de se beber, mas sua grande qualidade é a perfeita combinação com a Merlot  e/ou a Cabernet Sauvignon.

CABERNET SAUVIGNON: Esta para as tintas omo a Chardonnay para as brancas. Difícil o lugar onde não é plantada. Nascida em Bordeaux, França. Alta produtividade e adaptabilidade. Seus vinhos são um tanto tânicos e duros, nos vinhos de menor expressão. Aromas profundos de ameixa e frutos vermelhos. Muito propícia ao envelhecimento, com saúde, e a vocação para a madeira, aceitando o estágio nas barricas de carvalho.

MERLOT: Outra espécie vinda de Bordeaux, França. Adora locais frios e solos úmidos. Vinho de taninos médios. Nos melhores exemplares é bastante sedosa. Bastante frutada quando o vinhedo está em locais mais quentes, com aromas de ameixa, frutos negros como amora e cassis. Nos vinhedos mais frios seus aromas lembram pimentão verde e toques mais herbáceos. Está espalhada pelo mundo pela mesma razão de suas irmãs acima. No Brasil adapta-se perfeitamente, podendo-se dizer que é nossa uva tinta ícone, isto é, produz-se com qualidade e quantidade ímpar.

PINOT NOIR: Mais uma uva francesa, agora da Borgonha. Uva que faz parte do corte da Champagne junto com a Chardonnay e a Pinot Munier. Gosta de locais frios e sempre está de mãos dadas com as castas brancas Chardonnay e Sauvignon Blanc, portanto aonde tem estas castas tem uma boa Pinot Noir. Seus vinhos são de corpo médio, muito aromáticos e de cor vermelho claro. Baixo índice de taninos nos trazem um vinho muito frutado e agradável de se beber.

MALBEC: Pelo menos para os consumidores que estão abaixo da linha do Equador é uma das principais uvas tintas. É originária de Cahors, no sudoeste francês. Lá nunca alcançou a grandeza que tem agora na Argentina e Chile. Uva que produz tintos encorpados. Aceita muito bem a madeira e produz vinhos com aromas de ameixa e frutos vermelhos. Tem muita doçura da própria uva o que traz vinhos menos ácidos e mais aos gosto dos que estão iniciando no mundo do vinho.

CARMENÈRE: Nascida em Bordeaux e por lá extinta tem tempo. Muito anos confundida com a Merlot no Chile. redescoberta a pouco mais de uma década, hoje é a uva símbolo do Chile. Vinhos muito parecidos com os Merlot, porém com um gosto terroso que aqueles não tem. Sedosa, taninos médios, pouco menos aromática que a Merlot. Até pouco tempo atrás, na minha opinião, não se produzia vinhos de grande expressão. Hoje mudou, há vinhos excelentes.

Nas brancas, certamente temos uma dupla francesa de muito sucesso.

CHARDONNAY: Seu berço é a Borgonha, França. Seguramente a mais importante uva branca que existe. Sua adaptabilidade é imensa. Temos desde os vinhos normais até os de sobremesa. Vai desde os vinhos sem madeira até os barricados. Sem esquecer que é a uva branca no corte de Champagne e dos espumantes. Se os vinhedos estão em locais mais frios produzem vinhos herbáceos, minerais e de uma acidez marcante. Se em locais mais quentes algo puxado a mel e bastante encorpados.

SAUVIGNON BLANC: Uns dizem ser de Bordeaux outros do Loire, mas o que interessa é que junto com a Chardonnay está espalhada por todo o mundo. Mas, ao contrário de sua parceira, produz vinhos de acidez alta, cítricos e muito secos (quase sem doçura natural). Ideais para frutos do mar e pratos leves. Aromas cítricos e herbáceos, muito refrescante e amiga dos dias mais quentes.

Fiquem com este vinhedo de Chardonnay na Borgonha. É época de colheita. Vejam o cuidado. A colheita é manual e em pequenas cestas. Todo o cuidado  é pouco, nada pode ser perdido.





PARA MIM O QUE É UM BOM VINHO?

25 09 2011

Ao final dos cursos ou palestras vem a pergunta. Mas qual o vinho que tu gostas?

