MAPA DO VINHO – PARTE VIII – PORTUGAL – TEJO

29 01 2012

Chegamos no centro do país. Muda o clima, o solo e as uvas. Gosto dos vinhos de Portugal, também, por isto, alta diversidade, tem vinho para todos os gostos e estilos.

O Tejo, outrora chamado de Ribatejo, também sofreu, nos últimos tempos, uma drástica mudança na elaboração dos vinhos e cuidado com as vinhas.

Antes produziam quantidade e não qualidade. E, sabe-se, quanto menos menos cachos tiver uma videira melhor será o vinho. Hoje, após a modernização, já se colhe o fruto. Vinhos excelentes e melhor a preços muito competitivos. Aqui mesmo no Brasil encontramos vinhos do Tejo por preços muito acessíveis.

Muito antes da formação de Portugal como país, já haviam as videiras plantadas pelos romanos, portanto desde sempre a região conhece e produz vinhos.

O rio Tejo é determinante no clima e solo das vinhas. Nas épocas de baixa a terra antes inundada por ele serve de solo fértil para as vinhas.

Em relação as regiões mais ai norte, as uvas mudam completamente. Nas tintas temos:

CASTELÃO: Também chamada de Periquita é a grande uva tinta do Tejo. Produz quantidade com qualidade e adapta-se aos micro-climas do Tejo com grande facilidade. Produz vinhos com muita cor e aromas mais herbáceos e um tanto minerais. Utiliza-se, também para vinificar os roses do Tejo.

TRINCADEIRA: Casta que começa a aparecer e irá até o Alentejo. Geralmente vai em corte com a Castelão, nos vinhos do Tejo, agregando acidez, frescor e elegância. Contribui, também, com os aromas de frutos vermelhos como amora e ameixa.

ARAGONEZ: Também chamada no norte do país de Tinta Roriz veio da Espanha que lá tem mais de uma dezena de grafias, sendo a mais conhecida (Tempranillo). Traz aos vinhos álcool e taninos, sendo certo que é uma casta com vocação para a espera na garrafa.

TOURINGA NACIONAL: Hoje plantada em todo o país, esta casta originária do Dão, adaptou-se perfeitamente no Tejo. Geralmente vinifica em separado onde nos traz vinhos firmes com acidez e taninos marcantes. Certamente os mais envelhecidos são os melhores.

Nas brancas, certamente a dupla Arinto e Fernão Pires, também chamada em outras regiões de Portugal de Maria Gomes.

ARINTO: Traz a acidez necessária para a produção de bons vinhos brancos.

FERNÃO PIRES: A grande casta branca do Tejo. Traz aos vinhos aromas de frutos e flores que em combinação com a acidez da Arinto nos traz um grande vinho branco.

Lindo vídeo sobre o Tejo.





MAPA DO VINHO – PARTE VII – PORTUGAL – BAIRRADA

29 01 2012

 

A Bairrada fica entre o litoral e o Dão no quase no centro do país. O grande destaque, além de abnegados e excelentes produtores como Quinta das Bageiras, Luis Pato e Filipa Pato e Campolargo que vêm reintroduzindo a Bairrada no seu exato lugar de destaque no mundo do vinho.

O grande destaque que faço da região é a sua uva mestra a Baga.

Tânica como a Tannat, manhosa como Pinot Noir, temperamental como só ela, pois pode produzir o que há de melhor e de vinhos sem expressão, dependendo do clima e de como é conduzida e elaborada. Eu sou fã incondicional desta casta, além do que, fora da Bairrada desconheço se produz algo semelhante ao razoável.

Na Bairrada, outrora região um tanto desacreditada, até mesmo para os portugueses, por razões culturais, polítcas e legislativas, hoje vive outra época. Para a surpresa de muitos, grandes empresas lá se instalaram, unindo-se a produtores tradicionais da região e hoje, modernizada e energizada pelas variedades internacionais, como a Chardonnay e a Pinot Noir, a Bairrada vive um grande momento.

De solos argilosos e arenosos, daí o nome Bairrada, vindo de barro. A foto nos dá o detalhe do solo.

Sua proximidade com o oceano traz para estas paragens o frescor noturno tão procurado nos dias quentes de verão, ajudando e em muito uma maturação lenta e saudável da uva.

