CONDRIEU E SUA RAINHA A BRANCA VIOGNIER

31 10 2010

Condrieu, vizinha a Cote Rotie, mesmo clima continental, mesma disposição das vinhas, como a da foto, descendo geometricamente as paredes do vale do Rhône, sempre voltadas para leste.

Tem sua produção baseada na casta branca Viognier, até pouco tempo atrás bastante desconhecida.

Parece que de uma hora para outra descobriram esta senhora. Não que seja ruim, muito pelo contrário, mas é que ela, infelizmente, torna-se exuberante apenas em sua terra natal, nas barrancas de Condrieu.  Aqui a ÚNICA E  FANTÁSTICA  Viognier desenvolve todo o seu esplendor.

Suas características são singulares, amanteigada, untuosa, floral e perfumada, para mim, no quesito aroma,  só tem duas sérias concorrentes,  as alsacianas  Gewürztraminer e a Pinot Gris.

Esta untuosidade deve-se aos bons índices de álcool e a baixa acidez.  Plantados em poucos hectares torna-se um vinho caro, até mesmo para os padrões locais. Um bom Viognier paga-se, no Brasil, algo em torno de R$ 180 a 250,00 reais, mas vale cada gota desta garrafa.

Como disse, na Argentina e  no Chile tornou-se a uva branca do momento, mas os que apreciei  de modo algum raspam na qualidade da Viognier do Rhône.

Eu quando experimentei estranhei sua baixa acidez, mas depois acostuma, além de ser excelente companheira para muitos pratos condimentados. Típicos da alta gastronomia de Lyon, como dito bem pertinho dali.

Por último Château Grillet  seria uma espécie de região demarcada dentro da região demarcada de Condrieu. Dali, em apenas 3,5 hectares sai o melhor Viognier que este planeta pode produzir. Rico, charmoso, untuoso e com a especial característica de ser seco e levemente adocicado ao mesmo tempo. Aromas que lembrar pêssego maduro e damasco. Seu preço, lá por volta de 150 euros já diz da sua excelência.

Vamos com este vídeo belíssimo sobre o Rhône vinhateiro.





COTE ROTIE BERÇO DA SYRAH

31 10 2010

Falar do Rhône é falar da Syrah. Casta muito adaptável produz bons vinhos mundo afora. Mas em Cote Rotie, nas encosta do rio Rhône com clima continental com invernos e verões fortes e bem demarcados produz o melhor vinho que esta casta pode produzir.

Sei dos australianos e chilenos desta casta. Mas nada se compara a um ótimo exemplar de Cote Rotie.

Os vinhedos são plantados em sistemas de plataforma, ver foto acima, ao longo do vale do Rhône, voltados para o leste recebendo do sol toda a sua contribuição.

O solo avermelhado contribui para o nome da região, Costa Assada, se estiver errado os meus amigos gauleses que me corrijam.

Mas o que interessa é o vinho que dali sai. Um tinto extremamente robusto para os padrões europeus, mas um robusto natural nada de sangrias desatadas dos vinhos andinos, cor vermelho escuro, quase negra, nariz muita fruta seca e especiarias, principalmente pimenta, pimentão e em alguns casos dependendo da madeira utilizada couro. Na boca um vinho gordo, volumoso, taninos marcantes, nos mais jovens até mesmo um pouco adstringentes demais, nada que o tempo de garrafa não resolva. Final de gole prolongado.

É o tipo do vinho que devemos bebê-lo bem devagar para que abra bastante. A oxigenação lhe fará um bem enorme. Vá aos poucos entendendo e apreciando tudo o que este jóia engarrafada pode trazer-lhe.

Em termos de gastronomia, Lyon, muito perto de Cote Rotie, por estar as margens do rio Rhône, no passado porta de entrada dos produtos vindos do oriente a caminho do centro europeu, certamente foi influenciada por estas novidades. Uns até entusiasticamente a consideram a capital mundial da gastronomia.

Possui, hoje, uma rica culinária que serve de excelente parceria para este vinho, um tanto difícil de combinar, eis que pela sua natureza é bastante impositivo.

Vejam este restaurante Gare Du Lyon.





VINHOS DA FRANÇA – VIAGEM AO RHÔNE

27 10 2010

Antes de falarmos sobre a viagem alguns avisos são necessários.

Falando de França, alguns preconceitos devem ser vencidos como o paradigma de  que vinho francês ou é muito bom e caro ou é muito ruim e barato.

