MAPA DO VINHO – PARTE XII – PORTUGAL – ALENTEJO

5 02 2012

 

A imagem que se tem do Alentejo são enormes espaços de planície onde vingam os sobreiros, árvore da qual se retira a cortiça, as oliveiras e os vinhos, estes um tanto licorosos e pesados.

Mas não é assim.

O Alentejo perfaz 1/3 da área de Portugal, portanto é bobagem afirmar que no Alentejo só tem planícies castigadas por verões escaldantes.

 

 Ele tem cidades medievais como Monsaraz, como da foto ao lado, Avis e Crato que convivem     com modernos centros como Évora, Beja e Portalegre, assim passado e presente convivem em harmonia.

O Alentejo, na verdade,  se divide em quatro, o alto e baixo Alentejo, bem como o litorâneo e o da fronteira com a Espanha.  Quase toda a área está no nível do mar, mas têm aquelas mais próximas do oceano e as que estão nas serras da Ossa, São Mamede e Portel, sendo assim, micro climas diferenciados. Um pela proximidade com o oceano  e o outro pela altura e suas variações climáticas.

Uma samambaia, as vezes se trocarmos o lado da parede ela morre, a uva como planta é igual, diferenças de climas, solos e alturas criam diferentes tipos de vinho, mesmo uma região sendo muito próxima da outra.

No Alentejo também tem o passado, e sua tradição, convive com o presente e sua modernidade, Vinícolas antigas, como a Quinta do Carmo, Quinta da Terrugem, Esporão e Cooperativa de Borba, por exemplo,  estão lado a lado com moderníssimas instalações, como a Quinta da Malhadinha, Quinta do Rocim, Herdade dos Grous e Cortes de Cima. Uns vinhos de talhas outros grandes vinhos modernos.

Pela tipicidade de seus vinhos que é a identidade que o local passa ao vinho eles me lembram muito os vinhos de Salta, Argentina. Isto que estão separados por metade do globo terrestre, os de Salta são plantados a mais de 1.600 metros e os do Alentejo, no máximo a 600 metros. Mas ambos têm forte tipicidade. Quem já experimentou um Torrontés de Salta ou um bom Aragonez (Tempranillo) do Alentejo está bebendo vinhos singulares, que somente nestes locais desenvolvem a plenitude que estas castas podem alcançar.

Tipicidade é quando o local influencia no vinho tornando-o singular. Algo como já dito, um chimarrão tomado no campo no frio da manhã é diferente do tomado em casa, na cidade. O café da manhã numa boa padaria de São Paulo é inesquecível e único. Uma carne de sol tem que ser num bom restaurante do nordeste.

Portanto, não é dos sobreiros e suas cortiças que vive o Alentejo vinhateiro.

As castas tintas que dão o ritmo no Alentejo são: Alfrocheiro, Aragonez, Alicante Bouchet, Touringa Nacional e a Trincadeira.

As brancas, Arinto e Antão Vaz.

As importadas, Syrah, Cabernet Sauvignon e Chardonnay estão se desenvolvendo muito bem.

Alguns produtores da região. Sogrape, Quinta do Carmo, Fundação Eugênio Almeida, Herdade do Rocim, Quinta da Malhadinha, Monte dos Cabaços, Monte do Pintor entre outros.

Alguns clássicos da região, Pêra-Manca, Cartuxa, Borba, Mouchão, ente outros.

Por último, sempre gosto de lembrar que o Alentejo é a melhor porta de entrada dos vinhos de Portugal e do velho mundo, para quem está acostumado aos vinhos chilenos e argentinos. Porque são vinhos carregados de cor, aroma e taninos. São volumosos na boca e de certa forma doces pelo açúcar da uva, resultado da maturação pelas quais passam, O clima é  Mediterrânico, com luz muito intensa, uma exposição solar muito prolongada ao longo do ano.





VINHO BRANCO NO INVERNO? PORQUE NÃO

9 07 2011

Gosto dos contrastes. Vinho braco no inverno com temperatura ambiente é tudo de bom. Aqui em Porto Alegre esta semana o frio foi glacial. Os tintos não puderam ser apreciados na temperatura ambiente, precisaram ser esquentados.