Região de grandes produtores, como Luis Pato,  Campolargo e Quinta das Bageiras, entre outros.

A Baga é uma casta que tem vocação para a garrafa, isto é, para estagiar por tempo prolongado, desta maneira os agressivos taninos sofrem uma transformação passando a elegantes e suaves, transformando-se num vinho ímpar.

É, por fim, o companheiro inseparável para o famoso leitão da Bairrada.

O vídeo é muito bom. PRESTEM ATENÇÃO ATÉ O FIM.





MAPA DO VINHO – PARTE VI – DÃO

28 01 2012

Este o mapa do Dão. Região entre o litoral (Bairrada) e o Douro.

Falar do Dão é falar de vinhos tintos, brancos e espumantes. É falar de tintos elegantes muitos ao estilo dos melhores Borgonha. Agradáveis, aromáticos e sedosos. Os brancos também lembram a Borgonha. Muito delicados, levemente frutados e com acidez refrescante. Os espumantes do Vale de Varosa já foi objeto de um post específicos para eles.

A região é acidentada e protegida por cadeias de serras. A do Caramulo, do Buçaco, da Nave e a majestosa serra da Estrela. Estas montanhas protegem o Dão dos frios úmidos ventos do Atlântico e do norte e nordeste dando condições para que se possa obter grandes resultados nos vinhos ali produzidos.

Destaca-se, também, que desde sempre a vinha fez parte das pessoas da região, mas somente nas últimas décadas o Dão sofreu um forte impacto com a modernização, desde as vinhas até o estilo dos vinhos passando pelo maquinário.

Esqueçam, principalmente os consumidores brasileiros, da invasão de décadas atrás de vinhos ordinários que vieram de lá e invadiram as prateleiras dos supermercados. Os Grão Vasco de origem duvidosa já fazem parte do passado.

Hoje há, no Dão, desde gigantes como a Dão Sul até produtores bastante pequenos, mas todos com a qualidade a aumentar a cada safra.

Mas pelo amor de Deus esta situação mudou e para melhor, esqueçam os vinhos do Dão deste naipe. Hoje nos chegam as mão verdadeiras jóias engarrafadas. Os tintos são de corpo médio, álcool em torno de 12 graus, sedosos, lembrando os Pinot Noir, só que com mais vigor e dureza que estes útimos.

Não sem esquecer que são vinhas plantadas numa altura média de 600 metros o que faz grande diferença, pois a altura traz uma diferença grande de temperatura no verão, com noites frias o que faz com que as uvas  tenham um amadurecimento mais lento, permitindo com que os taninos e os aromas se fixem com mais vagar.

As principais uvas são as tintas:

ALFROCHEIRO: Minha preferida, pode-se dizer que nativa do Dão, casta de bagos pequenos e cor preta, libera bastante cor aos vinhos e contribui com volume de produção, estrutura e vigor, aromas de frutos vermelhos e apta ao envelhecimento com saúde  aos vinhos do Dão.

TINTA RORIZ: Chamada no sul de Portugal de Aragonez. Traz aos vinhos graduação alcoólica e mais aromas de fruta madura.

JAEN: Chamada nano noroeste da  Espanha de Mencia de onde veio. Agrega álcool, cor e aromas aos vinhos do Dão. Em casos especiais é vinifica sozinha por alguns produtores.

TOURINGA NACIONAL: Esta parece estar espalhada por todo o país. É seguramente a casta mestre dos vinhos tintos do Dão. Vinhos de cor escura, aromas muito marcantes de frutos vermelhos. Bastante tânica produz vinhos com vocação para a garrafa e, quando domados, vinhos sedosos, firmes e com bastante volume na boca.

Já as brancas temos:

ENCRUZADO: Fantástica, manhosa, muito sujeita as pragas da umidade como fungos. Mas quando bem tratada e cuidada elaboram-se vinhos delicados, aromáticos, acidez firme, aromas de nozes e frutos secos. UM VINHO A SER SEMPRE APRECIADO.

BICAL: Também presente na vizinha Bairrada, vinhos elegantes, aromáticos e com acidez média baixa. Sua cor citrina já nos leva aos aromas de fruta.

RABO-DE-OVELHA: Traz aos vinhos do Dão o volume necessário para que se possa aumentar a produção sem perder qualidade.





