
O vinho mesmo depois de aberto continua enviando mensagens que podem ajudá-lo. Agora no sentido de evitar o consumo de vinho alterado ou adquirido fora de nossas expectativas.
No sentido de minimizar a área de risco para que se possa comprar o vinho desejado algumas mensagens devem ser interpretadas.
1ª MENSAGEM – A COR DO VINHO
Em primeiro lugar a esmagadora maioria dos vinhos na faixa de R$ 10,00 até 50,00 reais foram feitos para serem abertos um ou dois anos após o seu engarrafamento. Assim não perca tempo com espera e adegas especiais para este tipo de vinho. Segundo ao abri-lo, por razões de má conservação ou partilha mal feita no produtor o vinho pode ter oxidado mais do que devia. Já dito que o vinho é o meio do caminho entre o suco de uva e o vinagre, portanto o oxigênio é elemento fundamental em sua vinificação. Ocorre que muitas vezes sofre alterações e acaba oxidando antes mesmo de aberta a garrafa. Como pode-se ver tal alteração? Pela cor.
Brancos: Se não for um excelente e caro vinho branco de algumas castas que passaram por barrica de madeira, o vinho deve ter cor amarelo-palha até o amarelo esverdeado e sempre cintilante e translúcido. CUIDADO cor amarelo dourado e amarelão certamente estar-se-á a frente de um vinho que merece um réquiem, este corpo vivo já evoluiu e agora faleceu. No nariz sai a frescura de flores e frutos e entre o aroma de ferrugem advindo da oxidação.
ROSES: A fora raras, honrosas e maravilhosas exceções, devem ser bebidos ao estilo dos brancos dois ou três anos depois de engarrafados. Quando um rose estiver sem aquela espetacular cor rosa viva, salmão e até mesmo um rosa mais escuro, MAS SEMPRE CINTILANTES E TRANSLÚCIDOS estaremos frente a um rose que já se despediu deste mundo. O nariz é de ferrugem.
TINTOS: Os tintos jovens quase a maioria dos que se encontram no mercado a preços inferiores a R$ 50,00 reais têm, no máximo três a quatro anos de vida na garrafa. O tempo em nada os ajudará, muito pelo contrário envelhecerão sem saúde. Desta maneira não os guarde ou ponha em adegas esperando evolução. A cor dos tintos que já se despediram ou estão prestes a fazê-lo é a cor de tijolo que apresentam nas bordas dos tintos retintos. Ao inclinar a taça contra um fundo branco vê-se nitidamente que o centro é escuro como a noite (nos tintos retintos que têm por aí), mas as bordas são tijoladas. Nos mais caros e feitos sem sangria, geralmente estilo velho mundo, a cor é vermelho translúcido, mas com a idade fica totalmente cor de tijolo. Nariz de ferrugem.
Já os espumantes, com raras exceções devem ser bebidos jovens. A nítida sensação de despedida é a falta de borbulhas. Quando se tira a tolha ela não abre no fundo imediatamente, pouco gás sai e faltam borbulhas na taça. CUIDADO taças lavadas recentemente com detergente não fazem borbulhas, na boca sente-se o gás, mas no visual não. O detergente termina com esta importante festa dos espumantes.
2ª MENSAGEM – OS TIPO DE UVAS
Para além das clássicas divisões que há nas lojas especializadas e supermercados que separam o vinho, primeiro por países e depois em branco, rose, tinto, espumantes e vinhos fortificados, separação que eu contesto porque aumentam certos preconceitos com algumas uvas, estilos de vinhos e países, o vinho nos traz outras dicas.
Sabe-se que se faz, hoje, vinho inclusive de uva, portanto o principal ingrediente na produção de um vinho jamais deve ser colocada em segundo plano. Depois de definido o tipo de vinho, VEJA, POR FAVOR, qual a uva de sua preferência e se não conhece aquela que está a sua frente, POR FAVOR ESTUDE, VIA INTERNET, BLOGS, REVISTAS OU VENDEDOR ESPECIALIZADO, ela certamente irá definir o vinho que vais comprar.
Certo que algumas uvas, pela sua capacidade de adaptação se tornaram internacionais, ficaremos com elas para não alongar este post.
Nos brancos a Sauvignon Blanc e a Chardonnay dominam a praça. A segunda conhecida como rainha das uvas brancas adapta-se não só ao solo e clima onde estão plantadas mas como se presta ao diferentes estilos de vinificação, se com mais ou menos tempo nas barricas, por exemplo. Deste modo em geral As Chardonnay, chilenas e argentinas, têm algo puxado para o mel, nozes no nariz e levemente adocicadas na boca. A Chardonnay nacional tem menos potência aromática, mas possuem mais delicadeza, algo como nozes, damasco e frutos secos. Na boca mais leves e ácidas. Tem o estilo barricado, geralmente mais denso no copo e com nariz de baunilha e chocolate.
A Sauvignon Blanc sempre terá um fundo mais cítrico e nariz de grama cortada. Raramente aceita madeira, portanto aí está uma dica, se não gosta de brancos com madeira é a pedida certa.
Nos roses o estilo francês, para ficarmos nos campeões deste tipo de vinho, são mais leves, ácidos e secos. Os andinos e nacionais mais densos, alcoólicos, aromáticos e levemente adocicados.
Nos tintos as internacionais Cabernet Sauvignon e Merlot e as típicas Malbec e Carmenere dominam o cenário. A primeira com vinhos mais tânicos (aquela sensação de boca seca) e a segunda mais sedosa e menos potente (aqui nos países andinos). Já no Brasil se comportam mais educadas, ácidas e com vocação gastronômica em face do clima mais frio e chuvoso no verão.
As típicas Carmenere, muito parecida com a Merlot, inclusive com ela confundida por muitos anos, vinhos mais calmos e com nítido nariz de terra (nos bons exemplares) Já a Malbec uma explosão de aromas e doçura (natural) da uva.
3ª MENSAGEM – A COMPANHIA
Cada um tem seu conceito de má companhia, mas seja ela qual for tornará teu melhor vinho em vinagre num passe de mágica.
Lembrem da frase de Mário Quintana:
” Por mais raro que seja, ou mais antigo. Só um vinho é deveras excelente. Aquele que tu bebes, docemente, com teu mais velho e silencionso amigo.”
DÚVIDAS? O EDITOR DESTE BLOG PETER WOLFFENBÜTTEL ESTÁ NA ENOTECA CONTE FREIRE PARA AJUDAR A COMPRAR UM BOM VINHO. Rua Desembargador Espiridião de Lima Medeiros, 156, Três Figueiras, Porto Alegre/RS fone 32 22 88 51
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