Aí deu vontade de beber um branco básico. Abri este Eugênio Almeida. O produtor é o mesmo dos afamados Cartuxa e Pera Manca, portanto estirpe de longa data em vinhos portugeses. A região Alentejo, região quente e seca ao sudoeste de Portugal, terra de olivais, sobreiros e muito vinho bom. Os vinho brancos alentejanos de modo geral são mais comedidos, mais delicados e menos explosivos do que os vinhos verdes ou mesmo os chilenos e argentinos.

Este em especial foi produzido com as castas indígenas Perrum e Roupeiro. Cor amarelo citrino, nariz delicado de maçã e pera, daí o ideal é servido numa temperatura em torno de 13 graus. Boca médio corpo acidez comedida e de final persistente. Eu gosto bastante deste estilo de vinho branco no inverno. Por que não os constrastes?

Parceiro ideal de um queijo Camenbert feito da seguinte forma. Abra-o ao meio, pincele geleia de goiaba e coloque nozes lascadas. Aqueça o forno, feche o queijo e deixe-o por uns momentos no forno para deixá-lo numa consistência mais cremosa.

Sirva-o com uma torradinha e este vinho, pronto sua diversão está garantida.

 

 

 





VINHOS MADUROS – ESCOLHA SEU ESTILO

10 04 2011

São vinhos que precisam de algum tempo de estágio em madeira e garrafa, algo em torno de 10 anos caso contrário estaríamos abrindo um vinho que sequer conseguiu desenvolver-se. São vinhos, por este motivo, caros, alguns mais caros que deveriam.

Nos brancos temos a Riesling, a Grünner Veltiner e a Semillon que produzem brancos excepcionais, mas para serem apreciados após 10 anos de descanso. Os Riesling, de preferência alemães ou ausralianos e Grünner Veltiner, Áustria e a Semillon, apesar de compor o corte das brancas de Bordeaux, inclusive o botritizado Sauternes, desenvolve-se com maestria na Austrália onde alcança a sua plenitude depois de 10  12 anos de garrafa.

Nos tintos o segredo, com suas raras exceções é o tanino. Ele quando em grande quantidade traz muita estrutura para um vinho, ocorre que para arredondá-los só o tempo em barricas, como na foto acima e muita espera em garrafa. Nesta turma eu gosto:

PORTUGAL: Certamente a tânica e manhosa Baga, da Bairrada. Região perto do Atlântico são vinhos que quando bem trabalhados produzem verdadeiras joias da coroa. Um vinho bastante complexo, frutas silvestres com um fundo de café e tostado. Ou então um maduro alentejano como um Mouchão ou um Pera Manca, elegantes e refinados.

URUGUAI: A Tannat, a exemplo da Baga possui bastante taninos e quando os produtores acertam a mão o vinho é um pouco mais caro mas muito bom. Bastante corpo, aromas de frutos vermelhos e couro. Gosto do Staiger Viejo, com o detalhes que as uvas não são dos arredores de Montevidéo e sim da região noroeste do país.

FRANÇA: Certamente a minha amada Syrah, os Hermitage e Cotie Rotie do alto Rhône são meus preferidos. Vinhos que precisam de 10 anos de garrafa, quando se abre o ambiente perfuma, nariz de frutos vermelhos e especiarias, como cravo e canela. Na boca volume, potência com toques de mentolado  e pimenta. FANTÁSTICOS, puro sangue total. Tem os vinhos de Bordeaux, no estilo mais charmosos e elegantes. Nariz mais calmo, café e tostado, na boca corpo elegante e sedoso, no estilo mais clássico que os puro sangue do Rhône, ah e bem mais caros também.

ITÁLIA: Aqui as opções são várias. Do sul com a uva Aglianico, Taurassi e Basilicata, são potentes e firmes, ao estilo dos vinhos do Rhône, verdadeiros puro sangue, como um carro esportivo, como dizem por lá, uma máquina, mas em face dos taninos precisam, também, de muito tempo de descanso nas barricas e garrafas. Do Piemonte os Barolos, com a Nebiollo, certamente grandes representantes. Vinhos firmes, encorpados, nariz de frutas vermelhas e discreta madeira. Na boca densos e firmes. Em Valpolicella os Amarones feitos com a especial técnica das uvas desidratadas, potentes, alguns chegam a 17% de álcool. Boca firme e encorpada com um final meio amargo. Nariz mais adocicado de frutos vermelhos e tabaco. Bela opção.

AUSTRÁLIA: Certamente os tintos do Vale Barossa, densos e com ato índice de álcool, muitas vezes utilizam ao exemplo de Cotie Rotie a Viognier para acalmar a Syrah.