Com o vinho é igual. Claro que a França, como qualquer outro país no mundo produz vinhos sofríveis, sejam eles caros ou baratos. Claro que na França há bons e maus produtores, honestos e desonestos, não teria motivo algum para que lá fosse diferente.

Sei também que os vinhos franceses, seja por razão cultural, vejam a quantidade de nomes de lojas, prédios e por aí vai metidos a chiques que têm origem francesa. Falam e nomeiam lugares e batizam o que quer que seja com nomes franceses. dá status. Mas também complica a vida de quem trabalha sério e quer trazer, para ficar naquilo que gosto, vinhos sérios.

Aqui sempre são lembrados, de maneira errada, que os vinhos franceses são vinhos de quem tem muito dinheiro ou entende demais de vinho. Pura bobagem. Não se pode imaginar que o país todo só bebe vinhos caríssimos, até para os franceses, algo em torno de 30 euros não é qualquer um que pode pagar. Também não se pode imaginar que lá só se anda com as melhores roupas, se bebe somente o melhor ou se vai a restaurantes caríssimos.

NÃO, NÃO MIL VEZES NÃO. São pessoas normais que bebem vinhos cotidianos e vão a botecos comer o que há de bom e barato.

Portanto, abaixo o preconceito e a preguiça, caso contrários a vida passa e perdemos grandes oportunidades de aproveitá-la.

Dados os avisos vamos a nossa viagem ao Rhône. Falar do Rhône é falar de lugares míticos para o vinho, como Côte Rôtie, Condrieu, Hermitage, Crozes-Hermitage, Cornas, Gigondas, Lirac, Tavel, Côte Ventoux, Orange, entre outros.

É falar em história, na medida em que a subida do rio Rhône serviu de porta de entrada para os produtos e especiarias vindas do oriente, daí cidades gastronômicas como Lyon e Dijon. É falar dos cavaleiros templários.

Ver a história de castas como a Syrah, Viognier, Grenache, Marsanne e Rousanne, enfim não há como conhecer a França vinhateira sem desvendar o Rhône.

Aqui tem muito vinho bom e caro, mas também muito vinho bom e barato.

 





VINHOS DA FRANÇA – SEGREDOS DA REGIÃO DE CHAMPAGNE

24 10 2010

Já visto que o vinho base do espumante vem de regiões mais frias, com verão menos ensolarado e de curta duração. Também de onde se originou o Champagne e seu glamour. Mas o que especificamente a região do Champagne que na verdade é uma Região Administrativa (Estado) francês tem de tão especial, afinal a região alemã do Mosela e os vinhos do Luxemburgo ficam na mesma latitude.

Perto de Paris algo como 150 quilômetros, de carro pouco mais que  duas horas, a abençoada região de Champagne possui clima e solos ideias para o cultivo das castas que darão origem ao vinho base, tradicionalmente, Pinot Meunier, Noir e Chardonnay.

Diferentemente da outros locais o solo aqui é composto de giz.

O solo de giz (calcário)  reflete a luz do dia aumentando, no momentos necessários a quantidade de sol que a uva precisa.

A região é muito chuvosa e os vinhedos estão plantados, em geral no plano, como fazer com o excesso de água? O giz absorve grande parte desta água mantendo a sanidade da videira. As raízes da videira, quando necessário podem descer 8 metros ou mais a procura de alimento. Mas se tivermos excesso de matéria orgânica na superfície ou mesmo ausência de necessidade da raiz descer há um problema, pois elas passam a crescer para os lados impedindo o correto desenvolvimento da planta. E solos muito úmidos são solos ricos em matéria orgânica.

O verão é época de pouca chuva, como fazer para  ”molhar” o solo? O mesmo giz que absorveu a água agora a devolve, lentamente, para a videira. Aí estão as diferneças.

Claro que há micro-climas na região do Champagne, principalmente em razão da altura em que os vinhedos são plantados. Já visto que a altura exerce forte influência no desenvolvimento final da uva. Plantadas mais ao alto o amadurecimento final é mais lento o que gera muita diferença no vinho a ser produzido.

Por fim vêm décadas de experiência na produção deste vinhos, desde a videira até a garrafa o que traz um diferencial muito grande.

Mas cuidado. Vale a mesma lembrança, em termos de tinto, somos muito guiados pelo estilo Parker, vinhos tintos retintos. Então temos a imagem de que os vinhos caros, na Europa, seguem este estilo o que gera decepções. Paguei caro e vem este vinho “aguado”!

No Champagne é semelhante. Temos a noção de Champagne bom é aquele que a taça entra em ebulição de tantas borbulhas. Nem sempre é assim, quando jovem OK mas quanto mais velha for, por óbvio esta explosão de bolhas vai embora, mas em compensação estamos a frente de uma verdadeira jóia engarrafada.

