TERRAS DO SADO E SEU MOSCATEL DE SETUBAL

4 07 2010

Terras do Sado, antiga península de Setubal, para mim lembra, imediatamente, o Moscatel de Setubal, um dos meus preferidos vinhos doces, o Quinta da Bacalhoa e seu estupendo Cabernet Sauvignon e o vinho Periquita,o primeiro amor por vinhos portugueses.

Mas não deve ser lembrado só por isto, mas sim por ser uma das regiões vinícolas mais antigas de Portugal, seja por ser litorrânea, seja por ser ao sul do País onde aportaram os Fenícios e outros povos antigos que trouxeram as primeiras vinhas para Portugal.

Situa-se a oeste e sul da capital possui duas regiões bem distintas, a plana que cercia o litoral e a que sobe a serra da Arrábida, com altitudes médias de 100 a 500 metros o que modifica bastante o final da maturação das vinhas.

Os vinhos aqui produzidos são vinhos muito agradáveis, bem portugueses, isto é, com corpo médio, uma certa adstringência e tanicidade, mas são excelentes companheiros para bons pratos a base de carne.

Os tintos são, para mim melhores que os brancos.

Agora, falar de Terras do Sado é lembrar do Moscatel de Setubal feito com a casta Moscatel ao estilo dos vinhos fortificados. São de tonalidade laranja, nariz floral e na boca casca de laranja e lima-limão. Ficaram famosos como os Torna-Viagem pois eram, no tempo do império muito vendidos para o Brasil, mas os que não eram vendidos voltavam nos navios para Portugal. Aí viram que o sacolejar das ondas e as trocas de temperatura nas barricas melhoravam bastante este vinho.

Este vinho doce compro e consumo com regularidade gosto muito de tomá-lo a noite quando dá vontade de beber algo docinho, vai muito bem com queijo Gorgonzola.

Estes tempos experimentei o Herdade da Comporta, ótimo vinho, também.

A foto aí em cima é de uma charmosa casa na cidade de Grândola.





MAIS UM VINHO DO GIRO PELA ITÁLIA DA TOSCANA -PÈPPOLI – CHIANTI – UM VINHO EDUCADO

4 07 2010

Mais um vinho apreciado no último encontro na Expand com o tema Um Giro pela Itália.

Eis um belo Chianti, um vinho com a marca da Toscana, região central da Itália. Um vinho educado, certo, taninos macios, aromas de baunilha e chocolate, nada neste vinho agride ou nos força a prestar atenção, mas também nada está fora do lugar. Numa roda de amigos certamente este vinho pode não causar suspiros, mas certamente irá agradar a todos, bem ao estilo Chianti. Este é produzido pela família Antinori envolvida em vinhos tem pelo menos 500 anos.

Os vinhos Chianti, aqui no Brasil são lembrados por muitos como o das indefectíveis garrafas gordinhas,  empalhadas e penduradas nas cantinas por aí a fora. Vinhos de qualidade sofrível.

Agora estamos frente a uma nova invasão destes tipo de vinho, mas uma invasão com vinhos de melhor qualidade.

É um vinho produzido nas colinas de Florença até Siena no coração da Toscana, antiga terra dos Etruscos que certamente começaram a produzir vinhos naquelas férteis terras.

A história e a estória dos vinhos Chianti é bastante truncada e cheio de reviravoltas em termos de qualidade dos vinhos, a sua legislação, suas disputas e suas denominações de origem.  Existem várias regiões demarcadas para o Chianti, o Clássico, Montalbano, Rufina, Colli Fiorentini, Colli Senesi, Colli Areniti e Colline Pisane.

Em geral o Chianti é um corte de Sangiovese, entre 50 a 80%  com uma turma de castas locais utilizadas de acordo com a safra, são elas Canaiolo Nero, Trebbiano Toscano e Malvásia del Chianti.

 

 

 





QUE CASTAS SÃO ESTAS – PRIMITIVO – PUGLIA – ITÁLIA

4 07 2010

Além de belas praias a Puglia, no calcanhar do mapa da Itália é a terra natal da Primitivo. Também conhecida nos Estados Unidos como a Zinfandel, que aliás os americanos a tem como casta ícone e insistem em dizer naiva por lá.