CHILE e ARGENTINA: Certamente os clássicos com muito tempo de barrica e garrafa. Principalmente os feitos com Cabernet Sauvignon (Chile) em especial os de Colchagua e a Malbec (Argentina) estes em especial os de regiões quentes de Mendonza, como Lujan de Cuyo e La Consulta.

Bem seja qual for o estilo nos vinhos maduros, beba-os devagar, aprecie o momento de estar a frente de um vinho que descansou, pelo menos 8 a 10 anos até estar a sua frente.





MOUCHÃO 2001 UM CLÁSSICO ETERNO

25 03 2011

Ontem tive o prazer de novamente apreciá-lo. Um clássico do mundo do vinho e por clássico entendo que é produzido a mais de 30 anos, no mesmo local com mantendo a paridade no corte das uvas. Sei é caro, sei também que é fácil falar de vinho caro. Mas vou logo dizendo fácil também é errar feio em vinhos caros. E como nossa expectativa no vinho é proporcional ao preço já cai do cavalo algumas vezes e os tombos foram doloridos para o bolso e alma.

Este é um GRANDE ALENTEJANO produzido em Soussel, pela Herdade do Mouchão. Trata-se do segundo vinho do produtor, o top é o Tonel 3/4 e o de entrada é o ótimo Dom Rafael.

O Mouchão é produzido em corte de uvas onde predominam a Trincadeira e a Alicante Bouschet. Duas castas típicas do Douro e muito nervosas. Domá-las não é tarefa fácil requer prática desde a videira até o período de hibernação, algo em torno de 5 a 6 anos para dizer porque veio ao mundo.

Este Mouchão 2001, portanto 10 anos de garrafa, mesmo após 2 horas de decantação estava novo em folha. De cor vermelho escuro, NADA DE BORDA ATIJOLADA, portanto aguentaria mais um par de anos de garrafa. Nariz extremamente elegante e perfumado. Café, cereja e frutas secas vieram ao nariz imediatamente. Na boca a sensualidade marcante. Aquele tipo de vinho que nos traz uma mensagem ao estilo, venha saber sobre a minha vida, onde nasci que uvas foram utilizadas, como foi feito em que lugar, enfim, um vinho a ser decifrado. Gole final prolongado.

Mas o que mais me chamou a atenção foi a memória olfativa. Mesmo agora, 24 horas depois de tê-lo apreciado ele ainda continua na minha lembrança.

Como se bebe? de joelhos e agradeçendo a Deus por ter saúde, por entender o vinho e saber como ele é bom. Depois agradeça a Portugal, ao Alentejo e à Herdade do Mouchão por nos brindar com esta joia da coroa.

Me veio imediatamente à cabeça a diva eterna Maria Callas tão vibrante e atual mesmo passadas décadas de seu apogeu.

 





UMA IDEIA PARA HARMONIZAR VINHO PORTUGUÊS

29 07 2010

Que eu tenho os vinhos portugueses na minha preferência não é novidade haja vista a quantidade de postagens que tenho sobre este tema. Mas sentia a falta de tentar ajudar numa ideia de harmonização.

Entendo que pode assi ser feito:

VINHOS VERDES: São vinhos brancos, sei que têm os tintos, mas por aqui não são comuns, leves cítricos, refrescantes e de baixo teor alcoólico. Vão muito bem com saladas, comidas orientais, frutos do mar e peixe se muita gordura.

ESTREMADURA: Os brancos são de leves  a meio corpo, com menos acidez, mas mesmo assim refrescantes. Vão muito bem com saladas, massas, frutos do mar, peixes até mesmo os mais gordurosos. Aceitam bem um queijo de massa meio mole e sabor mais acentuado, como um Port Salut. Já nos tintos, estes também de corpo médio, acidez mais elevada, um tanto tânicos (duros) mas eu os adoro. Uma carne de porco, frango e até mesmo um assado de ovelha.

TEJO: Os brancos se assemelham aos da estremadura, mas penso que um pouco mais encorpado e de acidez mais elevada. Vão bem com comida oriental, frutos do mar e peixes mais gordurosos, como Garoupa e Salmão. Já os tintos são de médio corpo a encorpado, acidez moderada, com taninos mais marcantes. Vão maravilhosamente bem com porco, frango, e queijos duros e mais curados, como os Gruyère e Gouda e outros desta turma.