MAPA DO VINHO – PARTE V – PORTUGAL – DOURO E TRÁS OS MONTES

28 01 2012

Um detalhe antes de falar do mítico Douro e de Trás os Montes.

O Douro para o vinho é a Broadway para o teatro, Monaco para a Fórmula 1, Maracanã para o futebol. O rio Douro é abençoado para produzir vinhos de qualidade. Desde os romanos serve de palco para vinhedos.Na Espanha, o Duero, produz pérolas como o Vega Sicilia, em Portugal, há mais de quatro séculos serve de base para os famosos vinhos do Porto. Mas nem só de fortificados vive a região, os traquilos vinhos do Douro são exclentes.

A região é de solo pobre, com as vinhas plantadas nas ladeiras do vale do Douro, muitas vezes suas raízes descem mais de 10 metros  para buscar  a sua sobrevivência.

O clima é duro. Invernos rigorosos e verões que facilmente chegam  a 40 graus, fazem com que a vinha sofra bastante. E há um ditado que diz que vinho bom é vinho é de videira que sofreu.

A foto mostra com clareza o sistema de socalcos, terraços onde estão estruturadas as videiras.

As tradicionais uvas que compõem os vinhos da região são: Touringa Nacional, Tinta Roriz, Tinta Cão, Tinta Barroca.

A Touringa Nacional é a mais nobre da região, hoje pode-se considerar a casta nacional, eis que está espalhada por todo o território português. De baixo rendimento, mas rica em aromas e taninos.

A Tinta Franca é casta de corte, possui bons aromas e produção média a elevada, enfrentando bem a variação de temperatura.

A Tinta Cão, tem menos aromas e taninos que as outras duas, mas é bastante vigorosa, fornecendo estrutura e volume aos vinho.

A Tinta Barroca, casta menos resistente às variações de temperatura, muito aromática, fornece ao Porto delicadeza e charme.

Tinta Roriz, é uma casta de alta qualidade e produtividade que se dá em solos ricos e temperaturas médias. O vinho resultante é de menor intensidade corante e o aroma é forte e complexo. Os seus taninos dão ao vinho uma certa adstringência, força e agressividade.

O vinho do Porto, como qualquer outro vinho generoso (fortificado) é o vinho que recebe aguardente vínica logo no início do processo de fermentação, aumentando o grau alcoólico e mantendo alto índice de açúcar natural. O Porto pode ser, a grosso modo classificado assim:

Porto Vintage: É o vinho de uma só colheita, produzido num ano extraordinário, engarrafado cedo, e dentro de dois ou três anos da colheita, comercializado como tal, desde que aprovado por órgão competente. Lembrando que no seu processo de maturação é utilizado o mínimo contato com o oxigênio, resultando em vinhos mais encorpados e com excepcional capacidade de envelhecimento, algo em torno de 100 anos.

Além de eles serem secos, meio-secos ou doces, os vinhos do Porto podem assim classificados.

Tawny: São os vinhos do Porto envellhecidos em condições oxidativas, portanto pelo contato com o oxigênio, cores mais alouradas, aromas de uva passa, cacau, frutos secos e especiarias, baunilha e canela. Para promover este tipo de envelhecimento, as casas de vinho do Porto recorrem ao uso da madeira, que permite que se dêm trocas gasosas. Estas vasilhas de madeira têm ao longo da maturação um papel importantíssimo no fornecimento de oxigénio aos vinhos do Porto. O contato com o ar e a quantiddade determinam, fortemente a qaulidade, a cor e os aromas que ganhará o vinho.

O Ruby: Pelo seu maior contato com a madeira tem cor vermelha profunda, aromas frescos a frutos vermelhos e taninos mais evidentes, vale dizer que armazenados em menor quantidade que o anterior em condições oxidativas menores, resultando num vinho mais onde os aromas e taninos são mais evidentes fornecendo ao vinhos mais complexidade.

Porto branco:  Feito com castas brancas e específicas para este tipo de vinho e envelhece em grandes tonéis de carvalho (20 mil ou mais litros). Tipicamente vinhos do Porto brancos são vinhos jovens e frutados, além de serem classificados pelos seus índices de açúcar, tal qualo espumante , não se esquecendo que até o seco,pelo seu processo de vinificação tem índices de açúcar bem mais elevados que os brancos tranquilos.