Na verdade é um uva antiga na região da Puglia, sul da Iália, região que vem sofrendo uma silenciosa revolução no plantio e produção de vinhos. A região sempre foi o berço da viticultura italiana, mas desde sempre produziu vinhos menos elaborados que o norte da Itália, hoje a situação muda, radicalmente, para melhor.

Aqui não é diferente,estauva nos traz vinhos de corpo médio a denso, vinhos volumosos, de cor escura e acidez média/alta, o que se traduz em vinhos de boa longevidade e bastante gastronômicos.

Eu gosto muito dos vinhos desta casta,principalmente pelo preço, sensivelmente mais baratos que seus afamados irmãos do norte.

Realmente recomendo que se  experimente vinhos com esta casta, além de muito bons têm uma tipicidade bastante forte, eis que afora os Estados Unidos, desconheço outro país produtor de vinhos que utiliza esta casta.

E num mundo tão globalizado um vinho com uma casta diferente sempre é bem-vindo, ainda mais quando se trata de um bom vinho.

Se não gostaram da música, tirem o som, por as imagens são lindas,





O MUNDO DOS VINHOS DOCES

4 07 2010

Tradição nos países da Europa, nem tanto por aqui. Os vinhos doces, assim entendidos aqueles que não possuem adição de açucar de cana, portanto o doce é próprio da uva, seja por genéica, seja por condução na videira ou na produção.

Basicamente podemos separar o grupo dos vinhos doces da seguinte maneira:

- ICE WINE – Como o cacho aí da foto. Em locais mais frios do que o de costume, os produtores retardam a colheita da uva e o fazem na primavera, muitas vezes abaixo de gelo e neve. Ao assim fazer colhem os cachos congelados, muias vezes de noite para conservar o gelo. Ao chegar na vinícola logo iniciam o processo de vinificação com os bagos das uvas congelados. Bem ao assim fazer a água, com cristais de gelo desidratam, naturalmente a uva diminuindo,em muito a produção, mas conservando todo o açucar natural da uva. Ao final resulta num vinho doce,  magistral e caro, algo em torno de R$ 200,00 meia garrafa, mas um vinho ímpar.

Os grandes mestres destes vinhos são os austríacos, com sua uva ícone Grünner Velttiner, seguidos pelos alemães, se bem que o Canadá e os Estados Unidos, principalmente o primeiro vem melhorando e muito seus Ice Wine. Existe também os Ice Wine, digamos forçados, no Brasil e Argentina, quando congelam o cacho das uvas, confesso que não conheço o resultado final.

- VINHOS BOTRITIZADOS – Nesta turma os famosos são os de Bordeux, com a casta Sémillon e o Tokaj, da cidade homônima, na Hungria com a casta Furmint. Em face do post anterior não muito mais a falar, apenas reiterar a extrema qualidade destes vinhos.

- LATE HARVEST – O mais barato e comum deles, técnica de retardar a colheita que em locais onde não há congelamento das uvas ou região para o aparecimento da Botrytis Cinerea. O retardo na colheita faz com que sejam vinificadas uvas quase passificadas, com desidratação natural dos bagos e, por consequência, concentração de açúcar. O Brasil produz ótimos Late Harvest, a Argentina,o Chile, enfim, são vinhos muito bons, principalmente, pelo preço pago são excelentes vinhos de ingresso neste mundo.

VINHOS FORTIFICADOS – São os vinhos do Porto, Moscatel de Setubal, Madeira, Açores (Portugal) Jerez de La Fronteira (Espanha), Marsala (Itália) e por aí vai. A técnica de produção é basicamente a mesma, no início da fermentação incui-se aguardente vínica que susta a fermentação mantendo alto índice de açúcar natural e teor alcoólico elevado.

Seja como quiser, saborear estes néctares é algo divino, eu gosto muito dos contrastes neste tipo de vinho, doce com salgado, um doce com queijo Gogonzola, por exemplo ou quente e frio, um sorvete com um vinho doce. Vale a experiência.

Enquanto esperar para apreciar um vinho deste quilate, vejam a colheita do Ice Wine.

 

 








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