ALGARVE: Se assemelham aos vinhos do Mediterrâneo, tintos de médio corpo, acidez baixa e de médio corpo.Os brancos são refrescantes e de acidez média. Mas a vocação para os rosé é inegável. Brancos, vão bem com frutos do mar, saladas, peixes sem gordura e queijos brancos, leves  chegando até mesmo a um Camembert ou Brie. Os rosés com pratos orientais, massas e carne de porco ou frango. Já os tintos  enfrentam um assado com carne menos gordurosa.

ALENTEJO: Brancos de corpo médio, acidez, em geral mais baixa, mas claro com suas exceções, indo muito bem com pratos orientais, e peixes mais pesados como Salmão. Já os tintos encorpados, com mais taninos enfrentam muito bem pratos com carne vermelha e molhos mais pesados.

DOURO: Aqui a gama é muito ampla, temos brancos leves a encorpados, tintos idem, ficaria com os mais leves para saladas, massas e queijos brancos, curados ou não, indo até os da turma do Camembert. Já os brancos mais encorpados, vão muito bem com queijos mais fortes de massa meio mole como os Port Salut e peixes mais gordurosos. Já os tintos enfrentam pratos de carne vermelha com molhos e até mesmo um assado de ovelha.

Os do tipo Porto com queijos azuis e um bom sorvete de creme.

BAIRRADA: E sua casta fantástica a Baga vai muito bem com carne de porco.

DÃO: Tintos leves e muito semelhantes aos Pinot Noir, com carne de frango, peixes mais gordurosos e com molho mais acentuado, queijos mais curados e picantes.





IMPRESSÕES SOBRE A DEGUSTAÇÃO – HERDADE MONTE DA CAL – JOVEM AINDA

19 06 2010

 

Estamos diante de um belíssimo vinho alentejano feito, baiscamente com castas nativas, Trincadeira e Alicante Bouschet. Um vinho ainda jovem, mesmo sendo safra 2005. Tal como um adolescente,um pouco desajeitado, força excessiva, uma certa acidez demasiada, uma certa dureza que não condiz com a elegância na qual se tornará ese vinho.

Certeamente deve passar por mais uns três a quatro anos de garrafa, aí sim estará em seu esplendor.

Cor vermelho rubi, sem arroxeados na borda, portanto indicando um vinho que certemante evoluirá na garrafa, nariz herbáceo e mineral, na boca força,vigor, acidez refrescante e algo de geleia e compota. Retrogosto prolongado. 

Importante destacar que a Trincadeira, também chamada no Douro de Tinta Amarela, precisa de muito calor para desenvolver seu potencial, por isto é uma das castas tradicionais de Alentejo. Mas como tinha dito precisam de tempo de garrafa para que possam dizer ao mundo porque vieram. Quando “envelhecidas” na garrafa, desenvolvem espciarias, como nozes, cravo e pimenta.

Me lembrei deste vinho com bom lombinho de porco com molho de ameixas e damasco. 

Portanto, tal como os relógio de Salvador Dali da foto, deve-se deixar o tempo agir sobre este vinho. Certamente este mostrou todo o seu potencial,mesmo jovem.





HERDADE MONTE DA CAL RESERVA – UM MODERNO VINHO ALENTEJANO

12 06 2010

Este vinho para mim representa o moderno vinho do Alentjo, região onde o antigo e o moderno convivem em harmonia. Sem perder suas características regionais, mas com a modernização que os vinhos atuais exigem.

No Alentejo, o clima é mas estável com invernos menos frios e verões quentes e secos propociam um amadurecimento regular da uva na sua reta final, proporcionando vinhos com mais açúcar no fruto e taninos mais macios.

Para nós, aqui do outro lado do mundo, são vinhos mais parecidos com os andinos, portanto, como sempre digo, o Alentejo serve de porta de entrada para os vinhos da Europa.

Quem quiser saber mais sobre o Alentejo,  pode acessar este post  http://wp.me/pPKW2-cc

Quanto ao vinho é produzido pela multinacional GlobalWine que inclsuive produz vinho no vale do São Francisco.

Trata-se de um corte Trincadeira, Syrah e Alicante Bouschet, uma casta francesa da região do Languedoc, sul da França. Lá nunca alcançou resultados mais expressivos. Chegou no Alentejo e lá encontrou a tipicidade que gostaria, invernos frios e verões quentes e secos, sendo, hoje, uma das principais castas da região. 