Também esta fantástica região produz vinhos tranquilos, isto é, feitos pelo processo normal de vinificação, onde resultam  vinhos únicos, seja pela leveza e elegância com seu caráter frutado, nos tintos uma comparação inegável, nos melhores exemplares com Bordeuax e nos brancos uma tipicidade única.

Já Trás os Montes, região montanhosa acima do douro também produz vinhos de qualidade. Muito mais raros de se encontrar no Brasil.

As brancas são Malvasia Fina e a Síria. Nas tintas, as Touringa Franca e Nacional e a Trincadeira.

Gosto muito do Valle Pradinhos desta região.





MAPA DO VINHO – PARTE IV – PORTUGAL – VINHOS VERDES

26 01 2012

Impossível resumir num post todas as regiões e suas características. Em Portugal há uma ou duas centenas de castas nativas catalogadas e em plena vinificação. Um verdadeiro paraíso para os ampelógrafos.

Assim vamos dividir em vários posts o pequeno conhecimento que tenho dos vinhos portugueses, suas uvas e onde se encontram.

Ao norte, onde tudo começou em Portugal, na fronteira com a Galícia (Espanha) está a região dos vinhos verdes.

Na região do Minho iniciou a história de Portugal.  A foto mostra o largo da igreja Matriz da cidade medieval de Melgaço e suas muralhas. Não é por menos que um dos melhores vinhos verdes chama-se Muros Antigos.

De certa forma antecipando o post sobre a região do Minho andei escrevendo sobre os verdes, vejam http://wp.me/pPKW2-8f

Complemento, apenas, para dizer que esta região situa-se no extremo norte de Portugal, tendo o rio Minho, como fronteira natural com a Espanha.

O vinho é chamado de verde não porque sejam os vinhos de uvas verdes ou colhidas imaturas.  Existe o vinho verde de uvas tintas.

O vinho é verde pois vem da região verde de Portugal, assim chamada pelos índices de chuva o ano todo, a vegetação por lá é constante. Me falem os amigos portugueses se estou certo ou não desta versão.

O Vinho verde tem por característica um baixo teor alcoólico, algo em torno de 8 a 10 GL, acidez marcante, alguns com a “agulha” devida a acidez, e por vezes o aparecimento de CO2.

Na minha opinião os vinhos verdes carregam um estigma, o de serem vinhos baratos. Esta característica se deve ao fato de ser produzido em pequenas propriedades, muitas vezes com várias uvas misturadas, resultando no que chamam de vinho verde de lote, ou seja, as vezes até mais de 10 tipos de uvas diferentes, pois bem este vinho são vendidos aqui por volta de R$20,00 e atrapalham os grandes verdes que são os varietais, das castas mais elegantes, como se vê abaixo.

Importante ressaltar que os melhores e mais caros vinhos verdes provêm das seguintes castas:

Loureiro: Vinhos aromáticos, lembrarm frutos de polpa branca, como mçã e pera, acidez média – alta, na boca amcio refescante e de final prolongado.

Alvarinho: Vinhos mais famosos, acidez alta e marcante, nariz cítrico, boca mineral e de gosto prolongado. Como a acidez é alta são, tgambém, vinhos de guarda, podendo aguentar, pelo menos 8 a 10 anos.

Trajadura: Menos aromático que os outros dois, acidez mediana, serve de fiel escudeiro da Alvarinho para, inclusive, acalmar a acidez desta última.

Avesso: Com características parecidas com a Alvarinho, mas geralmente vendido como espumante. E, po sinal, dos bons, pena que por aqui é raro encontrá-los.

Infelizmente têm o estigma de serem vinhos baratos, sendo assim, os mais bem elaborados, geralmente varietais, isto é de uma só uva, melhores e mais caros são burramente postos de lado pelo consumido, principalmente os brasileiros.

Joias da coroa como este Palácio das Brejoeiras são vinhos a serem apreciados de joelhos agradecendo ao Divino este momento tão importante.

Feito com a rainha das uvas do Minho, a Alvarinho, este vinho envelhece com muita saúde. As matizes de acidez marcante, uma agulha na língua dão lugar a uma elegância singular. Redondo e volumoso é um vinho inesquecivel.

