A grande prova de que não concordo com a classificação de vinhos: VELHO MUNDO E NOVO MUNDO, referindo-se aos vinhos europeus e do resto do mundo, basicamente, é a África do Sul. Ali se plantam vinhos de qualidade desde os anos de a chegada dos Huguenotes. Protestantes perseguidos pelo rei Luis XIV chegaram na África do Sul por volta de 1680. E desde lá já plantavam a Chenin Blanc, aí pergunta-se, pode-se chamar de novo mundo estes vinhedos?
Mas para se conhecer os vinhedos da África do Sul deve-se pegar esta estrada e chegar na Cidade do Cabo. Ali ficam os melhores vinhedos da região, Paarl, Constantia e Stellenbosch.
Mas quem é a Chenin Blanc?
A Chenin Blanc é uma casta originária da região central do vale do Loire introduzida na África do Sul no século 16 juntos com as primeiras mudas vinda da França, lá também conhecida por Steel. Muito plantada na região de Paarl e Constantia, como é muito vigorosa durante anos deu origem a vinhos populares sem maiores qualidades. Nos últimos 15 anos vem sendo trabalhada de uma maneira mais correta, diminuindo a sua área plantada e melhorando e muito a qualidade dos vinhos.
A Chenin tem por característica a sua versatilidade, produz desde vinhos com baixa acidez a té vinhos com acidez média alta e ligeiramente encorpados. Serve de vinho base para o espumante sul-africano elaborado pelo método Cap-Classique. Pode originar vinhos de colheita tardia ou até mesmo afetados pela podridão nobre, a Botrytis Cinerea.
Portanto a casta é uma das mais versáteis do mundo.
Aqui na África do Sul, hoje, seguramente, se faz Chenin Blanc capazes de rivalizar com os produzidos na França.
Um bom Chenin sul-africano de região mais fria como locais altos e Stellenbosch e Paarl, tem um tom mineral, com aromas levemente cítricos, algo como frutos de polpa branca, maçã e pera. Já os de regiões mais quentes tem aromas de abacaxi e frutas tropicais.
SEGREDO SE ALGUÉM ENCONTRAR UM CHENIN BLANC DE UM BOM IMPORTADOR COMPREM SEM MEDO.
Já a Pinotage, casta tinta é um cruzamento da Pinot Noir com a Cinsault, conhecida em alguns lugares como Hermitage. A Pinot Noir, casta da Borgonha, muita conhecida no mundo alcança seu esplendor na Côte D’Or, Borgonha, França tendo os vinhos Romanée Conti e La Tâche como seu ápice. Já a Cinsault é uma das rainhas do Mediterrâneo e responsável por grandes vinhos, seja em varietal, principalmente nos roses, como os de Tavel, única região demarcada na França autorizada a produzir roses, bem como nos cortes, geralmente com a Grenache.
Pois bem, os Pinotage, casta típica da África do Sul, produzem os mais variados vinhos, talvez daí a dificuldade que se tem de defini-lo. Como disse, a África do Sul é um país que possui muitos micro-climas somado aos mais variados estilos de vinificação, uns com mais madeira outros menos uns colhendo as uvas mais tardiamente outros não, certamente há vários estilos de Pinotage.
Mas em geral é um vinho de cor vermelho escura, aromas de frutos vermelhos e frutas secas. Em termos madeira alguns são mais acentuados com aromas de fumados e café, este último aroma vem do carvalho, se primeiro uso ou não. Interessante destacar que não é a casta mais plantada por lá, perde e de longe para a Chenin Blanc e para a Cabernet Sauvignon.
Eu prefiro um vinho da casta Chenin Blanc porque são mais regulares. Já bebi Pinotage maravilhoso bem como alguns sofríveis.



COMENTARIOS RECENTES