Eu estou pronto para apreciá-las neste charmoso restaurante em Vitri-Le-François, no coração de Champagne-Ardenne





O VINHO QUE SAIU DA ABADIA E HOJE É SINÔNIMO DE ALEGRIA

23 10 2010

Pois é, falar de Champagne e não falar dos Monges é não falar deste vinho. As primeiras vinhas foram plantadas pelos Romanos. Na Idade Média, as pequenas cidades feudais viviam em função dos nobres e da Igreja. Quer queiram quer não, a Igreja, nesta época desenvolveu importante papel na sociedade. As Abadias, do latim Abattia deriva do aramaico Abba (Pai), eram verdadeiros oásis na selva que era a vida fora dos burgos e das áreas controladas pela Igreja.

Igrejas antigas estão espalhadas por toda a região de Champagne.

Nos Mosteiros, Conventos e Abadias a vida seguia em segurança, algo como um condomínio fechado, se assim posso comparar, onde se desenvolvia a gastronomia, a cultura e, claro, o vinho.

Diz a lenda que o Monge Dom Perignon, meio sem querer querendo descobriu o método arcaico do Champenoise, qual seja, a segunda fermentação na garrafa. Mas há controvérsias, Limoux, região ao sul da França, nas encostas dos Midi-Pirineus,  já elaboravam o espumante muito antes de Dom Perigonon.

Bem como dito a ligação entre Igreja e Monarquia era muito próxima, inclusive alguns Reis resolveram, por si, criar Igrejas ou mesmo ser um désposta iluminado, que o diga o Rei Sol, Luis XIV, os Champagnes logo ganharam os salões e se tornou sinônimo de vinho cheio de Glamour

Mas o Champagne é, antes de tudo, um vinho que sofreu uma segunda fermentação na garrafa. Entendendo-se o vinho como uma fermentação da uva no meio do caminho entre o suco e o vinagre.

O vinho base para o Champagne é um vinho bem mais ácido que o normal não se esquecendo que uma das chaves da longevidade do vinho é a  acidez. As regiões frias, com pouca insolação no verão são as ideias para o cultivo do vinho base. No caso do Champagne são usadas duas castas tintas e uma branca, Pinot Noir, Pinot Meunier e a Chardonnay. Após a fermentação normal o vinho vai para a garrafa onde ocorre a segunda fermentação e o surgimento das inefáveis bolinhas. Quando da finalização, a borra que se forma na ponta do gargalo é congelada e retirada, no espaço  se  recoloca o vinho base.

Os aromas do Champagne são muito difíceis de serem detectados o vinho base sendo mais ácido é pouco aromático, além da agulha na ponta do nariz vindo do estouro das bolinhas e do CO2. Uma dica é servir em taças normais de vinho branco, o maior contato do vinho com o oxigêncio libera mais rápidamente o CO2 e ai podemos sentir os aromas do Champagne.

Por último o Champagne Vintage é elaborado em ocasiões especiais quando a safra é da mais alta qualidade e sem cortes, isto é o Champagne é feito com esta safra especial. Normalmente o vinho base é um corte das melhores safras de cada casta.

A charmosa rua acima está em Reims, epicentro da região do Champagne.





CHAMPAGNE, ESPUMANTE, SPARKLING, PROSECCO, MOSCATEL, QUE É O QUE AFINAL!

23 10 2010

 

 

Este post é uma repaginação de um dos primeiros que coloquei neste blog. O motivo falarei sobre a região de Champagne e como a confusão é grande na área dos vinhos com bolinha, vamos lá.

A cena é comum nos supermercados e lojas especializadas. Consumidores e vendedores confusos na hora comprar/indicar um espumante.

Além do gosto pessoal é importante conhecer alguns detalhes que fazem a diferença no final.

Champagne, somente na região demarcada na França, todos os outros são espumantes.

Os mestres do marketing, os americanos, a chamam de sparkling wine, vinho que solta flashes of light.

O vinho base do espumante é mais ácido e menos doce que o normal, pois irá sofrer nova fermentação. Assim normalmente o vinho base provem de regiões mais frias.POR ISTO NEM TODOS OS PAÍSES  QUE PRODUZEM VINHO TEM O ESPUMANTE.

Na Itália, ao nordeste – Vêneto (Prosecco),  Franciacorta, na Lombardia, com os espumantes tradicionais e os Asti, do Piemonte.