É a tal tipicidade de que tanto falo.

Segue uma bela apresentação do Alentejo





ALENTEJO – TERRA DO SOBREIRO, DAS OLIVEIRAS E DOS ÓTIMOS VINHOS

3 06 2010

A imagem que se tem do Alentejo são enormes espaços de planície onde vingam os sobreiros, árvore da qual se retira a cortiça, as oliveiras e os vinhos, estes um tanto licorosos e pesados.

Mas não é assim.

O Alentejo perfaz 1/3 da área de Portugal, portanto é bobagem afirmar que no Alentejo só tem planícies castigadas por verões escaldantes.

   Ele tem cidades medievais como Monsaraz, como da foto ao lado, Avis e Crato que convivem com modernos centros como Évora, Beja e Portalegre, assim passado e presente convivem em harmonia.

O Alentejo, na verdade,  se divide em quatro, o alto e baixo Alentejo, bem como o litorâneo e o da fronteira com a Espanha.  Quase toda a área está no nível do mar, mas têm aquelas mais próximas do oceano e as que estão nas serras da Ossa, São Mamede e Portel, sendo assim, micro climas diferenciados. Um pela proximidade com o oceano  e o outro pela altura e suas variações climáticas.

Dito pelo Luciano Neto, da Gran Cru, Porto Alegre, uma samambaia, as vezes se trocarmos o lado da parede ela morre, a uva como planta é igual, diferenças de climas, solos e alturas criam diferentes tipos de vinho, mesmo uma região sendo muito próxima da outra.

No Alentejo também tem o passado, e sua tradição, convive com o presente e sua modernidade, Vinícolas antigas, como a Quinta do Carmo, Quinta da Terrugem, Esporão e Cooperativa de Borba, por exemplo,  estão lado a lado com moderníssimas instalações, como a Quinta da Malhadinha, Quinta do Rocim, Herdade dos Grous e Cortes de Cima. Uns vinhos de talhas outros grandes vinhos modernos.

Pela tipicidade de seus vinhos que é a identidade que o local passa ao vinho eles me lembram muito os vinhos de Salta, Argentina. Isto que estão separados por metade do globo terrestre, os de Salta são plantados a mais de 1.600 metros e os do Alentejo, no máximo a 600 metros. Mas ambos têm forte tipicidade. Quem já experimentou um Torrontés de Salta ou um bom Aragonez (Tempranillo) do Alentejo está bebendo vinhos singulares, que somente nestes locais desenvolvem a plenitude que estas castas podem alcançar.

Tipicidade é quando o local influencia no vinho tornando-o singular. Algo como já dito, um chimarrão tomado no campo no frio da manhã é diferente do tomado em casa, na cidade. O café da manhã numa boa padaria de São Paulo é inesquecível e único. Uma carne de sol tem que ser num bom restaurante do nordeste.

Portanto, não é dos sobreiros e suas cortiças que vive o Alentejo vinhateiro.

As castas tintas que dão o ritmo no Alentejo são: Alfrocheiro, Aragonez, Alicante Bouchet, Touringa Nacional e a Trincadeira.

As brancas, Arinto e Antão Vaz.

As importadas, Syrah, Cabernet Sauvignon e Chardonnay estão se desenvolvendo muito bem.

Alguns produtores da região. Sogrape, Quinta do Carmo, Fundação Eugênio Almeida, Herdade do Rocim, Quinta da Malhadinha, Monte dos Cabaços, Monte do Pintor entre outros.

Alguns clássicos da região, Pêra-Manca, Cartuxa, Borba, Mouchão, ente outros.

Por último, sempre gosto de lembrar que o Alentejo é a melhor porta de entrada dos vinhos de Portugal e do velho mundo, para quem está acostumado aos vinhos chilenos e argentinos. Porque são vinhos carregados de cor, aroma e taninos. São volumosos na boca e de certa forma doces pelo açúcar da uva, resultado da maturação pelas quais passam, O clima é  Mediterrânico, com luz muito intensa, uma exposição solar muito prolongada ao longo do ano,





POR QUE EU GOSTO TANTO DOS VINHOS DE PORTUGAL?

30 05 2010

Primeiro falo,penso e escrevo com os vinhos portugueses que chegam no Brasil, e por sinal, cada vez mais e com qualidade.