Há outros, claro, mas este eu gosto muito.

Interessante destacar a produção de espumantes baseados nas castas da região. De produção liliputiana eles são maravilhosos.

Vejam o lindo vídeo.





O MAPA DO VINHO – PARTE III – ÁFRICA DO SUL

24 01 2012

 

Em termos de África do Sul tudo gira em torno da Cidade do Cabo. As principais e mais antigas áreas de vinho são Constantia, a primeira, depois Stellenbosch, mais perto do Oceano Índico e depois, ao fundo Paarl. Todas nos paralelos 29 a 31.

No subúrbio da Cidade do Cabo, em Constantia, começa a rica história dos vinhedos da África do Sul. Antiga fazenda onde foram plantadas as primeiras vinhas. O nome deve-se a filha do proprietário. E também nome de um vinho branco doce muito conhecido na região.

Os primeiros vinhedos plantados abaixo da linha do Equador certamente o foram em Constantia.

As primeiras vinhas produziam um vinho branco doce muito apreciado na Europa. Hoje os vinhedos, como em todo o mundo, vem sofrendo drásticas mudanças com a modernização e nas técnicas de produção. Assim aos poucos a região vem se destacando na produção de bons vinhos.

Sua região é privilegiada, a famosa Table-Mountain protege os vinhedos do frio vento que sopra do oceano Atlântico na primavera e refresca os vinhedos nas noites de verão. Hoje é terra de bons brancos, secos e refrescantes, como os produzidos pela Sauvignon Blanc e Chardonnay.

Os tintos são novidade por aqui. Os vinhedos tem menos de 10 anos e entraram justamente após a queda do Apartheid quando o país renasceu para o mundo. Iniciou nova fase de exportações e os produtores começaram a encontrar o melhor terroir, em Constantia para os tintos. São produzidos aqui, especialmente a Cabernet Sauvignon, Merlot e a Cabernet Franc.

Depois Stellbosch a 50 Km da da Cidade do Cabo e situada numa região montanhosa e protegida dos fortes ventos que sopram oceano Índico, principalmente no inverno.

Com vinhedos plantados em várias alturas, de 20 a 300 metros de altura e nas encostas das montanhas que em alguns casos chegam a mais de 1000 metros de altura,  bem como os vinhedos mais próximos do oceano, certamente a caracterizam  uma região cheia de micro-climas produzindo, mesmo com as mesmas uvas e vinícolas muito perto uma das outras vinhos completamente diferentes.

O clima mediterrâneo determina invernos fortes e verões quentes e secos com temperaturas que beiram os 40 graus ou muitas vezes chuvosos.

Já dito neste blog que a altura exerce uma influência decisiva na característica dos vinhos. As uvas no seu período final de maturação, isto é nos últimos 20 dias, dependendo da casta não pode sofrer calor excessivo sob pena de comprometer toda a safra. Quanto mais lento for este período final de maturação mais aromas, açúcar e taninos tem a uva. Desta maneira, dependendo da uva é determinante a altura em que estão os vinhedos .

O destaque fica para a Cabernet Sauvignon, a Pinotage e a Merlot. Nas brancas a Chardonnay e a Chenin Blanc.

Mas, sem dúvida alguma os diversos micro-climas em face das diferentes alturas dos vinhedos é que dão o charme todo especial para os vinhos aqui produzidos.

Por fim Paarl  mais ao norte de Stellenbosch está cercado de uma cadeia de altas montanhas e seus vinhedos estão no centro deste vale, como o da foto ou nas encostas das montanhas para ganhar, na altura, condições mais favoráveis a algumas castas tintas e maioria das brancas, principalmente a Chenin Blanc.

Situado a 60 Km a leste da Cidade do Cabo este vale está bem protegido dos ventos gelados do oceano Atlântico e da Antártida. Até pouco anos atrás plantava-se basicamente castas brancas, como a Chardonnay, Chenin Blanc e mais recentemente a Sauvignon Blanc, principalmente nas subidas das montanhas onde no verão aproveitando os ventos frios que refrescam os vinhedos retardando a maturação das uvas e garantindo, assim, a acidez necessária para a produção de um branco de qualidade.