Na França, além da demarcada região do Champagne tem a Alsácia, Loire, Borgonha, e, principalmente LIMOUX, vejam http://wp.me/pPKW2-ng ONDE FORAM PRODUZIDAS AS PRIMEIRAS GARRAFAS DE EMPUMANTE, MUITO ANTES DA BADALADA REGIÃO NO ENTORNO DE REIMS.

Portugal, Varosa e  Bairrada. Espanha com as Cavas, da Catalunha. No Brasil, por ter condições ideais a serra gaúcha está inserida no mapa mundial deste tipo de vinho.

Prosecco não é tipo de espumante, mas sim a casta utilizada para fabricá-lo.

Cava é um tipo de espumante produzido somente em  Barcelona, Espanha, com castas locais.

Pode-se produzir o espumante por dois métodos, o Charmat e o Champenoise, levando em conta que o espumante deve, necessariamente, sofrer uma segunda fermentação na garrafa ou em tanques de inox.

O método Charmat consiste na segunda fermentação em tanques de inox com controle de temperatura, assim existe visivel redução de custo, infelizmente, também, de qualidade, prefira, se o bolso permitir, comprar um champenoise.

No sistema Charmat a segunda fermentação ocorre em torno de seis meses, no Champenoise por volta de um a dois anos.

No métoido tradicional ou Champenoise a segunda fermentação ocorre na própria garrafa. Mais caro mas mantém a qualidade do espumante/Champgne  por uma dezena de anos.

Quando produzidas no método champenoise, as garrafas são postas com inclinação de gargalo para baixo e giradas um quarto de volta por dia. Ao final do período necessário, forma-se na ponta acúmulo das leveduras. O gargalo é congelado e as borras são retiradas. O espaço é preenchido com o  licor de expedição para completar a garrafa.

Agora é que os caminhos serão definidos.  O licor de expedição, no caso dos Champenoise ou a pura adição de açúcar nos Charmat,  em quantidades que variam na legislação de cada país.

No Brasil.

DOCE: Igual ou superior a 60 gl de açúcar.

DEMI-SEC MEIO DOCE: De 20 a 60 gl de açúcar.

SEC – SECO: Entre 15 a 20 gl de açúcar.

BRUT: Entre 8 e 15 gl de açúcar.

EXTRA-BRUT: Entre 3 e 8 gl de açúcar.

NATURE: De 0 a 3 gl de açúcar.

Bem agora é só escolher o caminho que quer seguir. Eu gosto dos nature ou extra-brut.

Cuidado que cada país tem a sua legislação em relação à quantidade de açúcar adicionado.

 





VINHOS DO SUDOESTE FRANCÊS – JURANÇON – VINHOS BRANCOS COM GRANDE TIPICIDADE

21 10 2010

Jurançon, nos pés dos Pirineus, vinhedos plantados em altura média de 400 metros nas encostas das montanhas. Aqui quem fala alto é a tipicidade vinda das castas brancas locais como a Lauzet, Grand e Petit e Manseng Courbu.

As vinhas são plantadas de modo a serem protegidas dos frios ventos do oceano Atlântico e sempre viradas para o leste. Invernos fortes e úmidos e verões não tão quentes. Boa insolação ao final da maturação, condição ideal para vinhos brancos.

De Jurançon saem, desdeos tempos romanos excelentes vinhos. São produzidos, tanto vinhos brancos doces estilo late harvest como também brancos secos.

Desde os tempos da monarquia francesa os vinhos da região eram servidos nas cerimônias. Daí a ganhar o mundo da época foi um passo, por isto até hoje são reconhecidos Europa a fora.

Infelizmente a forte influência dos vinhos andinos e a resistência justificada pela falta de conhecimento somado ao paradigma de que vinho francês ou é bom e caro ou é ruim e barato, assim há falta de bons importadores que tragam estes vinhos com regularidade. Conheço a Cave Jado que traz selecionados vinhos do sudoeste francês.

Volto a repetir na França, assim como na maioria dos países europeus o vinho é a bebida oficial do dia-a-dia, então é impossível imaginar que estas pessoas, durante décadas bebam somente bombas engarrafadas. Quem tem medo dos vinhos franceses?http://wp.me/pPKW2-lB





VINHOS DO SUDOESTE DA FRANÇA – MADIRAN – TERRA NATAL DA TANNAT

20 10 2010

Este belo vinhedo fica na vila (comuna) de Madiran. No centro da região Sudoeste. Terra de bons tintos encravada na melhor região produtora de brancos do sudoeste Francês, Pau e Jurançon.