Não foi sempre assim. Eu lembro que uma década atrás nossos supermercados estavam cheios de vinhos portugueses de baixa qualidade. O que de certa forma criou um preconceito.

Até o dia em que caiu nas minhas mãos o Quinta da Bacalhoa, feito, basicamente, com Cabernet Sauvignon e o branco do mesmo produtor a Cova da Ursa, Chardonnay, bem …., tudo mudou,o preconceito evaporou-se em segundos,estes dois, ainda estão entre os grandes de Portugal, entre outros.

Tenho que os vinhos portugueses estão entre os melhores em vários quesitos, tipicidade, castas nativas e únicas, diversas regiões, estilos de produção e de vinhos, Portugal só não produz vinhos botritizados, pelo que eu saiba.

Pretendo, em posts posteriores comentar sobre as regiões produtoras e seus vinhos.

Mas, falava de preconceito, entendo que no mundo do vinho deve ser como o das crianças que brincam umas com as outras se levar em conta cor, raça, situação social e financeira ou física, simplesmente brincam e pronto. Nós devemos experimentar vinhos da mesma maneira, senão o nosso prazer será limitado e em muito.

Mas voltando ao assunto. Por tipicidade entendo uma casta, seja nativa ou não, que desenvolve, naquele local condições que tornam o vinho singular. Como por exemplo, o espumante brasileiro, a Torrontés, a Primitivo (Zinfandel) na Puglia (Itália), Pinot Noir, na França, entre outras.

Aqui Portugal vai bem. Tem os vinhos verdes, únicos, no mundo, e suas castas, como a Loureiro, Avesso, Trajadura, Albarinho, tem as castas que compõem os vinhos do Porto/Douro, enfim,para um país que tem mais de 300 castas nativas e catalogadas, tipicidade não é problema.

Mas tipicidade não é só isto,tipicidade, entendo, também, como a força cultural que o local imrpime no vinho, suas videira e produção, em que outro local do mundo teríamos os vinhos do Porto, da Madeira, os Moscatéis de Setubal, os Vinhos Verdes, a Baga da Bairrada, difícil encontrar outro local com tanta variedade e singularidade, ao mesmo tempo.

E tipicidade não é só no vinho, aqui, no Rio grande do Sul, tomo mate (chimarrão) todo o dia, mas nenhum é igual ao que tomei no Alegrete, campanha gaúcha (pampa) lá fora frio, geada, sol nascendo, o mate amargo, pronto, realmente, tem outro gosto. Assim foi com as padarias de São Paulo, o café com pão e manteiga lá, bem cedinho, nunca mais, em padaria alguma teve o mesmo sabor. A carne do sol com baião de dois,  por exemplo, já trouxe do nordeste até um kit completo, mas não tem o mesmo sabor, com os vinhos é exatamente igual, assim são os vinhos portugueses.

Castas nativas, nem se fala, quem tem, por exemplo,Loureiro, Alfrocheiro, Bastardo, Tinto Cão, Borrado de Mosca, Jaen, Tinta Negra Mole,Tinta Miúda, Touringa Nacional, Antão Vaz, Bical, e por aí vai! Muito poucos países têm esta riqueza.

Várias regiões, mesmo perto uma das outras os seus vinhos são, as vezes completamente diferentes, vejam,por exemplo, o Dão, Bairrada e Porto, tão perto uma das outras e produzindo vinhos tão diferentes.

Vamos, então, conhecer um pouco mais de Portugal, suas regiões, castas e vinhos.





.COM UM ALENTEJANO DE RAÇA

18 05 2010

Este alentejano é da linhagem dos melhores que nos chegam, com frequência por aqui. Comprei na Vinhos do Mundo por algo perto de R$ 29,00. Feito com as castas típicas do alentejo. Cor vermelho escuro. Nariz com aromas de geleia de frutos vermelhos, certo tabaco e quando aberto a mais tempo um certo couro. Na boca a doçura do fruto característico de vinhos que vêm de regiões quentes como é o alentejo. Muito parecido com alguns a argentinos e chilenos, mas menos carregados em concentração e madeira.

Um vinho que pode servir de porta de entrada aos portugueses, principalmente para quem está acostumado com os malbec argentinos.

Pode ser bebido solito ou acompanhado de um iscas de filé ou mesmo alguns patês mais encorpados, como fígado e gorgonzola.








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