Em primeiro lugar só existe vinho estragado e o não estragado o resto é paladar. O que é bom para mim pode não ser para outro. A grande magia do vinho é a sua diversidade. Cada garrafa uma surpresa.

Um bom vinho, se ele em qual estilo ou uva for, para mim, de cara, deve me surpreender, assim como fico quando vejo o quadro acima de Van Gogh sobre a noite. Parece triste, mas não é. Pensem na dificuldade de pintar a noite, o escuro e suas poucas luzes. Depois tente daí fazer algo inesquecível como este quadro, simplesmente fantástico.

Pois bem um vinho que me surpreende já é um bom sinal.

Depois a harmonia deve ser marcante. O vinho tem, basicamente, três elementos que devem andar em harmonia, acidez, doçura e álcool. Se um dos três desequilibra o vinho perde qualidade. Pensemos nos tintos. Firmeza (corpo) vinda dos taninos, acidez refrescante, doçura, entendendo-se aí uvas colhidas no ponto certo e álcool perfeitamente integrado, estamos certamente na frente de um bom vinho.

Para os brancos tranquilos (sem ser estilo espumante ou de sobremesa, procuro acidez, sem ela não temos um bom branco. E acidez no ponto significa menos açúcar da uva, consequentemente menos álcool. De novo o equilíbrio que falei antes.

Nos espumante igual. Não gosto daqueles extremamente secos (menos doces) muito menos dos demi-sec. Prefiro os que nós esvaziamos as garrafas sem se dar conta.

Já nos vinhos de sobremesa o binômio açúcar/acidez deve ser realçado. Na ponta da língua sentimos o doce ao fundo o ácido, portanto um vinho, tido como de sobremesa, deve ser assim, o gole inicia doce e termina ácido, simplesmente perfeito. Pena que muito poucos são assim. Neste quesito os Sauternes, Tokaj e Ice Wine são imbatíveis.

Agora tenho dificuldade de gostar de vinho do Porto tinto, taninos e doçura me complicam. Quanto aos Porto brancos, maravilhosos.

Ah, quanto a harmonia ser de uma só uva (varietal), duo, muito comum entre os andinos, estilo cabernet/malbec ou de várias uvas, como os do Rhône, não há problema algum, mas disse e repito a surpresa e a harmonia me fascinam e tornam aquele vinho apreciado como um bom vinho.

Quanto às uvas? Gosto da Syrah, Chardonnay, Riesling, Vermentino, Pinot Gris, Gewurtztraminer, merlot, cabernet franc, sangiovese, grenache e mouvèdre, certamente estão entre as minhas favoritas.

Mas não esqueçam um bom vinho é aquele que te dá prazer.

Vejam os três exemplos de harmonia, seja varietal, duo ou variado.





CARMENÈRE – A QUERIDA DO OUTONO

12 06 2011

 

Na Enoteca Conte Freire, Rua Desembargador Espiridião de Lima Medeiros, 156, Porto Alegre, certamente a Carmenère é a querida do outono. Que os vinhos do Chile e Argentina vendem mais que os do velho mundo não é novidade. As razões vão desde o preço até o desconhecimento em relação aos vinhos europeus.

Para mim a novidade foi a Carmenère ser a uva mais procurada. Sempre tive que a Malbec era quase que associada ao vinho de tanto que pediam.

O nome vem da palavra Carmin (cor) em Francês. Esta uva nasceu em Bordeaux, França, mas de lá saiu na mala de algum missionário ou imigrante. Em sua terra natal deve estar extinta, principalmente porque não gosta de frio. Encontrou no vale do Colchagua, este da foto, as condições ideais para se desenvolver.

Muito tempo confundida e tratada como uma  Merlot hoje vive dias de esplendor. O Chile na busca de uma uva símbolo, assim que descobriu a Carmenère tratou de desenvolver estudos para descobrir como e onde desenvolver a melhor Carmenère. Hoje sabe-se que os melhores vinhos desta casta vêm do Colchagua.

O vale do Colchagua, uma das melhores regiões vinhateiras do mundo fica ao sul de Santiago e entre duas cordilheiras, a menor, segura os frios ventos do oceano Pacífico, e a dos Andes que refresca os vinhedos nas noites de verão. O clima estável, ano a ano, tem invernos rigorosos e verões com noites frescas, ideais para o desenvolvimento da Carmenère.