Além da Chenin Blanc, um caso a parte que será visto junto com a Pinotage no próximo post, hoje vem se destacando a Sauvignon Blanc, esta última mantendo o caráter mineral, com aromas herbáceos assim os produzidos na sua terra natal, vale do Loire , França. Mais uma vez a África do Sul surpreende, pensa-se como vinho de novo mundo, sendo assim, imagina-se que os Sauvignon Blanc aí produzidos seriam ao estilo argentino e chileno, marcadamente lima-limão com um acidez mais acentuada, sem muito do caráter mineral o mesmo que dá o charme para a Sauvignon Blanc francesa.

Importante destacar, também, o espaço cada vez maior de área plantada com a Syrah, principalmente na área central do vale onde e mais quente nos meses de primavera e verão. Lembrem-se que a Syrah originária do Rhône norte adora, na reta final de maturação muito sol e calor sem prescindir dos frios ventos noturnos que refrescam os vinhedos no verão.

Realmente é de se destacar a melhoria acentuada que esta casta vem tendo na África do Sul, principalmente os produzidos no Vale de Paarl.

Portanto se estiverem a frente de um Sauvignon Blanc um Chenin Blanc ou um Syrah desta região não hesitem.





O MAPA DO VINHO – PARTE II – NOVA ZELÂNDIA

21 01 2012

O mapa é auto explicativo, inclusive destacando quais as uvas de cada região do país.

Penso que algumas palavras devo dizer sobre os vinhos da Nova Zelândia.

São os vinhedos mais austrais que se tem notícia, principalmente as regiões da ilha sul.

Em termos de beleza talvez sejam os mais lindos.

Só na Nova Zelândia se pode tomar banho de mar com as altas montanhas nevadas ao fundo.

A grande uva que colocou este país no mapa dos principais produtores e exportadores foi a Sauvignon Blanc que se adaptou com perfeição produzindo vinhos extremamente deliciosos e únicos.

Na ilha norte concentram-se as uvas francesas que compõem o famoso corte bordalês, a Cabernet Franc, a Sauvignon e a Merlot.

São também os primeiros vinhedos do país.

Sem deixar de falar na Chardonnay. Região mais quente e ensolarada, menos sujeita às intempéries como ventos fortes e frios fora de época.

A meu ver o grande destaque fica por conta da Chardonnay de Hawkes Bay.

Na ilha sul estão concentradas as principais regiões. No norte da ilha sul a Sauvignon Blanc encontrou terreno fértil e vem produzindo um vinho de exceção. São Sauvignon Blanc extremamente aromáticos lembrando a maracujá e laranja. Na boca acidez firme e marcante com final de gole longo e muito refrescante.

O epicentro, sem dúvida alguma, é Marlborough. Suas baías e reentrâncias com clima frio e ensolarado no verão certamente são divinos e únicos.

Não tenha medo. Ao encontrar um vinho da Nova Zelândia com a uva Sauvignon Blanc de com o destaque de Marlborough no rótulo, compre-o ele é um vinho diferenciado.

Canterbury, mais ao sul da ilha ainda mantém condições para bons Sauvignon Blanc, mas a Pinot Noir, na minha opinião, outra grande uva da Nova Zelândia, começa a aparecer com força.

Também temos Riesling de grande qualidade.

Pegasus Bay é uma grande indicação de qualidade.

E a nossa manhosa Pinot Noir mostra toda a sua força e  elegância em Central Otago, ao sul da ilha sul.

Vinhedos protegidos dos fortes e frios ventos, por montanhas esplêndidas,, além de serem um dos mais belos vinhedos que conheço, fornecem as condições ideais para o desenvolvimento da Pinot Noir. Noites frias e dias ensolarados no verão nos trazem condições ideais.

De fato os vinhos com a Pinot Noir de Central Otago são de tirar o fôlego.

Vejam o vídeo sobre a Sauvignon Blanc em Marlborough





O MAPA DO VINHO – PARTE I

21 01 2012

 

Penso que se quiserem entender a sério o vinho, algumas etapas têm que ser vencidas.

Primeiro memorizar os vinhos que apreciou, não consegue? Anote em algum lugar, no começo parece fácil lembrar, mas depois de vários e de lugares variados com uvas totalmente diferentes começa a complicar.

Segundo não tenha preconceito com nenhum tipo de vinho, seja ele de que estilo, país ou uva for.

