AS DIFERENÇAS ENTRE O VALE DO RHONE – PARTE I

27 11 2011

Falar de vinhos sem trabalhar com mapas é tarefa impossível. Segue o mapa do vale do Rhone. A região pode ser dividida em duas, tanto pela qualidade/quantidade de seus vinhos, como pela geografia.

O rio Rhone foi e é um dos mais importantes rios da França. Sua foz foi porta de entrada para a França e Europa de produtos vindos do oriente.  A hoje região de Avignon já foi importante porto  no tempo da roma antiga na época do Mare Nostrum (Nosso Mar). Especiarias subiam o Rhone e eram vendidas no centro da Europa. Não é de nada que Lyon é tida como uma das cidades chave para a gastronomia mundia, até hoje.

A região é farta em culinária baseada nestes temperos. Feiras como esta em Orange são comuns e especiais.

 

Mais ao norte o vale se estreita, a geografia e o clima mudam. Trocam as uvas, saem as que gostam de climas mediterrâneos, como a Cinsault, Grenache, Mouvèdre, Carignan e entram as que gostam de climas continentais, como a Syrah, Viognier, Rousanne e Marsanne.

Ao sul o rio se espraia, as regiões demarcadas se multiplicam e com elas a quantidade de vinhos aumenta e diminui a qualidade. Há honrosas e maravilhosas exceções, como o Chateauneuf du Pape, onde a Grenache e mais 8 uvas compõe aquele vinho que é considerado o melhor vinho da região. De lembrar, também, Tavel, única região demarcada na França para produzir somente roses, o que não é pouca coisa.

Mas o aviso deste post é para que se tenha em mente que a menção Rhone no rótulo não garante vinhos de excepcional qualidade como os famosos Syrah do norte do vale.

Ao norte que dá as cartas é a Syrah, na tintas e a Viognier, nas brancas.

A Syrah, dizem uns, casta vinda do oriente (olha o Mare Nostrum) onde no Irã tem nome de cidade, na mochila de algum Cavaleiro Templário. Lembram, estes Cavaleiros, em nome da Igreja Católica, se meteram em mil brigas e escaramuças com os muçulmanos no oriente.

Dizem que este Cavaleiro, ao fim de sua vida exilou-se no Rhone norte, local hoje chamado de Hermitage (algo como eremita em francês) e lá plantou as primeiras mudas da Syrah. No local onde viveu está hoje uma capela, a famosa capela do eremita. Vejam a foto.

A grande uva branca da região é a Viognier que disputa com a Syrah as encostas de Côte-Rotie. Hoje espalhada pelo mundo, a Viognier, só  alcança seu esplendor em seu berço, em seu rincão, na sua vila ou aldeia. Sei que a Austrália e EUA vêm trabalhando muito bem esta casta. Mas quem provou um Viognier de lá não esquece tão cedo.

No post seguinte vamos falar com mais vagar sobre os dois vales do Rhone.

 


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