Um bom Carmenère é um vinho de médio corpo, cor vermelha escura, nariz típico de frutos vermelhos. Na boca é sedoso, aveludado e possui um toque terroso, muito característico.

Na Enoteca nós temos três excelentes exemplares desta casta:

ODFJELL – ORZADA – CARMENÈRE

A vinícola, fundada por um armador norueguês, Dan Odfjell, que apaixonou por um lugarejo no famoso Vale do Maipo no Chile, vem produzindo vinhos maravilhosos a preços bem razoáveis. Este Carmenère produzido ao melhor estilo andino com concentração de aromas e sabores é um dos Carmenère que mais se vende na loja.

Outro Carmenère bastante procurado é o elabora pela  VON SIEBENTHAL, no vale do Aconcagua a nordeste da capital chilena. Trata-se de um Carmenère super sedoso, agradável, encorpado, aromas de ameixas, tâmaras e frutos secos. Elabora mais ao estilo velho mundo, portanto mais tranquilo e elegante.

Por fim o Carmenère da LAURA HARTWIG, vinícola estabelecida no coração de Apalta, no vale do Colchagua. Mais ao estilo moderno com grande concentração de fruto e aromas. Um Carmenère bastante firme e muito parceiro de pratos como uma boa carne assada com molhos encorpados.

Mas, independente do estilo com o qual foi elaborado, a Carmenère produz, sempre um vinho envolvente, sedoso, com taninos bem educados  e bastante aromático.

Um vinho feito com uma uva redescoberta. Algo como a música que sai do sax do Charlie Parker, The Bird, apelido dado pelo estilo com que tocava o sax, algo como o voo de um pássaro.

Tem na Enoteca Conte Freire um quadro do Mestre. Cada vez que olho para ele penso que tenho que desenvolver meu talento com a facilidade e categoria com que ele tocava seu sax.

Por fim, vejam que a música do vídeo é a mesma, mas tocada em estilos diferentes. Assim como a Merlot e a Carmenère, parecidas mas com estilos completamente diferentes.

 

 





DIFICULDADE NA HORA DE COMPRAR? O VINHO TEM MENSAGENS QUE PODEM AJUDAR – PARTE II

16 05 2011

O vinho mesmo depois de aberto continua enviando mensagens que podem ajudá-lo. Agora no sentido de evitar o consumo de vinho alterado ou adquirido fora de nossas expectativas.

No sentido de minimizar a área de risco para que se possa comprar o vinho desejado algumas mensagens devem ser interpretadas.

1ª MENSAGEM – A COR DO VINHO

Em primeiro lugar a esmagadora maioria dos vinhos na faixa de R$ 10,00 até 50,00 reais foram feitos para serem abertos um ou dois anos após o seu engarrafamento. Assim não perca tempo com espera e adegas especiais para este tipo de vinho. Segundo ao abri-lo, por razões de má conservação ou partilha mal feita no produtor o vinho pode ter oxidado mais do que devia. Já dito que o vinho é o meio do caminho entre o suco de uva e o vinagre, portanto o oxigênio é elemento fundamental em sua vinificação. Ocorre que muitas vezes sofre alterações e acaba oxidando antes mesmo de aberta a garrafa. Como pode-se ver tal alteração? Pela cor.

Brancos: Se não for um excelente e caro vinho branco de algumas castas que passaram por barrica de madeira, o vinho deve ter cor amarelo-palha até o amarelo esverdeado e sempre cintilante e translúcido. CUIDADO cor amarelo dourado e amarelão certamente estar-se-á a frente de um vinho que merece um réquiem, este corpo vivo já evoluiu e agora faleceu. No nariz sai a frescura de flores e frutos e entre o aroma de ferrugem advindo da oxidação.

ROSES: A fora raras, honrosas e maravilhosas exceções, devem ser bebidos ao estilo dos brancos dois ou três anos depois de engarrafados. Quando um rose estiver sem aquela espetacular cor rosa viva, salmão e até mesmo um rosa mais escuro, MAS SEMPRE CINTILANTES E TRANSLÚCIDOS estaremos frente a um rose que já se despediu deste mundo. O nariz é de ferrugem.

