A imagem que se tem do Alentejo são enormes espaços de planície onde vingam os sobreiros, árvore da qual se retira a cortiça, as oliveiras e os vinhos, estes um tanto licorosos e pesados.
Mas não é assim.
O Alentejo perfaz 1/3 da área de Portugal, portanto é bobagem afirmar que no Alentejo só tem planícies castigadas por verões escaldantes.
Ele tem cidades medievais como Monsaraz, como da foto ao lado, Avis e Crato que convivem
com modernos centros como Évora, Beja e Portalegre, assim passado e presente convivem em harmonia.
O Alentejo, na verdade, se divide em quatro, o alto e baixo Alentejo, bem como o litorâneo e o da fronteira com a Espanha. Quase toda a área está no nível do mar, mas têm aquelas mais próximas do oceano e as que estão nas serras da Ossa, São Mamede e Portel, sendo assim, micro climas diferenciados. Um pela proximidade com o oceano e o outro pela altura e suas variações climáticas.
Uma samambaia, as vezes se trocarmos o lado da parede ela morre, a uva como planta é igual, diferenças de climas, solos e alturas criam diferentes tipos de vinho, mesmo uma região sendo muito próxima da outra.
No Alentejo também tem o passado, e sua tradição, convive com o presente e sua modernidade, Vinícolas antigas, como a Quinta do Carmo, Quinta da Terrugem, Esporão e Cooperativa de Borba, por exemplo, estão lado a lado com moderníssimas instalações, como a Quinta da Malhadinha, Quinta do Rocim, Herdade dos Grous e Cortes de Cima. Uns vinhos de talhas outros grandes vinhos modernos.
Pela tipicidade de seus vinhos que é a identidade que o local passa ao vinho eles me lembram muito os vinhos de Salta, Argentina. Isto que estão separados por metade do globo terrestre, os de Salta são plantados a mais de 1.600 metros e os do Alentejo, no máximo a 600 metros. Mas ambos têm forte tipicidade. Quem já experimentou um Torrontés de Salta ou um bom Aragonez (Tempranillo) do Alentejo está bebendo vinhos singulares, que somente nestes locais desenvolvem a plenitude que estas castas podem alcançar.
Tipicidade é quando o local influencia no vinho tornando-o singular. Algo como já dito, um chimarrão tomado no campo no frio da manhã é diferente do tomado em casa, na cidade. O café da manhã numa boa padaria de São Paulo é inesquecível e único. Uma carne de sol tem que ser num bom restaurante do nordeste.
Portanto, não é dos sobreiros e suas cortiças que vive o Alentejo vinhateiro.
As castas tintas que dão o ritmo no Alentejo são: Alfrocheiro, Aragonez, Alicante Bouchet, Touringa Nacional e a Trincadeira.
As brancas, Arinto e Antão Vaz.
As importadas, Syrah, Cabernet Sauvignon e Chardonnay estão se desenvolvendo muito bem.
Alguns produtores da região. Sogrape, Quinta do Carmo, Fundação Eugênio Almeida, Herdade do Rocim, Quinta da Malhadinha, Monte dos Cabaços, Monte do Pintor entre outros.
Alguns clássicos da região, Pêra-Manca, Cartuxa, Borba, Mouchão, ente outros.
Por último, sempre gosto de lembrar que o Alentejo é a melhor porta de entrada dos vinhos de Portugal e do velho mundo, para quem está acostumado aos vinhos chilenos e argentinos. Porque são vinhos carregados de cor, aroma e taninos. São volumosos na boca e de certa forma doces pelo açúcar da uva, resultado da maturação pelas quais passam, O clima é Mediterrânico, com luz muito intensa, uma exposição solar muito prolongada ao longo do ano.















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