Terceiro lembre-se de que não tem vinho ruim ou bom, tem o estragado ou não, de resto é prazer, pode ser que o vinho não te agrade, mas não se pode dizer com aquela força que alguns dizem, ESTE VINHO É RUIM.

Quarto, mapas e mais mapas.

Não existe a possibilidade de estudar e entender o mundo do vinho sem mapas. A uva é um vegetal e como tal gosta deste ou daquele lugar. Metro no mundo do vinho faz uma diferença enorme.

Falar de vinhos também é falar da enorme quantidade de uvas existentes, desde as mais conhecidas, tidas como internacionais até as locais, chamadas de indígenas, algumas delas nunca saíram de seu local de nascimento e, nem por isto, deixam de produzir grandes vinhos.

Nós enófilos ou apreciadores é que devemos procurá-la e quando a encontramos devemos entender como é o vinho que produzem e como está inserido na cultura do local em que foi produzido.

Os apreciadores de vinhos dos países produtores, as vezes, têm enormes dificuldades em sair de seu mundo e provar outros vinhos, mas em época de globalização é fato que deve ser mudado.

Da mesma maneira, no lado de baixo do Equador, apreciadores de vinho que estão acostumados aos vinhos chilenos e argentinos, e sobres estes vinhos alguns são mestres, mas pouco sabem quando dali saem.

Problema a vista quando viajam, principalmente para a Europa, ali novos estilos de vinhos com uvas totalmente diferentes podem causar desconforto na hora de escolhê-los ou apreciá-los.

Pensando em ajudar vou iniciar uma série sobre o mapa do vinho, aonde além de mostrar as regiões  quero mostrar as uvas e seus estilos de vinhos.





VINHOS FRANCESES – UM PRECONCEITO A SER QUEBRADO

20 01 2012

Nos encontros da confraria do Alemdovinho iniciamos uma série sobre a França, justamente para quebrar este preconceito de que o vinho francês ou é muito bom e muito caro ou muito ruim e barato.

Todo o preconceito é perigoso. Devemos ser como crianças no parque, brincam com todas, não importa cor, raça, posição social ou deficiência física, sempre acomodam todos na brincadeira.

Com o vinho é igual. Claro que a França, como qualquer outro país no mundo produz vinhos sofríveis, sejam eles caros ou baratos. Claro que na França há bons e maus produtores, honestos e desonestos, não teria motivo algum para que lá fosse diferente.

Sei também que os vinhos franceses, seja por razão cultural, vejam a quantidade de nomes metidos a chiques que têm origem francesa. Falam e nomeiam lugares e batizam o que quer que seja com nomes franceses. dá status. Mas também complica a vida de quem trabalha sério e quer trazer, para ficar naquilo que gosto, vinhos.

Aqui sempre são lembrados, de maneira errada, que os vinhos franceses são vinhos de quem tem muito dinheiro ou entende demais de vinho. Pura bobagem. Não se pode imaginar que o país todo só bebe vinhos caríssimos, até para os franceses, algo em torno de 30 euros não é qualquer um que pode pagar. Também não se pode imaginar que lá só se anda com as melhores roupas, se bebe somente o melhor ou se vai a restaurantes caríssimos.

NÃO, NÃO MIL VEZES NÃO. São pessoas normais que bebem vinhos cotidianos e vão a botecos comer o que há de bom e barato.  Daí se produzem, lá, vinhos bons e baratos, vinhos de regiões conhecidas, as vezes menos conhecidas,  por puro preconceito nosso.  Preconceito e preguiça, preconceito já explicado, preguiça porque ficamos somente nos vinhos andinos, bons e baratos.

Mas não se esqueçam há pessoas sérias, trazendo vinhos sérios, de regiões sérias, com preços sérios, para pessoas interessadas em comprar vinhos sem preconceito.

Por último sei, também, que vinho é prazer, portanto a frase vinho bom é o vinho que gosto. Concordo. MAS NOSSO HORIZONTE DE PRAZER PODE SER AUMENTADO, basta deixar  de lado preconceitos bobos e ir à luta,  lendo sobre vinhos, suas regiões, uvas, vinificações, etc. Mas somente comprando, errando e acertando que vamos formar nossa opinião sobre os vinhos, principalmente os franceses.