TINTOS: Os tintos jovens quase a  maioria dos que se encontram no mercado a preços inferiores a R$ 50,00 reais têm, no máximo três a quatro anos de vida na garrafa. O tempo em nada os ajudará, muito pelo contrário envelhecerão sem saúde. Desta maneira não os guarde ou ponha em adegas esperando evolução. A cor dos tintos que já se despediram ou estão prestes a fazê-lo é a cor de tijolo que apresentam nas bordas dos tintos retintos. Ao inclinar a taça contra um fundo branco vê-se nitidamente que o centro é escuro como a noite (nos tintos retintos que têm por aí), mas as bordas são tijoladas. Nos mais caros e feitos sem sangria, geralmente estilo velho mundo, a cor é vermelho translúcido, mas com a idade fica totalmente cor de tijolo. Nariz de ferrugem.

Já os espumantes, com raras exceções devem ser bebidos jovens. A nítida sensação de despedida é a falta de borbulhas. Quando se tira a tolha ela não abre no fundo imediatamente, pouco gás sai e faltam borbulhas na taça. CUIDADO taças lavadas recentemente com detergente não fazem borbulhas, na boca sente-se o gás, mas no visual não. O detergente termina com esta importante festa dos espumantes.

2ª  MENSAGEM – OS TIPO DE UVAS

Para além das clássicas divisões que há nas lojas especializadas e supermercados que separam o vinho, primeiro por países e depois  em branco, rose, tinto, espumantes e vinhos fortificados, separação que eu contesto porque aumentam certos preconceitos com algumas uvas, estilos de vinhos e países, o vinho nos traz outras dicas.

Sabe-se que se faz, hoje, vinho inclusive de uva, portanto o principal ingrediente na produção de um vinho jamais deve ser colocada em segundo plano. Depois de definido o tipo de vinho, VEJA, POR FAVOR, qual a uva de sua preferência e se não conhece aquela que está a sua frente, POR FAVOR ESTUDE, VIA INTERNET, BLOGS, REVISTAS OU VENDEDOR ESPECIALIZADO, ela certamente irá definir o vinho que vais comprar.

Certo que algumas uvas, pela sua capacidade de adaptação se  tornaram internacionais, ficaremos com elas para não alongar este post.

Nos brancos a Sauvignon Blanc e a Chardonnay dominam a praça. A segunda conhecida como rainha das uvas brancas adapta-se não só ao solo e clima onde estão plantadas mas como se presta ao diferentes estilos de vinificação, se com mais ou menos tempo nas barricas, por exemplo. Deste modo em geral As  Chardonnay, chilenas e argentinas, têm algo puxado para o mel, nozes no nariz e levemente adocicadas na boca. A Chardonnay nacional tem menos potência aromática, mas possuem mais delicadeza, algo como nozes, damasco e frutos secos. Na boca mais leves e ácidas. Tem o estilo barricado, geralmente mais denso no copo e com nariz de baunilha e chocolate.

A Sauvignon Blanc sempre terá um fundo mais cítrico e nariz de grama cortada. Raramente aceita madeira, portanto aí está uma dica, se não gosta de brancos com madeira é a pedida certa.

Nos roses o estilo francês, para ficarmos nos campeões deste tipo de vinho, são mais leves, ácidos e secos. Os andinos e nacionais mais densos, alcoólicos, aromáticos e levemente adocicados.

Nos tintos as internacionais Cabernet Sauvignon e Merlot e as típicas Malbec e Carmenere dominam o cenário. A primeira com vinhos mais tânicos (aquela sensação de boca seca) e a segunda mais sedosa e menos potente (aqui nos países andinos). Já no Brasil se comportam mais educadas, ácidas e com vocação gastronômica em face do clima mais frio e chuvoso no verão.

As típicas Carmenere, muito parecida com a Merlot, inclusive com ela confundida por muitos anos, vinhos mais calmos e com nítido nariz de terra (nos bons exemplares) Já a Malbec uma explosão de aromas e doçura (natural) da uva.