Aqui, reina absoluta a Tannat, sim a mesma que faz estrondoso sucesso no Uruguai. E faz vinhos semelhantes. Enquanto jovens, muito tânicos, ácidos e rústicos. Agora é uma casta vocacionada para envelhecer com saúde. Assim como a Tannat uruguaia os vinhos de Madiran podem e devem esperar algum tempo para aflorarem suas qualidades passando de vinhos rústicos e duros para vinhos aromáticos, gordos, algo fumado, agradáveis de longo retrogosto.

Os tintos aceitam parcelas de corte da Cabernet Sauvignon e da Franc.

O interessante, também, fica por conta da produção de vinhos tintos em terra de brancos. A região de Madiran fica  aos pés dos Pirineu numa altura média de 350 metros, com invernos úmidos e verões amenos, aliás ideais para as uvas brancas.

Por fim a mesma dica que dou para os Tannat do uruguai valem para os de Madiran, paguem um pouco mais, porque





VINHOS DO SUDOESTE DA FRANÇA – CAHORS – BERÇO DA MALBEC

15 10 2010

 

Bem mais longe da região de Bordeuax, já com outro clima e geografia, no Midi-Pirénnés,  Cahors, as margens do rio Lot,  a mais galo-romana cidade do sudoeste francês.

A ponte da foto foi construída no início de 1300, isto mesmo, 200 anos antes do Sr Pedro Álvares Cabral e sua turma aparecerem por aqui.

Os romanos foram os primeiros a plantar uvas nestas paragens. Na idade média seu vinho era conhecido como o tinto de Lot e desde lá produzido com a casta Côt Noir, Auxerrois ou a nossa velha e conhecida Malbec.

Bem a Malbec andina, de semelhante só o nome, pois a francesa é de todo diferente. Seus vinhos são, em função do frio e a umidade de Cahors, são de corpo médio, taninos muito mais marcantes e acidez refrescante. Portanto muito diferentes dos Malbec andinos, principalmente os Argentinos. Estes são bem mais encorpados e com muita doçura da própria uva.

Os vinhos de Cahors aceitam até 30% em corte com a Tannat, Merlot ou a Cabernet Franc. Alguma produção de brancos e roses, mas estes em menor quantidade.

O  estrondoso sucesso da Malbec andina tem despertado o interesse cada vez maior nos vinhos de Cahors.Vamos aproveitar este interesse em divulgar os vinhos de maravilhosa região da França.

Já apreciei ótimos vinhos desta região, mas se falassem que era da Malbec teria estranhado muito.





VINHOS DO SUDOESTE DA FRANÇA – BUZET – JOVENS E REFRESCANTES TINTOS

12 10 2010

Todo sudoeste da França perto dos principais rios, como o Dordogne e o Garonne, está cortado por canais que desde os tempos medievais servem de transporte e escoamento da produção agrícola. Canais charmosos como este da foto, com seu barcos típicos que hoje, ainda servem de transporte e  turismo.

A região de Buzet-Sur-Baïse está localizada a mais ou menos 100 quilômetros a sudeste de Bordeuax, as margens do rio Garonne, cujos primeiros vinhedos foram plantados pelos romanos.

As vinhas aproveitam seu clima é marítimo e recebem forte influência do Atlântico, tanto no inverno quanto no verão. Portanto nada de excessos climáticos e durante todo o ano bons índices de chuva.

Terra de vocação para vinhos tintos estes perfazem mais de 80% de sua produção.  Como não poderia deixar de ser, sua proximidade com Bordeuax influencia fortemente nos seus vinhos, uvas e métodos de produção, menos os preços graças a Deus.

Basicamente são compostos pela trinca de ouro da região, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc e Merlot. Os produtores formaram uma cooperativa e conseguem assim baixar os custos de produção.

O destaque fica para os vinhos que são produzidos após a renovação havida desde os vinhedos até os rótulos. Aproveitando que os consumidores bebem vinhos cada vez mais jovens e frutados a região tem produzido vinhos mais novos frutados e refrescantes,com destaque para a  Merlot.

Portanto menos madeira menos barricas e menos custos de produção.

A produção de brancos, mesmo sendo em menor quantidade não são vinhos de baixa qualidade, muito pelo contrário, climas mais úmidos e frios com menos insolação produzem brancos de elite bastante ácidos e aromáticos, aqui não é diferente.

As castas brancas são as tradicionais da Aquitania, Sauvignon Blanc, Semillon e Muscadelle.

E vale a lembrança, os vinhos desta região já alcançam a excelência dos Bordeuax e custam muito menos, portanto vamos aproveitar antes que o Parker apareça e inflacione os preços.








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