Ah, existem casas especializadas em vinhos franceses Brasil afora. A  Cave jado www.cavejado.com.br (antes que alguém pense ser um post comercial, sequer visitei a Cavejado, a conheço virtualmente) há grandes importadores, como Mistral, Grand Cru, Expand e outras que trazem vinhos franceses para todos os gostos e bolsos.

Portanto, abaixo o preconceito e a preguiça, caso contrários a vida passa e perdemos grandes oportunidades de aproveitá-la.

Fiquem sem arrependimento com a Edith Piaf





ITÁLIA – TOSCANA LITORAL – A REVOLUÇÃO

19 01 2012

Bolgheri, Maremma, IGT, Super Toscano, hoje são palavras e nomes mais familiares, mas a uma década atrás, não eram. A revolução foi tal que Bolgheri e Maremma no litoral da Toscana passaram de vilas pobres e esquecidas a elite mundial de vinhos.

Graças aos vinhedos de Merlot, Syrah, Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc, sim castas   “francesi” em plena Itália.

Para mim falar sobre vinho é falar com paixão e alma. Não consigo entender o vinho como algo fechado em si, reduzido a pontuações deste ou daquele formador de opinião.

Mas serei sincero. Sabia da existência dos Supertoscanos mas o interesse em conhecê-los a fundo era distante. Mas depois que me tornei um leitor do Nossovinho, e seguidamente ler as palavras e juras de amor que o Paulo, postou meu interesse foi aumentanto. Quando ele escreve sobre os Toscanos derrama amor nas palavras. São vinhos tratados como amigos inseparáveis. Pensei que mundo estaria perdendo?  Um mundo de elegância, charme, presença e sedução.

Mas e a revolução? Bem ela começa com a plantação das videiras de Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc e Merlot, castas sabidamente bordalesas e francesas. Algo que os italianos puristas jamais pensariam. Como plantar castas francesas em solo italiano? Nem pensar.

Aí para fugir das rígidas regras aplicadas à região da Toscana, mais precisamente ao seu vinho mais famoso, o Chianti, visionários, iniciaram o plantio das uvas bordalesas. No início esta ideia era vista com total desconfiança. Primeiro porque eram castas estrangeiras, depois porque plantadas numa região muito perto do mar e, por fim, para produzir vinhos que não eram a vocação da Toscana.

Passado o tempo e hoje temos alguns dos ícones mundiais do vinho. Nomes como Sassicaia, da Tenuta (Fazenda) San Guido, Tignanello e Ornelaia, hoje são vinhos reconhecidos mundialmente.

Impressionante como o solo e clima influenciam no vinho. A uva como qualquer outro vegetal para desenvolver-se com plenitude precisa estar adaptada. Experimentem trocar uma samambaia de lugar. As vezes a outra parede do mesmo ambiente pode matá-la.

Para nossa sorte e prazer estas castas bordalesas estão perfeitamente adaptadas ao litoral da Toscana.

Mas as dificuldades continuavam. Como classificar o vinho produzido com castas estrangeiras? De início colocavam no rótulo, vinho de mesa, apenas. Mas como vender este vinho, com esta classificação no exterior? Muito difícil. Vinho de mesa é a classificação mais ordinária que um vinho possa ter na Europa. A solução foi colocar no rótulo IGT. Indicazione Geografica Tipica, algo como a dizer que não é um vinho de mesa, mas não pode receber as honrarias por ter na sua composição castas estrangeiras. Por fim hoje são chamados de Supertoscanos. Realmente uma classificação bem melhor que o vinho de mesa.

O que dizer destes vinhos? Alguns são caríssimos outros nem tanto, mas todos são excelentes. Posso dizer que até hoje não encontrei um vinho desta região que não fosse cuidadosamente elaborado.

São vinhos elegantes, sedutores e mágicos. Eu não me apaixonei na primeira vista. Mas aos poucos foram me seduzindo aos poucos a tal ponto que não posso mais ficar sem eles. Hoje, felizmente, há vinhos desta região que são vendidos a preços mais acessíveis. Eu gosto muito do Brancaia e do Mediterra (Poggio al Tesoro) ou algo como poço do tesouro.

Procurem que encontrão opções desta região que caibam no seu bolso.








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