3ª MENSAGEM – A COMPANHIA

Cada um tem seu conceito de má companhia, mas seja ela qual for tornará teu melhor vinho em vinagre num passe de mágica.

Lembrem da frase de Mário Quintana:

” Por mais raro que seja, ou mais antigo. Só um vinho é deveras excelente. Aquele que tu bebes, docemente, com teu mais velho e silencionso amigo.”

DÚVIDAS? O EDITOR DESTE BLOG PETER WOLFFENBÜTTEL  ESTÁ NA ENOTECA CONTE FREIRE PARA AJUDAR A COMPRAR UM BOM VINHO. Rua Desembargador Espiridião de Lima Medeiros, 156, Três Figueiras, Porto Alegre/RS fone 32 22 88 51





MONTELIG 2003 UM DOS MELHORES TINTOS CHILENOS QUE APRECIEI

26 02 2011

Estava guardado na garrafeira tinha certo tempo. Semana que passou resolvi abri-lo. Divino.

Trata-se de um dos melhores chilenos tintos que apreciei. Feito pela Von Siebenthal cujo propiretário é um advogado suiço que enamorou-se pelas terras chilenas.

A vinícola está localizada no Aconcagua. O vale do Aconcágua poderia ser chamado de vale escondido, pois está encravado entre três cidades, Los Andes, Panquehue e San Felipe.

Na verdade é o vale de boas-vindas do Chile para quem vem de carro da Argentina. Está logo após a passagem da cordilheira dos Andes.

Não é um vale extenso, pelo contrário. Está, escondido, aos pés da cordilheira dos Andes. De altura média em torno de 700 metros é seguramente um dos vinhedos mais altos do Chile.

E a altura exerce forte influência nos vinhedos em função do gradiente de temperatura no verão. Dias em torno de 30º e noites em torno de 12º, tudo que a videira precisa para desenvolver seu potencial máximo. As noites frias desaceleram o processo de maturação e a lentidão na maturação fixa melhor os aromas, a cor e os taninos da uva.

Este em especial é um corte de Cabernet Sauvignon, para mim o Chile a grande uva plantada por lá, mais Petit Verdot e Carmenere, na proporção de 65%, 25% e 10%. Ao abrir a garrafa o ambiente logo ficou perfumado, cheiros que remetem a geleia de cereja, morango e ameixa. Cor vermelho escuro com marcadas bordas de tijolo o que já estava a denunciar o declínio do vinho. Na boca sabor intenso, marcante de frutas secas, como ameixa e frutos vermelhos. Retrogosto intenso e prolongado.

Tentei harmonizá-lo com filé mignon com borda de bacon e arroz com legumes. Não deu certo o vinho é muito egoísta não aceita ninguém. Foi apreciado sozinho.

A dica está dada. É um vinho caro, sei, mas se bem guardado dará muitas alegrias ao seu dono, podem ter certeza.





CACHAPOAL – O IRMÃO GÊMEO DO COLCHAGUA

25 04 2010

A foto dá a exata ideia do Cachapoal, vale entre as duas cordilheiras e ao lado do Colchagua.

Na verdade os dois faziam, tempos atrás parte do Vale do Rapel, hoje subdividido entre Colchagua e Cachapoal.

A referência é a cidade de Rancagua, típica cidade da região com a arquitetura moldada pela proteção aos sismos como esta calle da foto.

O rio Colchagua divide os dois vales, Colchagua mais ao sul e Cachapoal ao norte.

A altura dos vinhedos está em torno de 250 a 300 metros. É importante destacar que ali estão as melhores condições para o desenvolvimento da, hoje, casta ícone, a Carmenère, antes confundida com a Merlot, mas que de uns tempos para cá separada e está sofrendo profundas modificações em seus vinhedos para que possa desenvolver todo o seu potencial.

Terroir (junção de clima e  solo) consagradíssimo para tintos de grande guarda como Cabernet Sauvignon, Merlot e alguns Syrah de grande estirpe. Vinhos com alta recomendação de origem.

Alguns dos principais produtores:

Viña Chateau Los Boldos

Viña Morandé

Viña Ventisquero








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